POR ROBERTO MAIA
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Contrata
que a Fiel paga: torcida do Corinthians sempre foi avalista de
projetos milionários. (Fotos: Tino Simões) |
A torcida do Corinthians cresceu muito durante as
décadas de 1960 e 1970, apesar do jejum de títulos que durou 23 anos. Naquela
época, os fanáticos torcedores corinthianos lotavam estádios na esperança de
empurrar o time de volta ao caminho das conquistas. O Timão era de longe o que
mais arrecadava nos campeonatos. Daí surgiu um slogan repetido com orgulho
pelos torcedores alvinegros: “contrata que a Fiel paga”.
E assim muitos jogadores foram contratados com base
nesse aval implícito da torcida. E ela nunca negou fogo. Continuou a lotar os
estádios. Bom lembrar que naquele tempo a receita do futebol era 100% renda dos
jogos. Não havia patrocínios na camisa e nem cota paga pela televisão. O clube
poliesportivo no Parque São Jorge era autossuficiente e tinha cerca de 100 mil
associados.
Em contrapartida a gestão do clube nem sempre foi
tratada com competência e boa administração. Apesar das publicidades no
uniforme e o dinheiro da televisão, a dívida só aumenta. O clube hoje tem
apenas cerca de 4 mil associados e depende do dinheiro do futebol para
continuar funcionando.
Se hoje é comum advogados pedirem a penhora de taças
importantes e bloqueio das contas correntes, teve um tempo que o Corinthians teve
que esconder o ônibus que transportava os jogadores porque estavam penhorando o
veículo. Era muita vergonha para os torcedores que sempre estiveram presentes e
financiando o clube com sua fidelidade.
Certa vez, o clube estava com dificuldade para
reformar o contrato do lateral esquerdo Vladimir e a Gaviões da Fiel foi ao
clube com um cheque para garantir a permanência do craque no Timão. Era a
afirmação do “contrata que a Fiel paga”.
E assim foram contratados craques por valores milionários
na tentativa de acabar com o jejum de títulos. Vieram Paulo Borges, Garrincha,
Flávio, Ado, Baldocchi, Brito, Zé Maria, Ditão, Ivair, Buião, Aladim e tantos
outros.
Em 1971, a diretoria corinthiana tentou uma cartada
maior. Queria trazer o tricampeão mundial de 1970, Paulo Cézar Cajú, então no
Botafogo. O sonho era ter o atleta para formar dupla com Rivelino e voltar a
ser campeão novamente.
Sem os recursos de hoje que liga as pessoas em tempo
real através da internet, o Corinthians resolver levantar o dinheiro através de
uma “vaquinha” entre os torcedores. Fosse hoje o projeto seria um crowdfunding. Uma conta foi aberta para
depósitos em dinheiro e sacos coletores foram espalhados em pontos estratégicos
da cidade. Sim, isso mesmo, sacos de lona. Assim, os torcedores iam até os
locais e jogavam dinheiro e joias dentro dos sacos.
Apesar de muita gente afirmar que viram muitas
barricas lotadas de dinheiro, a "vaquinha" corinthiana fracassou e
Paulo Cézar continuou no Rio de Janeiro. Dez anos depois ele acabou contratado
pelo Corinthians, onde teve uma passagem inexpressiva. Jogou apenas quatro
jogos e não marcou nenhum gol.
O fato é que nunca ninguém soube o quanto realmente
foi arrecadado. Nenhuma prestação de contas foi feita aos torcedores que nunca
souberam onde o dinheiro foi gasto. Até hoje o assunto é tema de conversas nas
alamedas do clube entre os conselheiros mais velhos. E as coisas que são ditas
são de arrepiar os cabelos.
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| Gaviões da Fiel propôs “vaquinha” que está sendo analisada pela diretoria corinthiana. |
E porque estou falando sobre esse assunto? É que
tenho lido que a diretoria do Corinthians resolveu estudar a proposta feita
pela torcida Gaviões da Fiel de se realizar uma “vaquinha” entre os torcedores com
o objetivo de pagar a dívida da arena junto à Caixa Econômica Federal.
Entendo que esse não é o caminho. A torcida tem que
ajudar lotando a arena em todos os jogos, pagando o programa de fidelidade Fiel
Torcedor, comprando produtos oficiais e principalmente se associando ao clube.
Cabe ao presidente Duílio Monteiro Alves fazer uma gestão competente e técnica,
cortando gastos e com máxima transparência.
Atualmente, a dívida do Corinthians está próxima de
R$ 1 bilhão, fora outros R$ 570 milhões devidos à CEF pelo financiamento da Neo
Química Arena. Desse montante, a Hypera Pharma, dona do naming right, é responsável por R$ 300 milhões.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR


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