segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Futebol nos EUA é levado a sério e com competência

Publicado em 20.01.2016

Por Roberto Maia

 O ambiente agradável ajudou e os torcedores do Corinthians e do 
Atlético-MG dividiram o mesmo espaço sem brigas (Foto: Roberto Maia)

ORLANDO (EUA) – Ano passado acompanhei com interesse a primeira edição do torneio internacional Florida Cup, realizado no ensolarado estado dos Estados Unidos. Vendo os jogos pela televisão e acompanhado pela internet e jornais, achei tudo muito bem organizado. A segunda edição do torneio teve ainda mais times, mostrando que a ideia deu certo. Este ano resolvi ver de perto o por que do interesse dos norte-americanos pelo “nosso futebol”. Fiquei muito impressionado com a organização e a estrutura colocada à disposição de times, torcedores e imprensa.

    Mais que um campeonato, a competição é uma plataforma ideal para os clubes participantes expandirem suas marcas no exterior, enquanto treinam no que chamam de pré-temporada. E encontram todas as condições para se prepararem para os vários campeonatos que disputarão ao longo do ano. E o Atlético Mineiro – que participa pela primeira vez – conquistou a taça deste ano. A fórmula da disputa ainda é um pouco estranha para nós. A Florida Cup pode ser decidida por pontos corridos ou através de um formato de playoff com final, variando cada ano de acordo com a agenda das ligas internacionais. Este ano, o Galo teve o maior número de pontos depois de dois jogos disputados. O primeiro critério de desempate, caso fosse necessário, seria o saldo de gols, seguido de gols marcados.

    Além do galo também participaram do Florida Cup 2016 os brasileiros Corinthians, Fluminense e Internacional; Schalke 04 e Bayer Leverkusen (Alemanha); Shakhtar Donetsk (Ucrânia); Independiente Santa Fé (Colômbia); e Fort Lauderdale Strikers (EUA).
O jogo em que o Atlético-MG foi campeão contra o rival Corinthians foi realizado em um estádio de uma universidade da linda cidade de Boca Raton. Estádio com capacidade para 29,4 mil pessoas e muito melhor que os de vários times que disputam o Brasileirão da Série A. Do Paulistão então é covardia comparar. Outro estádio, em Fort Lauderdale, o Lockhart Stadium, tem capacidade para 20,4 mil. E tal como essa arena há muitas outras espalhadas por todo os EUA.

    Por que estou falando isso? Porque vislumbro a força do futebol dos EUA em futuro próximo. Eles não estão para brincadeira. Muito mais discretos que os chineses, os norte-americanos investem na base, na infraestrutura e no marketing. Contratam bons jogadores, mas de forma pontual. É o caso de Kaká, astro do Orlando City, time que já agrega muitos fãs. Aqui na terra do Tio San os torcedores são consumidores ávidos por produtos ligados aos esportes como o futebol americano, baseball, hóquei, basquete e muitos outros. E por que não o futebol?

    Diferentemente do Brasil, aqui os times têm donos. É o caso do Fort Lauderdale Strikers que tem como um dos sócios o Ronaldo Fenômeno. É muito comum um time ser comercializado e trocar de mãos. Quem compra almeja lucrar e para alcançar esse objetivo tem que investir para que os resultados surjam.

    São realidades muito distantes do abatido futebol brasileiro que ainda está nas mãos de velhos e ultrapassados dirigentes e de federações sempre envolvidas em casos de corrupção. E os clubes assistem a tudo pacificamente. Tomara que esses dias nos EUA tenham contribuído para ajudar os dirigentes dos quatro clubes brasileiros a vislumbrarem um futuro diferente. E melhor, tal como o que os EUA estão buscando com seriedade e competência.
 Tite tenta refazer o Corinthians durante a pré-temporada 
disputa do Florida Cup (Foto: Divulgação/Ag.Corinthians)

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