quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Federação Paulista lança #ElasNoEstádio e barra a entrada de homens


POR TABATHA MAIA
A Federação Paulista de Futebol e os clubes participantes do Paulistão se uniram e lançaram o movimento #ElasNoEstádio (Foto: Daniela Ramiro/FPF)
Mulheres envolvidas em torcida organizada, mulheres gritando e pulando na arquibancada, mulheres em rodas de conversa sobre futebol, bandeirinhas, árbitras, técnicas e jogadoras. Sim, as mulheres estão se envolvendo cada dia mais no mundo futebolístico, mas você sabia que esse número ainda é muito baixo?
Segundo informações do Datafolha, apenas 14% do público que frequenta estádios no Paulistão, é feminino. Um número bem baixo e assustador.
Mas por que será que as mulheres não acompanham o seu time do coração mais de perto? Uma pesquisa encomendada pela Comissão de Comunicação e Marketing da Federação Paulista de Futebol (FPF), no mês de dezembro, ouviu três perfis de mulheres: as que não frequentam os estádios, as que costumam ir eventualmente e as assíduas nos jogos.
Na pesquisa, foi possível identificar dois principais problemas: o conceito familiar ou social de que o estádio não é lugar para mulher e a falta de incentivo ou companhia para frequentar os jogos.
Aline Pellegrino, diretora da FPF, e Laura Louzada, coordenadora de Marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes (Foto: Tabatha Maia)
Diante desse resultado, a FPF e os clubes participantes do campeonato se uniram e lançaram o movimento #ElasNoEstádio, como uma forma de incentivo para que as mulheres acompanhem o seu time do coração.
A campanha, que tem como foco a princípio apenas o Paulistão, irá começar com algumas iniciativas, como: um atendimento especial às mulheres nos estádios; a abertura de um canal de comunicação exclusivo para as torcedoras (elasnoestadio@fpf.org.br); incentivos aos coletivos de grupos femininos, e por fim, uma delegada direcionada especialmente para esse atendimento em dias de jogos.
O lançamento do #ElasNoEstádio, ocorreu neste dia 21 de janeiro, na Federação Paulista de Futebol. O assunto, primeiramente foi tratado com as mulheres jornalistas e com as torcedoras, em uma coletiva seletiva.
Os jornalistas do sexo masculino foram “barrados” e acompanharam a coletiva seletiva através de um telão (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
Após o término, Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da FPF e embaixadora do movimento, e Laura Louzada, coordenadora de Marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes, desceram até o saguão e conversaram com os jornalistas do sexo masculino, que foram “barrados” e acompanharam tudo através de um telão. E só tiveram acesso às entrevistadas após o término da coletiva com as mulheres.
A ideia foi mostrar aos homens o tipo de restrição social que algumas mulheres sofrem em dias de jogos.
Presença dos coletivos da torcida
Representantes das principais torcidas femininas dos clubes de São Paulo marcaram presença no evento na FPF (Foto: Daniela Ramiro/FPF)
O evento contou com a presença das principais torcidas femininas dos clubes paulistas: Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Guarani.
Durante a explicação da campanha, foi possível notar a animação por parte das mulheres presentes. Eu, aos 28 anos de idade, participei do evento e entendi a importância da mesma.
Lembro-me de alguns casos de restrição, de constrangimento que já passei, desde cara feia ao falar que acompanho meu time e frequento estádios até sentar em uma roda de conversa sobre futebol e não ter voz para opinar sobre o assunto.
Espero que com essa campanha, as mulheres tenham um pouco mais de espaço para conseguir acompanhar, torcer e mostrar que também entendemos sobre o assunto e gostamos de ir aos estádios como qualquer homem apaixonado pelo seu time de coração.

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