sexta-feira, 27 de agosto de 2021

BRASIL E ARGENTINA SERÁ TESTE PARA A VOLTA DOS TORCEDORES EM SÃO PAULO

 POR ROBERTO MAIA

Mascote da Seleção Brasileira, o Canarinho faz festa na arquibancada da Neo Química Arena. (Foto: Matheus Meyohas/CBF)

O clássico entre Brasil e Argentina, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA Catar 2022, que será realizado no próximo dia 5 de setembro, na Neo Química Arena, contará com a presença de 12 mil torcedores. O jogo será utilizado pelo Governo de São Paulo como um evento-teste para o protocolo de retorno do público às arquibancadas paulistas previsto para o próximo dia 1º de novembro.

A decisão ocorreu após reuniões entre representantes do governo paulista, Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Federação Paulista de Futebol. O estádio do Corinthians receberá apenas cerca de 25% de sua capacidade total. Ainda não foi informado como será a venda e distribuição de ingressos.

Importante ressaltar que mesmo a Prefeitura de São Paulo ter anunciado que passará a exigir um “Passaporte de Vacinação” para liberar a entrada em eventos de grande porte, o jogo na arena de Itaquera não prevê a necessidade de comprovação de vacina. A entrada dos torcedores será permitida apenas aos que apresentarem resultado negativo contra a Covid-19 em teste realizado até 48 horas antes do jogo.

A realização do jogo como um teste para a volta dos torcedores aos estádios de São Paulo é importante. Principalmente depois do que aconteceu recentemente em Belo Horizonte. Na partida entre Atlético-MG e River Plate, que decidiu a vaga para a semifinal da Copa Libertadores, mesmo com as restrições e regras pré-estabelecidas, houve desobediência às normas e aglomerações entre torcedores, que em maioria não usavam máscaras. A mesma coisa aconteceu no jogo do Cruzeiro contra o Confiança, pela série B do Campeonato Brasileiro.

- O jogo entre Atlético-MG e River Plate teve aglomerações entre os torcedores do Galo.
(Foto: Pedro Souza/Clube Atlético Mineiro)

Diante do que se viu, o prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG, voltou a proibir a presença de público em jogos de futebol.

Em nota oficial a diretoria do Galo discorda da decisão e exige a presença do torcedor nos estádios. Segundo ela, “todas as exigências foram cumpridas e com apenas 30% da capacidade Mineirão e público testado, não representam risco maior do que feiras, shoppings, transporte público e outros”.

Sobre as declarações do prefeito, colocando em dúvida a quantidade de pessoas no estádio, o Atlético-MG afirma que o público total foi de 17.030 pessoas, abaixo, portanto, do limite permitido. Também garante que fez campanha informativa para alertar a torcida sobre o protocolo sanitário, principalmente no que tange ao uso de máscaras, ao distanciamento social e à obrigatoriedade de testagem.

Agora é esperar para ver se o comportamento dos torcedores de São Paulo será diferente. Se bem que um jogo entre seleções é bem diferente de um envolvendo torcedores de clubes. Todos sabemos que são públicos distintos.  

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

COM HULK E DIEGO COSTA, ATLÉTICO-MG SONHA COM TÍTULO DO BRASILEIRÃO APÓS 50 ANOS

 POR ROBERTO MAIA

Hulk marcou sete gols no Brasileirão e comanda o time em campo.
(Foto: Pedro Souza/Clube Atlético Mineiro)

Quem assistiu ao jogo entre Palmeiras e São Paulo, válido pela Libertadores da América, onde o Verdão eliminou o Tricolor, deve ter percebido que o time comandado por Abel Ferreira não está para brincadeira. O Alviverde tem atualmente um dos melhores elencos do Brasil, juntamente com Flamengo e Atlético-MG. No futebol é difícil cravar com certeza absoluta, mas o Brasileirão deste ano tem tudo para ficar entre esses três times.

Mas antes do início do Campeonato Brasileiro muita gente fez previsões colocando, além de Palmeiras e Flamengo, times como o São Paulo, o Grêmio e o Internacional como favoritos ao título. Poucos incluíram o Galo mineiro como possível campeão.

Sem levantar a taça do Brasileirão desde 1971, quando foi o primeiro campeão da competição, o Atlético-MG está se reforçando e já começa a mostrar que 50 anos depois poderá voltar a comemorar o título.

