Publicado em 7 de abril de 2016
Por Roberto Maia
O
Inglaterra reprimiu e puniu os hooligans que causavam
muitos prejuízos e mortes
por onde passavam
O secretário da Segurança Pública do Estado de São
Paulo, Alexandre de Moraes, determinou no início dessa semana que até o próximo
dia 31 de dezembro, os clássicos de SP terão torcida única. Será que ele
realmente pensa e acredita que a violência entre torcidas organizadas terá um
fim com tal medida? Ou apenas está enviando uma mensagem à sociedade, que já
está cansada de conviver com esses conflitos, de que o governo está agindo com
rigor. É questionável. Até porque ele certamente não imagina como funcionam e
agem as torcidas. Não sabe nem as coisas boas que elas praticam e tão pouco as
maldades que são capazes de praticar.
A decisão veio após a série de confusões ocorridas na
capital paulista e na Grande São Paulo, no domingo passado, envolvendo
torcedores do Corinthians e do Palmeiras. Além dos muitos danos materiais e
dezenas de feridos, um senhor, que estava no lugar errado na hora errada,
acabou morto por tiro. A polícia até que fez a parte que lhe cabe e prendeu
cerca de 30 torcedores envolvidos nas confusões, além de apreender barras de
ferro e pedaços de madeira usados nas brigas. No final da noite todos voltaram
para suas casas. Ninguém ficou detido.
O secretário também determinou que as torcidas
organizadas não poderão mais utilizar nenhum símbolo ou adereço que as
identifiquem nos dias de jogos. Isso quer dizer que não poderão mais levar
faixas, bandeiras, camisas e instrumentos musicais aos estádios. A violência
cessará por causa dessa inteligente medida? E se não acabar – e acredito que
não acabará e poderá até aumentar – o policiamento não terá como identificar os
brigões. Eles continuarão frequentando os estádios isso é certo. Até os que
estão proibidos de entrar nas praças esportivas frequentemente postam selfies
nas redes sociais assistindo aos jogos tranquilamente, como a mandar um recado
para as autoridades impotentes – e incompetentes.
De 2012 até agora já morreram cerca de uma centena
de torcedores em brigas entre torcidas. E a perspectiva é que o número
continuará crescendo porque não as medidas adotadas são paliativas e não
resolvem. O que estamos assistindo nos últimos anos a Europa – e principalmente
a Inglaterra – viveu há mais de 30 anos atrás. A violência praticada pelos
hooligans – nome dado aos torcedores violentos – causou muitos prejuízos e
mortes. Até que medidas eficazes e definitivas foram tomadas após a morte de 39
torcedores da Juventus, da Itália, em conflito com os fanáticos do Liverpool em
jogo da Copa dos Campeões, em Bruxelas, na Bélgica. Durante cinco anos os times
ingleses ficaram proibidos de participar de competições europeias.
A “Batalha de Heysel” como ficou conhecida foi um
marco. Os hooligans foram reprimidos e os que se envolviam em brigas eram
presos e condenados com rigor. Nos estádios eles eram isolados em locais com grades
eletrificadas e com arame farpado em cima. A mudança de comportamento passou
pela construção de novos estádios e ampla reforma de outros. Os assentos
individuais e numerados surgiram nessa época. Claro que apenas isso não
bastava. Uma política de prevenção foi implementada. Os baderneiros passaram a
ser identificados e monitorados. A Inteligência policial passou a ser a
principal arma. Pouco depois, Alemanha e Espanha também seguiram o exemplo
inglês. Hoje, não por coincidência, esses países realizam os campeonatos mais
rentáveis do planeta.
As
medidas para acabar com a violências tiveram
início há mais de 30 anos e a
inteligência policial
foi a principal arma (Fotos: reprodução/flashbak.com)


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