sábado, 29 de abril de 2017

Rodrigo Caio dá exemplo de caráter e honestidade ao Brasil

POR ROBERTO MAIA

A malandragem impera no futebol e a honestidade de Rodrigo 
Caio chamou atenção (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Na história recente do Brasil a palavra ética foi relevada ao último plano. Apenas mais um substantivo feminino que define um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo ou de uma sociedade. A palavra vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao "bom costume", "costume superior" ou "portador de caráter". A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Mas não é de hoje que a regra dominante no País é a antiga “Lei de Gerson”, onde o importante é levar vantagem. E quanto mais melhor. A Lava Jato está aí mostrando a abrangência dessa triste constatação.

Pelo título deste artigo você já entendeu porque estou falando de ética nesse espaço dedicado ao futebol. Rodrigo Caio, o jovem zagueiro do São Paulo deu a toda a sociedade brasileira um exemplo gigantesco de que nem tudo está perdido e que é sim possível sonharmos com dias melhores.

No campo esportivo o que o atleta fez é chamado de fair play – jogo limpo em livre tradução. O que deveria ser a regra é na verdade uma exceção no futebol. Infelizmente. Caso ele tivesse agido como a maioria dos seus companheiros de profissão, ninguém estaria comentando o lance acontecido durante o primeiro jogo da semifinal do Campeonato Paulista, vencido pelo Corinthians no dia 16, no estádio do Morumbi. 

Maicon não concordou com fair play que deu condições 
para Jô jogar o clássico (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

Na jogada, o atacante corinthiano Jô disputou uma bola com o zagueiro e o goleiro Renan Ribeiro do Tricolor, que acabou recebendo um pisão do próprio companheiro. Entendendo que a falta teria sido cometida pelo centroavante alvinegro, o árbitro do jogo, Luiz Flávio de Oliveira, mostrou o cartão amarelo para Jô. E para surpresa de todos, Rodrigo Caio prontamente admitiu ser o responsável pelo lance. Na sequência, o juiz anulou o cartão dado ao avante corinthiano, que estava pendurado e estaria impedido de atuar no jogo da volta, no domingo seguinte na Arena Corinthians.

A atitude de Rodrigo Caio impressionou. Até porque estamos acostumados com a malandragem no futebol, onde o que importa é prejudicar o adversário e conseguir alguma vantagem. Mesmo que para isso seja necessário fingir, simular, mentir etc. Humilde e mostrando firmeza de caráter, o zagueiro disse que não fez nada demais, apenas o que deveria fazer. Fez muito, deu grande exemplo.

Mas se o gesto de honestidade foi exaltado pela imprensa e por torcedores do Brasil inteiro, o mesmo não aconteceu dentro do seu próprio ambiente de trabalho. Logo após o jogo o seu companheiro de zaga, Maicon, concedeu entrevista onde deixou claro que não aprovava a atitude de Rodrigo Caio, embora não o tenha recriminado. Na contramão do correto, afirmou que “prefere a mãe do adversário chorando do que a sua”.

Fontes ligadas ao Tricolor garantem que Rodrigo Caio foi alvo de cobranças no vestiário por companheiros e também pelo treinador Rogério Ceni. Em entrevista coletiva após o jogo, Ceni, de cara fechada, elogiou a atitude, mas não a exaltou. E ainda foi irônico ao afirmar que seu jogador fez “o que todos fazem”.

A torcida são-paulina também não apoiou a atitude de fair play e criticou muito o atleta nas mídias sociais. O São Paulo não conseguiu reverter o resultado, foi eliminado e Jô marcou novamente. A situação pode ficar ainda pior e comprometer a continuidade de Rodrigo Caio no Tricolor. O que seria lamentável.


O que tem que ficar claro é que o São Paulo foi eliminado não por culpa da atitude nobre de Rodrigo Caio e sim por deficiência técnica da equipe como um todo. Que a atitude do garoto seja sempre lembrada e seja exemplo a ser seguido para que tenhamos um futebol melhor. E um Brasil melhor por que não?

Nenhum comentário:

Postar um comentário