quarta-feira, 3 de maio de 2023

Luxemburgo volta ao Corinthians para o seu maior desafio

 POR ROBERTO MAIA

Vanderlei Luxemburgo volta ao Corinthians após 21 anos e tem a missão de fazer o time voltar a ser competitivo. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

A crise do Corinthians parece não ter fim. Resultados ruim derrubaram Fernando Lázaro. E as redes sociais pressionaram Cuca a pedir para sair após apenas sete dias no comando do time. Um elenco com vários jogadores acima dos 30 anos, que embora com reconhecida capacidade técnica não conseguem corresponder em campo. E, fora dos gramados, a gestão de Duílio Monteiro Alves, que já vem sendo contestada por movimentos de oposição dentro do Parque São Jorge agora também é alvo dos torcedores que já se manifestam pedindo a sua saída.

E, no olho desse furacão corinthiano, o experiente treinador Vanderlei Luxemburgo chega para tentar consertar as deficiências mostradas em campo nos últimos anos. Ele não era o plano A e nem o B do presidente corinthianso. Embora não pareça que o atabalhoado departamento de futebol do Corinthians tenha algum plano elaborado.

Tite tinha a preferência mas preferiu continuar desfrutando as férias depois de deixar o comando da Seleção Brasileira. Mano Menezes também foi tentado, mas como tem contrato até dezembro com o Internacional decidiu continuar em Porto Alegre. Roger Machado foi sondado e descartado após pressões internas e das redes sociais.

Nesse contexto, o velho professor – ou “pofexô” como é chamado por torcedores – Luxemburgo retorna ao Corinthians para a sua terceira passagem. Ele tem a simpatia da Fiel Torcida porque conquistou o Brasileirão de 1998, quando montou um dos times mais memoráveis da história do clube, com jogadores como Gamarra, Marcelinho Carioca, Rincón, Vampeta, Edilson e Ricardinho. Elenco de craques que ele deixou para Osvaldo de Oliveira, o seu auxiliar à época, levantar o bicampeonato brasileiro em 1999 e o Mundial Interclubes de 2000. O sucesso no comando do Timão o levou à Seleção Brasileira, onde ganhou a Copa América.

Demitido da Seleção após a eliminação na Olimpíada de Sidney em 2000 Luxemburgo voltou ao Corinthians que vivia momentos parecidos com os de hoje. O Timão terminou a Copa João Havelange na penúltima colocação – sorte do clube que o regulamento não previa rebaixamento. Luxa conseguiu recuperar a autoestima do elenco e conquistou o Campeonato Paulista de 2001. Aliás, nos jogos finais do Paulistão daquele ano o treinador inovou ao se comunicar através de pontos eletrônicos com Ricardinho e com o goleiro Maurício. A tática acabou descoberta e acabou proibida pela FIFA.

Luxemburgo tem nova oportunidade de mostrar que é um dos mais vitoriosos treinadores brasileiros de todos os tempos. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Por essa e outras Luxemburgo é um dos mais vitoriosos treinadores do futebol brasileiro. Entre os títulos mais relevantes estão a Copa América com a Seleção Brasileira, Brasileirão Série A cinco vezes, Copa do Brasil, Torneio Rio-São Paulo duas vezes, além de 14 estaduais (SP-9, MG-2, ES-1, PE-1 e RJ-1).

Tamanho sucesso no futebol brasileiro levou Luxemburgo para o Real Madrid em 2004. O gigante espanhol tinha um elenco de craques apelidado de Galácticos com Ronaldo, Roberto Carlos, Figo, Zidane, Beckham, Sergio Ramos, Casillas, Raúl, entre outros. Luxa entrou em conflito com alguns medalhões do time e sua passagem por Madri durou apenas uma temporada.

Fora dos campos Luxemburgo sempre viveu uma “vida louca”. Além do conhecido caso de assédio sexual contra uma manicure em um hotel onde o Palmeiras estava concentrado, também esteve envolvido e investigado por suspeita de sonegação fiscal e suposto esquema na compra e venda de jogadores. Foi inclusive convocado para depor diante de uma CPI do futebol que investigava sua ligação com uma empresa acusada de lavagem de dinheiro. Além disso, foi pego também por falsidade ideológica e teve que alterar as letras W e Y de seu nome por V e I.

Com 71 anos, Luxemburgo ao assumir o Corinthians, após ficar um ano desempregado, tem talvez a última grande oportunidade de sua carreira para mostrar que continua atualizado e é um dos maiores treinadores do futebol brasileiro de todos os tempos. O desafio é grande, mas o “pofexô” sempre tem uma carta na manga.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

terça-feira, 25 de abril de 2023

Cuca no Corinthians causa polêmica e agita redes sociais

POR ROBERTO MAIA

Cuca se declara inocente no caso ocorrido na Suíça; foi condenado há 15 meses de prisão, mas nunca cumpriu a pena. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Começo a coluna desta semana lembrando que na anterior comentei que Rogério Ceni e Fernando Lázaro poderiam perder os empregos. Dito e feito. Os treinadores não resistiram e foram demitidos dos cargos. Ceni volta ao mercado e Lázaro fica no Corinthians agora como auxiliar técnico do novo treinador Cuca.

E é sobre a contratação de Cuca que quero tratar esta semana. Sem dúvida um treinador conceituado no Brasil e com importantes conquistas: Libertadores (2013), Campeonato Brasileiro (2016 e 2021), Copa do Brasil (2021), Campeonato Mineiro (2011, 2012, 2013 e 2021) e Campeonato Carioca (2009).

Mas, apesar de ser considerado um treinador qualificado, a sua contratação pelo Corinthians trouxe à tona um caso que Cuca queria ver esquecido: a acusação de violência sexual a uma menina de 13 anos ocorrida na Suíça em 1987.

