POR
ROBERTO MAIA
Torcedores
da Chape homenagearam os colombianos no jogo com
o
Atlético Nacional (Foto: Sirli Freitas/Chapecoense/Divulgação)
Fato marcante nessa semana foi o jogo entre
Chapecoense e Atlético Nacional da Colômbia, na Arena Condá, em Chapecó (SC).
Antes do início da partida válida pela Recopa Sul-Americana foram realizadas
uma série de homenagens e demonstrações de gratidão ao time colombiano, que
abriu mão de disputar o título da Copa Sul-Americana após o trágico acidente
aéreo com a equipe catarinense que vitimou 71 pessoas há pouco mais de quatro
meses. A Chapecoense ficou com o título e a atitude do Atlético Nacional foi
algo fora do comum no futebol mundial.
O jogo foi realizado na Arena Condá após um pedido do
clube colombiano. As regras da Conmebol impedem a disputa de um jogo decisivo em
um estádio com capacidade menor de 40 mil torcedores.
Antes da bola rolar, torcedores da Chapecoense realizaram
caminhada do centro da cidade até a arena, que foi abraçada. Houve discursos dos
dirigentes dos dois times e homenagens aos colombianos. Quatro dos seis
sobreviventes do acidente – o jornalista Rafael Henzel e os jogadores Alan
Ruschel, Jackson Follmann e Neto - entraram de mãos dadas e fizeram discursos
de agradecimento. Bandeiras gigantes dos dois times foram abertas no gramado.
Rafael
Henzel, Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto,
sobreviventes da tragédia,
fizeram discursos de agradecimento
(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense/Divulgação)
No jogo, a Chapecoense venceu o Atlético Nacional por
2 a 1. Certamente os torcedores de Chapecó serão acolhidos com o mesmo carinho
na partida da volta, dia 10 de maio, no estádio Atanásio Girardot, em Medellín.
Um exemplo que deveria atingir os corações e as mentes dos torcedores de todo o
mundo. Só que não!
Dois dias depois do jogo da gratidão, em Chapecó, o
Corinthians recebeu o Universidad do Chile em sua arena em Itaquera em jogo
válido pela Copa Sul-Americana. E o que se viu foi um show de selvageria da
torcida chilena. Mesmo antes do jogo começar os violentos torcedores depredaram
a bilheteria do setor de visitantes, destruíram uma grade, uma tenda no acesso
à arquibancada, banheiros e mais de 200 cadeiras.
O Corinthians anunciou que irá cobrar a La U pelos danos
causados no estádio. Também deverá enviar um dossiê à Conmebol relatando os
fatos lamentáveis ocorridos.
Torcedores
da Universidad do Chile depredaram o setor de
visitantes da Arena Corinthians e
mais de 200 cadeiras
Mesmo isolados em um dos cantos da arena, os
chilenos arremessavam os pedaços das cadeiras quebradas em direção à torcida do
Corinthians e também aos policiais militares. Segundo a PM, a confusão teria
tido início quando os chilenos tiveram apreendidos alguns sinalizadores e
detido alguns torcedores. Em seguida, um grande grupo teria cercado os
policiais na tentativa de resgatar os presos. Nesse momento teve início o
confronto com a PM, que distribui cacetadas e tirou do local a maioria dos
torcedores, deixando apenas os que foram considerados mais tranquilos. O saldo
da confusão foi 26 torcedores chilenos presos e levados à delegacia na Ponte
Rasa, próxima à arena.
Agora fico imaginando o que se passa na cabeça do promotor
de justiça Paulo Castilho, autor da medida que impõe torcida única em São Paulo.
Irá ele pedir à Conmebol a imposição de torcida única também nos jogos entre
times da América do Sul? Claro que não, afinal essa é uma atitude que não está
dentro das suas competências. Torcida única apenas mascara e empurra para longe
dos estádios a violência dos torcedores.
E, diferentemente dos torcedores da Chapecoense que
serão bem recebidos em Medellín, os corinthianos provavelmente serão recepcionados
com violência em Santiago no jogo de volta, em maio. E, pior, podem querer
“devolver” a depredação da sua arena com novas cenas lamentáveis para o
futebol. E o ciclo vicioso continuará. Até quando?



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