segunda-feira, 16 de março de 2020

Ascensão e queda do “Bruxo” do futebol mundial


POR ROBERTO MAIA

Na Seleção Brasileira Ronaldinho Gaúcho marcou o seu nome
ao conquistar o pentacampeonato mundial em 2002 (Foto: Arquivo/CBF)
Confesso que fiquei muito triste quando vi as imagens de Ronaldinho Gaúcho algemado ao ser levado para um presídio em Assunção, no Paraguai. Aqui não entro no mérito se a prisão é justa ou injusta, afinal todos devemos ser tratados de forma igualitária perante a Justiça. O ex-craque e o seu irmão e empresário Roberto de Assis estão sendo investigados por uso de passaportes falsos no país vizinho.

Sinto tristeza porque acompanhei a carreira genial do meia-atacante endiabrado com a bola nos pés. A habilidade de Ronaldinho é difícil de explicar para os mais jovens que cresceram vendo jogos onde a força física e os esquemas táticos engessados sobrepõem a habilidade técnica. Sem pensar muito eu diria que ele foi um dos jogadores mais talentosos e brilhantes da sua geração. Sem dúvida um dos maiores de todos os tempos. Tanto que ganhou o apelido de “Bruxo”. Merecido diga-se!

O garoto franzino, dentuço e de sorriso fácil surgiu para o futebol em 1998 vestindo a camisa do Grêmio. O apelido Gaúcho veio para diferenciá-lo do Ronaldo Fenômeno que à época era chamado apenas de Ronaldinho.

A genialidade do R10 foi eternizada com a marca de seus pés na 
Calçada da Fama  do Maracanã, no Rio de Janeiro (Foto: Daniel Guimarães/CBF)
Rapidamente o Brasil ficou pequeno para o seu futebol e em 2001 ele partiu para a Europa para defender o Paris Saint-Germain. Sua passagem pelo futebol francês não empolgou e após duas temporadas e muitos problemas com o treinador ele se transferiu para o Barcelona.

E foi na Espanha que ele viveu os melhores anos de sua vida no futebol. Vestindo a camisa do Barça ele conquistou dois títulos do Campeonato Espanhol (2004/05 e 2005/06), a Supercopa da Espanha (2005 e 2006) e a Liga dos Campeões da Europa na temporada 2005/06. Também foi eleito duas vezes o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA (2004 e 2005).

Foi o primeiro futebolista na história a ter conquistado a Champions League, a Libertadores da América, a Copa do Mundo e ter sido eleito o melhor do mundo.

Ver Ronaldinho em campo era mais que assistir a um jogo de futebol. Era encantamento e alegria por suas jogadas geniais. Impossível esquecer seus gols fantásticos, arrancadas absurdas, dribles e elásticos desconcertantes. Até as torcidas adversárias o reverenciavam. Tanto que em um jogo do Barça contra o rival Real Madrid no Santiago Bernabeu lotado ele foi aplaudido de pé pelos torcedores madrilenhos.

Em sua passagem pela Europa ainda vestiu a camisa do Milan da Itália, antes de votar ao Brasil para defender o Flamengo e cair nos braços da nação rubro-negra. Depois se transferiu para o Atlético-MG onde conquistou a Libertadores de 2013. Nesse mesmo ano foi eleito o Rei da América, em eleição anual do diário El País, do Uruguai. Na fase final da carreira ainda atuou pelo Querétaro (México) e Fluminense.

Seleção Brasileira - Com apenas 19 anos estreou na Seleção Brasileira, em 1999, em um jogo da Copa América daquele ano contra a Venezuela. E logo mostrou quem ele era ao marcar um golaço após aplicar um chapéu no zagueiro e estufar a rede. Ronaldinho vestiu a amarelinha em 101 jogos e marcou 35 gols, além de conquistar o pentacampeonato mundial em 2002.

Atualmente o R10 é embaixador do turismo do Brasil e também do Barcelona, clube em que fez história. No próximo dia 21 de março Ronaldinho completará 40 anos, provavelmente atrás das grades. Uma pena!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

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