quinta-feira, 24 de setembro de 2020

APESAR DA PANDEMIA, FUTEBOL NO BRASIL PODERÁ TER A VOLTA DA TORCIDA

 POR ROBERTO MAIA

Prefeitura do Rio de Janeiro quer jogos no Maracanã com torcida já no próximo dia 4 de outubro (Foto: Pixabay)

O futebol voltou no Brasil em plena pandemia do novo coronavírus. O retorno aconteceu sob rígidos protocolos de higiene e saúde com jogadores, comissões técnicas, equipes de arbitragens e outros profissionais envolvidos nos jogos. Porém, com os estádios e arenas sem público. Bandeiras, faixas, fotos de torcedores e som ambiente tentaram dar alguma graça ao espetáculo, mas faltava o personagem principal, a torcida.

A primeira sinalização para a volta do público aos jogos veio da Prefeitura do Rio de Janeiro. O prefeito Marcelo Crivella anunciou a volta dos torcedores aos jogos no Maracanã a partir do dia 4 de outubro, data da partida entre Flamengo e Athletico Paranaense.

Em campanha eleitoral e visando sua reeleição, Crivella afirmou que o jogo terá a presença de apenas 20 mil torcedores, ou seja, um terço da capacidade total da arena. Ainda de acordo com o prefeito carioca, a abertura do Maracanã servirá como teste para a volta dos torcedores também aos outros estádios, como o Engenhão e São Januário. E para evitar filas e aglomerações, a comercialização dos ingressos para os jogos serão realizadas pela internet.

Difícil será evitar o contato entre torcedores em momentos de emoção em um gol decisivo (Foto: Reprodução Premier) 

Pouco tempo depois do anúncio da Prefeitura do Rio de Janeiro, o presidente do Corinthians Andrés Sanchez se pronunciou através da sua conta no Twitter. O mandatário do Timão ameaçou não colocar o time em campo se todos os times da Séria A não tiverem a mesma oportunidade, independente do Estado ou cidade. A forte afirmação colocou sob risco a continuidade do Brasileirão. Prenúncio de crise das grandes à frente.

Essa semana foi a vez da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se manifestar. Em nota oficial a entidade disse que reunirá clubes da Série A para discutir o retorno do público aos jogos. A medida prevê a utilização de até 30% da capacidade dos estádios, a partir de outubro, ainda sem data definida. Informa também que recebeu parecer favorável do Ministério da Saúde sobre o plano de estudos para a volta dos torcedores, entretanto condiciona a permissão à avaliação das autoridades sanitárias de Estados e Municípios. O governador de São Paulo, João Dória, já informou que os jogos de futebol no Estado continuarão sem a presença dos torcedores nos estádios.

Paralelamente a toda essa discussão, a CBF divulgou relatório de testagem do coronavírus no Brasileirão. Foram realizados 9.690 exames nas séries A, B e C, sendo que apenas 182 apontaram resultado positivo. O estudo foi pelo elaborado pelo Grupo Científico CBF, liderado pelo presidente da Comissão Nacional de Médicos do Futebol (CNMF), Jorge Pagura.

Dr. Jorge Pagura lidera time de especialistas que trabalham para garantir a máxima segurança sanitária nos jogos (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)


Quanto ao trabalho desenvolvido pela CBF através da equipe comandada pelo doutor Pagura não há dúvida de que está sendo bem feito. O que tenho dúvida será quanto ao comportamento dos torcedores nos estádios caso a presença seja liberada, embora em quantidade reduzida. Outra questão importante é saber como será a comercialização dos ingressos. Claro que será através da internet, mas quem serão os privilegiados torcedores que terão o direito de torcer para os seus times? E uma vez dentro do estádio quem controlará o comportamento dos torcedores para que cumpram os protocolos que evitariam o contágio e disseminação da Covid-19?

“Desde o primeiro momento, a CBF vem tratando o cenário com extremo cuidado, sempre equilibrando as necessidades do mundo do futebol com a realidade que estamos enfrentando nessa pandemia. Esses dados mostram uma evolução na eficiência do protocolo, que segue com o objetivo de dar segurança sanitária a todos os envolvidos na realização das partidas”, afirmou Pagura.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

MANIFESTAÇÕES VIOLENTAS DE TORCEDORES VIRARAM ROTINA NO FUTEBOL BRASILEIRO

 POR ROBERTO MAIA

Torcida do Corinthians apoia o time durante todo o jogo, mas também cobra e ameaça jogadores (Foto: Tino Simões)

Cenas como as dos jogadores do Corinthians sendo ameaçados por integrantes de torcidas organizadas, quando desembarcaram no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, vindo do Rio de Janeiro após derrota para o Fluminense, nem causam mais tanto espanto. No Brasil, infelizmente, ações violentas como essa já são comuns e, pior, corriqueiras.

