Por
Roberto Maia
Com
o fim do chapão no Corinthians, Roberto de Andrade corre
risco de sofrer impeachment (Foto:
Ag.Corinthians/divulgação)
Na
próxima segunda-feira, dia 20, o Conselho Deliberativo do Corinthians estará
reunido para decidir o futuro do presidente Roberto de Andrade. O mandatário do
Timão responde a um pedido de afastamento (impeachment) por, supostamente, ter
assinado um documento em data anterior à sua eleição. Ele já foi absolvido pela
Comissão de Ética do clube, que decidiu dar-lhe somente uma advertência por
escrito por entender que o ato não é suficientemente forte para lhe tirar da
cadeira presidencial do 5º andar do prédio administrativo do Parque São Jorge.
Caso os conselheiros decidam pelo seu afastamento, caberá, ainda, aos sócios
ratificarem ou não a decisão em uma assembleia geral.
Esse é o
fato concreto que deve estar tirando o sono de Andrade. Tanto que nos últimos
meses uma verdadeira tropa de choque está mobilizada para defende-lo e
arregimentar apoiadores. Mas, na prática, o presidente corinthiano estará sendo
julgado não apenas pela assinatura em contratos com data errada. Tal como Dilma
Rousseff, que não foi afastada apenas por causa das pedaladas fiscais, Roberto
de Andrade está sendo vítima das consequências dos atos do seu grupo político
que está no poder desde 2007.
Andrade
é o terceiro presidente eleito consecutivamente pelo grupo Renovação &
Transparência, que derrubou Alberto Dualib após 14 anos no comando do clube.
Primeiro foi Andrés Sanchez, que revolucionou o Corinthians dinamizando o
marketing com campanhas, lançamentos de camisas e estruturação de uma rede de
lojas (Poderoso Timão); construiu um Centro de Treinamento de primeiro mundo;
contratou o fenômeno Ronaldo; conquistou títulos e deu início à construção da
tão sonhada arena.
Foram
anos de realizações e conquistas, tanto que Sanchez virou ídolo da fanática torcida
corinthiana. E não foi difícil fazer o seu sucessor, Mario Gobbi Filho, que deu
sequência ao trabalho e marcou seu nome na história ao conquistar a tão sonhada
Libertadores e o Mundial de Clubes, em 2012. O final da sua gestão foi
tumultuado e há quem jure que Gobbi e Andrés já não se falavam. Mesmo assim, o
grupo R&T conseguiu emplacar Roberto de Andrade em uma eleição duríssima em
que venceu por pequena diferença de votos.
Comemoração
dos 10 anos da Renovação & Transparências foi
a última com o grupo ainda
unido (Foto: Tino Simões)
Mas,
amparado por um conjunto de conselheiros conhecidos como Chapão – por terem
sido eleitos juntamente com o presidente em uma lista de 200 nomes – imaginavam
continuar dominando os destinos do clube. Porém, em agosto do ano passado, as
coisas começaram a mudar. A primeira derrota de Andrés e seu grupo veio em uma
reunião do CD para deliberar sobre mudanças estatutárias. O Chapão caiu e
Andrés foi vaiado. A partir de 2018, os conselheiros do Corinthians serão
eleitos através de pequenas chapas de 25 pessoas que não mais precisarão ser aprovadas
pelo grupo que está no poder. Tanto que o deputado federal Andrés Sanchez
comunicou que o grupo R&T já não existia.
Sentindo-se
liberados, grupos de conselheiros e associados começaram a surgir. Todos
querendo explicações de negócios malsucedidos ou pouco claros. Acabou o sossego
de Andrade. Alguns aliados que ocupavam diretorias importantes começaram a
deixar seus cargos. Os dois vice-presidentes eleitos nunca tiveram função
definida.
Paralelamente
a esse inferno astral, o time principal campeão brasileiro de 2015 se
desmanchou, o então intocável treinador Tite arrumou suas coisas e assumiu a
Seleção Brasileira levando com ele parte da comissão técnica, jogadores foram
contratados e não vingaram, as dívidas se avolumaram, a sonhada arena parece
impagável, Drogba virou piada e até uma simples previsão orçamentária não foi
aprovada pelo CD colocando o clube em risco por causa das regras do Profut.
Esse é o
Corinthians, um clube que não conhece a sua força. A noite de segunda-feira
será tumultuada com certeza, mas a terça-feira chegará inevitavelmente. E que
ela traga boas coisas para o Timão e sua torcida.
A
arena virou dor de cabeça e motivo de brigas internas
na
direção do clube (Foto: Tino Simões)



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