Por Roberto Maia
Mesmo
em momentos de glória, Tite não esquece de agradecer
Essa
semana eu pretendia escrever sobre um outro assunto. Porém, mudei de ideia e
resolvi falar de um profissional do futebol que merece todo o respeito e
reverências: Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. O treinador do Corinthians evoluiu
muito após um ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma equipe e
aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no mundo. Após o
fiasco brasileiro na Copa do Mundo Fifa, seu nome era o mais cotado para
assumir a missão de reformular a Seleção Brasileira. Ele próprio aguardava o
convite que nunca veio.
Em
2015, voltou ao Corinthians. E o que ele fez e está fazendo novamente em 2016 é
para ser muito bem observado e digno de aplausos. Ano passado ele remontou o
time após as saídas das principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e
Emerson Sheik, entre outros – e levou a equipe à conquista do hexacampeonato
brasileiro em uma campanha histórica com três rodadas de antecedência e 12
pontos de vantagem para o segundo colocado, o Atlético Mineiro.
Este
ano, após o arrastão chinês que passou pelo Parque São Jorge ninguém poderia
imaginar que pudesse realizar pela segunda vez o mesmo milagre. Pode até ser
que o Alvinegro nem venha a conquistar títulos, mas ele está dando mostras que
ele pode sim formar um novo time em condições de disputar e ganhar as
principais competições.
É
incrível o que ele está fazendo no comando do Corinthians. E não digo apenas no
que diz respeito aos treinamentos e táticas de jogo. Ele está mudando velhos e
ultrapassados conceitos. Em um país onde os clubes trocam de treinadores a
torto e a direito, Tite já acumula 355 jogos pelo Timão em três passagens. Na primeira
(2004/2005) comandou o time em 51 jogos, conquistando 24 vitórias, 15 empates e
12 derrotas. Quando voltou (no final de 2010), mudou a forma do time jogar e
comandar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida e a
conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Os resultados
começaram a aparecer em 2011, com a conquista do campeonato brasileiro. Mas a
consagração aconteceu em 2012. Naquele ano fantástico, Tite levou o Corinthians
à conquista da Libertadores pela primeira vez na história do clube e ao
bicampeonato mundial no Japão, em jogo histórico contra o Chelsea.
Gaúcho
de Caxias do Sul, Tite começou a carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois,
jogou no Esportivo de Bento Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986
a 1988). Com apenas 28 anos foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões
nos joelhos, inclusive com ruptura de ligamento, perdendo a mobilidade de uma
das pernas. Tanto que até hoje não consegue dobrar um dos joelhos. Mas se o
futebol perdeu um jogador mediano ganhou um treinador em condições de
conquistar os títulos que não conseguiu dentro de campo.
A
partir de 1990, treinou uma série de times do Rio Grande do Sul até que, em
2000, comandando o Caxias realizou uma campanha surpreendente no Campeonato
Gaúcho que culminou com a conquista do título sobre o Grêmio, que naquela época
tinha Ronaldinho Gaúcho. Tamanha vitrine o levou para o tricolor gaúcho em
2001, ano em que foi campeão do Gauchão e da Copa do Brasil sobre o Corinthians.
Tite deixou seu estado natal para dirigir o São Caetano. Aqui em São Paulo chamou
a atenção do Corinthians, que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e
tirou o time da zona da degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005,
deixou o Timão ao se opor a Kia Joorabchian, diretor do Grupo de Investimento
MSI que teria tentado interferir na sua maneira de comandar e escalar a equipe.
Antes
de voltar ao Corinthians treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain (Emirados
Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes).
Não
é à toa que a cada jogo do Timão em sua arena, a torcida corinthiana vibra
quando o nome de Tite aparece no telão após a escalação do time. Coisa rara,
mas que reconhece uma carreira vitoriosa e extremamente profissional.
Tite
comemorou muito a conquista do Mundial de Clubes no Japão e reconhece apoio da
torcida ao seu trabalho; Não importa o adversário, Tite repete um ritual no vestiário antes dos jogos do
Timão.
(Fotos: Ag.Corinthians/Divulgação)



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