POR ROBERTO MAIA

Jogadores da Seleção divulgaram manifesto onde disseram estar insatisfeitos e contrários à realização da Copa América pela Conmebol. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
A Seleção Brasileira de futebol já não empolga tanto
os torcedores como antigamente. Entretanto, ainda continua sendo uma referência
forte e respeitada no mundo todo. Em tempos de pandemia, quando o Brasil vive
escalada de pessoas infectadas pela Covid-19 e o número de vítimas já se
aproximando de 500 mil, o futebol deveria ser uma forma de entretenimento onde
os brasileiros pudessem encontrar um pouco de alegria nesses dias tão sombrios.
Apesar de dividir opiniões, os jogos dos campeonatos
estaduais, Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana
seguem acontecendo em todo o país. Infectologistas garantem que os rígidos
protocolos de higiene e saúde adotados garantem que a bola possa rolar nos
gramados do país. A torcida segue fora dos estádios.
Tudo caminhava razoavelmente tranquilo por aqui até
que a Argentina desistiu de sediar a Copa América por causa do avanço da
pandemia. E eis que surge, do dia para a noite, o Brasil - país com o maior
número de infectados e vítimas fatais no continente - como tábua de salvação
para a realização do torneio. Consultado pela Conmebol, o governo federal deu o
aval para a realização da competição.
Teve início aí uma verdadeira guerra política em
torno da Copa América. Mais uma vez o futebol foi politizado, aumentando ainda
mais a temperatura entre as correntes de esquerda e direita com seus membros se
digladiando nas mídias sociais. Uma enxurrada de notícias falsas circulou
freneticamente de Norte a Sul. Uma discussão que deveria ficar no âmbito
esportivo e da ciência acabou indo parar no Superior Tribunal Federal para
saber se a competição deveria ou não ser realizada no Brasil.

Tite foi atacado nas redes
sociais e Rogério Caboclo afastado da presidência da CBF por assédio moral e
sexual. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
No meio desse imbróglio ideológico, os jogadores da
Seleção e até o treinador Tite, antes uma unanimidade nacional, passaram a ser
acusados e ofendidos por radicais. Pairou no ar a possibilidade de boicote dos
jogadores e comissão técnica à Copa América. Até o vice-presidente da República,
general Hamilton Mourão, chegou a sugerir que Tite pedisse demissão e fosse
comandar o Cuiabá que está sem treinador.
Entretanto, após o jogo contra o Paraguai, válido
pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA Catar 2022, a dúvida foi dissipada e
tudo terminou em pizza. Tite segue na Seleção e os jogadores se limitaram a
divulgar um manifesto em suas redes sociais, onde disseram estar insatisfeitos
com a realização da Copa América pela Conmebol. “Em nenhum momento quisemos
tornar essa discussão política. Temos uma missão a cumprir com a histórica
camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa
América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira", diz a nota.
Não bastasse tudo isso, o presidente da Confederação
Brasileira de Futebol, Rogério Caboclo, que contribuiu com a Conmebol na
aproximação da entidade com o presidente Jair Bolsonaro para garantir o aval à
Copa América no Brasil, acabou sendo afastado de suas funções pela Comissão de
Ética da entidade por conta de uma acusação de assédio moral e sexual a uma
funcionária da CBF.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR
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