quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Brasil está na Copa da Rússia. Olê, olê, olê, Tite, Tite!

Por Roberto Maia

Mesmo em momentos de glória, Tite olha para o céu 
para agradecer (Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação)

Há exatamente um ano atrás usei esse espaço para falar do competente treinador Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. Na época, ele era o comandante do Corinthians e ainda saboreava o título do Brasileirão conquistado em dezembro de 2015. Naquele momento, Tite era quase uma entidade sagrada para os fanáticos corinthianos. Certo que também era admirado pelos demais torcedores, porém sem muita euforia.

Ao deixar o Corinthians para dirigir a Seleção Brasileira, levando boa parte da vitoriosa comissão técnica alvinegra, pensei que Tite passaria a ser visto como um traidor para a Fiel. Engano meu. Apesar do prejuízo que ele causou ao clube naquele momento, os torcedores sentiram-se orgulhosos de estar “emprestando” o seu treinador para salvar a Seleção. E até hoje reconhecem que ele foi o principal responsável pelas maiores conquistas da história do clube – Libertadores, Mundial de Clubes e Recopa.

E ele fez o que se esperava dele. Salvou a Seleção Brasileira que mergulhou no fundo do poço após a derrota para a Alemanha por 7 a 1 na Copa realizada no Brasil. E corria o risco de nem se classificar para o Mundial da Rússia em 2018. Isso sem falar que nenhuma outra seleção respeitava mais a nossa camisa canarinho que tanto assustava no passado. No comando do selecionado conquistou oito vitórias em oito jogos das eliminatórias da América do Sul. Um recorde. E faltando ainda vários jogos já estamos matematicamente classificados para a Copa do ano que vem.

Por tudo isso, Tite hoje é um herói nacional e idolatrado por onde passa aos gritos de olê, olê, olê, Tite, Tite! Quem poderia imaginar ver isso algum dia? Entre os treinadores da Seleção que eu vi, apenas Telê Santana se aproximou desse respeito, mas não obteve a mesma idolatria. Enquanto Telê foi o técnico em duas Copas (1982 e 1986), Tite ainda nem chegou à sua primeira. Sem dúvida um fenômeno!

Tite ganhou o reconhecimento da Fiel Torcida após conquista 
do Mundial de Clubes (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

O ex-treinador do Corinthians evoluiu muito após o ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma equipe e aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no mundo. Em 2015, voltou ao Timão para remontar o time após as saídas das principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e Emerson Sheik, entre outros – e levou a equipe à conquista do hexacampeonato brasileiro em uma campanha histórica com três rodadas de antecedência e 12 pontos de vantagem para o segundo colocado.

Incrível o que ele fez no comando do Corinthians. Mudou velhos e ultrapassados conceitos. Também mudou a forma do time jogar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida e a conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Exatamente o que está fazendo agora na Seleção. Além dos conhecimentos táticos e técnicos, Tite é acima de tudo um excelente gestor de pessoas. E não é fácil gerir jovens ídolos consagrados e milionários.

Mas a vida de Tite nunca foi fácil. O gaúcho de Caxias do Sul foi jogador profissional e começou a carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois, jogou no Esportivo de Bento Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986 a 1988). Com apenas 28 anos foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões nos joelhos, inclusive com ruptura de ligamento. Mas se o futebol perdeu um jogador mediano ganhou um treinador em condições de conquistar os títulos que não conseguiu dentro de campo.

Tite conseguiu o recorde de sete vitórias seguidas e classificou 
o Brasil para o Mundial de 2018 (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Treinador desde 1990, passou por uma série de times do Rio Grande do Sul até chegar a São Paulo para dirigir o São Caetano, em 2001. A maior visibilidade chamou a atenção do Corinthians, que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e tirou o time da zona da degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005, deixou o Timão ao se opor a Kia Joorabchian, diretor da MSI, que teria tentado interferir na sua maneira de comandar e escalar a equipe. Treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain (Emirados Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes) antes de retornar ao Timão. A partir daí todo mundo já sabe o que aconteceu. 

Por tudo isso, hoje Tite é ídolo nacional e reverenciado pelo que está fazendo e por sua trajetória vitoriosa e extremamente profissional.


Nenhum comentário:

Postar um comentário