POR
ROBERTO MAIA
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Tiago
Nunes veio para fazer o time do Corinthians atacar mais e manter
a eficiência
defensiva (Fotos: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)
Sei que não é impossível esperar muita coisa no
primeiro jogo da temporada, mas assistindo à partida entre o Corinthians e o
New York City pelo torneio Florida Cup, em Orlando (EUA), pude perceber algumas
diferenças - ainda sutis - em relação ao time que encerrou o Brasileirão em
2019. A enfadonha troca de passes laterais entre zagueiros e volantes no campo
defensivo já diminuiu bastante. E os passes verticais também chamaram a
atenção, principalmente no primeiro tempo quando estavam em campo Camacho e
Cantillo. Porém, a bola continua não chegando em boas condições para o
centroavante Boselli.
Mas a boa notícia para a fiel torcida foi a
excelente estreia de Luan. Com um belo gol de falta, algo raro no Timão, e
outro em jogada individual, o ex-gremista decidiu o jogo e mostrou bastante
movimentação apesar do longo tempo sem jogar. Se estiver totalmente recuperado
das contusões que o tirou dos gramados nos últimos dois anos, ele tem tudo para
ser ídolo no Corinthians e até voltar à seleção.
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| Luan estreou no Corinthians
com dois belos gols e também mostrou bastante movimentação em campo |
Gostei também da entrevista coletiva do treinador
Tiago Nunes, que inicia sua história no Alvinegro. Diferentemente de muitos
outros técnicos, ele foi bastante claro e objetivo em sua análise da estreia.
Segundo ele, a equipe entregou o que treinou, apesar de ser apenas o início da
temporada.
“Focamos muito em atividades comportamentais,
ações voltadas à pressão ao portador da bola, retomada rápida da bola, tentar
abrir e fechar o campo para criar linhas de passe. Foi isso que priorizamos
para esse primeiro passo. Cobrei que mantivéssemos a compactação na fase
defensiva. Que pudéssemos ter uma primeira fase de construção no pé do goleiro
com boa aproximação, e que fôssemos competitivos a hora de subir a pressão ao
adversário”, explicou, ressaltando, porém, que ainda há um longo caminho a ser
percorrido.
“Temos muito potencial de melhora na parte física,
nossa equipe pode fazer as ações mais rápidas, mais natural, mas requer tempo.
Nosso objetivo é passar confiança aos atletas. Queremos usar a posse de bola
como meio, não fim. Temos que transformar a posse em situações de finalização”,
disse.
Gaúcho de Santa Maria, o treinador de apenas 39
anos começou a carreira em meados dos anos 2000. Treinou equipes do interior do
Rio Grande do Sul como Sapucaiense, Riograndense, Bagé e União Frederiquense.
Em 2013, assumiu a equipe das categorias de base do Grêmio. Depois passou pelo Juventude,
Ferroviária, São Paulo-RS e Veranópolis.
O Atlético Paranaense chegou à vida de Nunes em
2017, quando assumiu o time sub 23 do Furacão. Foi campeão paranaense e no ano
seguinte foi promovido para o time principal, substituindo Fernando Diniz. A
partir daí todos conhecem a ascensão do treinador. Foi campeão da Copa
Sul-Americana (2018), da Levain Cup (2019) e da Copa do Brasil (2019).
O desafio de Tiago Nunes é conseguir fazer o time
do Corinthians atacar mais e manter a eficiência defensiva que rendeu bons
frutos nos últimos anos. O problema é que os jogadores assimilaram o conceito
que priorizava a defesa e perderam o jeito para também atacar. O resultados
eram jogos horríveis, onde o time se defendia como podia e jogava por uma bola.
Muitas vezes deu certo até o esquema ficar manjado pelos adversários. Fábio
Carille tentou mais não conseguiu e foi demitido.
No sábado o Corinthians volta a campo para
enfrentar o Atlético Nacional, da Colômbia, às 19h30 (horário de Brasília). Na
quarta-feira, o time colombiano perdeu nos pênaltis para o Palmeiras após
empate de 0 a 0 no tempo normal.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA


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