domingo, 6 de março de 2016

Competência, trabalho e fé no comando do Corinthians

Por Roberto Maia

Mesmo em momentos de glória, Tite não esquece de agradecer

Essa semana eu pretendia escrever sobre um outro assunto. Porém, mudei de ideia e resolvi falar de um profissional do futebol que merece todo o respeito e reverências: Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. O treinador do Corinthians evoluiu muito após um ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma equipe e aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no mundo. Após o fiasco brasileiro na Copa do Mundo Fifa, seu nome era o mais cotado para assumir a missão de reformular a Seleção Brasileira. Ele próprio aguardava o convite que nunca veio.

   Em 2015, voltou ao Corinthians. E o que ele fez e está fazendo novamente em 2016 é para ser muito bem observado e digno de aplausos. Ano passado ele remontou o time após as saídas das principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e Emerson Sheik, entre outros – e levou a equipe à conquista do hexacampeonato brasileiro em uma campanha histórica com três rodadas de antecedência e 12 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Atlético Mineiro.

   Este ano, após o arrastão chinês que passou pelo Parque São Jorge ninguém poderia imaginar que pudesse realizar pela segunda vez o mesmo milagre. Pode até ser que o Alvinegro nem venha a conquistar títulos, mas ele está dando mostras que ele pode sim formar um novo time em condições de disputar e ganhar as principais competições.

   É incrível o que ele está fazendo no comando do Corinthians. E não digo apenas no que diz respeito aos treinamentos e táticas de jogo. Ele está mudando velhos e ultrapassados conceitos. Em um país onde os clubes trocam de treinadores a torto e a direito, Tite já acumula 355 jogos pelo Timão em três passagens. Na primeira (2004/2005) comandou o time em 51 jogos, conquistando 24 vitórias, 15 empates e 12 derrotas. Quando voltou (no final de 2010), mudou a forma do time jogar e comandar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida e a conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Os resultados começaram a aparecer em 2011, com a conquista do campeonato brasileiro. Mas a consagração aconteceu em 2012. Naquele ano fantástico, Tite levou o Corinthians à conquista da Libertadores pela primeira vez na história do clube e ao bicampeonato mundial no Japão, em jogo histórico contra o Chelsea.

   Gaúcho de Caxias do Sul, Tite começou a carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois, jogou no Esportivo de Bento Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986 a 1988). Com apenas 28 anos foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões nos joelhos, inclusive com ruptura de ligamento, perdendo a mobilidade de uma das pernas. Tanto que até hoje não consegue dobrar um dos joelhos. Mas se o futebol perdeu um jogador mediano ganhou um treinador em condições de conquistar os títulos que não conseguiu dentro de campo.

   A partir de 1990, treinou uma série de times do Rio Grande do Sul até que, em 2000, comandando o Caxias realizou uma campanha surpreendente no Campeonato Gaúcho que culminou com a conquista do título sobre o Grêmio, que naquela época tinha Ronaldinho Gaúcho. Tamanha vitrine o levou para o tricolor gaúcho em 2001, ano em que foi campeão do Gauchão e da Copa do Brasil sobre o Corinthians. Tite deixou seu estado natal para dirigir o São Caetano. Aqui em São Paulo chamou a atenção do Corinthians, que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e tirou o time da zona da degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005, deixou o Timão ao se opor a Kia Joorabchian, diretor do Grupo de Investimento MSI que teria tentado interferir na sua maneira de comandar e escalar a equipe.

   Antes de voltar ao Corinthians treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain (Emirados Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes).


   Não é à toa que a cada jogo do Timão em sua arena, a torcida corinthiana vibra quando o nome de Tite aparece no telão após a escalação do time. Coisa rara, mas que reconhece uma carreira vitoriosa e extremamente profissional.

Tite comemorou muito a conquista do Mundial de Clubes no Japão e reconhece apoio da torcida ao seu trabalho; Não importa o adversário, Tite repete um ritual no vestiário antes dos jogos do Timão.

(Fotos: Ag.Corinthians/Divulgação)

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