sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Água Santa e São Paulo, exemplos extremos do futebol

Publicado no dia 12 de novembro de 2015

Por Roberto Maia

Fundado em 1981, o Água Santa disputou apenas competições 
amadoras até 2011 (Foto: diadema.sp.gov.br)

Entra ano, sai ano e não percebemos avanços significativos na estrutura e na gestão do futebol brasileiro. A Copa do Mundo de 2014 na prática só serviu para a construção e reforma de uma dúzia de arenas pelo país, além de muitas outras coisas estranhas envolvendo o dinheiro público. Algumas arenas tornaram-se absolutamente inúteis após o termino do Mundial. No geral, o que vemos são estádios arcaicos, sem mínimas condições de receber público e com gramados que mais parecem pastos. Que me desculpem os pecuaristas com a comparação, pois, certamente, há pastos em melhores condições.

   Por falar em estádios sem condições de receber jogos dos times da elite do futebol brasileiro, não há como não comentar o do Esporte clube Água Santa, de Diadema, na região do ABC paulista. Não contra o time que conquistou brilhantemente no campo o direito de disputar a Séria A1 do Paulistão de 2016. O time de Diadema pode ser considerado um fenômeno e com futuro promissor se conseguir manter e ampliar o profissionalismo mostrado até agora. Após se profissionalizar em 2012, quando disputou a quarta divisão do Campeonato Paulista, o Água Santa conquistou três acessos consecutivos até chegar à elite paulista. O problema não está no campo e sim na estrutura que o clube dispõe para receber jogos dos times grandes da capital e suas torcidas.

   Para se adequar às exigências da Federação Paulista de Futebol, que determina estádios com capacidade para pelo menos 10 mil torcedores, o Água Santa correu para ampliar a sua casa. Correu tanto que na semana passada viu parte das arquibancadas desabar. O acidente coloca em risco os planos do clube para o Paulistão 2016. Caso não haja tempo para reerguer a estrutura e o estádio não seja liberado em tempo, o Mirassol, quinto colocado do Paulista A2 de 2014 ocupará o lugar do Água Santa no Grupo D do Paulistão, que tem o Corinthians, RB Brasil, Mogi Mirim e Rio Claro.

  Se isso acontecer será uma pena para o time de Diadema, mas deixará escancarada a falta de profissionalismo no futebol. Como se já não bastasse o campeonato realizado em poucas datas, com excesso de times e com uma fórmula esdrúxula que coloca frente a frente times profissionais e outros semiprofissionais e quase amadores.

  Mas profissionalismo não é uma palavra que pode ser aplicada à gestão da maioria dos grandes times do futebol brasileiro. A todo instante vemos exemplos de amadorismo explícito praticado por dirigentes despreparados e incompetentes. Nesse rol poucos escapam.

   Um exemplo recente é o que os dirigentes estão fazendo com o São Paulo Futebol Clube. Clube rico, o Tricolor já foi considerado um exemplo de administração. Hoje é exemplo de como fazer as coisas erradas. Como se não bastassem as denúncias de corrupção e a troca de sopapos entre o presidente e o vice – que culminaram com a renúncia de Carlos Miguel Aidar -, ainda demitiram o jovem treinador Doriva, que estava há apenas um mês no clube. E faltando apenas quatro rodadas para o fim do Brasileirão e o time ainda disputando uma vaga na Libertadores. Então Doriva era bom para o ex-dirigente e ruim para o atual? Percebemos claramente que não existem critérios para a contratação de um treinador. E se Milton Cruz é bom o suficiente para encarar essa difícil missão porque então ele nunca é efetivado como treinador? A resposta é simples: não existe planejamento.

Água Santa a São Paulo são apenas retratos de dois extremos do futebol paulista. A gestão sem planejamento pode até dar frutos em curto prazo, porém não resiste por muito tempo. Será que é difícil entender isso?   

Renúncia de Carlos Miguel Aidar parece não ter 
mudado nada no São Paulo 
(Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)  

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