Mania
de apelidar estádios
Por Roberto Maia
Por Roberto Maia
Arena Corinthians terá jogos da Olimpíada em 2016
(Foto: Divulgação/Agência Corinthians)
(Foto: Divulgação/Agência Corinthians)
O deputado federal e atual superintendente de
futebol do Corinthians, Andrés Sanchez, vive reclamando que não consegue vender
o naming right – direito de concessão
de nome - da Arena Corinthians porque parte da imprensa esportiva chama o
estádio de Itaquerão. E ele tem razão em parte. A cultura de dar nomes de
empresas a arenas no Brasil é algo novo e ainda não foi devidamente assimilada
por aqui. Desde sempre, os estádios brasileiros eram homenageados com nomes de
pessoas e logo ganhavam um apelido. É o caso do Estádio Jornalista Mário Filho,
mais conhecido como Maracanã, o popular Maraca, no Rio de Janeiro. A enorme
lista de estádios apelidados tem o Pacaembu, Mineirão, Castelão, Serra Dourada,
Morumbi, Mané Garrincha, Arruda, Albertão, Rei Pelé, Pinheirão, Olímpico,
Beira-Rio e muitos outros.
O momento certo para ter dado nome à bela arena
corinthiana foi durante a Copa do Mundo de 2014, quando foi palco da abertura e
de outros cinco jogos. Muita coisa mudou de lá para cá. A economia do mundo enfraqueceu
e os investimentos minguaram. No Brasil então não é preciso nem entrar em
detalhes da crise que estamos vivendo.
As arenas que conseguiram vender o naming right antes da crise se deram bem,
mas também servem de exemplo para os potenciais investidores. São os casos das
arenas da Bahia e Pernambuco, patrocinadas pela cervejaria Itaipava.
Sinceramente nunca vi ninguém chamando ambas pelo nome oficial: Itaipava Arena
Fonte Nova e Itaipava Arena Pernambuco, respectivamente.
Ainda mais emblemático é o investimento feito por
uma das maiores seguradoras do mundo para dar nome à nova arena do Palmeiras,
agora Allianz Parque. Uma companhia internacional poderia abrir as portas para
essa tendência em campos brasileiros. Mas poucos órgãos de imprensa chamam a
arena pelo nome. Tem gente que ainda se refere ao estádio como “Parque
Antártica”. Aliás, esse sim um naming
right que surgiu e deu certo sem querer, mas que não beneficiou financeiramente
o clube.
Mas por que isso acontece? Talvez porque os
departamentos comerciais de televisões, rádios e grandes jornais e revistas
acham que devem receber para pronunciar ou escrever o nome de uma empresa
durante as transmissões e cobertura de uma partida de futebol. Isso sempre foi
uma norma estabelecida às redações. Mas os tempos mudaram e é necessário
evoluir.
Manter uma arena custa muito caro e a receita dos namings rights são necessárias para
garantir o conforto dos torcedores e também da imprensa, que agora dispõe de infraestrutura
adequada e espaços amplos e modernos para realizar o trabalho com mais
qualidade e segurança.
Corinthians e Palmeiras agora possuem arenas com padrão
FIFA. A alvinegra tem capacidade para 48 mil lugares, 89 camarotes, estacionamento
com 2,7 mil vagas, 59 lojas, dois grandes restaurantes, dois sports bar, um
auditório, mais de 100 mil metros quadrados de área para eventos, centro de
mídia, elevadores, escadas rolantes, gramado refrigerado, vestiários
gigantescos, painéis eletrônicos com tecnologia de ponta, entre outras
novidades. Além de muito mármore, tanto que alguns já chamam o lugar de Palácio
de Mármore. Estão vendo, mais um apelido!
Arena multiuso, a Allianz Parque foi concebida para
receber, além dos jogos de futebol, shows, entretenimento e eventos
corporativos. Tem 40 mil assentos cobertos, um anfiteatro para 11 mil pessoas,
centro de convenções com espaços modulares, centro de mídia, camarotes,
business clubs, lounges e muitos outros atrativos.
Portanto, não dá para continuar dando apelidos para
as arenas.
Allianz Parque é o principal local para grandes shows
em São Paulo (Foto: Divulgação/Allianz Parque)
em São Paulo (Foto: Divulgação/Allianz Parque)


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