sexta-feira, 16 de julho de 2021

EVERTON ANUNCIA INÍCIO DAS OBRAS DE SEU NOVO ESTÁDIO. UM ABISMO SEPARA O FUTEBOL INGLÊS E O BRASILEIRO.

Arena do Everton terá capacidade para 52,8 mil torcedores: inauguração será no início da temporada 2024-25.  (Foto: Everton FC/Divulgação via Samba Digital)

ROBERTO MAIA

No último final de semana me deparei com uma notícia de que o Everton Football Club, um dos clubes mais antigos e tradicionais da Inglaterra, anunciou que no próximo dia 26 de julho dará início às obras do seu novo estádio. Nenhuma surpresa já que os times da Premier League são, atualmente, os mais ricos do planeta e o clube azul de Liverpool era um dos únicos entre os grandes que ainda não tinha uma arena moderna.

A nova casa do Everton, que terá capacidade para 52.888 torcedores, será erguida nas docas de Bramley-Moore, no bairro Vauxhall, e é parte de um grandioso empreendimento que tem o objetivo de revitalizar a região junto ao porto da cidade. A expectativa é que a arena seja inaugurada no início da temporada 2024-25. 

Segundo a prefeitura de Liverpool, o novo estádio do Everton proporcionará um impulso de 1 bilhão de libras para a economia da cidade e irá gerar até 15 mil empregos para a população local, sendo 12 mil durante a construção. Estima-se, ainda, que atrairá cerca de 1,4 milhão de visitantes para a cidade e mais de 255 milhões de libras serão gastos nas cadeias de abastecimento da região. Outros 650 milhões de libras serão arrecadados com o desenvolvimento local - Liverpool Waters e Ten Streets, além de garantir um aumento anual de 2,1 milhões de libras em impostos municipais e de taxas de negócios da ordem de 1,7 milhão de libras por ano.

Mas o velho estádio Goodison Park, que tem capacidade para 40.569 pessoas, vai deixar saudades entre os torcedores e de quem teve a oportunidade e conhece-lo. Construído e inaugurado em 1892, é um dos mais antigos estádios da Inglaterra. Apelidado de Grand Old Lady (Grande Velha Senhora), foi o primeiro estádio inglês a receber um monarca, o Rei George V.

O Goodison Park já sediou mais partidas da primeira divisão nacional do que qualquer outro estádio do Reino Unido. Foi o primeiro estádio da Inglaterra a dispor de um sistema de aquecimento do gramado. Também foi o primeiro a ter dois lances de arquibancadas em todo seu entorno e três em um dos seus lados.

Outra curiosidade é que o Goodison Park é o único estádio do mundo que tem uma igreja no seu interior. A igreja de São Lucas, o Evangelista, está localizada no canto compreendido entre a arquibancada principal e a Gwladys Street End.

Para nós brasileiros fica a lembrança de que foi no velho Goodison Park que o Brasil disputou três jogos – uma vitória e duas derrotas – na Copa de 1966, quando a Seleção, então bicampeã, foi eliminada na primeira fase. O jogo contra a Bulgária, que a Seleção Brasileira venceu por 2 a 0, foi o último que Pelé e Garrincha jogaram juntos em uma partida oficial. Pelé marcou no primeiro tempo e Garrincha no segundo, ambos de falta.

Escrevi sobre esse tema para expor o gigantesco abismo na gestão do futebol da Inglaterra e o do Brasil. Aqui, algumas arenas construídas para a Copa de 2014 com dinheiro público mostram a sua inutilidade e o erro de terem sido construídas. As que recebem jogos regularmente com times da Série A não são sustentáveis e acumulam prejuízos. Os principais clubes brasileiros estão atolados em dívidas ou vivem de “favores” de mecenas que em algum momento cobrarão a conta. Mas temos que conviver com essa nossa triste realidade.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

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