POR ROBERTO MAIA

Bayern conquistou o sexto título em uma temporada que entra para a história do incrível time de Munique (Foto: Reprodução site fcbayern.com)
O Mundial de Clubes da FIFA escancara uma realidade extremamente
dura para o futebol da América do Sul, que é a superioridade dos times europeus
no mundo da bola. O poderio financeiro é o motivo mais aparente desse abismo
que ano a ano fica mais profundo.
Antes do torneio ser organizado pela Federação
Internacional de Futebol (FIFA) ele foi disputado com o nome de Copa
Intercontinental de Clubes, entre os anos de 1960 e 1999, e envolvia apenas os
campeões da Copa Libertadores da América e o da Liga dos Campeões da Europa.
Nesse período havia maior equilíbrio de forças.
Fator preponderante foi a Lei Bosman, em 1995, onde
jogadores da União Europeia deixaram de ser considerados estrangeiros. A partir
daí os clubes mais ricos da Europa passaram a contratar os melhores talentos
dos países vizinhos, além de outros dos demais continentes que tivessem descendência
comprovada de algum país europeu.

O Corinthians foi o último time da América do Sul a derrotar um da Europa no Mundial de Clubes (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)
O reflexo veio a partir de 2000, ano em que foi
disputado o primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA, os europeus concretizaram
a supremacia. Algo que no início não parecia que iria acontecer porque os três
primeiros campeões do torneio foram times brasileiros: Corinthians (2000), São
Paulo (2005) e Internacional (2006). Na sequência os times da Europa dominaram:
Milan (2007), Manchester United (2008), Barcelona (2009, 2011 e 2015),
Internazionale (2010), Bayern de Munique (2013 e 2020), Real Madrid (2014,
2016, 2017 e 2018), e Liverpool (2019). Única exceção aconteceu em 2012, quando
o Corinthians conquistou o bicampeonato ao vencer o Chelsea.
O Real Madrid é o maior vencedor do Mundial de
Clubes com sete taças conquistadas. Entre os clubes brasileiros o São Paulo
lidera com três títulos mundiais (1992, 1993 e 2005).
O atual modelo de disputa do Mundial de Clubes, com
os seis campeões continentais e o campeão do país-sede da competição, será
alterado para se tornar uma Super Copa do Mundo de Clubes. E era para estrear
na edição de 2021, porém foi adiado por conta da pandemia.

Palmeira, o melhor time das
Américas na temporada, amargou o quarto lugar no Mundial de Clubes da FIFA (Foto:
Cesar Greco/Ag.Palmeiras)
Quando for colocado em prática o novo formato
idealizado pela FIFA, as coisas ficarão ainda mais difíceis para os times
sul-americanos. A ideia da entidade máxima do futebol mundial é que o torneio
seja disputado a cada quatro anos e com a participação de 24 times. Serão 12
equipes da Europa, cinco da América do Sul, duas da América do Norte, duas da
África, duas da Ásia e uma da Oceania. Cada confederação continental terá
liberdade para definir os critérios de classificação para o torneiro que será
chamado de Copa do Mundo de Clubes.
A competição terá oito grupos de três equipes, sendo
que os vencedores de cada um se classificam para as quartas de final, etapa em
que os jogos passam a ser eliminatórios até a grande final.
Caso o futebol não seja repensado no continente
sul-americano a hegemonia europeia será duradoura. E, pior, com diferença cada
vez maior do nível técnico entre as equipes.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL
TRAVELPEDIA.COM.BR
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