Ironia do destino é que no jogo contra o Tricolor carioca, os jogadores realizaram um minuto de protesto em repúdio à recente invasão do estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis, durante treino da equipe do Figueirense. Na oportunidade, um grupo de 40 torcedores armados com porretes e disparando rojões, ameaçou e agrediu jogadores - um dia após a derrota por 1 a 0 para o Paraná, pela Série B.

A Polícia Civil de Santa Catarina está investigando e analisando imagens cedidas pelo Figueirense. O inquérito policial apura os crimes de lesão corporal, ameaça, danos ao patrimônio e promoção de tumulto em estádio de futebol. Resta saber se os responsáveis serão identificados e punidos exemplarmente. A prática comum nesses casos são as diretorias dos clubes “passarem pano” nas atitudes violentas das suas torcidas organizadas.

Até o ídolo Cássio, um dos maiores goleiros da história do Timão, foi vítima da fúria dos torcedores (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians) 

No caso que envolveu os jogadores do Corinthians nem um boletim de ocorrência foi lavrado. O clube se limitou a divulgar nas redes sociais uma fria nota de repudio onde lamentou o fato. Provavelmente ninguém será responsabilizado, apesar das muitas imagens que circularam nas redes sociais, além das câmeras de segurança do aeroporto.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, lamentou o ocorrido mas contemporizou a atitude dos torcedores. Segundo ele, as portas do CT sempre estiveram abertas para os torcedores realizarem “reuniões de cobranças” com jogadores e comissão técnica. Ele diz isso como se fosse a coisa mais normal no futebol mundial. Não fossem os seguranças do aeroporto que ajudaram os do clube, agressões poderiam ter acontecido.

Em fevereiro de 2014, torcedores do Corinthians fizeram algo parecido com o que aconteceu com o time do Figueirense. Durante um treino no Centro de Treinamento do Timão, um grande grupo de torcedores invadiu as dependências e ameaçou de agressão o elenco durante um treinamento. Os jogadores tiveram que se esconder em uma das salas para não serem agredidos. Com medo, chegaram a colocar armários atrás da porta para que ela não fosse arrombada. O então treinador Mano Menezes e os jogadores Emerson Sheik e Alexandre Pato foram os mais visados. A polícia foi acionada e os torcedores se retiraram após negociação. E, apesar das inúmeras imagens disponíveis ninguém foi preso ou responsabilizado. E, pior, a própria direção do Alvinegro disse que as imagens das câmeras de segurança sumiram.

Centros de treinamento são frequentemente invadidos por torcedores para cobrar desempenho dos jogadores (Foto: Reprodução Facebook)

Mas os ataques dos torcedores contra jogadores não são coisa recente. Em 1997, após um jogo contra o Santos na Vila Belmiro, o ônibus que transportava os jogadores do Corinthians de volta a São Paulo sofreu uma emboscada na Rodovia dos Imigrantes. O veículo teve a passagem bloqueada por outro ônibus com cerca de 40 torcedores a bordo, que atacaram o busão do Timão com paus e pedras. Vidros foram estilhaçados e o meia Rincón ficou ferido. O motorista do ônibus corinthiano não abriu a porta, apesar dos pedidos dos violentos agressores, o que evitou uma tragédia. Claro, ninguém foi identificado e nem responsabilizado.

O fato é que ao longo dos anos nos acostumamos a ver notícias de manifestações violentas de torcedores contra jogadores do próprio time. Aconteceu com o Palmeiras, o São Paulo, o Flamengo, a Ponte Preta e tantos outros clubes país afora.

