sexta-feira, 6 de maio de 2016

Alemanha dá aula de competência no futebol

Publicado em 14 de abril de 2016
Por Roberto Maia
O Bayern Munique manda seus jogos no Allianz Arena, estádio 
construído para a Copa 2006 com capacidade para 
71,1 mil espectadores (Foto: Markus Dlouhy/divulgação)

Estou há uma semana na Alemanha e a cada cidade que visito entendo porque a seleção alemã é a atual campeã mundial e que o humilhante 7 a 1 não foi por acaso. O país é extremamente organizado e nos destinos que conheci, as arenas estão em perfeito estado e com atividades que vão além do futebol.

   Comecei o meu tour pela Baviera, estado famoso pela cerveja e também do atual campeão da Bundesliga, o poderoso Bayern Munique. Por todas as partes há referências ao time comandado por Pepe Guardiola. Clube mais famoso da Alemanha e com a maior torcida, já conquistou 25 títulos do Campeonato Alemão e 17 da Copa da Alemanha. Em disputas internacionais venceu cinco taças da Liga dos Campeões da Europa, uma da UEFA, uma Recopa Europeia e uma Supercopa Europeia, além de duas Taças Intercontinentais e um Campeonato Mundial de Clubes da FIFA.

    A torcida do Bayern não é tão grande como a dos nossos principais clubes brasileiros, porém contabiliza cerca de 285 mil membros associados, o que, entre outros recursos, o torna o quarto clube mais rico do mundo e com valor estimado em 367 milhões de euros. Algo impensável no nosso futebol tupiniquim.

    Mas o apoio dos torcedores não é privilégio dos fãs do time bávaro. Em toda a Alemanha os estádios recebem grandes públicos nos jogos da Bundesliga. Na temporada 2014/15 mais uma vez o campeonato alemão obteve a maior média de público da Europa com 43,5 mil torcedores por jogo. A comparação com o Campeonato Brasileiro é até uma covardia. Em 2015, a média foi de 17 mil torcedores por jogo, sendo que Corinthians e Flamengo contribuíram muito para esse número. Os times mais populares do país tiveram público médio de 34,1 mil e 30,9 mil torcedores respectivamente. 

    Porém, apesar do poderio do Bayern Munique, o time que leva mais torcedores aos jogos é o Borussia Dortmund com média impressionante de 80,4 mil torcedores por jogo. Sim é isso mesmo, não foi um erro de digitação. Com 100% de ocupação em todos os jogos, o Borussia tem a maior média de público do mundo. Com números menores, mas maiores do que a realidade do futebol brasileiro em relação ao alemão estão o Bayern Munique (72,9 mil), Schalke 04 (61,5 mil), Hamburgo (53,2 mil), Stuttgart (50,7 mil), Borussia Moenchengladbach (50,6 mil), Hertha Berlim (50,2 mil), Colônia (48,3 mil), Eintracht Frankfurt (47,6 mil), Hannover (47,6 mil) e Werder Bremen (40,8 mil).

    O segredo? Nada de excepcional. Apenas muita organização, clubes sem dívidas e com caixa para manter elencos de primeira linha. Nos estádios o atendimento aos torcedores é total e os serviços e produtos são de primeira. Tudo isso aliado a ingressos com preços acessíveis e vendidos antecipadamente. Quem optar em comprar no dia do jogo pagará bem mais caro, isso se ainda tiver ingressos disponíveis. Ou seja, o torcedor não é explorado e é visto como um importante parceiro para as finanças dos clubes. A fidelização assegura a presença dos torcedores nos jogos e, consequentemente, uma receita adicional dentro das arenas vinda da venda de comida, bebida e produtos com a marca dos clubes. Eis a fórmula para obter lucro certo e garantido.

    Como estou observando por aqui, a Alemanha trata o futebol com muita seriedade e profissionalismo. Um jogo de futebol não é apenas um jogo de futebol. É um espetáculo de entretenimento organizado por empresas competentes e estruturadas, no caso os clubes. Enquanto isso, no Brasil, estamos caminhando para trás. Clubes cada vez mais pobres e endividados, sem nenhuma gestão profissional e sob o cabresto de entidades (federações estaduais e CBF) envolvidas em escândalos de corrupção.


    Olhando tudo isso acho até que os 7 a 1 ficou barato!

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