Publicado em 04.02.2016
Por
Roberto Maia
O Palmeiras manteve a base e até se reforçou e é um dos favoritos à
conquista do Paulistão (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)
Teve um tempo
em que os campeonatos estaduais eram muito mais importantes que o torneio
nacional. Em São Paulo, a média de público por partida era alta e os clássicos
tinham sempre casa cheia. E quando digo casa cheia estou me referindo a jogos
com 50, 60, 80 e até 100 mil pessoas. E o nível técnico era elevadíssimo.
Chamado no passado de celeiro de craques, o interior paulista revelava
jogadores em profusão. Grandes nomes do futebol brasileiro saíram das divisões
de base do Guarani, Ponte Preta, Comercial, América, etc.
Atualmente,
o Paulistão (ou Paulistinha?) não é nem sombra do que já foi no passado. Ouso
dizer que chega até a atrapalhar a preparação dos grandes clubes que se
preocupam mais com a Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Os antes
fortes times do interior hoje são apenas usados para a preparação de
Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos para as competições maiores.
Enfraquecidos e nas mãos de empresários, esses times estão morrendo aos poucos
em uma dolorosa agonia que esse ano ganha contornos ainda maiores. É que o
regulamento prevê a queda de seis clubes para a Série A-2 enquanto apenas dois
subirão. O Paulistão de 2017 será composto por 16 equipes.
A
redução atende reivindicação dos grandes de São Paulo, mas principalmente para
atender os interesses da televisão. O fato é que o torneio não agrega mais nada
para os clubes do interior. Nem mesmo a propalada “sobrevivência financeira”
pode ser considerada. A cota da TV é baixa para os “pequenos” (R$ 2,5 milhões
cada um) e as rendas são irrisórias – a média em 2015 foi de 4,9 mil pagantes
por jogo. Já os grandes são beneficiados com cotas de televisão em torno de R$
12 milhões. Isso explica porque o trio de ferro paulistano mais o Santos não se
interessam em criar uma liga ou mesmo participar da Minas-Rio-Sul recém
surgida.
Na
competição deste ano, Palmeiras e Santos saem na frente nos prognósticos por
terem mantido as bases do ano passado. O Verdão, inclusive, se reforçou ainda
mais. São Paulo e Corinthians perderam jogadores importantes e tentam se
remontar e confiam na competência dos seus treinadores – Edgardo Bauza e Tite –
para brigarem pelo título e não decepcionarem seus torcedores.
Neymar – Muitas vezes criticamos a ação dos
empresários sobre as carreiras dos jogadores. Normalmente interessados apenas
nos lucros, nem sempre pensam no que é melhor para a carreira dos seus agenciados.
E o que dizer então de Neymar? O craque brasileiro do Barcelona tem sua
carreira administrada pelo próprio pai, o que, imagina-se, seja o melhor para
ele. Pode até ser, mas o jovem tem que dividir a atenção dos jogos com as
audiências nos tribunais e acusações de sonegação fiscal. Tudo por causa da
transferência milionária do Santos ao time catalão em 2013. O valor anunciado
da negociação pulou de 17,1 milhões de euros para algo em torno de 90 milhões
de euros, segundo a denúncia de um sócio do Barça. Em campo, Neymar dá sinais
que está sentindo a pressão. Na goleada de 7 a 0 sobre o Valência ele passou em
branco e até perdeu um pênalti, o quarto nas últimas oito cobranças.
Neymar
dá sinais em campo que está sentindo a pressão das
acusações de sonegação
fiscal (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)


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