POR ROBERTO MAIA
Clubes pedem alteração estatutária na CBF que dê maior participação nas decisões institucionais e na gestão. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Ditado muito comum na cultura popular diz “sou como
São Tomé, só acredito vendo.” Pois eu
estou como o apóstolo de Cristo, que somente acreditou na ressureição de Jesus
após vê-lo e tocá-lo. Não consigo acreditar que os clubes da Série A do
Campeonato Brasileiro cumpram a promessa de fundar uma liga independente para
organizar o Brasileirão já a partir do próximo ano. O documento de intensão tem
como signatários 19 clubes e foi entregue à direção da Confederação Brasileira
de Futebol (CBF). Apenas o Sport não assinou por estar sem presidente, porém,
em nota, o clube pernambucano garantiu ser favorável e que oficializará sua adesão
o mais breve possível.
Na minha opinião os
clubes estão aproveitando o momento de fragilidade da CBF, que afastou o
presidente Rogério Caboclo por causa de denúncia de assédio sexual e moral,
para conseguirem algumas vantagens. Pleito que considero legítimo, afinal os
clubes são os grandes protagonistas do futebol e devem participar das decisões
tomadas pela Confederação. Tanto que na carta mencionam como motivos “diversos
acontecimentos que vêm se acumulando ao longo dos anos e que revelam um
distanciamento total e absoluto entre os anseios dos clubes que dão suporte ao
futebol profissional brasileiro e a forma como que é gerida a CBF.”
Os clubes pedem a
imediata alteração estatutária na CBF que dê maior participação a eles nas
decisões institucionais e na gestão. Querem igualdade com as federações no
processo eleitoral para escolha do presidente e vice da entidade. Atualmente,
os votos de federações e clubes não têm o mesmo peso. Nada mais justo, visto
que os votos das 27 federações têm peso 3, enquanto os clubes da Série A têm
peso 2 e os da Série B peso 1.
Também pedem o fim dos
requisitos mínimos para inscrição das chapas concorrentes à eleição da CBF,
abolindo-se a necessidade de apoio de oito federações e cinco clubes. Querem
que para o lançamento de chapas baste o apoio ao menos 13 eleitores,
independentemente de serem clubes ou federações.
Clubes da Série A anunciam intenção de criar uma liga para organizar o Brasileirão já em 2022. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Concordo com as
reivindicações, porém, tal como São Tomé ainda não acredito que irão adiante. O
motivo da minha descrença é a última tentativa dos clubes de assumirem o
protagonismo no gerenciamento do Brasileirão. Foi em 1987, quando treze clubes
fundaram o Clube dos 13. Inicialmente formado por Atlético-MG, Bahia, Botafogo,
Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras,
Santos, São Paulo e Vasco, o grupo chegou a ter 20 membros.
O motivo da criação era
tão legítimo como o de agora. Os clubes associados adquiriram maior poder em
negociações coletivas, principalmente na comercialização dos direitos de transmissão
dos jogos. O Clube dos 13 assumiu a responsabilidade pela organização do
Campeonato Brasileiro daquele ano, que foi disputado com o nome de Copa União e
teve o Flamengo como campeão.
Tudo parecia ir bem até
que a CBF decidiu ir contra a competição e realizou um campeonato paralelo que
ficou conhecido como Módulo Amarelo, que teve final entre Sport e Guarani com o
time de Recife sagrando-se campeão.
A CBF bem que tentou
realizar um quadrangular entre os times finalistas dos dois campeonatos para
decidir quem seria o verdadeiro campeão de 1987. O torneio não foi realizado
por discordâncias e o caso foi parar na Justiça. Muitos anos depois o Supremo
Tribunal Federal (STF) entendeu que o Sport é o único campeão brasileiro daquele
ano.
O tempo passou e a liga
brasileira de clubes nunca chegou a ser criada. Desprestigiado, o Clube dos 13
foi perdendo força até que, em 2011, ele se desintegrou após a saída do
Corinthians, que resolveu conversar diretamente com a Globo os seus direitos de
transmissão.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E PUBLISHER DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR


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