sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mania de apelidar estádios

Por Roberto Maia

Arena Corinthians terá jogos da Olimpíada em 2016
(Foto: Divulgação/Agência Corinthians)

O deputado federal e atual superintendente de futebol do Corinthians, Andrés Sanchez, vive reclamando que não consegue vender o naming right – direito de concessão de nome - da Arena Corinthians porque parte da imprensa esportiva chama o estádio de Itaquerão. E ele tem razão em parte. A cultura de dar nomes de empresas a arenas no Brasil é algo novo e ainda não foi devidamente assimilada por aqui. Desde sempre, os estádios brasileiros eram homenageados com nomes de pessoas e logo ganhavam um apelido. É o caso do Estádio Jornalista Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, o popular Maraca, no Rio de Janeiro. A enorme lista de estádios apelidados tem o Pacaembu, Mineirão, Castelão, Serra Dourada, Morumbi, Mané Garrincha, Arruda, Albertão, Rei Pelé, Pinheirão, Olímpico, Beira-Rio e muitos outros. 

O momento certo para ter dado nome à bela arena corinthiana foi durante a Copa do Mundo de 2014, quando foi palco da abertura e de outros cinco jogos. Muita coisa mudou de lá para cá. A economia do mundo enfraqueceu e os investimentos minguaram. No Brasil então não é preciso nem entrar em detalhes da crise que estamos vivendo.

As arenas que conseguiram vender o naming right antes da crise se deram bem, mas também servem de exemplo para os potenciais investidores. São os casos das arenas da Bahia e Pernambuco, patrocinadas pela cervejaria Itaipava. Sinceramente nunca vi ninguém chamando ambas pelo nome oficial: Itaipava Arena Fonte Nova e Itaipava Arena Pernambuco, respectivamente.

Ainda mais emblemático é o investimento feito por uma das maiores seguradoras do mundo para dar nome à nova arena do Palmeiras, agora Allianz Parque. Uma companhia internacional poderia abrir as portas para essa tendência em campos brasileiros. Mas poucos órgãos de imprensa chamam a arena pelo nome. Tem gente que ainda se refere ao estádio como “Parque Antártica”. Aliás, esse sim um naming right que surgiu e deu certo sem querer, mas que não beneficiou financeiramente o clube.

Mas por que isso acontece? Talvez porque os departamentos comerciais de televisões, rádios e grandes jornais e revistas acham que devem receber para pronunciar ou escrever o nome de uma empresa durante as transmissões e cobertura de uma partida de futebol. Isso sempre foi uma norma estabelecida às redações. Mas os tempos mudaram e é necessário evoluir.

Manter uma arena custa muito caro e a receita dos namings rights são necessárias para garantir o conforto dos torcedores e também da imprensa, que agora dispõe de infraestrutura adequada e espaços amplos e modernos para realizar o trabalho com mais qualidade e segurança.

Corinthians e Palmeiras agora possuem arenas com padrão FIFA. A alvinegra tem capacidade para 48 mil lugares, 89 camarotes, estacionamento com 2,7 mil vagas, 59 lojas, dois grandes restaurantes, dois sports bar, um auditório, mais de 100 mil metros quadrados de área para eventos, centro de mídia, elevadores, escadas rolantes, gramado refrigerado, vestiários gigantescos, painéis eletrônicos com tecnologia de ponta, entre outras novidades. Além de muito mármore, tanto que alguns já chamam o lugar de Palácio de Mármore. Estão vendo, mais um apelido!

Arena multiuso, a Allianz Parque foi concebida para receber, além dos jogos de futebol, shows, entretenimento e eventos corporativos. Tem 40 mil assentos cobertos, um anfiteatro para 11 mil pessoas, centro de convenções com espaços modulares, centro de mídia, camarotes, business clubs, lounges e muitos outros atrativos.

Portanto, não dá para continuar dando apelidos para as arenas.

Allianz Parque é o principal local para grandes shows 
em São Paulo (Foto: Divulgação/Allianz Parque)

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