sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Novos treinadores e novas ideias para oxigenar o futebol brasileiro

Por Roberto Maia

O ano de 2017 começou com interessantes novidades em alguns dos principais clubes brasileiros. Mas não estou falando em contratações de jogadores. Me refiro a novos treinadores. Depois de uma entressafra onde a saída foi recorrer a profissionais estrangeiros, surgiram no cenário futebolístico nacional nomes Eduardo Batista, Roger Machado, Jair Ventura Filho, Zé Ricardo, Antonio Carlos Zago, Rogério Ceni e Fábio Carille.   
   
Importante ressaltar que o mérito é todo deles, até porque os clubes, sem dinheiro e nenhum plenejamento, recorreram a eles por falta de opções no mercado. Mesmo por vias tortas, a chegada deles pode oxigenar o poluído ar do futebol brasileiro. Jovens e muito bem preparados, impõem métodos de trabalho que nada lembram os antigos “professores paizões”, que alcançavam bons resultados apenas agregando o grupo de jogadores, mas sem táticas definidas em campo.

Rogério Ceni tem o respeito dos jogadores e traz conceitos modernos 
que estudou na Inglaterra (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Dos nomes citados aqui o que entra mais pressionado é Rogério Ceni por causa da sua vitoriosa carreira com a camisa do São Paulo. Foi corajoso em assumir o comando técnico do time que defendeu durante 25 anos e onde ostenta o status de maior ídolo. Ceni optou por não seguir o modelo dos novos treinadores, que começam como auxiliares de técnicos consagrados ou nas categorias de base. Logo que parou de jogar foi para a Inglaterra estudar e fazer um curso de treinador de futebol. Também fala inglês e espanhol, algo raro entre os profissionais brasileiros.

Em pouco tempo colocou em prática os conceitos modernos que estudou durante seu estágio e o então apático time Tricolor apresentou postura totalmente diferente da que vinha mostrando ao longo de 2016. Em campo o time mescla intensidade na marcação, rapidez e objetividade quando têm a posse de bola. Para mostrar que seu objetivo é impor táticas usuais na Europa, trouxe com ele dois auxiliares internacionais, o inglês Michael Bale e o francês Charles Hembert.

Eduardo Batista será cobrado para levar à conquista da Libertadores 
e do Mundial de Clubes (Foto: César Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)

Eduardo Batista, filho do vitorioso Nelsinho Batista, tem dura missão no milionário Palmeiras. Depois de chamar a atenção pelos bons resultados alcançados no Sport, foi contratado pelo Fluminense onde não foi muito feliz. Não Ponte Preta voltou a se destacar antes de assinar com o Verdão. Com um elenco grande e seleto nas mãos, será cobrado para manter o time no caminho das conquistas. Dirigentes e torcedores sonham com a Libertadores e o Mundial de Clubes. Não terá vida fácil.

No Corinthians, Fábio Carille – ex-auxiliar de Tite - tenta mostrar que tem condições de levar o time de volta ao caminho do bom futebol e dos títulos. Poderia ter sido efetivado logo que o treinador da Seleção deixou o clube. Mas, por causa da cegueira dos dirigentes, continuou como auxiliar de Cristóvão Borges e Osvaldo de Oliveira. O Timão perdeu tempo e dinheiro. Carille chegou por linhas tortas e tenta salvar o Corinthians que tem sido vítima das trapalhadas do presidente e dos seus diretores – casos Drogba e William Pottker, entre outros. Tem nas mãos um elenco mediano e terá que recorrer aos jovens talentos da base.   

Fábio Carille tem dura missão no Corinthians com elenco mediano 
e trapalhadas dos dirigentes (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

Roger (Atlético-MG), Jair Ventura (Botafogo), Zé Ricardo (Flamengo) e Zago (Internacional) também estão sob os olhares de torcedores e imprensa. Os três primeiros com a responsabilidade de disputar a Copa Libertadores e o último com a missão ingrata de tirar o Colorado da Série B e devolver o time à elite do futebol brasileiros. Claro que nem todos serão campeões com seus times, porém, torço para que consigam fazer um bom trabalho e apresentem novidades na forma dos times jogarem.

Para encerrar não posso deixar de mencionar outro treinador jovem e bastante competente: Fernando Diniz do Audax Osasco. Infelizmente, nenhum grande clube resolveu investir nele. Difícil entender essa miopia. Mas, certamente, isso é algo que não demorará muito para acontecer.

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