A pergunta que fica é quem pode fazer alguma coisa para acabar com esse jeito violento de cobrar tão comum entre torcedores brasileiros? Os clubes evitam ir fundo com medo de represarias. Então cabe aos órgãos de segurança e ao Ministério Público tomar providências. Antes que algo pior aconteça.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A DANÇA DAS CADEIRAS SEGUE ATIVA ENTRE OS TREINADORES NO BRASIL

 POR ROBERTO MAIA

Tiago Nunes chegou ao Corinthians como treinador revelação de 2019 e poucos meses depois, corre risco de demissão (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)


O futebol brasileiro definitivamente não é para amadores. A maioria dos clubes da Série A do Brasileirão estão endividados e suas respectivas gestões são na grande maioria desprovidas de planos de médio e longo prazo. O imediatismo dos resultados é a prática mais comum.

Primeiro contratam jogadores não por critérios técnicos, mas por oportunidades oferecidas por empresários. Jogadores sem clube e que aceitam um percentual do passe são os preferenciais. Claro que nem sempre dá certo e os mesmos são envolvidos em trocas ou emprestados para outros times com parte do salário pago pelos detentores dos direitos federativos.

Já no caso dos treinadores parece prevalecer a total falta de critério na hora de contratar. É um absurdo o que uns vinte ou trinta técnicos circulam entre os times das séries A e B do Brasileirão. Sempre os mesmos. Só deixam o mercado quando resolvem se aposentar por vontade própria.

Tem treinador que coleciona trabalhos ruins em todos os times que dirigiu e sempre encontra portas abertas em outros. Qual o critério de quem contrata? Nenhum, claro!

Novo treinador do Bahia, Mano Menezes estava sem trabalhar desde o fim do ano passado quando deixou o Palmeiras (Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

No ano passado foram 23 trocas de treinadores. Em 2018, foram 25 trocas. Todo ano é a mesma história e a dança das cadeiras dos chamados “professores” segue frenética em 2020, apesar da pandemia da Covid-19 que paralisou o futebol por alguns meses. 

Nem chegamos a dez rodadas do Brasileirão 2020 e vários treinadores já foram dispensados por seus clubes. O último foi Roger Machado, do Bahia. Antes dele foram mandados para o olho da rua os profissionais Eduardo Barroca (Coritiba), Ney Franco (Goiás), Dorival Júnior (Athletico), Daniel Paulista (Sport) e Felipe Conceição (Red Bull Bragantino).

Interessante é que até o Red Bull Bragantino, que é gerido por uma empresa estrangeira e por isso deveria ser diferente, apela para o velho recurso quando os resultados não vêm.

Após a saída de Jorge Sampaoli o Santos foi buscar o português Jesualdo Ferreira, um desconhecido no Brasil (Foto: Ivan Storti/Santos FC)


Vejamos o caso do Santos. Em 2019 contratou o treinador argentino Jorge Sampaoli e após ótima campanha terminou o Campeonato Brasileiro na segunda colocação. Sampaoli se desentendeu com o presidente santista e foi embora. Para a reposição acreditaram que o segredo era contratar outro estrangeiro. Inspirados no sucesso de Jorge Jesus no Flamengo trouxeram o português Jesualdo Ferreira, um ilustre desconhecido no Brasil. Claro que não deu certo e dias antes do início do Brasileirão ele foi demitido. Para ocupar o lugar dele o Alvinegro contratou o experiente Cuca, que estava desempregado apenas esperando o telefone tocar e ser chamado por algum clube.

Para substituir Roger Machado o Bahia recorreu para outro velho conhecido que também estava esperando o telefone tocar: Mano Menezes, que estava sem trabalhar desde o fim de 2019, quando deixou o Palmeiras. Mano assinou contrato até o fim de 2021. Alguém acredita que ele seguirá firme até o final? Difícil.

Fato raro no futebol brasileiro, Renato Portaluppi está no comando técnico do Grêmio desde 2016 (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)


No Grêmio, Renato Portaluppi é o único treinador da Série A que está há mais de um ano no comando do mesmo time. Ele está no cargo desde 2016, algo raríssimo no futebol brasileiro.

Quem será o próximo treinador a ser demitido? Tiago Nunes no Corinthians, Fernando Diniz no São Paulo e Vanderlei Luxemburgo no Palmeiras são nomes que vivem momentos turbulentos à frente dos seus clubes e sofrem fortes pressões a cada mal resultado. Todos eles foram “prestigiados” e aí é que mora o perigo. 

