POR
ROBERTO MAIA
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Difícil
imaginar que o icônico Maracanã um dia possa
ser chamado por outro nome (Foto:
Pixabay)
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Tempos atrás falei nesse espaço sobre uma estranha
mania brasileira de dar apelidos aos estádios. Estou voltando ao assunto porque
a cultura de dar nomes de empresas a arenas ainda não foi devidamente
assimilada por aqui. Os chamados namings
rights – direito de concessão de nome – são comuns na Europa, nos Estados
Unidos e em alguns outros países do mundo, mas não emplacou no Brasil.
A Copa do Mundo de 2014 deixou poucos legados e
muitas dívidas, além de 12 arenas novinhas. Algumas delas conseguiram vender o naming right antes da crise econômica
que atropelou o país. Casos das arenas da Bahia e Pernambuco, patrocinadas pela
cervejaria Itaipava. Mas será que a empresa em questão está satisfeita com o
alto investimento? Tenho minhas dúvidas. Afinal, nunca vi ninguém chamando
ambas pelo nome oficial: Itaipava Arena Fonte Nova e Itaipava Arena Pernambuco,
respectivamente. Nem torcedores e principalmente a imprensa.
Outro exemplo é o da arena Allianz Parque do
Palmeiras, patrocinada por uma das maiores seguradoras do mundo. Praticamente
nenhum órgão de imprensa chama o estádio palmeirense pelo nome. Nas
transmissões da TV Globo, SportTV e das emissoras de rádio os narradores chamam
a casa do Verdão de Arena Palmeiras. Alguns ainda se referem ao estádio como
Parque Antártica. Aliás, esse sim um naming
right que surgiu sem querer e deu muito certo para a cervejaria, porém não
beneficiou financeiramente o clube.
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Allianz
Parque: ninguém chama o estádio do Palmeiras pelo nome
que custou milhões à
seguradora (Foto: Allianz Parque/Divulgação)
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Acredito que isso ainda ocorra porque os
departamentos comerciais de televisões, rádios e grandes jornais e revistas
acham que devem receber para pronunciar ou escrever o nome de uma empresa
durante as transmissões e cobertura de uma partida de futebol. Trabalhei em
várias redações e sei que essa sempre foi uma norma vinda “de cima”. Muito
tempo se passou e nada mudou. É necessário evoluir.
Rara exceção é o jornalista e apresentador Milton
Neves, que entende como ninguém desse negócio de ganhar dinheiro com
publicidade e merchandising. Em seus programas na rádio e TV Bandeirantes ele
menciona os nomes das empresas que investem muito no futebol.
É necessário entender que manter uma arena custa
muito caro e a receita dos namings rights
é essencial para garantir o conforto dos torcedores e também da imprensa, que
agora dispõe de infraestrutura adequada e espaços amplos e modernos para
realizar o trabalho com mais qualidade e segurança.
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Palco
da abertura da Copa 2014, a arena do Corinthians
é chamada de Itaquerão por parte da midia (Foto: Tino
Simões)
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Dirigentes do Corinthians reclamam que esse é o
principal motivo pelo qual não conseguem comercializar o naming right da arena de Itaquera. Estão apenas parcialmente
certos. O fato é que perderam o bonde da história. O momento mais adequado para
ter conseguido um patrocinador para dar nome à arena foi antes do início da
Copa do Mundo de 2014. O estádio corinthiano foi palco da abertura e de outros
cinco jogos. Depois, muita coisa mudou. A economia do mundo enfraqueceu, os
investimentos minguaram e os escândalos das operações contra a corrupção
envolvendo a construtora Odebrecht pioraram as coisas.
Aqui no Brasil, desde sempre, os estádios tiveram
nomes de pessoas importantes para os clubes ou cidades. E, ato contínuo, logo
ganham um apelido. Pois vejamos o caso do estádio mais emblemático do País, o Mário
Filho, ou Maracanã como ele é conhecido. Ou, ainda, simplesmente Maraca. Será
que algum dia ele será reconhecido por um naming
right. Sinceramente duvido. Como ele temos o Pacaembu, o Mineirão, o
Morumbi, o Castelão, o Serra Dourada, o Mané Garrincha, o Arruda, o Albertão, o
Rei Pelé, o Pinheirão, o Olímpico, o Beira-Rio e muitos outros.
Está na hora de mudar isso. Não podemos continuar
dando apelidos para as arenas e dando prejuízos enormes aos times de coração.



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