Prova disso foi o jogo de sábado passado, quando o Galo venceu o Palmeiras por 2 a 0 no Mineirão, ampliando a vantagem na liderança do Brasileirão. O time comandado pelo técnico Cuca chegou a 37 pontos na tabela de classificação, cinco à frente do Verdão.

Com a vitória, o Galo chegou à marca de nove vitórias consecutivas pelo Campeonato Brasileiro, maior sequência alcançada pelo time desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos.

O sonho começou a ganhar ares de realidade quando o Atlético-MG repatriou o atacante Hulk, que estava há 20 anos jogando no exterior. A aposta se mostrou acertada e ele vem fazendo a diferença jogando pelo Galo. Até agora o considero o melhor jogador do campeonato.

E as atuações de Hulk não deixam dúvidas. Em nove jogos pela Libertadores, marcou seis gols, além de assistências importantes. No Brasileirão já marcou sete gols e comanda o time em campo.

Diego Costa fez fama na Europa jogando pelo Atlético de Madrid e Chelsea. (Foto: Pedro Souza/Clube Atlético Mineiro)

Não satisfeita com o excelente momento vivido pelo time, a diretoria atleticana foi buscar o atacante Diego Costa, que desembarcou em Belo Horizonte na terça-feira, já causando furor entre os torcedores.

Diego Costa também estava longe do Brasil há 15 anos, período em que atuou de maneira vitoriosa no futebol da Europa, principalmente quando vestiu as camisas do Atlético de Madrid, na Espanha, e do Chelsea, na Inglaterra.

Logo ao desembarcar prometeu gols e muito empenho em campo à torcida do Galo. "Primeiro quero agradecer por estar no Galão da Massa. Acompanhei a toda a repercussão pelas redes sociais e espero retribuir toda a expectativa da torcida. Me senti muito querido por todos e isso pesou muito na minha decisão. Não vai faltar empenho, raça e vontade para fazer muitos gols. Esse é meu desejo e meu objetivo", afirmou.

Os próximos capítulos, ops, rodadas mostrarão se as expectativas serão concretizadas dentro de campo. Enquanto isso, a torcida do Galo Doido já faz festa.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sábado, 24 de julho de 2021

FIFA ESTUDA MUDAR REGRAS PARA DINAMIZAR O FUTEBOL

POR ROBERTO MAIA

Nas cobranças de laterais com os pés o jogador poderá chutar em direção à área adversária ou sair jogando sozinho. (Foto: Pixabay)

Há algum tempo a FIFA vem estudando mudanças nas regras do futebol com o objetivo de tornar o jogo mais dinâmico. Objetivo é aumentar a intensidade das partidas, fazendo com que haja menos paralizações e mais tempo de bola rolando. Um campeonato de categoria sub-19 disputado na Holanda, a Future Cup, com a participação do PSV, AZ, Leipzig e Brugge está sendo utilizado para os testes.

Entre as prováveis modificações nas regras estão as seguintes:

1 - Substituições ilimitadas. Tal como ocorre no basquete, o treinador poderá substituir quantas vezes achar necessário. E um jogador que deixou o campo poderá retornar depois. Essa mudança na regra viria complementar a que está em vigência atualmente e que veio em função da pandemia, onde cinco substituições podem ser feitas por jogo. Até 2019 eram apenas três.

2 - Cobrança de lateral com os pés. Nesse caso não seria mais necessário passar a bola para um companheiro. O jogador poderá chutar em direção à área adversária ou, simplesmente, parar a bola sobre a linha e sair jogando sozinho se preferir. A FIFA entende que essa mudança ajudaria a criar mais situações de ataque.

3 - Cinco minutos de suspensão para os jogadores que forem advertidos com cartão amarelo. Após transcorrido o tempo de punição podem voltar ao campo de jogo normalmente.

4 - Dois tempos de 30 minutos, com o relógio parando a cada vez que a bola não estiver em jogo – faltas, laterais, tiro de meta e escanteios. Essa é sem dúvida a mais radical das alterações e seria o fim da “cera” dos times que estão ganhando e param o jogo a todo momento.

Após o final da Future Cup, a FIFA vai analisa o resultado e enviar à International Board a solicitação das mudanças. Caso aprovadas, serão implementadas nos principais campeonatos disputados no mundo, inclusive no Brasil.

