sábado, 5 de setembro de 2015

Na polêmica da terceira camisa 

quem ganha é o marketing

Por Roberto Maia

Camisa laranja faz alusão ao antigo terrão da base corinthiana 
(Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)

Na noite de quarta-feira, dia 2, o Corinthians apresentou oficialmente o seu novo terceiro uniforme para a temporada. Uma camisa, calção e meias na cor laranja com detalhes em preto. Estranho? Sim, claro, afinal o Timão vem sendo chamado ao longo dos seus 105 anos de Alvinegro do Parque São Jorge. Mas qual é o problema de utilizar em alguns jogos um uniforme com uma cor diferente do tradicional preto e branco? O mundo e o futebol mudaram e não é de hoje que a receita da venda dessas camisas é muito bem-vinda para os cofres dos clubes. Está longe o tempo em que a principal fonte de recursos dos times de futebol eram as rendas dos jogos. 

Aqui no Brasil, os departamentos de marketing das empresas fornecedoras de material esportivo dos clubes ainda buscam motivações e justificativas para explicarem a cor das terceiras camisas. O que não ocorre no restante do mundo. Essa do Corinthians, segundo a Nike, é uma alusão ao antigo “terrão” da base corinthiana.

Recentemente, o Palmeiras também lançou um novo terceiro uniforme comemorativo aos seus 101 anos. Na cor prata, a camisa assinada pela Adidas celebra os 100 anos da conquista do primeiro título do Palestra, a Taça Savoia.

Na cor prata, camisa celebra os 100 anos do primeiro título do Palestra 
(Foto: adidas.com.br/palmeiras)

O Santos, nas três últimas temporadas, utilizou um uniforme todo azul claro (2012), azul escuro (2013) e branco, preto e amarelo (2014) em diversos jogos.

Torcedores tradicionalistas devem estar pensando que certo está o São Paulo, que se mantém fiel ao branco, vermelho e preto. Diferentemente dos rivais, o Tricolor nunca teve um terceiro uniforme porque o estatuto do clube não permitia. Mas os são-paulinos perceberam que não podem dispor desse importante recurso gerador de receita, ainda mais agora com o patrocínio milionário da Under Armour, a marca norte-americana de artigos esportivos, que para ficar conhecida no Brasil pagará ao Tricolor R$ 135 milhões em cinco anos - R$ 75 milhões em dinheiro (R$ 15 milhões por ano) e R$ 60 milhões (R$ 12 milhões por ano) em material esportivo.

Assim, pela primeira vez na história, o São Paulo usará um terceiro uniforme ainda neste ano. Para que isso fosse possível, o Conselho Deliberativo do clube alterou a cláusula que proibia o uso de uma camisa com cores diferentes. Fontes do clube garantem que a nova camisa do Tricolor – com lançamento em outubro - será bordô.

O torcedor precisa entender que os patrocínios esportivos são poderosa ferramenta de marketing e as camisas dos grandes clubes são espaços nobres com imensa exposição nas transmissões dos jogos e nas coberturas jornalísticas – jornais, revistas, internet etc.

As polêmicas camisas coloridas chegam ao mercado com preços nada populares e ainda assim vendem muito. A do Corinthians é comercializada a R$ 229,90, enquanto a do Palmeira custa R$ 249,99.

A discussão acalorada nas redes sociais e nas mesas de bares nunca terá fim. Há quem gosta e há quem não gosta. Quem gosta compra e quem não gosta fala sobre o assunto. O importante é a fonte de receita para os clubes e a visibilidade para as marcas. O resultado é mais dinheiro que entra e que pode ser transformado em conteúdo para preencher esses coloridos uniformes. Ou seja, contratação de bons jogadores que mostrem resultado em campo e, principalmente, que honrem os “mantos sagrados”, independentemente das cores.

O Santos de Neymar usou azul para lembrar a fundação do clube 
(Foto: Nike/Divulgação)

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