POR ROBERTO MAIA
Durou menos de seis minutos o jogo entre Brasil e Argentina até ser interrompido por fiscais da Anvisa. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
O Brasil está fervendo em termos políticos e essa
temperatura altíssima chegou ao futebol durante o jogo Brasil e Argentina,
válido pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo FIFA Catar 2022. Após todo o
ritual de concentração, preparação e aquecimento, os jogadores foram à campo na
Neo Química Arena e a bola rolou. Rolou só um pouquinho, apenas seis
minutinhos, até ser interrompida por agentes da Agência de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que como protagonistas de um dos maiores clássicos entre seleções do
mundo deram ponto final ao jogo. O motivo, todos sabem, foi o descumprimento
por parte de quatro atletas argentinos que vieram do Reino Unido das normas
contra a disseminação da Covid-19.
Segundo os agentes do órgão federal, os jogadores Emiliano
Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero prestaram
informações sanitárias falsas no momento em que entraram no Brasil. Por atuarem
no futebol inglês, deveriam cumprir quarentena de 14 dias.
Concordo que todos os estrangeiros que ingressarem
no nosso país devem respeitar as regras sanitárias em vigor. Mas se os
jogadores erraram – ou mentiram -, tinham que ser notificados imediatamente,
isolados e monitorados. Faltou agilidade aos fiscais da Anvisa. Tiveram dois
dias inteiros até o início do jogo. As ações cabíveis deveriam ser tomadas
antes.
A Anvisa alega que notificou os jogadores e
responsáveis da Associação do Futebol Argentino (AFA) diversas vezes desde a
tarde de sábado, dia 4, de que não poderiam ir à arena do Corinthians no
domingo. Mas puderam treinar e circular normalmente até o momento do jogo? Algo
não está certo nesse imbróglio. O que me faz pensar em quantas outras pessoas
menos famosas entram no Brasil com informações falsas e nada acontece.
A Polícia Federal foi acionada e alega que tentou encontrar
os jogadores no hotel onde estava concentrada a seleção argentina, bem como no
vestiário da Neo Química Arena e não conseguiu o acesso porque os dirigentes
argentinos não liberaram a entrada. Opa, como assim? Desde quando a PF depende
da boa vontade dos investigados para fazer o seu trabalho? Essa história está
muito mal contada!
Sobre o jogo que não terminou caberá à FIFA tomar
uma decisão sobre o que deverá ocorrer. Em nota, a entidade máxima do futebol
mundial afirmou que uma comissão disciplinar analisará o caso. O presidente
Gianni Infantino disse que o que ocorreu foi “uma loucura” e que lamenta a
suspensão do jogo.
Já a Confederação Brasileira de Futebol (CBF),
através do seu presidente interino, Ednaldo Rodrigues, lamentou o episódio. Segundo
ela, não houve tentativa de ferir os protocolos sanitários do país para fazer o
jogo. “O papel da CBF foi sempre na tentativa de promover o entendimento entre
as entidades envolvidas para que os protocolos sanitários pudessem ser
cumpridos a contento e o jogo fosse realizado.”
E, como sempre, a Confederação Sul-Americana de
Futebol (Conmebol) lavou as mãos, deixando a decisão para a FIFA. Em nota
oficial disse que “as Eliminatórias para a Copa do Mundo são uma competição da
FIFA e que todas as decisões relativas à organização e desenvolvimento são
exclusiva responsabilidade dela."
Se a fotografia do Brasil perante o mundo já não é
das melhores, o episódio envolvendo o jogo das Eliminatórias contribuiu para
piorar a imagem. Manchou também a seleção Argentina, que pelo que parece tentou
peitar as regras brasileiras e impor a sua vontade.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

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