A FIFA introduziu o VAR e segue renovando as regras do futebol para dinamizar o esporte. (Foto: Marcos Paulo Rebelo/CBF)

A FIFA sempre foi bastante conservadora e durante muito tempo relutou em alterar qualquer uma das 17 regras do futebol. Sob o comando do presidente Gianni Infantino, temas antes intocáveis começaram a ser debatidos e ares de renovação tomaram conta da sede da entidade em Zurique, na Suíça. Exemplo disso foi a introdução do árbitro de vídeo, o VAR, que causou polêmica no início e ainda tumultua alguns jogos no Brasil, mas veio para ficar.

Nos primórdios do futebol o jogo era algo muito diferente do que conhecemos hoje. Para se ter uma ideia, tocar a bola com as mãos era permitido por qualquer jogador em campo. Até porque goleiros não existiam no início. E também eram disputados sem árbitros e sem tempo regulamentar. Dá para imaginar a bagunça que eram os jogos.

O regulamento do futebol foi definido em 1863, quando Ebenezer Cobb Morley convidou representantes de 12 clubes da Inglaterra para juntos delinearem quais seriam as regras do jogo. Inicialmente foram definidos 13 itens básicos para a prática do esporte. As regras do impedimento, o árbitro, o tempo de jogo e o pênalti foram introduzidos somente anos depois. O primeiro jogo sob o novo código foi disputado entre os times Barnes e Richmond.

Caso as novas regras sejam realmente introduzidas, o futebol viverá novos tempos e tomara contribuam com o espetáculo. Afinal, tem jogos demasiadamente ruins e sonolentos em que o dinheiro dos ingressos deveria ser devolvido aos torcedores. 

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 16 de julho de 2021

INTRUSOS MOSTRAM A CARA ENTRE OS CINCO PRIMEIROS COLOCADOS DO BRASILEIRÃO

 ROBERTO MAIA

Com 21 pontos, o Fortaleza tem o segundo melhor início de um time nordestino na era dos pontos corridos do Brasileirão. (Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)

Com quase um terço do Campeonato Brasileiro da Série A transcorrido, chama a atenção o desempenho de três times que ocupam as cinco primeiras colocações. O Palmeiras, um dos candidatos ao título da temporada, é o líder com 25 pontos. Na sequência aparecem o Red Bull Bragantino (23), Atlético-MG (22), Fortaleza (21) e Athletico-PR (20). Entre esses quatro, o Galo mineiro também é um dos cotados para ser campeão. 

Quero ressaltar a brilhante campanha até o momento do Red Bull Bragantino, Fortaleza e Athletico-PR. Se terão fôlego de manter o desempenho nas demais rodadas é difícil dizer. Até porque outros grandes do futebol brasileiro devem evoluir e ocupar as primeiras colocações do Brasileirão. Casos do Flamengo, Fluminense, São Paulo, Internacional, Santos, Corinthians e até o Grêmio, que atualmente é o lanterna da competição com apenas três pontos ganhos.

Sobre o Red Bull já me manifestei nesse espaço algumas vezes e até disse que em alguns anos o time iria lutar de igual para igual com os grandes e até ser campeão. O time de Bragança é o melhor exemplo de clube-empresa no Brasil. É de propriedade da empresa que produz a famosa bebida energética, que também é dona do Red Bull Leipzig (Alemanha), do Red Bull Salzubrg (Áustria) e do New York Red Bulls (EUA). Com certeza não está para brincadeira.

Chama a atenção para o surpreendente Fortaleza, que está enchendo de orgulho os nordestinos. Após vencer o Corinthians por 1 a 0, o tricolor do Ceará chegou aos 21 pontos. Pontuação lhe garante a marca histórica de ter o segundo melhor início de um time nordestino na era dos pontos corridos do Brasileirão. Antes, apenas o Sport alcançou desempenho superior. Em 2015, o rubro-negro pernambucano somou 23 pontos em 11 rodadas.

