Publicado
no dia 16 de dezembro de 2015
Por
Roberto Maia
Marta
foi considerada a melhor jogadora de futebol do mundo
por cinco vezes
consecutivas (Foto: FIFA/Divulgação)
Essa
época do ano é a mais chata do futebol brasileiro. A ausência de jogos e os
clubes fazendo planejamento para a temporada de 2016 criam um festival de
fofocas, especulações e muitas notícias sem fundamento. Clubes, jogadores e
empresários “plantam” notícias nos órgãos de imprensa com o objetivo de
influenciar o mercado.]
Vou
aproveitar a coluna dessa semana para exaltar uma mulher que fez muito pelo
futebol feminino brasileiro. A craque Marta que já foi escolhida como melhor jogadora
de futebol do mundo por cinco vezes consecutivas, um recorde inclusive entre os
homens. Ela foi, inclusive, considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de
2009.
Porque
resolvi falar dela? Me chamou a atenção que após 12 anos consecutivos, Marta
não está na lista das melhores jogadoras do mundo do prêmio Bola de Ouro
organizado pela FIFA, que será realizado no próximo dia 11 de janeiro, em
Zurique, na Suíça. As três finalistas são Carli Lloyd (Estados Unidos), Aya
Miyama (Japão) e Celia Sasic (Alemanha).
Estará
ela decadente aos 29 anos de idade? Ou desanimou vendo que apesar de tudo o que
realizou vestindo a camisa da seleção brasileira percebeu que o futebol de
mulheres não é levado a sério no Brasil? Eu fico com a segunda hipótese. Penso
que somente quando os grandes clubes brasileiros resolverem investir em times
competitivos a modalidade terá sucesso por aqui. Mas é preciso dinheiro de
patrocinadores fortes e apoio da televisão. Além disso, creio que os jogos
deveriam acontecer nas preliminares das partidas do Brasileirão. O torcedor
brasileiro precisa se empolgar com o seu time feminino da mesma maneira que
torce pelo masculino. Atualmente, o Corinthians, por exemplo, leva muito mais
torcedores a um jogo de futebol de salão do que a seleção brasileira feminina
leva em alguns dos seus jogos.
Como as
coisas nunca aconteceram por aqui, Marta teve que exibir o seu futebol brilhante
no exterior. E como ela joga muito, divulga e faz crescer o futebol feminino em
outros lugares. Com exceção do Vasco da Gama e do Santa Cruz (MG) no início da
carreira e do Santos em duas oportunidades, Marta desfilou seu dom
futebolístico no Umeå IK (Suécia), Los Angeles Sol (EUA), FC Gold Pride (EUA), Western
New York Flash (EUA), Tyresö FF (Suécia) e FC Rosengård (Suécia).
Parece
que as grandes exibições da “Pelé de Saias” não serviram para motivar os
dirigentes e empresários brasileiros. Ano que vem tem Jogos Olímpicos no Rio de
Janeiro e haverá uma grande torcida – e pressão – para que nossas jogadoras
conquistem medalhas de ouro. Pode até acontecer, mas não devemos nos iludir.
Outros países como os Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra e Japão
estão hoje muito na nossa frente. No ranking da FIFA o Brasil é o sétimo
colocado, atrás da Coreia do Sul e apenas três pontos na frente da Suécia.
Mesmo
sem estar entre as melhores do mundo esse ano, Marta continua fazendo história
com a camisa da seleção brasileira. Disputando o Torneio Internacional de Natal
– que não recebeu nenhum destaque da grande mídia -, a camisa 10 atingiu a
marca de cem gols pelo Brasil em jogo domingo passado contra o México. Antes,
no dia 11, Marta passou Pelé em números de gols na seleção, ao marcar cinco
vezes contra Trinidad e Tobago. Agora ela é a maior artilheira da história da
seleção brasileira. Este ano ela também atingiu outra marca importante: com 15
gols se tornou a maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol
feminino.
Ao menos
o seu talento foi reconhecido na Calçada da Fama do Maracanã. Ela é a primeira
e até agora a única mulher a deixar a marca dos pés naquele local, que homenageia
os grandes craques do futebol brasileiro.
Maior
artilheira da história da seleção brasileira,
Marta passou Pelé em número de
gols
(Foto: Rafael Ribeiro-CBF/Divulgação)


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