Por Roberto Maia
O ano
de 2017 começou com interessantes novidades em alguns dos principais clubes
brasileiros. Mas não estou falando em contratações de jogadores. Me refiro a
novos treinadores. Depois de uma entressafra onde a saída foi recorrer a
profissionais estrangeiros, surgiram no cenário futebolístico nacional nomes
Eduardo Batista, Roger Machado, Jair Ventura Filho, Zé Ricardo, Antonio Carlos
Zago, Rogério Ceni e Fábio Carille.
Importante
ressaltar que o mérito é todo deles, até porque os clubes, sem dinheiro e
nenhum plenejamento, recorreram a eles por falta de opções no mercado. Mesmo
por vias tortas, a chegada deles pode oxigenar o poluído ar do futebol
brasileiro. Jovens e muito bem preparados, impõem métodos de trabalho que nada
lembram os antigos “professores paizões”, que alcançavam bons resultados apenas
agregando o grupo de jogadores, mas sem táticas definidas em campo.
Rogério
Ceni tem o respeito dos jogadores e traz conceitos modernos
que estudou na
Inglaterra (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Dos
nomes citados aqui o que entra mais pressionado é Rogério Ceni por causa da sua
vitoriosa carreira com a camisa do São Paulo. Foi corajoso em assumir o comando
técnico do time que defendeu durante 25 anos e onde ostenta o status de maior
ídolo. Ceni optou por não seguir o modelo dos novos treinadores, que começam
como auxiliares de técnicos consagrados ou nas categorias de base. Logo que
parou de jogar foi para a Inglaterra estudar e fazer um curso de treinador de
futebol. Também fala inglês e espanhol, algo raro entre os profissionais brasileiros.
Em pouco
tempo colocou em prática os conceitos modernos que estudou durante seu estágio
e o então apático time Tricolor apresentou postura totalmente diferente da que
vinha mostrando ao longo de 2016. Em campo o time mescla intensidade na
marcação, rapidez e objetividade quando têm a posse de bola. Para mostrar que
seu objetivo é impor táticas usuais na Europa, trouxe com ele dois auxiliares
internacionais, o inglês Michael Bale e o francês Charles Hembert.
Eduardo Batista será cobrado para levar à conquista
da Libertadores
e do Mundial de Clubes (Foto: César
Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)
Eduardo Batista, filho do vitorioso Nelsinho
Batista, tem dura missão no milionário Palmeiras. Depois de chamar a atenção
pelos bons resultados alcançados no Sport, foi contratado pelo Fluminense onde
não foi muito feliz. Não Ponte Preta voltou a se destacar antes de assinar com
o Verdão. Com um elenco grande e seleto nas mãos, será cobrado para manter o
time no caminho das conquistas. Dirigentes e torcedores sonham com a
Libertadores e o Mundial de Clubes. Não terá vida fácil.
No Corinthians, Fábio Carille – ex-auxiliar de Tite
- tenta mostrar que tem condições de levar o time de volta ao caminho do bom
futebol e dos títulos. Poderia ter sido efetivado logo que o treinador da
Seleção deixou o clube. Mas, por causa da cegueira dos dirigentes, continuou
como auxiliar de Cristóvão Borges e Osvaldo de Oliveira. O Timão perdeu tempo e
dinheiro. Carille chegou por linhas tortas e tenta salvar o Corinthians que tem
sido vítima das trapalhadas do presidente e dos seus diretores – casos Drogba e
William Pottker, entre outros. Tem nas mãos um elenco mediano e terá que
recorrer aos jovens talentos da base.
Fábio Carille tem dura missão no Corinthians com
elenco mediano
e trapalhadas dos dirigentes
(Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)
Roger
(Atlético-MG), Jair Ventura (Botafogo), Zé Ricardo (Flamengo) e Zago
(Internacional) também estão sob os olhares de torcedores e imprensa. Os três
primeiros com a responsabilidade de disputar a Copa Libertadores e o último com
a missão ingrata de tirar o Colorado da Série B e devolver o time à elite do
futebol brasileiros. Claro que nem todos serão campeões com seus times, porém,
torço para que consigam fazer um bom trabalho e apresentem novidades na forma
dos times jogarem.
Para encerrar não posso deixar de mencionar outro
treinador jovem e bastante competente: Fernando Diniz do Audax Osasco.
Infelizmente, nenhum grande clube resolveu investir nele. Difícil entender essa
miopia. Mas, certamente, isso é algo que não demorará muito para acontecer.




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