POR
ROBERTO MAIA
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| O Red Bull Bragantino foi campeão
da Série B do Brasileirão 2019 com cinco rodadas de antecedência (Fotos: RB Bragantino/Divulgação) |
O noticiário sobre os grandes clubes de São Paulo
nesta semana ficou bem concentrado no Palmeiros. E não sem motivo. Após a
derrota para o Flamengo no último domingo, o clube demitiu de uma só tacada o
treinador Mano Menezes e o diretor de futebol Alexandre Matos. O presidente do
Verdão, Maurício Galiote, atendeu os pedidos das torcidas organizadas que
vinham pedindo a cabeça dos dois.
Entre os nomes especulados para ocupar o cargo de
Matos me chamou a atenção o de Thiago Scuro, CEO do Red Bull Bragantino, responsável
pelo projeto de parceria que promete dar muito o que falar em 2020.
No futebol tudo pode mudar de uma hora para outra,
mas os comentários é que ele prontamente rejeitou a proposta e continua à
frente do futebol do campeão da Série B do Brasileirão 2019 – com cinco rodadas
de antecedência.
E não é difícil entender o motivo dele dizer não
para uma dos maiores clubes do País. O projeto que ele comanda em Bragança é
totalmente profissional. Ele tem contrato até o final de 2023 e conta com o
respaldo da empresa multinacional austríaca Red Bull. Enquanto que no Palmeiras
– e na quase absoluta maioria dos clubes brasileiros – o que vale são os
resultados imediatos e não há projetos de médio e longo prazos.
A confiança de Thiago Scuro em seguir à frente do Red
Bull Bragantino certamente está amparada no histórico da empresa no esporte.
Desde 2005, a empresa banca duas equipes na Fórmula 1, onde conquistou quatro
títulos de construtores e quatro de pilotos. No mesmo ano também começou a
investir no futebol com o RB Salzburg, na Áustria. O sucesso foi imediato e o time
hoje é uma potência no pais com 14 títulos conquistados, incluindo um
hexacampeonato (2014 a 2019). Também disputa a Liga dos Campeões da Europa.
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O
treinador Antônio Carlos Zago aposta na mescla
de jogadores experientes com
jovens valores
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Em 2009, adquiriu o time alemão SSV Markranstädt.
Batizado de RB Leipzig, ascendeu da quinta para a primeira divisão do país. Na Bundesliga
foi vice-campeão em 2017 e garantiu classificação para a Liga dos Campeões. A
terceira colocação neste ano mais uma vez levou o time à elite europeia.
Portanto, se o sucesso nas empreitadas anteriores
se repetir no Brasil, certamente Scuro, que tem apenas 38 anos, poderá ficar
muito mais valorizado no futuro.
Na próxima temporada o Red Bull Bragantino
disputará o Paulistão, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro – após 22
anos de ausência. Para não fazer feio são esperados grandes investimentos na
contratação de jogadores e na infraestrutura. Se em 2019 o futebol contou com
cerca de R$ 45 milhões, o próximo ano poderá ter a injeção de até R$ 200
milhões.
O Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista
(SP), que tem capacidade para 17 mil torcedores, será reformado para a disputa
do Brasileirão 2020. A ideia é ampliar para 20 mil lugares – capacidade mínima estabelecida
pela Conmebol para receber partidas internacionais. Afinal, a Libertadores pode
não ser um sonho distante. O projeto também inclui a construção de um novo
centro de treinamento para a equipe profissional e sub-23.
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| O ex-goleiro do
Corinthians, Julio César é um dos mais experientes do Red Bull Bragantino |
Confirmado para a próxima temporada, o treinador Antônio
Carlos Zago teve o contrato renovado até o final de 2021. Ele aposta na mescla
de jogadores experientes como o goleiro Júlio César (ex-Corinthians) e o jovem
Claudinho, o meia de 22 anos, que foi o destaque do time e já é pretendido
pelos grandes clubes do futebol brasileiro.
A Red Bull não está para brincadeira e se os
objetivos forem alcançados, um novo ciclo no futebol nacional poderá ter início:
o dos clubes-empresas.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA



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