sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Campeonato “manchado” pela competência de Tite


Publicado no dia 05 de novembro de 2015                                                                   

                                                                      Por Roberto Maia

Tite merece o respeito dos torcedores pelo trabalho sério 
no comando do Corinthians (Foto: Agência Corinthians/Divulgação)

Depois do jogo entre Atlético-MG e Corinthians no domingo passado, o treinador atleticano Levir Culpi perdeu a chance de ficar calado quando reafirmou que o campeonato está “manchado”. Considero o Levir um dos melhores técnicos do Brasil e está fazendo um excelente trabalho com o alvinegro mineiro. Mas, desmerecer o trabalho do seu colega de profissão Tite foi demais. Como já disse aqui nesta coluna, os erros de arbitragem excederam todos os limites nesse Brasileirão. Difícil dizer quem não saiu prejudicado. O professor Levir não pode esquecer que se hoje o Corinthians está 11 pontos à frente do Galo é porque venceu os dois confrontos diretos. Se o Atlético tivesse saído vitorioso nos dois jogos essa diferença seria de apenas cinco pontos e o campeonato estaria aberto.

   Sempre fui crítico do estilo do Tite, que até em determinado momento era chamado de “Empatitie” tantos eram os empates do time corinthiano. Certo que mesmo com sua tática retranqueira e achando que o empate é melhor que uma derrota, o Corinthians conquistou os maiores e mais importantes títulos da sua história. Mas sem nunca apresentar um futebol vistoso. Pragmatismo de resultados.

   Após o ano sabático de Tite em 2014, quando viajou para a Europa para “aprender”, muitos – e eu me incluo – não acreditaram que o aprendizado pudesse ser demonstrado de maneira tão eficiente. Tite mostrou que além de evoluir taticamente, consegue como ninguém administrar um vestiário. Para quem não lembra, o time que estreou no Brasileirão em jogo contra o Cruzeiro, em Minas, tinha Cassio, Edilson, Yago, Edu Dracena e Uendel; Cristian, Bruno Henrique, Petros e Emerson; Mendoza e Romero. O time começou bem o campeonato, mas logo perdeu suas duas principais estrelas – Guerrero e Emerso -, além de Fábio Santos, Petros e Mendoza. Fora isso, contornou problemas como a insatisfação dos jogadores com salários atrasados e as contusões sérias de Fagner, Bruno Henrique, Uendel, Rildo e Luciano. Sem esquecer a péssima fase técnica e fisica de Vagner Love.

   Até os mais fanáticos corinthianos imaginavam a reviravolta que iria acontecer. Campeão? Nem pensar! Era time para no máximo ficar no meio da tabela e fugir da zona da degola. Tite merece os parabéns pelo trabalho e o respeito de todas as torcidas. Ele pode estar abrindo o caminho para uma nova safra de treinadores, jogando para a aposentadoria aqueles que não estudam e sejam realmente profissionais em suas funções. O campeoníssimo Murici Ramalho percebeu isso e já está trilhando o mesmo caminho do técnico corinthiano. Foi para a Europa e humildemente foi aprender com o Barcelona. 


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