quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Corinthians decide seu futuro na próxima segunda-feira

Por Roberto Maia

Com o fim do chapão no Corinthians, Roberto de Andrade corre 
risco de sofrer impeachment (Foto: Ag.Corinthians/divulgação)

Na próxima segunda-feira, dia 20, o Conselho Deliberativo do Corinthians estará reunido para decidir o futuro do presidente Roberto de Andrade. O mandatário do Timão responde a um pedido de afastamento (impeachment) por, supostamente, ter assinado um documento em data anterior à sua eleição. Ele já foi absolvido pela Comissão de Ética do clube, que decidiu dar-lhe somente uma advertência por escrito por entender que o ato não é suficientemente forte para lhe tirar da cadeira presidencial do 5º andar do prédio administrativo do Parque São Jorge. Caso os conselheiros decidam pelo seu afastamento, caberá, ainda, aos sócios ratificarem ou não a decisão em uma assembleia geral.

Esse é o fato concreto que deve estar tirando o sono de Andrade. Tanto que nos últimos meses uma verdadeira tropa de choque está mobilizada para defende-lo e arregimentar apoiadores. Mas, na prática, o presidente corinthiano estará sendo julgado não apenas pela assinatura em contratos com data errada. Tal como Dilma Rousseff, que não foi afastada apenas por causa das pedaladas fiscais, Roberto de Andrade está sendo vítima das consequências dos atos do seu grupo político que está no poder desde 2007.

Andrade é o terceiro presidente eleito consecutivamente pelo grupo Renovação & Transparência, que derrubou Alberto Dualib após 14 anos no comando do clube. Primeiro foi Andrés Sanchez, que revolucionou o Corinthians dinamizando o marketing com campanhas, lançamentos de camisas e estruturação de uma rede de lojas (Poderoso Timão); construiu um Centro de Treinamento de primeiro mundo; contratou o fenômeno Ronaldo; conquistou títulos e deu início à construção da tão sonhada arena.

Foram anos de realizações e conquistas, tanto que Sanchez virou ídolo da fanática torcida corinthiana. E não foi difícil fazer o seu sucessor, Mario Gobbi Filho, que deu sequência ao trabalho e marcou seu nome na história ao conquistar a tão sonhada Libertadores e o Mundial de Clubes, em 2012. O final da sua gestão foi tumultuado e há quem jure que Gobbi e Andrés já não se falavam. Mesmo assim, o grupo R&T conseguiu emplacar Roberto de Andrade em uma eleição duríssima em que venceu por pequena diferença de votos.

Comemoração dos 10 anos da Renovação & Transparências foi 
última com o grupo ainda unido (Foto: Tino Simões)

Mas, amparado por um conjunto de conselheiros conhecidos como Chapão – por terem sido eleitos juntamente com o presidente em uma lista de 200 nomes – imaginavam continuar dominando os destinos do clube. Porém, em agosto do ano passado, as coisas começaram a mudar. A primeira derrota de Andrés e seu grupo veio em uma reunião do CD para deliberar sobre mudanças estatutárias. O Chapão caiu e Andrés foi vaiado. A partir de 2018, os conselheiros do Corinthians serão eleitos através de pequenas chapas de 25 pessoas que não mais precisarão ser aprovadas pelo grupo que está no poder. Tanto que o deputado federal Andrés Sanchez comunicou que o grupo R&T já não existia.

Sentindo-se liberados, grupos de conselheiros e associados começaram a surgir. Todos querendo explicações de negócios malsucedidos ou pouco claros. Acabou o sossego de Andrade. Alguns aliados que ocupavam diretorias importantes começaram a deixar seus cargos. Os dois vice-presidentes eleitos nunca tiveram função definida.

Paralelamente a esse inferno astral, o time principal campeão brasileiro de 2015 se desmanchou, o então intocável treinador Tite arrumou suas coisas e assumiu a Seleção Brasileira levando com ele parte da comissão técnica, jogadores foram contratados e não vingaram, as dívidas se avolumaram, a sonhada arena parece impagável, Drogba virou piada e até uma simples previsão orçamentária não foi aprovada pelo CD colocando o clube em risco por causa das regras do Profut. 

Esse é o Corinthians, um clube que não conhece a sua força. A noite de segunda-feira será tumultuada com certeza, mas a terça-feira chegará inevitavelmente. E que ela traga boas coisas para o Timão e sua torcida.

A arena virou dor de cabeça e motivo de brigas internas 
na direção do clube (Foto: Tino Simões)

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