POR ROBERTO MAIA
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Time feminino do Corinthians conquistou o bicampeonato brasileiro contra o Avaí/Kindermann, na Neo Química Arena. (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
O ano de 2020 será lembrado para sempre como o da pandemia do coronavírus, que assolou o planeta fazendo mais de 1,5 milhão de vítimas fatais até o momento. Como consequência, o futebol no mundo foi paralisado por meses e voltou, voltando depois a ser disputado sem os torcedores, a razão maior da sua existência. No Brasil não foi diferente e o Campeonato Brasileiro já em seu segundo turno alterna bons jogos com outros de péssima qualidade.
Oscilando colocações do meio para baixo na tabela, os torcedores do Corinthians sofrem com a qualidade do elenco e o futebol ruim apresentado. A Fiel torce para o time não despencar e chegar à temida zona do rebaixamento.
Mas, apesar do sofrimento com o time principal na disputa do Brasileirão da Série A, os corinthianos encontraram um motivo para comemorar nesse ano ruim: o time de futebol feminino do clube, que no domingo passado conquistou o bicampeonato brasileiro em jogo contra o Avaí/Kindermann, na Neo Química Arena. Comandado pelo técnico Arthur Elias, as garotas do Timão venceram por 4 a 2 e levantaram mais uma taça na modalidade. Os gols corinthianos foram marcados por Gabi Nunes, Victoria Albuquerque e pela craque do time, Gabi Zanotti, que marcou duas vezes.
Em 2019, o bicampeonato brasileiro já havia batido na porta. Com um desempenho fantástico, o time chegou invicto à final contra a Ferroviária. Empatou na decisão e acabou perdendo na disputa dos pênaltis e ficou com o vice-campeonato.
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Gabi Nunes é uma das jovens estrelas do Timão que está ajudando a escrever um capítulo glorioso na história do clube (Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)
O Corinthians tem 110 anos de história, mas o
futebol feminino somente chegou ao Parque São Jorge em 2016. E para cumprir uma
exigência da Conmebol, que determinou que para os clubes poderem disputar a
Copa Libertadores com seus times masculinos, deveriam manter equipes femininas.
O Timão cumpriu a determinação e foi além. Contratou uma comissão técnica de
qualidade e um mix de jogadoras jovens e outras mais experientes. Manteve a
base, ofereceu as condições adequadas e em pouco tempo se impôs como o
principal protagonista do futebol feminino no Brasil. Em apenas quatro anos, o
time feminino do Alvinegro faturou a Copa do Brasil (2016), o Brasileirão (2018
e 2020), a Copa Libertadores (2017 e 2019) e o Campeonato Paulista (2019).
Ao conquistar o Brasileirão deste ano, o Timão
assegurou vaga para as próximas duas edições da Copa Libertadores da América. O
torneio deste ano foi adiado por causa da pandemia e o Corinthians, atual
campeão, terá a oportunidade de defender o título em março de 2021, na
Argentina. Meses depois, entre setembro e outubro, disputará a Libertadores de
2021, no Chile.
Vencer a Libertadores pode ter um gostinho ainda
mais especial. É que existem tratativas para a realização de um Mundial de
Clubes entre times femininos envolvendo representantes da América do Sul, da
Concacaf (Américas Central e do Norte), da Europa e da Ásia.
Mas o que enche de orgulho os torcedores do
Corinthians é que o time feminino multicampeão tem qualidade, joga com raça e
custa muito menos que os profissionais da equipe masculina. Para manter o time
feminino, o clube gasta cerca de R$ 5 milhões por ano, o equivalente a apenas
dez dias da folha salarial do elenco principal masculino. Se considerarmos os
cerca de R$ 1,5 milhão de patrocínios para o time das mulheres, o custo anual
cai para R$ 3,5 milhões.
Tomara outros grandes clubes do Brasil não façam o
mesmo que o Corinthians e montem times femininos fortes e de qualidade.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR


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