segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Paulistão ou Paulistinha?

Publicado em 04.02.2016

Por Roberto Maia

 O Palmeiras manteve a base e até se reforçou e é um dos favoritos à
 conquista do Paulistão (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)

Teve um tempo em que os campeonatos estaduais eram muito mais importantes que o torneio nacional. Em São Paulo, a média de público por partida era alta e os clássicos tinham sempre casa cheia. E quando digo casa cheia estou me referindo a jogos com 50, 60, 80 e até 100 mil pessoas. E o nível técnico era elevadíssimo. Chamado no passado de celeiro de craques, o interior paulista revelava jogadores em profusão. Grandes nomes do futebol brasileiro saíram das divisões de base do Guarani, Ponte Preta, Comercial, América, etc.

    Atualmente, o Paulistão (ou Paulistinha?) não é nem sombra do que já foi no passado. Ouso dizer que chega até a atrapalhar a preparação dos grandes clubes que se preocupam mais com a Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Os antes fortes times do interior hoje são apenas usados para a preparação de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos para as competições maiores. Enfraquecidos e nas mãos de empresários, esses times estão morrendo aos poucos em uma dolorosa agonia que esse ano ganha contornos ainda maiores. É que o regulamento prevê a queda de seis clubes para a Série A-2 enquanto apenas dois subirão. O Paulistão de 2017 será composto por 16 equipes.

    A redução atende reivindicação dos grandes de São Paulo, mas principalmente para atender os interesses da televisão. O fato é que o torneio não agrega mais nada para os clubes do interior. Nem mesmo a propalada “sobrevivência financeira” pode ser considerada. A cota da TV é baixa para os “pequenos” (R$ 2,5 milhões cada um) e as rendas são irrisórias – a média em 2015 foi de 4,9 mil pagantes por jogo. Já os grandes são beneficiados com cotas de televisão em torno de R$ 12 milhões. Isso explica porque o trio de ferro paulistano mais o Santos não se interessam em criar uma liga ou mesmo participar da Minas-Rio-Sul recém surgida.

    Na competição deste ano, Palmeiras e Santos saem na frente nos prognósticos por terem mantido as bases do ano passado. O Verdão, inclusive, se reforçou ainda mais. São Paulo e Corinthians perderam jogadores importantes e tentam se remontar e confiam na competência dos seus treinadores – Edgardo Bauza e Tite – para brigarem pelo título e não decepcionarem seus torcedores.

Neymar – Muitas vezes criticamos a ação dos empresários sobre as carreiras dos jogadores. Normalmente interessados apenas nos lucros, nem sempre pensam no que é melhor para a carreira dos seus agenciados. E o que dizer então de Neymar? O craque brasileiro do Barcelona tem sua carreira administrada pelo próprio pai, o que, imagina-se, seja o melhor para ele. Pode até ser, mas o jovem tem que dividir a atenção dos jogos com as audiências nos tribunais e acusações de sonegação fiscal. Tudo por causa da transferência milionária do Santos ao time catalão em 2013. O valor anunciado da negociação pulou de 17,1 milhões de euros para algo em torno de 90 milhões de euros, segundo a denúncia de um sócio do Barça. Em campo, Neymar dá sinais que está sentindo a pressão. Na goleada de 7 a 0 sobre o Valência ele passou em branco e até perdeu um pênalti, o quarto nas últimas oito cobranças.

  Neymar dá sinais em campo que está sentindo a pressão das 
acusações de sonegação fiscal (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

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