Cuca e outros três jogadores do Grêmio foram julgados à revelia e condenados pelo tribunal de Berna há 15 meses de prisão. Os jogadores que retornaram ao Brasil nunca cumpriram a pena. O crime prescreveu em 2012.

O treinador sempre negou participação no episódio e seguiu normalmente sua carreira como jogador de futebol. Depois do Grêmio ainda atuou por Real Valladolid, Internacional, Palmeiras, Santos, Portuguesa, Remo, Juventude e Chapecoense. Como treinador comandou o São Paulo, Palmeiras, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro e Santos.

Outro jogador acusado pelo mesmo crime na Suíça, o zagueiro Henrique também seguiu adiante. Inclusive jogou no Corinthians entre 1992 e 1997, onde participou de 292 jogos, fez 17 gols e foi até capitão do time.

Não estou aqui para julgá-los nem para defendê-los. O que quero ressaltar é que é impossível apagar a história. Ela sempre volta. Para o azar de Cuca e de muitas outras pessoas atualmente, as redes sociais chegaram e resgatam atos comedidos no passado. Ela também julga e condena. Nela os crimes cometidos nunca prescrevem. E a condenação é implacável e perpétua.

A direção do Corinthians devia saber disso quando resolveu trazer Cuca para o Timão. Correu o risco e estabeleceu uma pressão que pode prejudicar o time em um momento decisivo da temporada.

Na sexta-feira passada, um grupo de torcedoras foi ao CT Joaquim Grava para protestar. As torcidas organizadas Camisa 12, Estopim e Pavilhão 9 publicaram notas de repúdio. Muros do Parque São Jorge foram pichados com frases como “Fora Cuca”.

No domingo passado, no minuto 87 do jogo contra o Goiás, as jogadoras do time feminino do Corinthians e até o treinador Arthur Elias criticaram em postagens nas medias sociais a escolha da diretoria. Para um clube que tem slogan como “Respeita as Minas”, contratar um profissional que tem condenação por estupro de vulnerável é muito incoerente.

Atualmente haveria repercussão em qualquer time que ousasse contratar Cuca, mas no Corinthians ganhou repercussão muito maior. Afinal, o clube tem mais de 50% dos seus torcedores do sexo feminino. E sempre se envolveu em importantes causas sociais. A própria arena Neo Química ostenta dizeres como “é o time do povo”.

O presidente Duílio não pensou no legado deixado pelo seu pai Adilson Monteiro Alves, líder do movimento Democracia Corinthiana – juntamente com o saudoso doutor Sócrates – que marcou época no futebol brasileiro por defender a democracia no futebol e no País.

O Corinthians é muito grande e não precisava de Cuca. Entendo que o treinador é competente e pode até vir a conquistar títulos no Timão. Mas estará registrado na história do clube para sempre e as redes sociais não irão esquecer e nem perdoar.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

terça-feira, 18 de abril de 2023

Rogério Ceni e Fernando Lázaro estão na corda bamba

POR ROBERTO MAIA

Como treinador do São Paulo, Rogério Ceni não conseguiu manter o mesmo prestígio que conquistou como jogador. (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Os treinadores Rogério Ceni do São Paulo e Fernando Lázaro do Corinthians têm sido alvos de muitas críticas por parte de torcedores, imprensa esportiva e de dirigentes e conselheiros dos seus respectivos clubes. Ou começam a mostrar serviço ou correm o risco de perder o emprego.

Escrevi essa coluna na terça-feira, dia 18, antes do jogo do São Paulo contra o Academia Puerto Cabello, das Venezuela, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Estou correndo um sério risco. Pois, em caso de um resultado negativo Ceni pode ser demitido. Esse é o pensamento da cúpula do futebol do Tricolor.

Ídolo da torcida como jogador que mais vezes vestiu a camisa são-paulina, Ceni não consegue manter o mesmo prestígio como treinador. Todos esperavam mais dele após as várias contratações de jogadores solicitadas. Mas o início de temporada com derrotas em jogos importantes e a eliminação do Paulistão para o Água Santa colocaram o técnico na linha de tiro.

No Morumbi já se discute abertamente nomes para ocupar o cargo de Rogério Ceni. Alguns falam em contratar um treinador estrangeiro e outros defendem um brasileiro que já conheça os jogadores do elenco. O nome de Dorival Júnior, atualmente livre no mercado, é um dos favoritos entre os são-paulinos.

Em sua segunda passagem como treinador do São Paulo, Ceni chegou ao clube em outubro de 2021. Não conquistou títulos, mas foi vice-campeão do Paulistão e da Copa Sul-Americana na temporada passada. Até o momento, comandou o Tricolor em 140 jogos, com 62 vitórias.

Fernando Lázaro prestigiado?

Cresce entre os corinthianos o entendimento é que Fernando Lázaro ainda não está preparado para comandar o Timão. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

No arquirrival Corinthians a sucessão de Fernando Lázaro também é assunto dominante. Muito embora o presidente Duílio Monteiro Alves garanta que o treinador está prestigiado pela diretoria. Mas como bem sabemos, isso não costuma significar nada no mundo do futebol.

Torcedores e conselheiros do Corinthians já não confiam em Lázaro. É voz corrente que ele não está preparado para comandar um time como o do Timão. Ser filho do ídolo Zé Maria e ter atuado como um analista de desempenho acima da média estão lhe dando sobrevida no cargo.

Apesar de ter ficado mais de 30 dias sem jogos oficiais e somente treinando, o time não mostrou nenhuma evolução técnica. A derrota para o Remo, em Belém, pela Copa do Brasil, deixou evidentes as deficiências do time.

E tal como no Morumbi, o nome de Dorival Júnior é cogitado entre os corinthianos, que ainda sonham com a volta de Tite. Sorte do ex-treinador do Flamengo, que está valorizado e poderá surgir como técnico de São Paulo ou Corinthians no caso de demissão de Rogério Ceni ou Fernando Lázaro.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

terça-feira, 11 de abril de 2023

Palmeiras se impõe e conquistas o 25° Paulistão da sua história

POR ROBERTO MAIA

O Palmeiras agora tem 25 taças do Paulistão, apenas cinco a menos que o arquirrival Corinthians. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

O Palmeiras distribuiu chocolate no domingo de Páscoa ao derrotar o Água Santa por 4 a 0 e conquistou o bicampeonato paulista. Após ser derrotado no primeiro jogo (2 a 1), o Verdão entrou em campo disposto a reverter o resultado ou “passar vergonha” como disse o treinador Abel Ferreira. Não passou, muito pelo contrário.

Com dois gols de Gabriel Menino, Endrick e Flaco López, o Palmeiras agora coleciona 25 taças do Paulistão. É o segundo maior vencedor, atrás apenas do arquirrival Corinthians que tem 30.

Em 2022, o Verdão também reverteu um placar desfavorável no primeiro jogo contra o São Paulo, que venceu no Morumbi por 3 a 1. No Allianz Parque derrotou o Tricolor por 4 a 0.

O fato é que o Palmeiras atualmente não tem adversários à altura na competição estadual. Está nadando de braçada. Com um elenco milionário que responde fielmente ao comando certeiro de Abel Ferreira, impõe seu jogo e passa por cima dos demais concorrentes.

O treinador português chaga assim ao seu oitavo título desde que chegou ao clube no final de 2020. Um feito notável sem dúvida. Abel igualou Vanderlei Luxemburgo em número de conquistas no Verdão e fica atrás somente de Oswaldo Brandão, que levantou 10 taças.

Em apenas dois anos e meio, Abel Ferreira venceu o Paulistão duas vezes (2022 e 2023), o bicampeonato da Libertadores (2020 e 2021), além de campeão brasileiro (2020), da Recopa Sul-Americana (2022), Copa do Brasil (2020) e Supercopa (2023). Importante lembrar que nos últimos 10 anos o Verdão conquistou 12 títulos.

Weverton é o goleiro com mais títulos conquistados na história do Palmeiras. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Mas no atual elenco palmeirense ninguém tem mais conquistas que o goleiro Weverton. Desde 2018, quando chegou ao Verdão, ele levantou 10 taças e se isolou como o goleiro com mais títulos na história do clube.

Mas o domingo de Páscoa não foi feliz apenas para a torcida do Palmeiras. No Rio de Janeiro, o Fluminense sagrou-se campeão revertendo um resultado negativo no primeiro jogo da decisão contra o Flamengo. O resultado (4 a 1) refletiu o que aconteceu no Maracanã. O Tricolor comandado por Fernando Diniz venceu o Mengão com autoridade.

Ao contrário de Abel Ferreira que coleciona conquistas, o seu compatriota Vitor Pereira acumula fracassos no Brasil. Em sua passagem pelo Corinthians não conquistou nenhum título. Deixou o Timão alegando problemas na saúde da sogra e assinou com Flamengo, um time vencedor nas mãos de Dorival Junior. E em apenas três meses conseguiu a façanha de perder quatro decisões: Supercopa do Brasil, Mundial de Clubes, Recopa Sul-Americana e Campeonato Carioca.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 10 de março de 2023

Paulistão 2023 chega à fase decisiva. Agora é mata-mata!

 POR ROBERTO MAIA  

O Corinthians fez a quinta melhor campanha do Paulistão e agora enfrenta o Ituano na sua arena. (Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians)

Após 12 rodadas foram definidos os times que farão os jogos das quartas de final do Campeonato Paulista deste ano. E podemos dizer que não houve grandes surpresas.  

A fase de grupos do Paulistão chegou no último domingo (5) e além dos times que farão os jogos de mata-mata no próximo final de semana, foram conhecidos os rebaixados.

Seguem na disputa o Palmeiras, São Bernardo, São Paulo, Água Santa, Corinthians, Bragantino, Botafogo e Ituano. Caíram para a Série A2 o São Bento de Sorocaba e a Ferroviária de Araraquara.

As campanhas do São Bernardo e do Água Santa podem ser consideradas surpreendentes. Porém, por causa do regulamento, o time de São Bernardo terá que enfrentar o Palmeiras, o primeiro colocado do seu grupo. Uma pena, já que um dos dois melhores times do torneiro será eliminado em um jogo único.

O Palmeiras de Endrick terminou a primeira do Paulistão como líder e único invicto da competição. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

A Portuguesa que retornou à Série A1 este ano escapou da degola por um detalhe: um saldo negativo com um gol de diferença. A Lusa terminou o Paulistão com saldo de -8 (10 gols marcados e 18 sofridos), enquanto o São Bento ficou com -9 (5 gols marcados e 14 sofridos).

Já o Santos segue decepcionando seus torcedores e mais uma vez fica de fora da fase eliminatória do campeonato.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) já definiu as datas e horários das quartas de final do Paulistão. A rodada terá início no sábado (11), com o jogo entre Palmeiras e São Bernardo, as 19h, no Allianz Parque. No domingo (12), serão realizados dois jogos: Corinthians e Ituano, às 16h, na Neo Química Arena; e Bragantino e Botafogo, às 19h30, no Nabi Abi Chedid, em Bragança. E, na segunda-feira (13), São Paulo e Água Santa se enfrentarão às 20h, no Allianz Parque.

Lembrando que o Tricolor não jogará no Morumbi porque receberá uma série de seis shows da banda britânica de pop-rock Coldplay. O estádio ficará interditado para jogos até 18 de março.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Camisa da Seleção Brasileira corre risco de estigmatização

POR ROBERTO MAIA

A tradicional camisa amarela da Seleção Brasileira foi adotada em 1954, na Copa do Mundo disputada na Suíça. (Foto: CBF/divulgação)

Após os atos terroristas verificados no último domingo em Brasília, quando milhares de pessoas invadiram, depredaram e saquearam os prédios do Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Palácio do Planalto, diversas entidades saíram em defesa da democracia e das instituições. Nada mais justo. Afinal a constituição brasileira precisa ser respeitada e cumprida e o estado de direito preservado.

Mas não quero entrar aqui no aspecto político e ideológico da questão. Entendo que não seja o espaço adequado para isso. Quero falar sobre o risco da camisa da Seleção Brasileira – e também a bandeira do Brasil – ficar estigmatizada.

Nos últimos quatro anos os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro adotaram a camisa canarinho e a bandeira nacional como símbolos de patriotismo. O que sempre significaram. A bandeira desde a proclamação da República em 1889 e a camisa amarela a partir da Copa do Mundo de 1954, que foi disputada na Suíça.

Porém, a Copa disputada no Catar no final de 2022 mostrou que grande parcela dos brasileiros teve receio de usar a consagrada camisa amarela da Seleção com medo de serem confundidos em termos de ideologia política. Muitos optaram pela versão azul da camisa número 2, enquanto outra parte preferiu vestir camisas dos times pelos quais torcem.

Camisa da Seleção era maioria entre os manifestantes que invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Nike, fornecedora das camisas da Seleção, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) perceberam isso e tentaram algumas ações antes e durante a Copa para mostrar que a vestimenta é de todos os brasileiros. Acho que não tiveram o sucesso que imaginaram.

Agora, após os atos golpistas e antidemocráticos em Brasília, os dois símbolos nacionais correm risco real de estigmatização. Tanto que a CBF rapidamente emitiu um comunicado repudiando os ataques à Praça dos Três Poderes. A entidade se classificou como "apartidária e democrática", bem como solicitou que a camisa da Seleção Brasileira seja utilizada "para unir e não para separar os brasileiros".

"A camisa da Seleção Brasileira é um símbolo da alegria do nosso povo. É para torcer, vibrar e amar o país. A CBF é uma entidade apartidária e democrática. Estimulamos que a camisa seja usada para unir e não para separar os brasileiros. A CBF repudia veementemente que a nossa camisa seja usada em atos antidemocráticos e de vandalismo", diz a nota divulgada na manhã de segunda-feira (dia 9).

O futuro da tradicional camisa amarela da Seleção Brasileira pentacampeã mundial está em risco. A CBF e a Nike sabem disso e estão bastante preocupadas. Afinal, depois do que aconteceu no Distrito Federal será muito difícil despolitizar o manto e traze-lo de volta para todos os brasileiros. 

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

O DIA EM QUE DEI DE CARA COM O REI PELÉ NO MARACANÃ

 POR ROBERTO MAIA

À direita na foto, eu tive a oportunidade de participar de algumas entrevistas com o Rei Pelé, o mais genial jogador de todos os tempos. (Reprodução TV Globo)

O assunto dessa semana não poderia ser outro senão a morte do cidadão brasileiro Edson Arantes do Nascimento, aos 82 anos de idade. Mas, o Rei Pelé, um verdadeiro mito e cidadão do mundo, segue vivo pois é imortal.

Ao longo de minha carreira como jornalista tive a oportunidade de participar de algumas entrevistas com Pelé. Nenhuma enquanto ele destruía adversários em campo. Todas depois que ele deixou de jogar. Uma delas quando ele foi ministro dos Esportes na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Teve até uma entrevista exclusiva conseguida de maneira inusitada. No dia 3 de setembro de 1989 fui ao Maracanã para cobrir o jogo entre Brasil e Chile, válido pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 1990, na Itália. Eu era um jovem repórter em início de carreira e à época trabalhava na rádio Iguatemi de Osasco.

O jogo ganhou repercussão mundial por causa de um incidente. A Seleção Brasileira vencia pelo placar de 1 a 0, com gol de Careca. O resultado dava a classificação ao Brasil e eliminava o Chile. Até que, aos 24 minutos do segundo tempo, um rojão foi disparado ao campo e caiu próximo ao goleiro chileno Roberto Rojas, que caiu no chão, fingindo estar ferido.

O jogo não terminou. Se o Brasil fosse punido o Chile herdaria a vaga para a Copa. A polícia identificou a torcedora que teria atirado o rojão. Mas, no dia seguinte, várias fotos e imagens de televisão revelaram que o foguete não atingiu Rojas. O artefato explodiu pouco mais de um metro de distância do goleiro.

O jogo ficou marcado para história como um dos acontecimentos mais vergonhosos do futebol mundial. O Chile foi banido das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994 e Rojas teve a carreira encerrada ao ser banido para sempre do esporte. A fama repentina da torcedora de 24 anos a levou a ser capa da revista Playboy e ela ficou conhecida como a “Fogueteira do Maracanã”.

Contei tudo isso para voltar ao encontro com Pelé onde consegui uma entrevista exclusiva. Após o termino do jogo sai da tribuna de imprensa para ir à sala onde seria realizada a coletiva. Caminhei por um corredor à procura da escada que me levaria ao térreo do estádio. Não encontrei a saída e ao abrir uma porta qualquer dei de cara com Pelé. Foi como se eu estivesse frente a frente com uma entidade superior, um ser mitológico que paira acima dos humanos. Sim, tomei um baita susto!

Sozinho, Pelé também estava perdido à procura das escadas. Percebi nesse momento que ele também era humano como eu. Lembro que ele perguntou se eu sabia onde era a saída. Mas não me lembro se consegui responder alguma coisa. Mas logo o meu instinto de jornalista me trouxe de volta à Terra. E, sacando meu gravador pedi para ele dizer algumas palavras sobre o incidente que marcou o jogo.

O Rei gentilmente se dispôs e falou enquanto caminhávamos em busca da escada. Achamos a saída e o maior atleta do século 20, autor de 1.283 gols e único jogador a ganhar três Copas do Mundo se despediu de mim com um sorriso e desapareceu em meio à multidão de súditos que logo o reconheceram. Eu então respirei fundo e fui para a entrevista coletiva sem me dar conta que tinha um tesouro comigo.

Infelizmente não tenho uma foto desse dia histórico. Até porque os celulares com câmeras ainda eram coisa de ficção científica. Tão pouco tenho a gravação da entrevista exclusiva com o Rei. Mas, tudo bem, porque hoje posso dizer e deixar registrado aqui que um dia eu tive o privilégio de estar junto e falar com o maior e mais genial jogador de futebol de todos os tempos.

Que o Edson Arantes do Nascimento descanse em paz, porque o Pelé é eterno!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Campeonato Brasileiro de 2023 terá força máxima

 POR ROBERTO MAIA

Troféu do Brasileirão terá forte concorrência em 2023. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)  

Nessa fase de treinadores estrangeiros no Brasil ouvi muitos deles justificando resultados negativos à competitividade dos clubes que integram a Série A do Campeonato Brasileiro. E eles estão absolutamente certos. O Brasileirão está entre as competições nacionais mais difíceis do mundo.

E não é por menos. Basta analisarmos o Brasileirão de 2023, que terá 15 times que já foram campeões entre os 20 da Série A. São eles: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Fluminense, Flamengo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Athletico-PR, Grêmio, Internacional, Coritiba e Bahia. Apenas América-MG, Goiás, Fortaleza e Red Bull Bragantino que nunca conquistaram o troféu.

Até o momento que escrevia essa coluna 19 equipes já estão no Brasileirão do próximo ano. Cuiabá, Atlético-GO e Ceará ainda lutam pela última vaga. Mas, acredito que o clube do Mato Grosso seguirá no grupo de elite, que terá a volta de Cruzeiro, Grêmio, Vasco e Bahia que disputaram a Segundos em 2022. Portanto, o Brasileirão de 2023 terá força máxima e será um dos mais competitivos dos últimos anos.

Vitor Pereira tinha vontade de rir quando ouvia que o Campeonato Brasileiro era o mais difícil do mundo. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

Vitor pereira, o treinador português do Corinthians, definiu bem as dificuldades do Brasileirão, além da qualidade técnica dos times. Em uma entrevista ele afirmou que tinha vontade de rir quando ouvia outros dizerem que o Campeonato Brasileiro era o mais difícil do mundo.

“Quando eu vi o Jorge Jesus dizer que o Campeonato Brasileiro era o mais difícil do mundo eu não acreditava. Eu ri, achei que ele devia estar brincando. Nunca tinha visto para estudar, achava lento, mas é algo que nunca vi igual na minha vida. Aqui não fui nem de longe o treinador que já fui”, disse.

Segundo Pereira, o futebol brasileiro é um desafio muito grande pela falta de tempo para treinar, o calendário dificílimo, as viagens longas e constantes e as variações de temperaturas. “Eu tenho que confessar, já estive em vários países e o Brasil é o primeiro onde praticamente não tenho vida. Não tenho tempo para viver. Mas tem sido uma experiência difícil, mas enriquecedora”, afirmou.

Campeão brasileiro de 2022, Abel Ferreira fala sobre as dificuldades para se manter no topo. (Foto Cesar Greco/Divulgação)

Se Vitor Pereira foi pego de surpresa, bastava dois minutos de prosa com o seu conterrâneo Abel Ferreira, o vitorioso treinador do Palmeiras. O mister do Verdão também sempre afirmou que o Campeonato Brasileiro é um dos mais competitivos do mundo e que é muito difícil se manter no topo.

“É difícil ganhar e continuar a ganhar aqui. Vemos várias equipes que ganharam em um passado recente, há um ano, e que no ano seguinte não leva nada. Só no Brasil é possível o último colocado ganhar na casa do primeiro colocado, em nenhum outro campeonato é possível, só no Brasil. São equipes muito competitivas e há muitos candidatos ao título no Brasil e só uma que vai ganhar. Então, se tivesse aqui dois Guardiolas ou dois Klopps ou dois Mourinhos ou o que fosse, somente um seria campeão e quatro deles vão descer”, conclui o treinador campeão do Brasileirão 2022.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Tite convoca Seleção Brasileira para Copa do Mundo com Dani Alves

 POR ROBERTO MAIA

Tite anuncia lista de 26 jogadores que defenderão Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

A convocação final para uma Copa do Mundo sempre causa surpresas e reclamações por parte da imprensa e torcedores. Mas sempre porque o treinador deixou de convocar esse ou aquele jogador. Foi assim com as ausências de Neto (1990), Alex e Romário (2002) e tantos outros “injustiçados”.

Mas, dessa vez recaem sobre um jogador convocado que a maioria acha que não deveria estar no grupo que irá à Copa do Mundo FIFA Catar 2022: Dani Alves. Aos 39 anos ele será o atleta mais velho a participar de um Mundial vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Será a sua terceira Copa.

Embora tenha uma carreira com histórico vencedor, Dani Alves não tem mostrado o futebol de qualidade que o consagrou. Depois de passagem apagada pelo São Paulo, foi para o Barcelona e acabou dispensado. Atualmente tem vínculo com o Pumas do México, mas não é titular e não joga uma partida desde setembro.

Sem dúvida essa é uma cartada muito arriscada de Tite, um treinador conhecido pela fidelidade aos atletas que dirige. Se o comandante vinha sendo elogiado pela campanha realizada nos últimos quatro anos - apenas cinco derrotas em 76 jogos -, agora é alvo de fortes críticas.

Se conquistar o hexacampeonato será alçado à categoria de gênio estrategista, mas se perder com Dani Alves jogando será jogado à vala comum dos derrotados.

Dani Alves é o jogador com mais títulos oficiais conquistados na história do futebol mundial: 43. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Durante o anúncio dos 26 convocados o treinador demonstrou confiança e otimismo sobre a participação do Brasil na Copa do Mundo no Qatar. No cargo técnico desde 2016, Tite teve um ciclo de quatro anos inteiros para a preparação.

“Agora é um processo inteiro de quatro anos. Tivemos mais tempo de trabalho, pudemos fazer mais testes e chamar mais jogadores. Mas não dá para comparar gerações”, afirmou.

O retrospecto de Tite lhe credencia para acreditar em um bom resultado na Copa. Em seis anos de trabalho, foram 76 jogos, com 58 vitórias, 13 empates e apenas 5 derrotas. No atual ciclo do Mundial, são 50 jogos, com 38 vitórias, 9 empates e 3 derrotas.

“Não estou dizendo que o time vai ganhar, mas o time chega mais forte, mais estruturado. Os atletas sabem como a gente trabalha. A seleção chega mais firme, mais forte e consistente para o Mundial”, garantiu.

A Seleção Brasileira inicia os treinamentos para a Copa do Mundo no dia 14 de novembro, em Turim, na Itália. A viagem para o Catar está marcada para o dia 19, cinco dias antes da estreia contra a Sérvia.

Confira a lista dos 26 convocados para defender o Brasil no Mundial do Catar:

Goleiros - Alisson - Liverpool (ING), Ederson - Manchester City (ING) e Weverton – Palmeiras (BRA);

Laterais - Alex Sandro - Juventus (ITA), Alex Telles - Sevilla (ESP), Dani Alves – Pumas (MEX) e Danilo - Juventus (ITA);

Zagueiros - Bremer - Juventus (ITA), Éder Militão - Real Madrid (ESP), Marquinhos - Paris Saint Germain (FRA) e Thiago Silva - Chelsea (ING);

Meias - Bruno Guimarães - Newcastle (ING), Casemiro - Manchester United (ING), Everton Ribeiro - Flamengo (BRA), Fabinho - Liverpool (ING), Fred - Manchester United (ING) e Lucas Paquetá - West Ham United (ING);

Atacantes - Antony - Manchester United (ING), Gabriel Jesus – Arsenal (ING), Gabriel Martinelli – Arsenal (ING), Neymar Jr. - Paris Saint Germain (FRA), Pedro – Flamengo (BRA), Raphinha - Barcelona (ESP), Richarlison - Tottenham (ING), Rodrygo - Real Madrid (ESP) e Vinicius Jr. - Real Madrid (ESP).

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Dorival Júnior vive dias de glória no Flamengo

POR ROBERTO MAIA

Dorival Júnior vive seu melhor momento como treinador de futebol e é cotado para suceder Tite na Seleção Brasileira. (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Em poucos dias o Flamengo conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores e o treinador Dorival Júnior passou a ser especulado para suceder Tite no comando da Seleção Brasileira a partir de 2023.

Considerado um bom técnico de futebol, Dorival Júnior vive aos 60 anos de idade o seu principal momento na carreira. Nos últimos tempos ele vinha desempenhando o papel secundário no cenário do futebol brasileiro até que surgiu o convite do Flamengo, em junho, para ocupar o lugar do português Paulo Sousa, demitido. O treinador não pensou duas vezes e deixou o Ceará onde trabalhou menos de três meses.

Claro que os torcedores do Vozão não gostaram da atitude de Dorival, Porém, dizer não para um convite do Mengão não é para qualquer um. E a decisão se mostrou acertada.

Apesar do elenco qualificado, o Flamengo patinava sob o comando de Paulo Sousa. Os torcedores – e alguns diretores - sonhavam com a volta de Jorge Jesus ao comando técnico quando Dorival foi anunciado. Muita gente torceu o nariz acreditando que ele não estaria à altura para comandar um time milionário e cheio de estrelas.

Apesar de experiente e com muita rodagem no futebol brasileiro, poucos acreditaram que Dorival pudesse dar conta do recado. Mas com muita humildade ele foi acertando o time e logo os resultados apareceram. Seu principal acerto foi conseguir escalar Gabigol e Pedro juntos, algo que seu antecessor dizia ser impossível. Outra decisão importante foi definir duas equipes diferentes para atuar nas copas e no Brasileirão. Também deu certo.

Também pesou positivamente a favor de Dorival o seu conhecimento de vários jogadores do Flamengo que já haviam trabalhado com ele em outras equipes. Casos de Filipe Luís no Figueirense, Santos e Léo Pereira no Athletico-PR, por exemplo.

Em participação no programa Bem, Amigos! do Sportv na segunda-feira (31), Dorival admitiu que assumiu o Flamengo em um momento difícil. “Era um momento complicado, de incerteza grande e insegurança. Ninguém servia ou prestava para a equipe naquele momento. Um exemplo é que o Filipe Luís estava sendo contestado e hoje ele figura numa possível convocação para a Seleção”, disse.

Segundo Dorival, a comissão técnica e o estafe do Rubronegro foram de vital importância no sucesso do trabalho. “Concordo que tivemos uma participação importante, mas divido isso com toda a comissão e estafe do Flamengo. Não tivemos mais ninguém com lesão muscular com exceção da última partida, o que nos deu sustentação. As duas equipes que jogaram, cada uma com o seu padrão, responderam muito bem. Acredito que nossas decisões foram acertadas para chegar forte nos momentos decisivos das duas taças”, afirmou.

Filipe Luís vinha sendo contestado no Mengão até a chegada de Dorival Júnior. (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Dorival Júnior, nasceu em Araraquara, cidade do interior paulista onde iniciou a carreira como jogador de futebol jogando na Ferroviária. Também jogou no Marília, São José, Coritiba, Palmeiras, Guarani, Grêmio, Figueirense, Sport, Botafogo de Ribeirão Preto, entre outras equipes. No Verdão ele jogou entre 1989 e 1992, onde foi treinado por Leão e jogou ao lado do meia Neto.

Após parar de jogar foi auxiliar técnico de Luiz Carlos Ferreira e Muricy Ramalho. Em 2003 teve inicia sua carreira como treinador. Comandou o Figueirense, Fortaleza, Criciúma, Juventude, Sport, Avaí e São Caetano, onde foi vice-campeão do Paulistão de 2007. O bom trabalho chamou a atenção do Cruzeiro que o contratou. Ele comandou o time no Brasileirão daquele ano e classificou o time mineiro para a Libertadores.

Na sequência dirigiu o Coritiba, o Vasco da Gama – que estava na Série B; o Santos, onde conquistou a Copa do Brasil e do Campeonato Paulista de 2010 e foi demitido após barrar o atacante Neymar de um clássico com o Corinthians; o Atlético-MG, o Internacional, onde foi campeão gaúcho de 2012; o Flamengo; o Vasco novamente; o Fluminense, que brigava para escapar do descenso no Brasileirão; o Palmeiras; o Santo mais uma vez; o São Paulo após a demissão de Rogério Ceni em 2017, ano em que conseguiu livrar o Tricolor do rebaixamento; o Flamengo mais uma vez; Athletic-PR e Ceará antes de retornar ao Mengão e conseguir a consagração.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Copa do Mundo FIFA Catar 2022 será diferente de todas as outras

 POR ROBERTO MAIA

A Copa do Mundo no Catar terá oito arenas (7 novas e 1 reformada) para receber torcedores de todo o mundo com muito conforto. O Lusail com 86,2 mil lugares receberá jogos do Brasil contra a Sérvia e Camarões, além da grande final. (Foto: Visit Qatar/Unsplash)

Falta pouco para o início da 22ª edição da Copa do Mundo da FIFA. E será a primeira realizada em um país do Oriente Médio, o Catar. O maior evento esportivo do planeta promete ser diferente de todos os outros já vistos. O torneio internacional de futebol masculino organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), que reunirá 32 seleções nacionais, será realizado entre 21 de novembro e 18 de dezembro.

No Brasil o clima para a Copa ainda está bastante frio por conta da eleição presidencial no próximo domingo, dia 30. Tomara a torcida e a festa brasileira típica dessas ocasiões ganhe força após a convocação da Seleção Brasileira no próximo dia 7 de novembro.

Nunca uma Copa do Mundo foi disputada em um país tão pequeno - apenas 11.574 km². Os deslocamentos das seleções serão mínimos, o que aliviará muito o desgaste em viagens. Será muito diferente das duas últimas edições do torneiro realizadas no Brasil e na Rússia, países com dimensões continentais.

Os torcedores que irão à Copa do Catar também serão beneficiados porque sobrará muito mais tempo para o turismo e o lazer. Mas é bom lembrar que não será barato ir ao Catar. E quem não tiver ingressos e acomodações reservadas previamente será impedido de entrar no país. Definitivamente essa não será uma Copa para aventureiros.

Os torcedores com ingressos e reserva nos hotéis receberão o Hayya Card, uma espécie de visto com duração para o período do Mundial. Sem ele será impossível entrar em um estádio.

Os brasileiros figuram na nona colocação na lista dos países que mais compraram ingressos para os jogos – mais de 39,5 mil. Os argentinos, apesar da crise na economia do pais, aparecem em sétimo com pouco mais de 61 mil ingressos adquiridos.

Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, até o momento foram vendidos 2,7 milhões de ingressos de um total de 3,1 milhões disponíveis.

Principal cidade do Catar, Doha ostenta modernos edifícios e uma série de atrativos turísticos para os torcedores que irão à Copa do Mundo. (Foto: Pixabay)

O Catar espera receber mais de 1,2 milhão de turistas para a Copa do Mundo. A expectativa do país é de arrecadar carca de R$ 17 bilhões, além de usufruir do momento para apresentar a cultura e pontos turísticos da região.

Para além dos jogos, há uma grande variedade de atrativos para os visitantes. O ponto central será a capital Doha, que se tornou referência quando se fala em prosperidade.

Doha ostenta imponentes e modernos edifícios, oferecendo um belo plano de fundo para uma área verde repleta de cafés, restaurantes, instalações para exercícios ao ar livre e até mesmo uma pista de atletismo.

Entre as atrações turísticas de Doha estão os museus que remetem às raízes culturais da cidade; os safáris no deserto; as lindas praias como a do Katara, que oferece infraestrutura de alto nível; e a gastronomia de classe mundial e extremamente diversificada.

Entramos na contagem regressiva para o início da Copa do Mundo. E tomara o povo brasileiro possa estar unido em torno da nossa Seleção em busca do hexacampeonato!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Benzema ganha a Bola de Ouro como o melhor do mundo

 POR ROBERTO MAIA

Bola de Ouro 2022 consagra a excepcional temporada de Benzema no Real Madrid, onde marcou 44 gols em 46 jogos. (Foto: Reprodução Sportv)

Aos 34 anos, Karim Benzema, atacante francês do Real Madrid, recebeu pela primeira vez o troféu Bola de Ouro, evento anual realizado pela revista France Football, que premia o melhor jogador da temporada. A segunda colocação ficou com Sadio Mané do Bayern de Munique, seguido por De Bruyne do Manchester City, Lewandowski do Barcelona e Salah do Liverpool. O brasileiro Vini Jr. ficou na oitava colocação.

Benzema era o favorito pela excepcional temporada 2021/2022 que realizou no clube de Madri. Ele marcou 44 gols em 46 jogos, além de garantir 15 assistências que resultaram em gols. Também conquistou os títulos da Liga do Campeões (Champions), Campeonato Espanhol, Supercopa da Europa e Supercopa da Espanha.

A France Football faz uma lista de 30 finalistas — 20, no feminino — e a submete a jornalistas de diferentes países. Na última edição, foram 180 participantes. Cada um faz o seu Top-5, e pontuações são dadas por posição. O melhor colocado leva a Bola de Ouro.

Após receber a Bola de Ouro, Benzema fez referência a seus ídolos Zidane e Ronaldo Fenômeno. "Tenho muito orgulho do meu percurso. Era meu sonho de criança. Cresci com isso na minha cabeça e depois tive toda motivação na minha vida com Zidane e Ronaldo", afirmou, apontando para os ex-jogadores também presentes na cerimônia.

Criado em 1956, a premiação com o troféu Bola de Ouro era somente para jogadores europeus. Em 1994 a France Football passou a considerar todos os jogadores de clubes da Europa. Nova mudança ocorreu em 2006, quando qualquer jogador do mundo poderia receber o prêmio.

Diante dos critérios da premiação, gênios do futebol como Pelé e Maradona nunca tiveram chance de receber a Bola de Ouro. No entanto, caso as regras atuais valessem desde o início, o Rei do Futebol ganharia o troféu sete vezes (1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1965 e 1970) segundo a própria revista francesa.

O leque aumentou a partir de 2018, quando foram criadas novas premiações: Bola de Ouro para a melhor jogadora, Troféu Yashin para o melhor goleiro, e o Troféu Kopa para o melhor jogador jovem. A novidade deste ano foram o Troféu Gerd Müller, para o maior goleador da temporada, e o Prêmio Sócrates, que premia o jogador com melhor engajamento social.

Assim foram premiados este ano, além de Benzema, a jogadora Alexia Putellas, o goleiro Thibaut Courtois, o jovem Gavi, o goleador Robert Lewandowski e Sadio Mané. O Manchester City foi escolhido o Clube do Ano.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

domingo, 16 de outubro de 2022

Próximo treinador da Seleção Brasileira poderá ser um estrangeiro

 POR ROBERTO MAIA

Pep Guardiola já disse que seu desejo é o de comandar uma seleção quando deixar o Manchester City. (Foto: Reprodução MCFC)

Há pouco mais de um mês para o início da Copa do Mundo FIFA Catar 2022, um assunto começa a ser discutido entre torcedores e imprensa esportiva: quem será o treinador da Seleção Brasileira a partir de 2023? Tite o atual técnico já avisou que deixa o cargo após o termino do Mundial independentemente do resultado.

Embora existam bons treinadores brasileiros, não existe nenhum que seja unanimidade. Até o final de 2021, os nomes de Cuca e Renato Portaluppi dividiam as atenções. Mas, atualmente, nem eles e nenhum outro está acima de qualquer dúvida.

Por isso, a discussão hoje é se não seria o caso de se contratar um treinador estrangeiro para comandar a nossa Seleção. E o nome de Josep Guardiola – ou Pep Guardiola –, técnico do Manchester City surge como sendo a melhor escolha.

Inclusive o jornal espanhol Marca noticiou o interesse da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo a publicação, houve contato com o empresário de Guardiola com a seguinte proposta: contrato de quatro anos, até a Copa do Mundo de 2026 com salário em torno de 12 milhões de euros líquidos. Embora seja um valor alto para os padrões brasileiros, está abaixo dos 20 milhões de euros que o treinador recebe em Manchester.

Tite avisou que deixará o cargo após o termino da Copa do Mundo no Catar. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Guardiola nega o convite, mas já deixou claro que após o final do seu vínculo com o Manchester City seu desejo é o de comandar uma seleção. “Gostaria de treinar em uma Eurocopa, uma Copa América, uma Copa do Mundo", comentou o treinador em um evento no ano passado.

Em outras oportunidades Guardiola já elogiou muito a Seleção Brasileira. Inclusive em entrevistas já relembrou a de 1982 comandada por Tele Santana. "Eu era pequeno, estava na Catalunha. Lembro que todo o povo estava com o Brasil. Ninguém era brasileiro. Por quê? Porque gostavam daquele time. Zico, Sócrates, Jorginho, Falcão, Cerezo... O povo torcia para o Brasil", disse, lembrando que embora não tenha sido campeã é lembrada mais que a Itália, que venceu a Copa naquele ano.

Mas e se Guardiola não aceitar a proposta? Ou se nem houve proposta a ele? O que estará pensando Ednaldo Rodrigues, o presidente da CBF, a quem cabe essa dura missão de escolher o substituto de Tite?

Oficialmente o presidente da CBF garante que não está tratando desse assunto porque seu foco está totalmente na conquista do hexa no Catar. Talvez acredite que Tite possa mudar de ideia caso consiga conquistar a taça e seguir no comando da Seleção Brasileira.

As conquistas de Abel Ferreira no Palmeiras o credenciam para assumir a Seleção Brasileira. (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Vou deixar registrada aqui a minha opinião. Não vejo problema algum de o técnico da Seleção Brasileira ser um estrangeiro. Desde que já tenha demonstrado competência e conheça bem o futebol brasileiro. Nesse aspecto o nome de Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, para mim é disparado o melhor atualmente. O trabalho e as conquistas do português no comando do Verdão lhe credenciam para assumir o cargo. E nem haveria a barreira do idioma. É aguardar para ver, falta pouco!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO E EDITOR DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR