sexta-feira, 17 de julho de 2020

O FUTEBOL ESTÁ DE VOLTA, MAS SEM EMOÇÃO E EM ARENAS VAZIAS


POR ROBERTO MAIA

Corinthians terá imagens de torcedores no jogo contra o rival Palmeiras
(Foto: Reprodução Site Arena Corinthians)

Após quatro meses da pandemia do novo coronavírus, que nos impôs a um forçado distanciamento social, me levaram a algumas reflexões sobre como a situação levou a profundas alterações no dia a dia do futebol.

Os campeonatos foram interrompidos e os jogadores e comissões técnicas foram colocados em quarentena. Os canais oficiais dos clubes passaram a informar sobre as atividades físicas dos atletas, que passaram a ser desenvolvidas em suas respectivas residências. Cada jogador recebeu indicações do que fazer durante o período de inatividade.

O tempo passou e próximo da retomada dos treinamentos presenciais, envoltos de cuidados e seguindo rígidos protocolos, chegaram notícias de jogadores e alguns treinadores contaminados pela Covid-19. O caso mais absurdo e surpreendente foi o Corinthians que teve mais de vinte atletas infectados.  

Pois bem, nesse clima de filme de ficção científica os treinos retornaram e até campeonatos como o do Rio de Janeiro, por exemplo. Então começamos a perceber o chamado “novo normal” no futebol. Tudo muito frio e sem a vibração que sempre caracterizou o esporte. Assim, jogadores chegam uniformizados aos treinos, evitam contatos físicos, utilizam equipamentos individuais e ao fim da atividade retornam sujos e suados para suas casas para o merecido banho.

Flamengo e Fluminense, tradicionais e ferrenhos rivais, decidiram o campeonato estadual em jogos realizados em um Maracanã vazio e sem vida, sem alma. Assisti à decisão nessa última quarta-feira e confesso que senti uma profunda tristeza. O tradicional clássico que em várias ocasiões reuniu multidões com mais de 100 mil pessoas no estádio, dessa vez tinha apenas algumas dezenas de pessoas que estavam no local a trabalho. O Flamengo foi campeão com um gol no último minuto do jogo e sua torcida não estava lá para aplaudir, gritar e chorar de alegria.    
Flamengo conquistou o 36º título do Campeonato Cariocas em um Maracanã vazio (Foto: Alexandre Vidal/Flamengo/Divulgação)


E para aumentar o ineditismo da situação até a transmissão do jogo foi diferente após anos sob o domínio da Rede Globo. A final foi transmitida pelo SBT. A rede do empresário Silvio Santos não transmitia um jogo de futebol há 17 anos. E foi uma transmissão estranha e até um pouco confusa, além de encaixada entre uma novela mexicana e o Programa do Ratinho. Sem equipe de esporte, solicitou o “empréstimo” do locutor Téo José que é vinculado à Fox Sports, que foi liberado para narrar o jogo pela emissora onde trabalhou durante anos. Nos comentários Jorginho, Athirson, Carlos Alberto e Rivellino não acrescentaram muita coisa aos torcedores.

Na próxima semana teremos a volta do Campeonato Paulista e logo de cara com outro superclássico do futebol mundial: Corinthians e Palmeiras. O Dérbi que será disputado na Arena Corinthians também repetirá a mesma frieza vista no Fla-Flu. Se antes da pandemia os jogos entre os grandes de São Paulo já eram realizados com torcida única, o que considero um absurdo, agora será ainda mais triste para o futebol.

O Corinthians mais uma vez usará gritos e cânticos da torcida em seu sistema de som de última geração, além das faixas e fotos de torcedores espalhadas pelos assentos da arena. Aliás, esses “privilegiados torcedores” pagaram valores entre R$ 49,90 a R$ 299,90 para terem suas imagens dentro do estádio vazio e silencioso. Coisas do futebol moderno!


ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 10 de julho de 2020

PAULISTÃO RETORNA DIA 22 COM O CLÁSSICO CORINTHIANS E PALMEIRAS


POR ROBERTO MAIA

Clássico entre Corinthians e Palmeiras marca a retomada do Campeonato Paulista 
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação)

Agora é oficial, a Federação Paulista de Futebol (FPF) recebeu nesta quarta, dia 8, o sinal verde do Governo do Estado de São Paulo para a volta do Campeonato Paulista no dia 22 de julho. Faltando apenas duas rotadas para o final da primeira fase, o principal jogo da retomada será o clássico entre Corinthians e Palmeiras, na arena de Itaquera.

Quando o Paulistão foi paralisado, no dia 16 de março, os times que estavam garantindo vaga para a próxima fase eram Santos, Oeste, Santo André, Palmeiras, São Paulo, Mirassol, Bragantino e Guarani. Entre os grandes do estado o Corinthians é o que está em situação mais complicada. O Timão ocupa a terceira colocação do Grupo D, com 11 pontos, cinco a menos que o clube de Campinas, o segundo colocado.

E o que está ruim pode piorar se o Alvinegro não vencer o arquirrival. Na última rodada o Timão enfrentará o Oeste fora de casa. Se ganhar os dois jogos ainda dependerá de resultados negativos do Bugre para alcançar a classificação. Já se perder um dos jogos corre sério risco de rebaixamento à Série B.

Para a retomada do Paulistão a FPF elaborou um “Protocolo de Operação de Jogo” que pretende pautar de maneira segura as 24 partidas restantes do campeonato, prezando a saúde de todos os envolvidos. O protocolo prevê que os 16 clubes fiquem concentrados em locais previamente definidos. Objetivo é permitir um maior controle sobre os grupos envolvidos e previamente testados. Apenas cerca de 200 pessoas trabalharão nos estádios durante os jogos, que serão realizados sem a presença de torcedores.

Corinthians usa máquinas antissépticas para higienização 
proteção contra o coronavírus (Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians)
Antes de cada jogo serão medidas as temperaturas corporais de todos que entrarem nos estádios. E, caso a temperatura aferida seja acima do considerado normal, o jogador, membro da comissão técnica, colaborador ou prestador de serviço deverá retornar e receber orientação médica. Os estádios serão divididos em três diferentes zonas, designadas Azul, Vermelha e Amarela.

A zona Azul compreende áreas dentro do estádio, onde haverá rigor na limpeza e no controle sanitário. Sua abrangência inclui todas as salas e corredores, que vão desde a porta de entrada exclusiva dos jogadores, comissão técnica e equipe de arbitragem até o campo de jogo, além de todas as áreas de acesso, vestiários, salas de controle de doping e do VAR, túnel de acesso ao campo, bancos de reservas e o campo de jogo.

Na zona Vermelha está todo o restante do estádio que não estiver coberto pela zona Azul. Ela compreende locais onde estarão pessoas durante a partida: arquibancadas, área de imprensa, salas operacionais, tribunas, salas anexas e outras.

Já a zona Amarela abrange a parte externa do estádio, onde serão criados pontos de controle para o acesso, credenciamento, áreas das unidades móveis, estacionamentos dos veículos e ônibus.


Federação Paulista de Futebol autorizou jogos no estádio da Portuguesa 
(Foto: Lucas De Paschoal Strabko/Wikimedia Commons)

Faltam seis rodadas para a conclusão do Paulistão, sendo duas da fase de grupos e quatro na etapa final. Times impedidos de realizar seus jogos por causa dos altos índices de infecção pela covid-19 em suas cidades poderão jogar na capital. A FPF já autorizou jogos nos estádios da Portuguesa e do Juventus.  

O jogo final deverá ocorrer no dia 8 de agosto, data também estabelecida para o início do Campeonato Brasileiro da Série A. Caso a final do estadual envolva um ou os dois times que também disputarão o Brasileirão, a FPF negociou com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que eles realizem seus jogos da primeira rodada do torneio nacional posteriormente.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 3 de julho de 2020

PREOCUPAÇÃO COM O CORONAVÍRUS MARCA VOLTA AOS TREINOS DOS TIMES DE SÃO PAULO


POR ROBERTO MAIA

No Palmeiras, apesar de fazer parte do grupo de risco, Vanderlei Luxemburgo, que tem 
68 anos, comanda os treinos com bola (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras)  

Após mais de 100 dias com atividades paralisadas por causa da pandemia do novo coronavírus, os times de São Paulo retornaram aos treinamentos nesta quarta-feira. Agora, nessa nova fase, nada será como antes. Com os números de contaminados pelo Covid-19 ainda altos no Estado, os clubes estão seguindo as orientações de um rigoroso protocolo de higiene e segurança elaborado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Na prática os jogadores já haviam retornado aos centros de treinamentos na semana passada para avaliações físicas e treinamentos individuais. Os treinos coletivos só foram liberados a partir do dia 1º de julho por determinação do governador João Dória.

O novo normal de jogadores e comissões técnicas conta com uma série de novidades que incluem o controle de temperatura, túneis de desinfecção, materiais de uso individual, uso de máscara em todas as atividades menos durante os treinos com bola, além de terem que chegar uniformizados e tomar banho somente quando retornarem para suas residências. Tudo para minimizar o risco de contágio.

No Corinthians a apresentação do centroavante Jô ocorreu em entrevista coletiva virtual (Foto: Rodrigo Coca/Ag.Corinthians)

No CT Joaquim Grava do Corinthians, por exemplo, os atletas quando chegam têm que passar por um túnel que borrifa um spray desinfetante que elimina o vírus. Em seguida, uma câmera verifica a temperatura corporal de cada um dos jogadores e um sensor detecta se há indícios de febre. No São Paulo e no Palmeiras as medidas seguem nessa mesma linha.

Apesar das dúvidas quando à flexibilização do isolamento social, os clubes de São Paulo já pressionavam as autoridades para a liberação do retorno do futebol. As receitas diminuíram drasticamente e somente o retorno dos jogos poderá amenizar essa situação. Entre os três grandes da capital paulista, o Corinthians é o que admite maiores dificuldade. O Timão está com dois meses de salários dos jogadores atrasados.


Jogadores do São Paulo têm temperatura medida antes do treino no CT da 
Barra Funda (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)


O Campeonato Brasileiro terá início no dia 8 de agosto. E como nas edições anteriores, terá 38 rodadas. Porém, deverá terminar apenas em fevereiro de 2021.
Já o Campeonato Paulista ainda não tem data para ser retomado. Quando o Paulistão foi paralisado faltavam duas rodadas para o final da primeira fase. Santos, Oeste, Santo André, Palmeiras, São Paulo, Mirassol, Bragantino e Guarani por enquanto estão garantindo vaga nos mata-matas. Entre os grandes, o Corinthians é o único que ainda tem situação indefinida. Está na terceira colocação do Grupo D, com 11 pontos, cinco a menos que o clube de Campinas, o segundo colocado.

A situação do Timão é bastante delicada. No retorno do Paulistão terá logo de cara um clássico contra seu arquirrival Palmeiras. Na última rodada enfrenta o Oeste. Se ganhar os dois jogos ainda dependerá de resultados negativos do Bugre para alcançar a classificação. Já se perder um dos jogos corre sério risco de rebaixamento à Série B.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 26 de junho de 2020

FLAMENGO E GLOBO TRAVAM GUERRA POR DIREITOS DE TRANSMISSÃO


POR ROBERTO MAIA


O Flamengo vislumbrou outras formas de faturar nas transmissões de seus jogos 
(Foto: Alexandre Vidal/CRF)

O imbróglio entre Flamengo e Rede Globo pelos direitos de transmissão dos jogos do rubro-negro é um assunto que vem chamando a atenção. O Mengão resolveu peitar a emissora amparado na Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada. A MP altera a Lei Pelé em vigor desde 1998 e dá a prerrogativa exclusiva do clube mandante de negociar seus jogos.

Apesar de ter contrato vigente com a emissora, o clube carioca entrou com ação na Justiça para fazer valer o direito recém adquirido para a transmissão de imagens dos jogos como mandante no Campeonato Carioca. Na queda de braço, o Flamengo garante que utilizará a sua FLA TV para transmitir o seu jogo contra o Boavista, na próxima quarta-feira, no Maracanã, pela Taça Rio.

Vasco, Botafogo e Fluminense não resistiram à pressão e já concordaram com a renovação dos direitos de transmissão do Campeonato Carioca com a TV Globo. Por outro lado, a emissora avisou que ninguém recebe enquanto o rubro-negro não assinar. Briga de gigantes!

O embate é bastante interessante porque pode quebrar paradigmas e mudar a forma de transmissões de jogos de futebol no país. Desde o desmantelamento do antigo Clube dos 13, que reunia os principais times da Série A do Brasileirão, não víamos um movimento em busca de mudanças. Em fevereiro de 2011, o Corinthians rompeu com a entidade que tinha procuração para discutir os contratos de transmissões de jogos e decidiu negociar diretamente com as emissoras interessadas. E se deu muito bem, aumentado consideravelmente a sua cota nos anos seguintes ao assinar com a Rede Globo. Na sequência todos os outros clubes tomaram a mesma decisão e passaram a gerir seus interesses diretamente. Todos passaram a ganhar mais e ficaram satisfeitos até agora.

Na Europa, Benfica comercializa seus jogos na BTV

Benfica passou a comercializar seus jogos através do Benfica TV e aumentou faturamento (Foto: Pixabay)

O que o rubro-negro está querendo já é realidade na Europa há vários anos. Com o avanço da tecnologia, os canais via internet dos clubes ganharam relevância e número cada vez maior de assinantes e seguidores. No início veiculavam apenas informações sobre os esportes do clube, eventos sociais e notícias sobre o time de futebol. Assim, passaram a atender não mais apenas seus torcedores locais e ganharam projeção global.

Nesse cenário começaram a pensar grande. Um bom exemplo é o Benfica, um dos primeiros clubes a transmitir seus jogos através de seu canal na internet ao invés de vender os direitos para à Sport TV, então a emissora detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Português.

O Benfica deixou de vender os direitos de transmissão e passou ele próprio a comercializar seus jogos através do Benfica TV. A fórmula deu certo e o clube passou a faturar mais que seus rivais Porto e Sporting. Com mais de 300 mil assinantes no primeiro ano, o clube obteve receitas na ordem de 30 milhões de euros. Antes recebia apenas 7,5 milhões de euros.

Criado em 2008, o Benfica TV cresceu e nos anos seguintes passou a comprar os direitos de transmissão de jogos de outros campeonatos internacionais, inclusive o Brasileirão, Major League Soccer, Campeonato Grego e da Premier League, além de partidas das eliminatórias da Eurocopa e da Copa do Mundo. Em 2014, passou a diversificar e comprou os direitos do UFC. E para evitar a repulsa dos rivais e abocanhar um número maior de clientes mudou o nome do canal para BTV.

Certamente o Flamengo está mirando no sucesso dos portugueses e apostando forte no poder da sua marca e enorme torcida. Toda essa transformação no jeito de assistir jogos no Brasil poderá ser realidade nos próximos anos.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 19 de junho de 2020

SÍMBOLO NACIONAL, MARACANÃ FAZ 70 ANOS EM MEIO À PANDEMIA


POR ROBERTO MAIA


Ícone do Rio de Janeiro, o estádio do Maracanã recebeu jogos históricos 
também grandes públicos em seus 70 anos (Foto: José Guertzenstein/Pixabay)


Considerado um dos estádios mais famosos do mundo, o Maracanã completou 70 anos na última terça-feira, dia 16. E tal como aconteceu com o Pacaembu, que esse ano fez 80 anos, o tradicional palco do futebol mundial também tem um hospital de campanha com 400 leitos para pacientes infectados pelo novo coronavírus. Porém, diferentemente do estádio paulistano, as grandes tendas foram erguidas na sua área externa.

Batizado com o nome de Mário Filho, um jornalista, cronista esportivo e escritor entusiasta da construção do estádio, logo ficou conhecido apenas por Maracanã, que na linguagem indígena tupi-guarani significa "semelhante a um chocalho". O nome remete também ao rio que corria na região onde atualmente é um bairro com o mesmo nome. Carinhosamente os cariocas o chamam apenas de Maraca.

Palco de jogos e eventos históricos, foi inaugurado em 16 de junho de 1950. Na época era o maior estádio do mundo com capacidade para 200 mil pessoas. Foi construído para receber jogos da Copa do Mundo disputada no Brasil no mesmo ano.

A inauguração oficial contou com a presença do então presidente da República Eurico Gaspar Dutra, e o primeiro jogo ocorreu no dia seguinte ainda com andaimes e restos de materiais de construção espalhados pelas arquibancadas. A partida inaugural colocou frente a frente as seleções do Rio de Janeiro e a de São Paulo. E o resultado não foi o que os cariocas esperavam. Os paulistas venceram por 3 a 1, mas o primeiro gol no novo estádio foi marcado por Didi, então jogador do Fluminense.

Oficialmente, o recorde de público no estádio aconteceu na final da Copa do Mundo de 1950 quando 199 mil pessoas viram a seleção de Uruguai vencer o Brasil e conquistar a taça Jules Rimet. Outra marca histórica pertence a Zico, ídolo do Flamengo. Ele é o maior artilheiro do Maracanã com 333 gols marcados em 435 jogos.

Em sete décadas, o gigante recebeu jogos históricos e também grandes públicos. O maior deles entre clubes foi na final do Campeonato Carioca de 1963 entre Flamengo e Fluminense, quando 194 mil torcedores pagaram ingressos.  

Para receber jogos da Copa de 2014, o Maracanã foi totalmente reformado e sua capacidade foi reduzida para 78,8 mil pessoas (Foto: Pixabay)

Ao longo dos anos e para se adaptar aos padrões internacionais de segurança, muitas reformas foram realizadas e a sua capacidade foi sendo reduzida gradualmente. Em uma delas foi extinta a antiga geral, que era símbolo do estádio. A última foi realizada em 2013 para que o um “novo Maracanã” pudesse receber jogos e sediar a final da Copa do Mundo de 2014. Foram gastos mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos e sua capacidade foi reduzida para 78.838 torcedores. Quem comemorou dessa vez foram os alemães que bateram a Argentina por 1 a 0 e se tornaram tetracampeões mundiais.

A Seleção Brasileira realizou jogos memoráveis no Maracanã. Entre eles o que marcou a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos disputados no Rio de Janeiro em 2016. Nossa seleção olímpica quebrou um jejum histórico ao vencer a Alemanha na final.

Times paulistas comemoraram 16 títulos no Maracanã

Seis times de São Paulo comemoraram importantes conquistas no Maracanã. Foi lá também que Pelé marcou o seu milésimo gol em jogo do Santos contra o Vasco da Gama. Melhor palco impossível! O Rei do Futebol também conquistou três títulos brasileiros no estádio.

Aliás, o Santos foi o time paulista com maior número de conquistas dentro do Maracanã. Foram oito taças levantadas. Em 1963, foi campeão do Torneio Rio-SP, Campeonato Brasileiro e do Mundial de Clubes. Também venceu os Brasileiros de 1964, 1965 e 1968; e os Rio-SP de 1964 e 1997.

Reprodução Revista Fiel Torcida
Além dos títulos do Santos, os outros times de São Paulo que ergueram taças no Maracanã foram o Corinthians (Rio-SP de 1953 e Mundial de Clubes de 2000), Palmeiras (Copa Rio de 1951 e Brasileiro de 1967), São Paulo (Taça dos Campeões Estaduais de 1957 e 1987), Portuguesa (Torneio Rio-SP de 1952) e Santo André (Copa do Brasil de 2004).

Um outro jogo do Corinthians também ficou marcado na história do estádio. Na semifinal do Brasileiro de 1976, quando venceu o Fluminense nos pênaltis, a torcida corinthiana se fez presente com cerca de 80 mil torcedores alvinegros. A partida ficou conhecida como a “Invasão do Maracanã”.

E se a pandemia deixar, o Maracanã receberá ainda este ano um outro jogo histórico em seus 70 anos. Ele será o palco da final da Copa Libertadores. Tomara esse jogo possa acontecer e tenha um time brasileiro na disputa.

Parabéns Maraca!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR


sexta-feira, 12 de junho de 2020

NA CONTRAMÃO DO MUNDO SÃO PAULO PREPARA A VOLTA DO FUTEBOL


POR ROBERTO MAIA

Decisão para a volta do futebol na cidade de São Paulo está nas mãos do prefeito Bruno Covas que esteve reunido com os dirigentes da FPF e dos clubes (Foto: Marcelo Pereira/Prefeitura de São Paulo)

Me causa enorme espanto o que está acontecendo em São Paulo e em muitas outras localidades do país. Pressionados por interesses econômicos, políticos e preocupados com a queda de popularidade e aprovação de seus nomes nas pesquisas, governadores e prefeitos em mórbida sintonia vão flexibilizando regras de isolamento apesar de o país registrar na última semana a maior média de mortes provocadas pelo novo coronavírus em todo o mundo. Superando inclusive os Estados Unidos e o Reino Unido, países que contabilizam os maiores números absolutos de mortes no mundo até o momento.

Assim, nesse cenário sem a liderança do governo federal, lembrando que o Ministério da Saúde não tem um ministro titular desde a saída de Nelson Teich em meados de maio, e com mais de mil óbitos diários, o Estado de São Paulo prepara a volta do futebol. São Paulo que também vive dias de recordes de contaminações e óbitos pela covid-19 com mais de 10 mil mortes e cerca de 156 mil casos.

Depois da flexibilização que permitiu a volta do funcionamento do comércio de rua e dos shoppings, a Federação Paulista de Futebol (FPF) realizou videoconferência na última quarta-feira com dirigentes dos 16 clubes que disputam o Campeonato Paulista. Na pauta a retomada da competição e os protocolos para garantir total segurança aos jogadores, comissões técnicas e outros profissionais envolvidos.

Na oportunidade ficou definida a volta dos treinos já a partir da próxima segunda feira, dia 15. Também ficou combinado que todas as equipes terão de providenciar os testes para a covid-19 para seus atletas, comissão técnica e funcionários. Importante ressaltar que a decisão dos dirigentes do futebol paulista ocorreu no mesmo dia em que o governador João Doria anunciou a ampliação da quarentena na cidade de São Paulo até o dia 28 de junho.

Paulistão terá um Derby na primeira rodada da retomada


Clássico entre Corinthians e Palmeiros marcará a primeira rodada do Paulistão após retomada do futebol na cidade (Foto: César Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação)

Porém, a decisão final para a retomada do futebol no Estado depende dos prefeitos das cidades que têm clubes participando da Série A1 do Paulistão. Na capital, o prefeito Bruno Covas decidirá após reunião com seus secretários de Esportes Maurício Landim, e da Saúde Edson Aparecido, juntamente com o presidente da FPF Reinaldo Carneiro Bastos, e dos presidentes dos três grandes clubes da cidade: Andrés Sanchez (Corinthians), Maurício Galiotte (Palmeiras) e Carlos Augusto de Barros e Silva (São Paulo).

Com o objetivo de criar uma mediação pré-judicial para que a retomada gradual aos trabalhos seja segura tanto nos aspectos de saúde como jurídicos, também na quinta-feira, aconteceu uma reunião do Sindicato das Associações de Futebol de São Paulo (Sindibol) com o Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo, o Sindicato dos Treinadores Profissionais de Futebol do Estado de São Paulo, o Sindicato dos Árbitros de Futebol de São Paulo, o Ministério Público do Trabalho, Ministério Público do Estado de São Paulo, o Governo do Estado de São Paulo, a FPF e os 16 clubes.

O Paulistão foi paralisado no dia 16 de março, quando ainda restavam duas rodadas para o fim da primeira fase. Para a conclusão da competição serão necessárias seis datas, sendo duas para a finalização da fase de grupos, uma para as quartas de final, uma para as semifinais e duas para os jogos finais. Lembrando que logo na primeira rodada da retomada haverá o clássico entre Corinthians e Palmeiras na arena de Itaquera. Todos os jogos serão com portões fechados sem a presença de torcedores.

Na Europa a Alemanha foi o primeiro país a permitir a volta do futebol. Nessa semana retornam os jogos na Espanha e, no próximo dia 20, na Itália. Porém, diferentemente do Brasil, a curva de contaminação do novo coronavírus nesses países está na descendente. Infelizmente aqui a retomada acontece no auge da pandemia. Só nos resta torcer para que nada de ruim aconteça para que não tenhamos que voltar atrás no processo de isolamento e das paralisações.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Esportistas de todo o mundo se manifestam contra o racismo


POR ROBERTO MAIA


Jogadores do Liverpool ajoelhados no gramado do estádio Anfield Road 
em solidariedade ao movimento “Vidas Negras Importam” 
(Foto: Andrew Powell/Liverpool FC/Twitter)


Fico muito irritado quando assisto entrevistas dos atuais jogadores de futebol. A maioria absoluta deles tem o mesmo discurso superficial onde falam e não dizem absolutamente nada. Alguns até demonstram rara habilidade com a bola nos pés, porém quando são chamados a darem opinião são rasos intelectualmente.


Nessas horas sinto uma imensa saudade de jogadores como Afonsinho, que atuou nas décadas de 1960/70, e Sócrates, o ídolo do Corinthians que jogou entre os anos 1970/80. Poderia citar outros mas vou me ater apenas a esses dois craques. Ambos tinham em comum a habilidade técnica, a inteligência, eram meias e médicos. Além desses predicados eles eram politizados e não evitavam dar opiniões sobre os principais problemas políticos e sociais do país. E isso em um período muito difícil politicamente na história do Brasil.

Afonsinho, que jogou no Santos, Botafogo (RJ), XV de Jaú, Olaria, Vasco, Flamengo e Fluminense, foi o primeiro jogador a conseguir passe livre no Brasil, em 1971. Lembrando que esse direito os jogadores só adquiriram 27 anos depois através da Lei n° 9615.

Já o Doutor Sócrates, como era carinhosamente chamado pela torcida corinthiana, marcou época pelas posições políticas que assumia dentro e fora dos gramados. Juntamente com Casagrande e Wladimir, liderou o movimento que ficou conhecido como Democracia Corinthiana e participou ativamente da campanha pelas Diretas Já, que pedia a redemocratização do Brasil. Ele aproveitava o seu prestígio no futebol como instrumento para exercer sua liberdade de expressão. Tanto que comemorava seus gols com o punho cerrado erguido aos céus, tal como os Panteras Negras - movimento revolucionário dos Estados Unidos.


Lidér da Democracia Corinthiana o Doutor Sócrates marcou época pelas posições 
políticas que assumia dentro e fora dos gramados (Foto: FIFA)
                                 Justiça para George Floyd

Feita essa longa introdução, fiquei muito feliz ao ver esportistas de todo o mundo demonstrando solidariedade ao movimento “Black Lives Matter” – “Vidas Negras Importam”, em inglês -, que exige justiça no caso da morte do negro norte-americano George Floyd por policiais de Minneapolis.

Que bom ter visto o atacante Marcus Thuram se ajoelhando após marcar um gol na vitória do Borussia Mönchengladbach sobre o Union Berlin, no Campeonato Alemão. O francês repetiu o gesto de Colin Kaepernick, ex-jogador do San Francisco 49ers da NFL (liga de futebol americano dos EUA), em 2017, durante a execução do hino nacional dos EUA, em protesto contra a contra a violência policial e a desigualdade racial no país.

Jadon Sancho do Borussia Dortmund 
(Foto: Reprodução Instagram Sanchoo10)
Também na Bundesliga, o atacante inglês Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, protestou exibindo uma camiseta escondida sob o uniforme do time com a mensagem “Justice for George Floyd” - “Justiça para George Floyd” - após marcar um gol.

Durante toda a semana, muitos outros atletas também se manifestaram através das redes sociais com as mais diferentes mensagens sobre o mesmo assunto. Entre eles, o atacante do PSG, o francês Kylian Mbappé, e o hexacampeão mundial de Fórmula 1, Lewis Hamilton, que tem mais de 5,7 milhões de seguidores no Twitter, O astro inglês postou um vídeo de uma jovem negra americana chorando sobre o racismo nos EUA. Outra esportista negra, a tenista Serena Williams propagou o vídeo “Don't Do It” da Nike juntamente com a mensagem: "Não finja que não há problema na América".

Na Premier League, jogadores do Liverpool e do Chelsea divulgaram fotos em solidariedade ao movimento contra o racismo. Em ambas as imagens os atletas ajoelhados em sessões de treinamento das equipes. A foto foi retuitada pelas contas oficiais de ambos os clubes.

No centro de treinamentos de Londres os jogadores do Chelsea 
também prestaram solidariedade ao movimento contra o racismo 
(Foto: Site Oficial Chelsea FC)

Fico pensando se no Brasil os campeonatos já tivessem sido retomados se os jogadores também iriam aderir em solidariedade aos movimentos contra o racismo que acontecem mundo afora. Ou será que, apesar da pandemia da covid-19 que está matando milhares de brasileiros diariamente, iriam fazer dancinhas coreografadas na hora do gol. Melhor não saber! 

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR