Publicado no dia 12 de novembro de 2015
Por Roberto Maia
Fundado
em 1981, o Água Santa disputou apenas competições
amadoras até 2011 (Foto:
diadema.sp.gov.br)
Entra ano, sai ano e
não percebemos avanços significativos na estrutura e na gestão do futebol
brasileiro. A Copa do Mundo de 2014 na prática só serviu para a construção e reforma
de uma dúzia de arenas pelo país, além de muitas outras coisas estranhas
envolvendo o dinheiro público. Algumas arenas tornaram-se absolutamente inúteis
após o termino do Mundial. No geral, o que vemos são estádios arcaicos, sem
mínimas condições de receber público e com gramados que mais parecem pastos.
Que me desculpem os pecuaristas com a comparação, pois, certamente, há pastos
em melhores condições.
Por falar em estádios
sem condições de receber jogos dos times da elite do futebol brasileiro, não há
como não comentar o do Esporte clube Água Santa, de Diadema, na região do ABC
paulista. Não contra o time que conquistou brilhantemente no campo o direito de
disputar a Séria A1 do Paulistão de 2016. O time de Diadema pode ser
considerado um fenômeno e com futuro
promissor se conseguir manter e ampliar o profissionalismo mostrado até agora.
Após se profissionalizar em 2012, quando disputou a quarta divisão do
Campeonato Paulista, o Água Santa conquistou três acessos consecutivos até
chegar à elite paulista. O problema não está no campo e sim na estrutura
que o clube dispõe para receber jogos dos times grandes da capital e suas
torcidas.
Para se adequar às
exigências da Federação Paulista de Futebol, que determina estádios com
capacidade para pelo menos 10 mil torcedores, o Água Santa correu para ampliar
a sua casa. Correu tanto que na semana passada viu parte das arquibancadas
desabar. O acidente coloca em risco os planos do clube para o Paulistão 2016.
Caso não haja tempo para reerguer a estrutura e o estádio não seja liberado em
tempo, o Mirassol, quinto colocado do Paulista A2 de 2014 ocupará o lugar do
Água Santa no Grupo D do Paulistão, que tem o Corinthians, RB Brasil, Mogi
Mirim e Rio Claro.
Se isso acontecer será
uma pena para o time de Diadema, mas deixará escancarada a falta de
profissionalismo no futebol. Como se já não bastasse o campeonato realizado em
poucas datas, com excesso de times e com uma fórmula esdrúxula que coloca
frente a frente times profissionais e outros semiprofissionais e quase
amadores.
Mas profissionalismo
não é uma palavra que pode ser aplicada à gestão da maioria dos grandes times
do futebol brasileiro. A todo instante vemos exemplos de amadorismo explícito
praticado por dirigentes despreparados e incompetentes. Nesse rol poucos
escapam.
Um exemplo recente é o
que os dirigentes estão fazendo com o São Paulo Futebol Clube. Clube rico, o
Tricolor já foi considerado um exemplo de administração. Hoje é exemplo de como
fazer as coisas erradas. Como se não bastassem as denúncias de corrupção e a troca
de sopapos entre o presidente e o vice – que culminaram com a renúncia de
Carlos Miguel Aidar -, ainda demitiram o jovem treinador Doriva, que estava há
apenas um mês no clube. E faltando apenas quatro rodadas para o fim do
Brasileirão e o time ainda disputando uma vaga na Libertadores. Então Doriva
era bom para o ex-dirigente e ruim para o atual? Percebemos claramente que não
existem critérios para a contratação de um treinador. E se Milton Cruz é bom o
suficiente para encarar essa difícil missão porque então ele nunca é efetivado
como treinador? A resposta é simples: não existe planejamento.
Água Santa a São Paulo
são apenas retratos de dois extremos do futebol paulista. A gestão sem
planejamento pode até dar frutos em curto prazo, porém não resiste por muito
tempo. Será que é difícil entender isso?
Renúncia
de Carlos Miguel Aidar parece não ter
mudado nada no São Paulo
(Foto: Rubens
Chiri/saopaulofc.net)


Nenhum comentário:
Postar um comentário