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

CORINTHIANS COMEMORA 110 ANOS E ANUNCIA A NEO QUÍMICA ARENA

 POR ROBERTO MAIA

Corinthians comemorou seus 110 anos em noite festiva na sua arena
(Foto: @jp_drone /Corinthians)

N
a coluna da semana passada questionei sobre a veracidade das especulações a respeito da venda do naming rights do estádio do Corinthians em Itaquera. Imprensa, blogueiros e torcedores através das redes sociais “chutaram” diversos nomes do possível parceiro do Timão.

Pois bem, quem apostou na Hypera Pharma - antiga Hypermarcas – acertou. Desde o primeiro minuto do dia 1º de setembro, data do 110º aniversário do Corinthians, a casa da Fiel passou a ser oficialmente a Neo Química Arena.

A Hypera Pharma é a maior empresa farmacêutica brasileira em termos de receita líquida e capitalização de mercado. A marca Neo Química já foi patrocinadora máster da camisa do Corinthians entre 2009 e 2011, época em que o time contou com o Ronaldo Fenômeno.

Inaugurada em 10 de maio de 2014, a moderna arena corinthiana já estava virando piada entre os torcedores adversários por não conseguir um parceiro comercial para dar nome ao estádio. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sempre vinha a público e dizia que faltava pouco para concretizar negociações, mas nunca chegava a concretizar.

Uma live marcou a comemoração do aniversário do Corinthians e o anúncio do nome da arena do Timão (Foto: Reprodução TV Corinthians)

O novo nome foi mantido em segredo por vários dias, o que deu margens às especulações. Uma live-show foi organizada para acontecer na arena na noite de 31 de agosto e, à meia-noite a revelação seria feita. Porém, alguém envolvido no evento acabou por divulgar uma foto com o nome Neo Química projetado nas arquibancadas e pôs fim ao segredo. A foto rapidamente viralizou na internet. Mesmo assim, a apresentação através da TV Corinthians no Youtube teve mais de 1,2 milhão de pessoas sintonizadas.

A apresentação teve início às 22h30 e teve como apresentadores o ator Dan Stulbach e o ex-goleiro e comentarista da Band Ronaldo Giovanelli. A cantora Negra Li (foto ao lado) foi a convidada especial para as apresentações musicais. Uma grandiosa queima de fogos à meia-noite antecedeu o anúncio. 

O valor pela cessão do naming rights, que terá a duração de 20 anos, será de R$ 300 milhões. Os pagamentos anuais serão destinados diretamente à Caixa Econômica Federal para abater a dívida contraída pelo Corinthians para a construção da arena. Atualmente a CEF e o clube negociam o valor real devido que estaria entre R$ 480 a R$ 536 milhões.

O que precisa ficar claro para os torcedores corinthianos é que esse foi um grande passo para a equação das finanças que envolvem a arena. Contudo, somente o naming rights não solucionará as pendências. O presidente corinthiano informou que além dos jogos serão realizados shows musicais como forma de ampliar as receitas. Mas deixou claro que o Corinthians nunca irá jogar em outro estádio por causa de shows na sua arena.

Na oportunidade o dirigente também pediu o apoio da imprensa para que citem o nome Neo Química Arena, como forma de valorizar essa nova forma de investimento no futebol. Principalmente em um ano em que a economia foi devastada pela pandemia. O mandatário do Timão também confirmou que existe outra negociação com a Hypera Pharma que envolve a camisa corinthiana.

Agora, Sanchez tenta convencer a TV Globo a dizer o nome da arena, algo que a emissora normalmente não faz durante as transmissões dos jogos. Exemplo é o Allianz Parque, a arena do Palmeiras, que nunca foi chamada pelo nome oficial. Da mesma forma não chama o Red Bull Bragantino com o nome da marca de energético.

O que pesa a favor do Corinthians é que a Hypera Pharma é uma das maiores parceiras comerciais da Globo. A empresa comprou uma das cotas no valor de R$ 307 milhões para estar nas transmissões do futebol em 2020. Além disso, na terça-feira à noite, veiculou uma inserção publicitária de 30 segundos para anunciar o novo nome da arena do Corinthians na abertura do Jornal Nacional. O espaço é o mais caro na grade de programação da emissora: R$ 1,356 milhão.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

ARENA CORINTHIANS PERTO DE TER UM NOME. VERDADE OU APENAS ESPECULAÇÕES?

POR ROBERTO MAIA

Inaugurada em 2014, arena do Corinthians finalmente poderá ganhar um nome oficialmente (Foto: SCCP/Divulgação)

Inaugurada em 10 de maio de 2014, a moderna arena do Corinthians ainda não ganhou um nome oficialmente até o momento. Inicialmente apelidada de Itaquerão por parte da imprensa, a denominação foi rechaçada pela torcida corinthiana, que entendeu que se o nome “pegasse” dificilmente alguma empresa pagaria para colocar sua marca na arena. A grande maioria dos órgãos de comunicação recuou e passou a chamá-la apenas de Arena Corinthians. 

É o tal do naming rights, prática de marketing comum na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda pouco difundida no Brasil. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez há sete anos promete concretizar negociações para dar nome à arena, mas nunca chegou a obter sucesso em suas tentativas. Algumas vezes chegou a afirmar que estava próximo de concretizar o negócio. Com as negociações frustradas, o dirigente sempre jogou a culpa na imprensa e na TV Globo, que não diz o nome de empresas que não são suas patrocinadoras durante as transmissões do futebol. Exemplo é a arena do Palmeiras. A emissora nunca chamou a arena palmeirense pelo seu nome – Allianz Parque. Da mesma forma não chama o Red Bull Bragantino com o nome da marca.

O valor pedido de 400 milhões de reais por 20 anos sempre foi considerado pelo mercado publicitário um valor muito elevado para os padrões nacionais. Mas como a arena do Corinthians receberia a abertura da Copa do Mundo de 2014, os dirigentes acreditaram que conseguiriam fechar a negociação. Não conseguiram. A segunda chance foram os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, mas que teve jogos realizados em São Paulo, mais uma vez na arena corinthiana. Novamente a oportunidade foi perdida.

Torcida do Corinthians espera ansiosa para saber a verdade dos fatos envolvendo o possível nome da arena de Itaquera (Foto: Tino Simões)


Como comparação, basta analisar o caso do rival Palmeiras, que através da construtora W Torres, que administra a arena erguida sobre o antigo estádio Parque Antárctica, conseguiu comercializar o naming rights em 2013 com a seguradora Allianz pelo período de 20 anos. À época alguns diretores do Corinthians chegaram a desdenhar do negócio e garantiram que conseguiriam no mínimo 100 milhões de reais à mais. 

O tempo passou e a torcida corinthiana foi aos poucos se conformando em ter uma arena sem nome. O mercado e a imprensa esportiva sinalizavam que se o naming rights não foi comercializado quando a economia mundial estava em alta, não seria agora que seria concretizado qualquer negócio. Não pelos 400 milhões de reais pretendidos pelo Timão. Principalmente agora em um ano atípico por causa da pandemia que encolheu ainda mais a economia global.

E não é que o assunto voltou à pauta esportiva com muita força. Há pouco mais de uma semana o ex-jogador Neto, atualmente apresentador de programas esportivos, anunciou que tinha a informação de que o Corinthians finalmente conseguiu comercializar o naming rights e que o negócio seria anunciado no dia 1º de setembro, data do 110º aniversário do clube. Nos dias seguintes esse assunto passou a dominar as mídias sociais, sites e imprensa esportiva de maneira geral. Todos querendo o grande “furo jornalístico” cravaram nomes diversos à arena corinthiana.

Como jornalista há mais de 35 anos confesso que me deixa muito triste ver a imprensa se comportando dessa forma. Jornalistas e blogueiros se travestindo como videntes, verdadeiras mães Dinah, ao garantirem que sabem quem dará nome à arena de Itaquera. Claro, nesse conjunto de especuladores, deve ter alguém que realmente apurou o caso com seriedade e poderá levar os créditos pela informação.

Nos últimos dias as mídias diversas especularam nomes de várias empresas. Neto disse que a marca já esteve estampada na camisa do Timão como patrocinadora. Daí começaram a imaginar que pudesse ser a Samsung, Magazine Luiza, Neo Química (por causa da influência do Ronaldo Fenômeno) e Positivo. Também vieram à baila a Amazon, que esteve perto de fechar patrocínio com o Flamengo, a Claro, a Volkswagen e, novamente, a Emirates, empresa aérea dos Emirados Árabes Unidos especulada desde 2013. 

Nos bastidores do Parque São Jorge, conselheiros ligados a Andrés Sanchez (foto ao lado) garantem que está tudo sacramentado e o nome será anunciado em breve. Outros, opositores, acreditam quem trata-se de mais uma jogada do dirigente para chamar a atenção e alavancar o seu candidato - possivelmente Duílio Monteiro Alves, atual diretor de futebol -, nas eleições marcadas para o final de novembro. Enfim, falta pouco para sabermos a verdade dos fatos e vermos quem está com a verdade.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

FUTEBOL NO BRASIL LEMBRA VAGAMENTE O JOGO DISPUTADO NA LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA

 

POR ROBERTO MAIA

Paris Saint-Germain e Bayern de Munique se enfrentarão na final da UEFA Champions League, no Estádio da Luz, em Lisboa (Foto: UEFA) 

Assistindo aos jogos das semifinais da Liga dos Campeões da Europa cheguei a uma triste constatação: o futebol praticado no Brasil não mais deveria ter essa denominação! Embora jogado em estádios com campos gramados e com onze jogadores de cada lado, trata-se de um jogo lento, sem criatividade e despojado de talentos individuais. Os jogos entre Paris Saint-Germain e RB Leipzig e Bayern de Munique e Olympique Lyonnais revelaram o tamanho do abismo entre os atuais momentos do futebol europeu e o brasileiro.

No mesmo dia em que vi a classificação da máquina alemã à final da Liga dos Campeões, assisti ao jogo entre o Corinthians e o Coritiba pelo Campeonato Brasileiro. Foi como assistir a um jogo de confraternização em final de ano entre funcionários de empresas antes do churrasco. Ou de times de másters com ex-jogadores e seus muitos quilos a mais em exibições festivas. Se bem que nesse caso ainda é possível ver lampejos do futebol que um dia consagrou o Brasil como o melhor do mundo.

Os jogos semifinais da UEFA Champions League disputados em Lisboa revelaram que mesmo na Europa as coisas estão mudando. Quem poderia imaginar que gigantes como Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Juventus, Liverpool, Manchester United e o City, entre outros, ficassem pelo caminho, e dessem lugar às surpresas como o Lyon e o RB Leipzig? Em mais alguns anos o futebol poderá uma ter nova configuração de forças. Os clubes administrados com profissionalismo empresarial e com recursos elevadíssimos começam a apresentar resultados dentro de campo.

Amadurecido e em grande forma, Neymar lidera o PSG na busca do primeiro título da Liga dos Campeões (Foto: PSG/site oficial psg.fr)


Dito isso, o jogo decisivo da Champions 2019/2020, entre PSG e Bayern, que será disputado também na capital portuguesa, no Estádio da Luz (Benfica), promete ser um grande espetáculo futebolístico. Uma pena que a finalíssima será disputada sem a presença dos torcedores por causa da pandemia da Covid-19. E, infelizmente, ela acontece no mesmo horários de jogos do Campeonato Brasileiro, às 16h (horário de Brasília) o que impedirá que os nossos jogadores e treinadores no Brasil assistam e quem sabe se inspirem sobre como o futebol deve ser jogado.

Para o time alemão da Baviera, que chegou à 11ª final da Liga do Campeões, a vitória significará o sexto título continental. Já para a equipe parisiense, que está comemorando 50 anos da sua fundação, será o primeiro. Além do jogo em si, em campo também estarão os principais candidatos ao prêmio "The Best" da FIFA, que premiará o melhor jogador da temporada: Neymar (PSG) e Lewandowski (Bayern). O polonês é o artilheiro da competição com 15 gols, enquanto o craque brasileiro parece finalmente ter amadurecido e tem liderado sua equipe ao lado de Kylian Mbappé, Di Maria e companhia.

Artilheiro da competição com 15 gols, Lewandowski marcou 55 vezes em 46 jogos na temporada (Foto: FC Bayern Munich/site oficial fcbayern.com)


Na atual temporada o PSG é o tricampeão francês e também conquistou a Copa da França e a Copa da Liga Francesa. Para chegar à final o time alcançou oito vitórias em dez jogos disputados. Foi o primeiro colocado no grupo A e depois eliminou Borussia Dortmund, Atalanta e RB Leipzig.

Já o Bayern de Munique é o campeão da Alemanha (octacampeão) e da Copa Nacional (bicampeão). Na Liga dos Campeões o time alemão faz uma campanha com 100% de aproveitamento, com 42 gols marcados em dez jogos. Foi o primeiro do grupo B e depois eliminou o Chelsea, Barcelona e Lyon.

Portanto, quem puder trocar os jogos do Brasileirão pela grande final europeia certamente não irá se arrepender. Mas, com certeza, ficará muito irritado com o nível de futebol que seu time de coração anda jogando em terras tupiniquins!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

O SHOW NÃO PODE PARAR! BRASILEIRÃO COMEÇA COM MUITOS CASOS DE COVID-19.

 POR ROBERTO MAIA

Palmeiras implantou drive-thru para realizar testes para covid-19 entre os atletas (Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras)


O futebol voltou no Brasil apesar do número de infectados, internados e mortos pelo coronavírus continuar altíssimo. Já são mais de 3,2 milhões de casos confirmados com mais de 105 mil óbitos. E segue o jogo porque o espetáculo não pode parar.

Após o complemento dos campeonatos estaduais teve início no último final de semana o Brasileirão 2020. Jogos realizados em estádios sem presença de torcedores, protocolos de segurança para jogadores e envolvidos na partida, um minuto de silêncio em respeito às vítimas da Covid-19 e um deprimente som de torcedores em festa nos alto-falantes. Nas transmissões da TV um show dos narradores tentando colocar emoção e vibração em jogos ruins. Tudo muito deprimente!

Assim, nesse cenário triste e desolador, o Campeonato Brasileiro de 2020 seguirá com suas 38 rodadas até o final de fevereiro de 2021, quando conheceremos o time campeão. 

Mas as coisas não começaram muito bem. Logo na primeira rodada o jogo entre o Goiás e o São Paulo teve que ser adiado porque 11 jogadores do time goiano apresentaram resultados positivos no teste para Covid-19. Nas séries B e C outros tantos contaminados. No total, mais de 50 atletas testaram positivo. Entre os árbitros há informações de que existe ao menos um caso de coronavírus confirmado.

No Corinthians, o zagueiro Gil e o atacante Léo Natel, que disputaram a final do Paulistão no sábado contra o Palmeiras, testaram positivo e foram afastados do jogo contra o Atlético-MG na quarta-feira.

O zagueiro Gil testou positivo e foi afastado do jogo do Corinthians contra o Atlético-MG (Foto: Rodrigo Coca/ Agência Corinthians)

E dentro de quadro de absurdos, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda autorizou o Atlético-GO a utilizar no jogo contra o Flamengo, quatro jogadores do seu elenco que tiveram teste positivo de coronavírus. O argumento é que eles testaram positivo há mais de 10 dias, permaneceram assintomáticos e por isso não apresentam risco de transmissão. Mas por que não disseram isso antes do campeonato começar?

Para acalmar os ânimos, a CBF anunciou uma mudança no protocolo de testagem. A novidade implica no aumento do número de testes realizados entre os jogadores inscritos na competição. Agora, eles serão testados a cada rodada, com 72 horas de antecedência dos jogos. Os resultados são enviados à CBF até 24h antes da partida pelo clube mandante e até 12h antes da viagem pelo clube visitante.

Responsável pelo protocolo nacional da CBF, o experiente neurocirurgião Jorge Pagura trabalha há meses na elaboração do protocolo de segurança. Junto com ele uma equipe de consultores médicos e epidemiologistas. Segundo Pagura, esse time de “pesos pesados” procura garantir a volta do futebol com toda a segurança possível. “Nossa responsabilidade na execução do plano é muito grande”, disse recentemente.

CBF autorizou quatro jogadores do Atlético-GO para enfrentar o Flamengo, apesar de terem testado positivo (Foto: Reprodução Twitter ACG)

Já o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, descartou a paralisação do Brasileirão apesar dos muitos casos de contaminações de atletas verificado logo no início da competição.

"Em nenhum momento passou por nós qualquer perspectiva de paralisação. Neste momento, não nos parece relevante. Não é o suficiente para pensarmos em um plano B, como encurtamento do campeonato, redução das 38 rodadas ou mover todos os clubes para um só local, como outros países fizeram", garantiu.

Segundo Feldman, a manutenção do Campeonato Brasileiro com 38 rodadas é um pedido dos próprios clubes, que temem por sua saúde financeira. "A situação dos clubes é muito difícil. Se o campeonato tiver as 38 rodadas, isso dará fôlego para que eles possam superar um ano tão difícil", argumentou, ressaltando, porém, que “a saúde deve sempre estar em primeiro lugar”.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR