POR
ROBERTO MAIA
A malandragem impera no futebol e a honestidade de Rodrigo
Caio
chamou atenção (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
Na história recente do Brasil a palavra ética foi
relevada ao último plano. Apenas mais um substantivo feminino que define um conjunto
de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo ou de uma
sociedade. A palavra vem do grego ethos
e significa aquilo que pertence ao "bom costume", "costume
superior" ou "portador de caráter". A ética serve para que haja
um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia
prejudicado. Mas não é de hoje que a regra dominante no País é a antiga “Lei de
Gerson”, onde o importante é levar vantagem. E quanto mais melhor. A Lava Jato
está aí mostrando a abrangência dessa triste constatação.
Pelo título deste artigo você já entendeu porque
estou falando de ética nesse espaço dedicado ao futebol. Rodrigo Caio, o jovem
zagueiro do São Paulo deu a toda a sociedade brasileira um exemplo gigantesco
de que nem tudo está perdido e que é sim possível sonharmos com dias melhores.
No campo esportivo o que o atleta fez é chamado de fair play – jogo limpo em livre
tradução. O que deveria ser a regra é na verdade uma exceção no futebol.
Infelizmente. Caso ele tivesse agido como a maioria dos seus companheiros de
profissão, ninguém estaria comentando o lance acontecido durante o primeiro
jogo da semifinal do Campeonato Paulista, vencido pelo Corinthians no dia 16, no estádio do Morumbi.
Maicon não concordou com fair play que deu condições
para Jô jogar o
clássico (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)
Na jogada, o atacante corinthiano Jô disputou uma bola com o
zagueiro e o goleiro Renan Ribeiro do Tricolor, que acabou recebendo um pisão
do próprio companheiro. Entendendo que a falta teria sido cometida pelo
centroavante alvinegro, o árbitro do jogo, Luiz Flávio de Oliveira, mostrou o
cartão amarelo para Jô. E para surpresa de todos, Rodrigo Caio prontamente admitiu
ser o responsável pelo lance. Na sequência, o juiz anulou o cartão dado ao avante corinthiano,
que estava pendurado e estaria impedido de atuar no jogo da volta, no domingo seguinte na Arena Corinthians.
A atitude de Rodrigo Caio impressionou. Até porque
estamos acostumados com a malandragem no futebol, onde o que importa é
prejudicar o adversário e conseguir alguma vantagem. Mesmo que para isso seja
necessário fingir, simular, mentir etc. Humilde e mostrando firmeza de caráter,
o zagueiro disse que não fez nada demais, apenas o que deveria fazer. Fez
muito, deu grande exemplo.
Mas se o gesto de honestidade foi exaltado pela
imprensa e por torcedores do Brasil inteiro, o mesmo não aconteceu dentro do
seu próprio ambiente de trabalho. Logo após o jogo o seu companheiro de zaga,
Maicon, concedeu entrevista onde deixou claro que não aprovava a atitude de Rodrigo
Caio, embora não o tenha recriminado. Na contramão do correto, afirmou que
“prefere a mãe do adversário chorando do que a sua”.
Fontes ligadas ao Tricolor garantem que Rodrigo Caio
foi alvo de cobranças no vestiário por companheiros e também pelo treinador
Rogério Ceni. Em entrevista coletiva após o jogo, Ceni, de cara fechada,
elogiou a atitude, mas não a exaltou. E ainda foi irônico ao afirmar que seu
jogador fez “o que todos fazem”.
A torcida são-paulina também não apoiou a atitude de
fair play e criticou muito o atleta
nas mídias sociais. O São Paulo não conseguiu reverter o resultado, foi eliminado e Jô marcou novamente. A situação pode ficar ainda pior e comprometer a
continuidade de Rodrigo Caio no Tricolor. O que seria lamentável.
O que tem que ficar claro é que o São Paulo foi eliminado não por culpa da atitude nobre de Rodrigo Caio e sim por deficiência técnica da
equipe como um todo. Que a atitude do garoto seja sempre lembrada e seja
exemplo a ser seguido para que tenhamos um futebol melhor. E um Brasil melhor
por que não?


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