sexta-feira, 6 de maio de 2016

Chega de enxugar gelo! Por que não seguir o exemplo da Europa?

Publicado em 7 de abril de 2016
Por Roberto Maia
O Inglaterra reprimiu e puniu os hooligans que causavam 
muitos prejuízos e mortes por onde passavam

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, determinou no início dessa semana que até o próximo dia 31 de dezembro, os clássicos de SP terão torcida única. Será que ele realmente pensa e acredita que a violência entre torcidas organizadas terá um fim com tal medida? Ou apenas está enviando uma mensagem à sociedade, que já está cansada de conviver com esses conflitos, de que o governo está agindo com rigor. É questionável. Até porque ele certamente não imagina como funcionam e agem as torcidas. Não sabe nem as coisas boas que elas praticam e tão pouco as maldades que são capazes de praticar.

    A decisão veio após a série de confusões ocorridas na capital paulista e na Grande São Paulo, no domingo passado, envolvendo torcedores do Corinthians e do Palmeiras. Além dos muitos danos materiais e dezenas de feridos, um senhor, que estava no lugar errado na hora errada, acabou morto por tiro. A polícia até que fez a parte que lhe cabe e prendeu cerca de 30 torcedores envolvidos nas confusões, além de apreender barras de ferro e pedaços de madeira usados nas brigas. No final da noite todos voltaram para suas casas. Ninguém ficou detido.

    O secretário também determinou que as torcidas organizadas não poderão mais utilizar nenhum símbolo ou adereço que as identifiquem nos dias de jogos. Isso quer dizer que não poderão mais levar faixas, bandeiras, camisas e instrumentos musicais aos estádios. A violência cessará por causa dessa inteligente medida? E se não acabar – e acredito que não acabará e poderá até aumentar – o policiamento não terá como identificar os brigões. Eles continuarão frequentando os estádios isso é certo. Até os que estão proibidos de entrar nas praças esportivas frequentemente postam selfies nas redes sociais assistindo aos jogos tranquilamente, como a mandar um recado para as autoridades impotentes – e incompetentes.

    De 2012 até agora já morreram cerca de uma centena de torcedores em brigas entre torcidas. E a perspectiva é que o número continuará crescendo porque não as medidas adotadas são paliativas e não resolvem. O que estamos assistindo nos últimos anos a Europa – e principalmente a Inglaterra – viveu há mais de 30 anos atrás. A violência praticada pelos hooligans – nome dado aos torcedores violentos – causou muitos prejuízos e mortes. Até que medidas eficazes e definitivas foram tomadas após a morte de 39 torcedores da Juventus, da Itália, em conflito com os fanáticos do Liverpool em jogo da Copa dos Campeões, em Bruxelas, na Bélgica. Durante cinco anos os times ingleses ficaram proibidos de participar de competições europeias.


    A “Batalha de Heysel” como ficou conhecida foi um marco. Os hooligans foram reprimidos e os que se envolviam em brigas eram presos e condenados com rigor. Nos estádios eles eram isolados em locais com grades eletrificadas e com arame farpado em cima. A mudança de comportamento passou pela construção de novos estádios e ampla reforma de outros. Os assentos individuais e numerados surgiram nessa época. Claro que apenas isso não bastava. Uma política de prevenção foi implementada. Os baderneiros passaram a ser identificados e monitorados. A Inteligência policial passou a ser a principal arma. Pouco depois, Alemanha e Espanha também seguiram o exemplo inglês. Hoje, não por coincidência, esses países realizam os campeonatos mais rentáveis do planeta.

As medidas para acabar com a violências tiveram 
início há mais de 30 anos e a inteligência policial 
foi a principal arma (Fotos: reprodução/flashbak.com)

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