sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A lendária carreira de Rogério Ceni colocada à prova

Por Roberto Maia


Rogério Ceni apresentou seus auxiliares Michael Bale e 
Charles Hembert aos jogadores (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Torcedores do São Paulo claro, olham Rogério Ceni como uma entidade superior, intocável, soberana. Não à toa o chamam de Mito. Já os torcedores adversários enxergam muitos defeitos e o acusam de ser arrogante. Nem tanto ao céu e nem ao inferno. O que ninguém pode dizer é que ele não tenha coragem. Tem e muita. Não fosse assim jamais aceitaria ser o treinador do time que o consagrou como goleiro e como artilheiro. Afinal é ele o goleiro recordista em gols marcados no mundo e em todos os tempos. Recorde que dificilmente será quebrado. Em 25 anos de carreira foram 134 gols entre pênaltis e faltas. O paraguaio Chilavert é o segundo com “apenas” 62 tentos convertidos.

    Jovem (44 anos) e com nenhuma experiência como treinador, Ceni ao escolher o Tricolor, time pelo qual disputou 1.237 partidas – outro recorde mundial – coloca em risco a sua lendária carreira. Sem dúvida é uma aposta de risco dos dirigentes são-paulinos e dele próprio. Qual será a reação dos torcedores após uma sequência de resultados ruins? E os dirigentes terão paciência para esperar? Zico, por exemplo, disse que jamais será treinador do Flamengo, time pelo qual reinou absoluto e é o maior ídolo da história rubro-negra.

    Rogério Ceni começou sua jornada como técnico do seu time de coração na semana passada e com a mesma disposição que sempre mostrou em seus tempos de jogador. Conhecedor profundo dos bastidores do Morumbi e dos atalhos do CT da Barra Funda, apresentou seus auxiliares internacionais - o inglês Michael Bale e o francês Charles Hembert - aos jogadores. Também conversou com o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Ele foi observado e tratado com a reverência que somente os grandes ídolos têm direito.

   Na sexta-feira passada, Ceni embarcou para a sua primeira viagem como técnico da equipe. O Tricolor participa este ano da terceira edição do torneio internacional Florida Cup Challenge 2017, nos Estados Unidos. O clube aproveita a permanência nos EUA para realizar sua pré-temporada.

   A viagem foi realizada a bordo de uma aeronave da Copa Airlines – patrocinadora do clube - personalizada com o distintivo do São Paulo. Na escala na Cidade do Panamá o novo “professor” concedeu entrevista coletiva no Centro de Conexões das Américas (Aeroporto de Tucumén) para jornalistas panamenhos. Tudo por conta da parceria com a companhia aérea iniciada em 2015 e renovada no ano passado. Além do patrocínio na camisa, há ações de marketing e posicionamento de marca. Segundo a empresa, o novo técnico demonstra os mesmos valores da Copa: liderança, transmite segurança e é pontual. O que é a pura verdade. Rogério sempre era sempre um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair dos treinos.

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