POR ROBERTO MAIA
Na última terça-feira, dia 29, o que mais se viu nas
mídias sociais foram as imagens das retroescavadeiras iniciando a demolição do
tobogã, a arquibancada atrás de um dos gols do velho estádio Paulo Machado de
Carvalho, o querido Pacaembu. Ícone da história da cidade de São Paulo,
inaugurado em 1940, não faltaram lamentos pela demolição. Normal, afinal nos
seus 81 anos, ele recebeu milhões de torcedores em jogos dos clubes paulistas e
também da Seleção Brasileira.
Uma amiga corinthiana me enviou mensagem criticando
a iniciativa e dizendo que não respeitaram a história do velho estádio e que a
mudança certamente será para pior. Não concordo com ela. Após a inauguração da
moderna arena do Corinthians em Itaquera, o Pacaembu ficou ocioso, quase
abandonado. Afinal, o Timão quem mais utilizava o estádio para seus jogos por
não ter a sua casa própria.
O próprio Corinthians e os demais clubes de São
Paulo, mais o Santos, ainda mandaram um ou outro jogo no Pacaembu. Muito pouco
para o que o estádio sempre representou para a cidade. Entendo que se não
houvesse a privatização o destino do Paulo Machado de Carvalho seria triste,
melancólico. Ele certamente seria relegado a um processo lento e doloroso de deterioração.
Não vejo porque o governo continuaria investindo na sua manutenção se os jogos
não mais são realizados no local.
Minha lembrança mais antiga do velho estádio remonta
da segunda metade da década de 1960, quando eu, ainda criança, fui levado por
meu pai para assistir a um jogo de futebol. Ainda existia a charmosa concha
acústica, que depois deu lugar à esquisita arquibancada que logo ganhou o
apelido de tobogã.
O recorde oficial de público no Pacaembu aconteceu
no dia 25 de maio de 1942, quando 72.018 pessoas assistiram ao empate de 3 a 3
entre o Corinthians e o São Paulo.
Tombado em 1998 pelo Condephaat (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São
Paulo), as obras de modernização terão que preservar apenas a sua fachada
imponente e histórica. O Museu do Futebol, instalado em uma área de 6,9 mil
metros quadrados sob as arquibancadas, continua funcionando no local. Já no lugar
do tobogã será erguido um moderno edifício comercial.
Pelos próximos 35 anos, a gestão do complexo
esportivo estará nas mãos da Allegra Pacaembu, concessionária que investirá
cerca de R$ 400 milhões no local. Sua proposta é entregar, daqui a 28 meses, um
equipamento totalmente restaurado e modernizado, respeitando sua história e
amplificando seu significado. O projeto prevê reabrir o Pacaembu para os
paulistanos, mais democrático e inclusivo como um espaço de convivência, de
serviços, esporte, lazer e cultura.
Se o projeto for seguido à risca, o Pacaembu
renascerá como o mais completo complexo multiuso do Brasil. Serão construídos
44 mil metros quadrados de novas áreas e o funcionamento será de 24 horas por
dia, sete dias por semana durante todo o ano.
Sem dúvida será um importante polo de entretenimento,
esporte e lazer para a população. Onde antes só íamos em dias de jogos de
futebol poderemos frequentar por diferentes motivos. Seja para praticar
esporte, assistir a um show, tomar um café ou um drinque com os amigos ou até
como local de trabalho.
O querido Pacaembu merece esse destino amplificado e
importante para a cidade de São Paulo. Seria deprimente passar em frente ao
estádio e vê-lo abandonado e sem vida.
ROBERTO
MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO
PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR
IMAGENS: REPRODUÇÃO SITE ALLEGRA
PACAEMBU - pacaembuoficial.com.br



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