Se engana quem pensa que a colocação do Leão cearense é mero acaso. O clube vem se estruturando ao longo dos últimos anos em busca de campanhas estáveis e com objetivos definidos. Para tanto conta com um moderno Centro de Treinamento para dar condições adequadas aos jogadores e às categorias de base do clube para revelar novos talentos. A iniciativa já está dando resultados, tanto que, atualmente, metades dos jogadores titulares surgiram no CT, que é equipado com recursos para manter e desenvolver atletas de alto nível.

O CT do Fortaleza está equipado com quatro campos oficiais equipados com drenagem e irrigação artificiais, duas piscinas, vôlei de praia, pista de atletismo e de jogging, centro de imagem e TV, escola de educação-física e centro de especialização em nutrição e medicina desportiva. Tem alojamento para até 80 jogadores, duas salas de reunião, academia de musculação, sauna, sala de fisioterapia, departamento médico e odontológico, capela, pista de biométrica, cozinha industrial, lavanderia, salas de refeições, churrasqueira, salas para administração, equipamentos esportivos, estacionamento. E em futuro próximo também contará com escola para crianças e programas de inclusão social e geração de conhecimento para a comunidade. É exemplo a ser seguido!

Na Conmebol Sul-Americana o Athletico-PR venceu o América de Cali pelas oitavas de final e agora precisa apenas de um empate em casa para avançar. (Foto: José Tramontin/athletico.com.br)

Já o Athletico-PR não é nenhuma novidade mostrar tamanho desempenho técnico no Brasileirão. Afinal não é de hoje que o Furacão realiza façanhas importantes no futebol. A mais recente foi a conquista da Copa Sul-Americana, em 2018. É a única equipe paranaense a conquistar a Copa do Brasil e também foi finalista da Copa Libertadores da América na edição de 2005.

Além do Brasileirão o rubro-negro está disputando a Conmebol Sul-Americana. E saiu na frente no confronto contra o América de Cali pelas oitavas de final ao vencer por 1 a 0. Agora, para avançar, precisa apenas de um empate em casa, no próximo dia 20.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

EVERTON ANUNCIA INÍCIO DAS OBRAS DE SEU NOVO ESTÁDIO. UM ABISMO SEPARA O FUTEBOL INGLÊS E O BRASILEIRO.

Arena do Everton terá capacidade para 52,8 mil torcedores: inauguração será no início da temporada 2024-25.  (Foto: Everton FC/Divulgação via Samba Digital)

ROBERTO MAIA

No último final de semana me deparei com uma notícia de que o Everton Football Club, um dos clubes mais antigos e tradicionais da Inglaterra, anunciou que no próximo dia 26 de julho dará início às obras do seu novo estádio. Nenhuma surpresa já que os times da Premier League são, atualmente, os mais ricos do planeta e o clube azul de Liverpool era um dos únicos entre os grandes que ainda não tinha uma arena moderna.

A nova casa do Everton, que terá capacidade para 52.888 torcedores, será erguida nas docas de Bramley-Moore, no bairro Vauxhall, e é parte de um grandioso empreendimento que tem o objetivo de revitalizar a região junto ao porto da cidade. A expectativa é que a arena seja inaugurada no início da temporada 2024-25. 

Segundo a prefeitura de Liverpool, o novo estádio do Everton proporcionará um impulso de 1 bilhão de libras para a economia da cidade e irá gerar até 15 mil empregos para a população local, sendo 12 mil durante a construção. Estima-se, ainda, que atrairá cerca de 1,4 milhão de visitantes para a cidade e mais de 255 milhões de libras serão gastos nas cadeias de abastecimento da região. Outros 650 milhões de libras serão arrecadados com o desenvolvimento local - Liverpool Waters e Ten Streets, além de garantir um aumento anual de 2,1 milhões de libras em impostos municipais e de taxas de negócios da ordem de 1,7 milhão de libras por ano.

Mas o velho estádio Goodison Park, que tem capacidade para 40.569 pessoas, vai deixar saudades entre os torcedores e de quem teve a oportunidade e conhece-lo. Construído e inaugurado em 1892, é um dos mais antigos estádios da Inglaterra. Apelidado de Grand Old Lady (Grande Velha Senhora), foi o primeiro estádio inglês a receber um monarca, o Rei George V.

O Goodison Park já sediou mais partidas da primeira divisão nacional do que qualquer outro estádio do Reino Unido. Foi o primeiro estádio da Inglaterra a dispor de um sistema de aquecimento do gramado. Também foi o primeiro a ter dois lances de arquibancadas em todo seu entorno e três em um dos seus lados.

Outra curiosidade é que o Goodison Park é o único estádio do mundo que tem uma igreja no seu interior. A igreja de São Lucas, o Evangelista, está localizada no canto compreendido entre a arquibancada principal e a Gwladys Street End.

Para nós brasileiros fica a lembrança de que foi no velho Goodison Park que o Brasil disputou três jogos – uma vitória e duas derrotas – na Copa de 1966, quando a Seleção, então bicampeã, foi eliminada na primeira fase. O jogo contra a Bulgária, que a Seleção Brasileira venceu por 2 a 0, foi o último que Pelé e Garrincha jogaram juntos em uma partida oficial. Pelé marcou no primeiro tempo e Garrincha no segundo, ambos de falta.

Escrevi sobre esse tema para expor o gigantesco abismo na gestão do futebol da Inglaterra e o do Brasil. Aqui, algumas arenas construídas para a Copa de 2014 com dinheiro público mostram a sua inutilidade e o erro de terem sido construídas. As que recebem jogos regularmente com times da Série A não são sustentáveis e acumulam prejuízos. Os principais clubes brasileiros estão atolados em dívidas ou vivem de “favores” de mecenas que em algum momento cobrarão a conta. Mas temos que conviver com essa nossa triste realidade.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

sexta-feira, 2 de julho de 2021

O VELHO PACAEMBU RESURGIRÁ COMO UM COMPLEXO MULTIUSO E MAIS DEMOCRÁTICO

 

POR ROBERTO MAIA

Na última terça-feira, dia 29, o que mais se viu nas mídias sociais foram as imagens das retroescavadeiras iniciando a demolição do tobogã, a arquibancada atrás de um dos gols do velho estádio Paulo Machado de Carvalho, o querido Pacaembu. Ícone da história da cidade de São Paulo, inaugurado em 1940, não faltaram lamentos pela demolição. Normal, afinal nos seus 81 anos, ele recebeu milhões de torcedores em jogos dos clubes paulistas e também da Seleção Brasileira.

Uma amiga corinthiana me enviou mensagem criticando a iniciativa e dizendo que não respeitaram a história do velho estádio e que a mudança certamente será para pior. Não concordo com ela. Após a inauguração da moderna arena do Corinthians em Itaquera, o Pacaembu ficou ocioso, quase abandonado. Afinal, o Timão quem mais utilizava o estádio para seus jogos por não ter a sua casa própria.

O próprio Corinthians e os demais clubes de São Paulo, mais o Santos, ainda mandaram um ou outro jogo no Pacaembu. Muito pouco para o que o estádio sempre representou para a cidade. Entendo que se não houvesse a privatização o destino do Paulo Machado de Carvalho seria triste, melancólico. Ele certamente seria relegado a um processo lento e doloroso de deterioração. Não vejo porque o governo continuaria investindo na sua manutenção se os jogos não mais são realizados no local. 

Minha lembrança mais antiga do velho estádio remonta da segunda metade da década de 1960, quando eu, ainda criança, fui levado por meu pai para assistir a um jogo de futebol. Ainda existia a charmosa concha acústica, que depois deu lugar à esquisita arquibancada que logo ganhou o apelido de tobogã.

O recorde oficial de público no Pacaembu aconteceu no dia 25 de maio de 1942, quando 72.018 pessoas assistiram ao empate de 3 a 3 entre o Corinthians e o São Paulo. 


Tombado em 1998 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), as obras de modernização terão que preservar apenas a sua fachada imponente e histórica. O Museu do Futebol, instalado em uma área de 6,9 mil metros quadrados sob as arquibancadas, continua funcionando no local. Já no lugar do tobogã será erguido um moderno edifício comercial.

Pelos próximos 35 anos, a gestão do complexo esportivo estará nas mãos da Allegra Pacaembu, concessionária que investirá cerca de R$ 400 milhões no local. Sua proposta é entregar, daqui a 28 meses, um equipamento totalmente restaurado e modernizado, respeitando sua história e amplificando seu significado. O projeto prevê reabrir o Pacaembu para os paulistanos, mais democrático e inclusivo como um espaço de convivência, de serviços, esporte, lazer e cultura.


Se o projeto for seguido à risca, o Pacaembu renascerá como o mais completo complexo multiuso do Brasil. Serão construídos 44 mil metros quadrados de novas áreas e o funcionamento será de 24 horas por dia, sete dias por semana durante todo o ano.

Sem dúvida será um importante polo de entretenimento, esporte e lazer para a população. Onde antes só íamos em dias de jogos de futebol poderemos frequentar por diferentes motivos. Seja para praticar esporte, assistir a um show, tomar um café ou um drinque com os amigos ou até como local de trabalho.

O querido Pacaembu merece esse destino amplificado e importante para a cidade de São Paulo. Seria deprimente passar em frente ao estádio e vê-lo abandonado e sem vida.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

IMAGENS: REPRODUÇÃO SITE ALLEGRA PACAEMBU - pacaembuoficial.com.br


quinta-feira, 24 de junho de 2021

CLUBE-EMPRESA CADA VEZ MAIS PERTO. SENADO APROVA A SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL

POR ROBERTO MAIA

O Red Bull Bragantino é exemplo de clube-empresa no Brasil. A empresa que produz o famoso energético também é dona do Red Bull Leipzig (Alemanha), do Red Bull Salzubrg (Áustria)
e do New York Red Bulls (EUA). (Foto: redbullbragantino.com.br)

O que era apenas uma discussão entre senadores agora caminha a passos largos para se tornar realidade. Há alguns dias, o Senado Federal aprovou o projeto de lei que cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF), que permite aos clubes se transformarem em empresas. O texto de autoria do presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), agora está em tramitação na Câmara dos Deputados. Se também tiver a aprovação entre os deputados federais seguirá para a sansão do presidente Jair Bolsonaro. 

Os clubes brasileiros vivem momento extremamente difícil financeiramente. Situação que se agravou ainda mais com a pandemia. Sem público nos estádios as agremiações perderam a receita vinda da venda dos ingressos. Muitas empresas patrocinadoras, também vítimas da crise na economia, romperam contratos. Até a transferência de atletas teve queda. Restou apenas a cota paga pela transmissão dos jogos pela televisão.

Como sempre acontece em momentos como esse, soluções políticas surgem para socorrer os clubes de futebol. É o caso de projeto que ficou durante muito tempo engavetado no Senado Federal. Com a ascensão de Rodrigo Pacheco à presidência da casa ele foi colocado em pauta com o propósito de encontrar uma alternativa de socorro aos clubes.

O projeto de lei que cria a Sociedade Anônima do Futebol é de autoria do senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O modelo aprovado passa a ser opção facultativa aos clubes de se transformarem em clube-empresa. Os que optarem em se tornar uma Sociedade Anônima do Futebol terão garantido o pagamento das dívidas cível e trabalhista em um acordo de longo prazo - 10 anos. Também poderão contar com recursos de investidores, que passariam a ser sócios da empresa e ainda pagariam impostos ao governo, o que hoje as associações não fazem. Aderindo à SAF os clubes-empresas terão um regime tributário especial com uma alíquota de 4% das receitas mensais recebidas, excluindo inicialmente as transferências de jogadores.

Também passarão a ter instrumentos para capitalização de recursos e para o financiamento próprio. Poderão emitir títulos de dívida, atrair fundos de investimentos e até lançar ações em bolsa de valores. Outro aspecto ressaltado no projeto aprovado é que os clubes terão instrumentos de controle, governança e compliance, além de serem fiscalizados por órgãos internos e externos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que não acontece em outros modelos empresariais.

O relator do projeto que cria a SAF, senador Carlos Portinho (PL-RJ), acredita que a mudança para clube-empresa pode ser uma alternativa para grandes clubes que atualmente acumulam dívidas milionárias. Ele cita vários e destaca os três com maior endividamento tributário: Botafogo (RJ)/R$ 425 milhões, Corinthians/R$ 417 milhões e Atlético (MG)/R$ 292 milhões.

Apesar das vantagens propostas para quem optar pela SAF, os torcedores temem que o clube-empresa virá para privatizar os clubes, que passariam a ter donos. Modelo que existe há muito tempo na Europa, principalmente entre os clubes ingleses, onde clubes tradicionais foram adquiridos por milionários de diversas partes do mundo. Agora é aguardar para ver com quem está a razão.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR