sexta-feira, 6 de maio de 2016

Legado ou vergonha olímpica?

Publicado em 28 de abril de 2016
Por Roberto Maia
Vai começar o show, a chama olímpica já está a caminho do Rio 
(Foto: Roberto Castro/Brasil 2016)  

Faltam menos de 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e os únicos que demonstram otimismo são o prefeito Eduardo Paes e o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Nuzman. As trapalhadas verificadas na organização da Copa 2014 estão acontecendo em âmbito regional na Cidade Maravilhosa. A frase “O Brasil não é um país sério”, popularmente atribuída a Charles de Gaulle, nunca foi tão atual – e verdadeira.

   Tal como aconteceu na Copa, as obras no Rio estão inacabadas, atrasadas e muitas programadas inicialmente nem serão entregues. O Engenhão, construído para o Pan-Americano de 2007, passa por reformas e não tem prazo definido para ficar pronto. A Linha 4 do metrô está longe de ficar pronta e pode nem circular antes do início dos Jogos Olímpicos. O estádio Aquático Olímpico, já inaugurado, teve a disputa do Troféu Maria Lenk realizada em meio a obras. O velódromo então é uma vergonha aos cariocas. Situado no Parque Olímpico da Barra, a obra que deveria ter sido entregue no ano passado já atingiu R$ 143 milhões e está com 85% de conclusão. Se ficar pronto a tempo será utilizado sem nenhum evento-teste. Aí é que mora o perigo!

   Não bastassem os atrasos, o Brasil é novamente alvo – e com razão – da imprensa internacional que está colocando em dúvida a qualidade e segurança das obras, além de ressaltar sempre a poluição da Baía de Guanabara que receberá as competições de vela. A limpeza desse cartão postal da cidade seria um dos melhores legados da realização da Olimpíada no Rio de Janeiro. Infelizmente, isso não irá acontecer. Para a realização dos eventos-testes, “ecobarcos” recolheram quase 30 toneladas de lixo. O que acontecerá será apenas uma operação de limpeza nas raias de competição, através de um plano de contenção do lixo flutuante. Que pena!

   Para ajudar a afundar ainda mais a imagem do país mundo afora, a queda do trecho da ciclovia na Avenida Niemeyer, que matou duas pessoas, reforça as dúvidas sobre a qualidade das obras no Rio – e no Brasil. Não basta nossa reputação achincalhada por causa do show de horrores protagonizado pelos políticos brasileiros envolvidos em escândalos de corrupção, agora mais essa.
Mas, independentemente de tudo isso, o fato é que a chama olímpica acesa no Templo de Hera, em Olimpíada (Grécia), já está a caminho do Brasil. E, quando chegar em território nacional, no dia 3 dia maio, em Brasília, preparem-se, porque políticos, artistas e candidatos à fama travarão uma disputa verdadeiramente olímpica para chegar perto da tocha e do tal fogo sagrado. E como eu acredito na nossa capacidade de fazer trapalhadas, não duvidem se alguém não conseguir apagar a chama durante uma selfie. Será uma vergonha olímpica! 


Paulistão – Semana passada alertei aqui que o Corinthians corria risco no jogo contra o atrevido Grêmio Osasco Audax. O time treinado por Fernando Diniz demonstrou muito sangue frio ao enfrentar o Timão na arena lotada de corinthianos. Principalmente na hora das cobranças dos pênaltis. Realmente trata-se de um conjunto muito bem treinado. O Santos de Dorival Junior terá muito trabalho na decisão que começa neste domingo. Acredito que o fato de serem dois jogos beneficia o Peixe, porém eu não apostaria meu dinheiro em mais um título santista. O que tenho certeza é que serão dois ótimos jogos e com muitas emoções. Tomara o Audax não seja mais uma bolha como tantas outras que já vimos. São Caetano e Barueri comprovam o que estou dizendo.

Trecho da ciclovia na Avenida Niemeyer, que matou duas 
pessoas, reforça as dúvidas sobre a qualidade das obras 
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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