Publicado em 14 de abril de 2016
Por Roberto Maia
O
Bayern Munique manda seus jogos no Allianz Arena, estádio
construído para a
Copa 2006 com capacidade para
71,1 mil espectadores (Foto: Markus
Dlouhy/divulgação)
Estou há uma semana na Alemanha e a cada cidade que
visito entendo porque a seleção alemã é a atual campeã mundial e que o
humilhante 7 a 1 não foi por acaso. O país é extremamente organizado e nos
destinos que conheci, as arenas estão em perfeito estado e com atividades que
vão além do futebol.
Comecei o meu tour pela Baviera, estado famoso pela
cerveja e também do atual campeão da Bundesliga, o poderoso Bayern Munique. Por
todas as partes há referências ao time comandado por Pepe Guardiola. Clube mais
famoso da Alemanha e com a maior torcida, já conquistou 25 títulos do
Campeonato Alemão e 17 da Copa da Alemanha. Em disputas internacionais venceu
cinco taças da Liga dos Campeões da Europa, uma da UEFA, uma Recopa Europeia e uma
Supercopa Europeia, além de duas Taças Intercontinentais e um Campeonato Mundial
de Clubes da FIFA.
A torcida do Bayern não é tão grande como a dos
nossos principais clubes brasileiros, porém contabiliza cerca de 285 mil
membros associados, o que, entre outros recursos, o torna o quarto clube mais
rico do mundo e com valor estimado em 367 milhões de euros. Algo impensável no
nosso futebol tupiniquim.
Mas o apoio dos torcedores não é privilégio dos fãs
do time bávaro. Em toda a Alemanha os estádios recebem grandes públicos nos
jogos da Bundesliga. Na temporada 2014/15 mais uma vez o campeonato alemão
obteve a maior média de público da Europa com 43,5 mil torcedores por jogo. A
comparação com o Campeonato Brasileiro é até uma covardia. Em 2015, a média foi
de 17 mil torcedores por jogo, sendo que Corinthians e Flamengo contribuíram
muito para esse número. Os times mais populares do país tiveram público médio
de 34,1 mil e 30,9 mil torcedores respectivamente.
Porém, apesar do poderio do Bayern Munique, o time
que leva mais torcedores aos jogos é o Borussia Dortmund com média impressionante
de 80,4 mil torcedores por jogo. Sim é isso mesmo, não foi um erro de
digitação. Com 100% de ocupação em todos os jogos, o Borussia tem a maior média
de público do mundo. Com números menores, mas maiores do que a realidade do
futebol brasileiro em relação ao alemão estão o Bayern Munique (72,9 mil), Schalke
04 (61,5 mil), Hamburgo (53,2 mil), Stuttgart (50,7 mil), Borussia
Moenchengladbach (50,6 mil), Hertha Berlim (50,2 mil), Colônia (48,3 mil), Eintracht
Frankfurt (47,6 mil), Hannover (47,6 mil) e Werder Bremen (40,8 mil).
O segredo? Nada de excepcional. Apenas muita
organização, clubes sem dívidas e com caixa para manter elencos de primeira
linha. Nos estádios o atendimento aos torcedores é total e os serviços e
produtos são de primeira. Tudo isso aliado a ingressos com preços acessíveis e
vendidos antecipadamente. Quem optar em comprar no dia do jogo pagará bem mais
caro, isso se ainda tiver ingressos disponíveis. Ou seja, o torcedor não é
explorado e é visto como um importante parceiro para as finanças dos clubes. A
fidelização assegura a presença dos torcedores nos jogos e, consequentemente, uma
receita adicional dentro das arenas vinda da venda de comida, bebida e produtos
com a marca dos clubes. Eis a fórmula para obter lucro certo e garantido.
Como estou observando por aqui, a Alemanha trata o
futebol com muita seriedade e profissionalismo. Um jogo de futebol não é apenas
um jogo de futebol. É um espetáculo de entretenimento organizado por empresas
competentes e estruturadas, no caso os clubes. Enquanto isso, no Brasil,
estamos caminhando para trás. Clubes cada vez mais pobres e endividados, sem
nenhuma gestão profissional e sob o cabresto de entidades (federações estaduais
e CBF) envolvidas em escândalos de corrupção.
Olhando tudo isso acho até que os 7 a 1 ficou
barato!

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