sábado, 26 de dezembro de 2015

Marta, a rainha do futebol mundial

Publicado no dia 16 de dezembro de 2015
Por Roberto Maia

Marta foi considerada a melhor jogadora de futebol do mundo 
por cinco vezes consecutivas (Foto: FIFA/Divulgação)
Essa época do ano é a mais chata do futebol brasileiro. A ausência de jogos e os clubes fazendo planejamento para a temporada de 2016 criam um festival de fofocas, especulações e muitas notícias sem fundamento. Clubes, jogadores e empresários “plantam” notícias nos órgãos de imprensa com o objetivo de influenciar o mercado.]

   Vou aproveitar a coluna dessa semana para exaltar uma mulher que fez muito pelo futebol feminino brasileiro. A craque Marta que já foi escolhida como melhor jogadora de futebol do mundo por cinco vezes consecutivas, um recorde inclusive entre os homens. Ela foi, inclusive, considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

   Porque resolvi falar dela? Me chamou a atenção que após 12 anos consecutivos, Marta não está na lista das melhores jogadoras do mundo do prêmio Bola de Ouro organizado pela FIFA, que será realizado no próximo dia 11 de janeiro, em Zurique, na Suíça. As três finalistas são Carli Lloyd (Estados Unidos), Aya Miyama (Japão) e Celia Sasic (Alemanha).

   Estará ela decadente aos 29 anos de idade? Ou desanimou vendo que apesar de tudo o que realizou vestindo a camisa da seleção brasileira percebeu que o futebol de mulheres não é levado a sério no Brasil? Eu fico com a segunda hipótese. Penso que somente quando os grandes clubes brasileiros resolverem investir em times competitivos a modalidade terá sucesso por aqui. Mas é preciso dinheiro de patrocinadores fortes e apoio da televisão. Além disso, creio que os jogos deveriam acontecer nas preliminares das partidas do Brasileirão. O torcedor brasileiro precisa se empolgar com o seu time feminino da mesma maneira que torce pelo masculino. Atualmente, o Corinthians, por exemplo, leva muito mais torcedores a um jogo de futebol de salão do que a seleção brasileira feminina leva em alguns dos seus jogos.

   Como as coisas nunca aconteceram por aqui, Marta teve que exibir o seu futebol brilhante no exterior. E como ela joga muito, divulga e faz crescer o futebol feminino em outros lugares. Com exceção do Vasco da Gama e do Santa Cruz (MG) no início da carreira e do Santos em duas oportunidades, Marta desfilou seu dom futebolístico no Umeå IK (Suécia), Los Angeles Sol (EUA), FC Gold Pride (EUA), Western New York Flash (EUA), Tyresö FF (Suécia) e FC Rosengård (Suécia).
Parece que as grandes exibições da “Pelé de Saias” não serviram para motivar os dirigentes e empresários brasileiros. Ano que vem tem Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e haverá uma grande torcida – e pressão – para que nossas jogadoras conquistem medalhas de ouro. Pode até acontecer, mas não devemos nos iludir. Outros países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra e Japão estão hoje muito na nossa frente. No ranking da FIFA o Brasil é o sétimo colocado, atrás da Coreia do Sul e apenas três pontos na frente da Suécia.

   Mesmo sem estar entre as melhores do mundo esse ano, Marta continua fazendo história com a camisa da seleção brasileira. Disputando o Torneio Internacional de Natal – que não recebeu nenhum destaque da grande mídia -, a camisa 10 atingiu a marca de cem gols pelo Brasil em jogo domingo passado contra o México. Antes, no dia 11, Marta passou Pelé em números de gols na seleção, ao marcar cinco vezes contra Trinidad e Tobago. Agora ela é a maior artilheira da história da seleção brasileira. Este ano ela também atingiu outra marca importante: com 15 gols se tornou a maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol feminino.

   Ao menos o seu talento foi reconhecido na Calçada da Fama do Maracanã. Ela é a primeira e até agora a única mulher a deixar a marca dos pés naquele local, que homenageia os grandes craques do futebol brasileiro.

Maior artilheira da história da seleção brasileira, 
Marta passou Pelé em número de gols
(Foto: Rafael Ribeiro-CBF/Divulgação)

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