sexta-feira, 27 de novembro de 2015

“O sonho acabou, vamos encarar a realidade!”

Publicada no dia 19 de novembro de 2015

Por Roberto Maia

A antes temida camisa canarinho da seleção já não mete medo nos 
adversários e não encanta os torcedores (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Já vai longe o tempo em que um jogo da seleção brasileira conseguia concentrar as atenções e até parar o país. Houve tempo em que torcedores comemoravam quando jogadores do seu time eram convocados para a seleção. Hoje, pelo contrário, lamentam. Eu mesmo acho que a última vez que me emocionei e vibrei com a seleção brasileira foi durante a Copa de 1982, quando era treinada por Tele Santana e encantou o mundo com o futebol apresentado. Como nem tudo é perfeito, infelizmente, acabamos eliminados pela Itália. Até hoje, passados 33 anos, aquele time é lembrado com saudades. Juro que lamento muito mais aquela triste eliminação do que o humilhante 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014.

   Atualmente, vejo que nas mídias sociais os clubes merecem muito mais espaço e comentários do que a seleção. Já testemunhei comentários nos dias seguintes a jogos das eliminatórias que mostram o quanto distante está a população na outrora temível e respeitada seleção brasileira. Enquanto tomava um cafezinho na padaria, na manhã após o jogo contra a Argentina, ouvi ao meu lado dois amigos conversando:

- Assistiu ao jogo da seleção ontem?

- Não, estava mais preocupado com os atentados terroristas em Paris.

- E você, assistiu?

- Um pouco. Mas estava tão feio que já estava torcendo para a Argentina, quem sabe mandam o Dunga embora e o Tite assume a seleção.

   Triste realidade! Chegamos ao ponto de um brasileiro torcer para a Argentina contra nós para ver se as coisas melhoram. E não há como tirar a razão desses desiludidos torcedores. Os dirigentes e o modelo de gestão adotado nos últimos anos estão enterrando o que já foi o nosso maior patrimônio e motivo de orgulho. A seleção brasileira em campo é apenas o reflexo do que acontece fora das quatro linhas. Como podemos ser fortes e respeitados se o ex-presidente da CBF está preso nos Estados Unidos e o atual morre de medo de também acabar atrás das grades? Com um treinador que, embora seja um campeão mundial como jogador, nunca ganhou um título importante na carreira. Dunga pode até ter virtudes como técnico, mas encontra muitas limitações para exercer o seu trabalho. Ele nem sempre consegue convocar os melhores jogadores, além de não treinar o time de forma adequada por falta de tempo. Para não perder o emprego, adota um futebol medroso e que pouco explora as qualidades individuais dos jogadores.

   A seleção hoje vive uma dependência absurda de Neymar. Claro que o craque do Barcelona pode decidir partidas, mas é muito pouco para nossa seleção. Se ele não joga ou se não está inspirado corremos o risco de uma derrota. E não precisa ser uma seleção de primeira linha mundial para ameaçar o Brasil. Sofremos até em jogos para selecionados menos expressivos e sem tradição no mundo do futebol. Assistir a um jogo da nossa seleção é um exercício de paciência. Torcer e vibrar então já é pedir demais.

   A que ponto chegamos! Se eu fico nervoso assistindo aos jogos do selecionado brasileiro, imagino o quanto devem ficar irritados craques do passado como Pelé, Rivellino, Gerson, Tostão, Carlos Alberto, Clodoaldo, etc.


   Para quem não sabe, a frase do título dessa coluna é de um gênio que deixou saudade, tal qual o futebol praticado pela seleção brasileira no passado. Peguei emprestada, pois nada pode ser mais atual e perfeito para o momento da nossa seleção do que a frase dita por John Lennon sobre o fim dos Beatles. 

Dunga não é o único culpado pelo triste  momento 
vivido pela seleção brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

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