Publicado em 20.01.2016
Por Roberto Maia
O
ambiente agradável ajudou e os torcedores do Corinthians e do
Atlético-MG
dividiram o mesmo espaço sem brigas (Foto: Roberto Maia)
ORLANDO (EUA) – Ano passado acompanhei com interesse a
primeira edição do torneio internacional Florida Cup, realizado no ensolarado
estado dos Estados Unidos. Vendo os jogos pela televisão e acompanhado pela
internet e jornais, achei tudo muito bem organizado. A segunda edição do
torneio teve ainda mais times, mostrando que a ideia deu certo. Este ano
resolvi ver de perto o por que do interesse dos norte-americanos pelo “nosso
futebol”. Fiquei muito impressionado com a organização e a estrutura colocada à
disposição de times, torcedores e imprensa.
Mais que um
campeonato, a competição é uma plataforma ideal para os clubes participantes expandirem
suas marcas no exterior, enquanto treinam no que chamam de pré-temporada. E
encontram todas as condições para se prepararem para os vários campeonatos que
disputarão ao longo do ano. E o Atlético Mineiro – que participa pela primeira
vez – conquistou a taça deste ano. A fórmula da disputa ainda é um pouco
estranha para nós. A Florida Cup pode ser decidida por pontos corridos ou
através de um formato de playoff com final, variando cada ano de acordo com a
agenda das ligas internacionais. Este ano, o Galo teve o maior número de pontos
depois de dois jogos disputados. O primeiro critério de desempate, caso fosse necessário,
seria o saldo de gols, seguido de gols marcados.
Além do galo
também participaram do Florida Cup 2016 os brasileiros Corinthians, Fluminense
e Internacional; Schalke 04 e Bayer Leverkusen (Alemanha); Shakhtar Donetsk
(Ucrânia); Independiente Santa Fé (Colômbia); e Fort Lauderdale Strikers (EUA).
O jogo em que o
Atlético-MG foi campeão contra o rival Corinthians foi realizado em um estádio
de uma universidade da linda cidade de Boca Raton. Estádio com capacidade para
29,4 mil pessoas e muito melhor que os de vários times que disputam o
Brasileirão da Série A. Do Paulistão então é covardia comparar. Outro estádio,
em Fort Lauderdale, o Lockhart Stadium, tem capacidade para 20,4 mil. E tal
como essa arena há muitas outras espalhadas por todo os EUA.
Por que estou
falando isso? Porque vislumbro a força do futebol dos EUA em futuro próximo.
Eles não estão para brincadeira. Muito mais discretos que os chineses, os
norte-americanos investem na base, na infraestrutura e no marketing. Contratam
bons jogadores, mas de forma pontual. É o caso de Kaká, astro do Orlando City,
time que já agrega muitos fãs. Aqui na terra do Tio San os torcedores são
consumidores ávidos por produtos ligados aos esportes como o futebol americano,
baseball, hóquei, basquete e muitos outros. E por que não o futebol?
Diferentemente
do Brasil, aqui os times têm donos. É o caso do Fort Lauderdale Strikers que
tem como um dos sócios o Ronaldo Fenômeno. É muito comum um time ser
comercializado e trocar de mãos. Quem compra almeja lucrar e para alcançar esse
objetivo tem que investir para que os resultados surjam.
São realidades
muito distantes do abatido futebol brasileiro que ainda está nas mãos de velhos
e ultrapassados dirigentes e de federações sempre envolvidas em casos de
corrupção. E os clubes assistem a tudo pacificamente. Tomara que esses dias nos
EUA tenham contribuído para ajudar os dirigentes dos quatro clubes brasileiros
a vislumbrarem um futuro diferente. E melhor, tal como o que os EUA estão
buscando com seriedade e competência.
Tite
tenta refazer o Corinthians durante a pré-temporada e
disputa do Florida Cup
(Foto: Divulgação/Ag.Corinthians)


Nenhum comentário:
Postar um comentário