Publicada no dia 19 de novembro de 2015
Por
Roberto Maia
A
antes temida camisa canarinho da seleção já não mete medo nos
adversários e não encanta os torcedores (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)
Já vai longe o tempo em que um jogo da seleção
brasileira conseguia concentrar as atenções e até parar o país. Houve tempo em
que torcedores comemoravam quando jogadores do seu time eram convocados para a
seleção. Hoje, pelo contrário, lamentam. Eu mesmo acho que a última vez que me
emocionei e vibrei com a seleção brasileira foi durante a Copa de 1982, quando era
treinada por Tele Santana e encantou o mundo com o futebol apresentado. Como
nem tudo é perfeito, infelizmente, acabamos eliminados pela Itália. Até hoje,
passados 33 anos, aquele time é lembrado com saudades. Juro que lamento muito
mais aquela triste eliminação do que o humilhante 7 a 1 para a Alemanha na Copa
de 2014.
Atualmente, vejo que nas mídias sociais os clubes
merecem muito mais espaço e comentários do que a seleção. Já testemunhei
comentários nos dias seguintes a jogos das eliminatórias que mostram o quanto distante
está a população na outrora temível e respeitada seleção brasileira. Enquanto
tomava um cafezinho na padaria, na manhã após o jogo contra a Argentina, ouvi
ao meu lado dois amigos conversando:
- Assistiu ao jogo da seleção ontem?
- Não, estava mais preocupado com os atentados
terroristas em Paris.
- E você, assistiu?
- Um pouco. Mas estava tão feio que já estava
torcendo para a Argentina, quem sabe mandam o Dunga embora e o Tite assume a
seleção.
Triste realidade! Chegamos ao ponto de um brasileiro
torcer para a Argentina contra nós para ver se as coisas melhoram. E não há
como tirar a razão desses desiludidos torcedores. Os dirigentes e o modelo de
gestão adotado nos últimos anos estão enterrando o que já foi o nosso maior
patrimônio e motivo de orgulho. A seleção brasileira em campo é apenas o
reflexo do que acontece fora das quatro linhas. Como podemos ser fortes e
respeitados se o ex-presidente da CBF está preso nos Estados Unidos e o atual
morre de medo de também acabar atrás das grades? Com um treinador que, embora
seja um campeão mundial como jogador, nunca ganhou um título importante na
carreira. Dunga pode até ter virtudes como técnico, mas encontra muitas
limitações para exercer o seu trabalho. Ele nem sempre consegue convocar os
melhores jogadores, além de não treinar o time de forma adequada por falta de
tempo. Para não perder o emprego, adota um futebol medroso e que pouco explora
as qualidades individuais dos jogadores.
A seleção hoje vive uma dependência absurda de
Neymar. Claro que o craque do Barcelona pode decidir partidas, mas é muito
pouco para nossa seleção. Se ele não joga ou se não está inspirado corremos o
risco de uma derrota. E não precisa ser uma seleção de primeira linha mundial
para ameaçar o Brasil. Sofremos até em jogos para selecionados menos
expressivos e sem tradição no mundo do futebol. Assistir a um jogo da nossa
seleção é um exercício de paciência. Torcer e vibrar então já é pedir demais.
A que ponto chegamos! Se eu fico nervoso assistindo
aos jogos do selecionado brasileiro, imagino o quanto devem ficar irritados
craques do passado como Pelé, Rivellino, Gerson, Tostão, Carlos Alberto,
Clodoaldo, etc.
Para quem não sabe, a frase do título dessa coluna é
de um gênio que deixou saudade, tal qual o futebol praticado pela seleção
brasileira no passado. Peguei emprestada, pois nada pode ser mais atual e
perfeito para o momento da nossa seleção do que a frase dita por John Lennon
sobre o fim dos Beatles.
Dunga não é o único culpado pelo triste momento
vivido
pela seleção brasileira (Foto:
Rafael Ribeiro/CBF)


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