sexta-feira, 11 de junho de 2021

COPA AMÉRICA NO BRASIL CAUSA DESCONTENTAMENTOS E POLITIZAÇÃO DO FUTEBOL

 POR ROBERTO MAIA

Jogadores da Seleção divulgaram manifesto onde disseram estar insatisfeitos e contrários à realização da Copa América pela Conmebol. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

A Seleção Brasileira de futebol já não empolga tanto os torcedores como antigamente. Entretanto, ainda continua sendo uma referência forte e respeitada no mundo todo. Em tempos de pandemia, quando o Brasil vive escalada de pessoas infectadas pela Covid-19 e o número de vítimas já se aproximando de 500 mil, o futebol deveria ser uma forma de entretenimento onde os brasileiros pudessem encontrar um pouco de alegria nesses dias tão sombrios.

Apesar de dividir opiniões, os jogos dos campeonatos estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana seguem acontecendo em todo o país. Infectologistas garantem que os rígidos protocolos de higiene e saúde adotados garantem que a bola possa rolar nos gramados do país. A torcida segue fora dos estádios.

Tudo caminhava razoavelmente tranquilo por aqui até que a Argentina desistiu de sediar a Copa América por causa do avanço da pandemia. E eis que surge, do dia para a noite, o Brasil - país com o maior número de infectados e vítimas fatais no continente - como tábua de salvação para a realização do torneio. Consultado pela Conmebol, o governo federal deu o aval para a realização da competição.

Teve início aí uma verdadeira guerra política em torno da Copa América. Mais uma vez o futebol foi politizado, aumentando ainda mais a temperatura entre as correntes de esquerda e direita com seus membros se digladiando nas mídias sociais. Uma enxurrada de notícias falsas circulou freneticamente de Norte a Sul. Uma discussão que deveria ficar no âmbito esportivo e da ciência acabou indo parar no Superior Tribunal Federal para saber se a competição deveria ou não ser realizada no Brasil.

Tite foi atacado nas redes sociais e Rogério Caboclo afastado da presidência da CBF por assédio moral e sexual. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

No meio desse imbróglio ideológico, os jogadores da Seleção e até o treinador Tite, antes uma unanimidade nacional, passaram a ser acusados e ofendidos por radicais. Pairou no ar a possibilidade de boicote dos jogadores e comissão técnica à Copa América. Até o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, chegou a sugerir que Tite pedisse demissão e fosse comandar o Cuiabá que está sem treinador.

Entretanto, após o jogo contra o Paraguai, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA Catar 2022, a dúvida foi dissipada e tudo terminou em pizza. Tite segue na Seleção e os jogadores se limitaram a divulgar um manifesto em suas redes sociais, onde disseram estar insatisfeitos com a realização da Copa América pela Conmebol. “Em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira", diz a nota.    

Não bastasse tudo isso, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Rogério Caboclo, que contribuiu com a Conmebol na aproximação da entidade com o presidente Jair Bolsonaro para garantir o aval à Copa América no Brasil, acabou sendo afastado de suas funções pela Comissão de Ética da entidade por conta de uma acusação de assédio moral e sexual a uma funcionária da CBF.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

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