Por
Roberto Maia
Mesmo
em momentos de glória, Tite olha para o céu
para agradecer (Foto:
Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação)
Há exatamente um ano
atrás usei esse espaço para falar do competente treinador Adenor
Leonardo Bacchi, o Tite. Na época, ele
era o comandante do Corinthians e ainda saboreava o título do Brasileirão
conquistado em dezembro de 2015. Naquele momento, Tite era quase uma entidade
sagrada para os fanáticos corinthianos. Certo que também era admirado pelos
demais torcedores, porém sem muita euforia.
Ao deixar o Corinthians
para dirigir a Seleção Brasileira, levando boa parte da vitoriosa comissão
técnica alvinegra, pensei que Tite passaria a ser visto como um traidor para a
Fiel. Engano meu. Apesar do prejuízo que ele causou ao clube naquele momento,
os torcedores sentiram-se orgulhosos de estar “emprestando” o seu treinador
para salvar a Seleção. E até hoje reconhecem que ele foi o principal
responsável pelas maiores conquistas da história do clube – Libertadores,
Mundial de Clubes e Recopa.
E ele fez o que se
esperava dele. Salvou a Seleção Brasileira que mergulhou no fundo do poço após
a derrota para a Alemanha por 7 a 1 na Copa realizada no Brasil. E corria o
risco de nem se classificar para o Mundial da Rússia em 2018. Isso sem falar
que nenhuma outra seleção respeitava mais a nossa camisa canarinho que tanto
assustava no passado. No comando do selecionado conquistou oito vitórias em
oito jogos das eliminatórias da América do Sul. Um recorde. E faltando ainda
vários jogos já estamos matematicamente classificados para a Copa do ano que
vem.
Por tudo isso, Tite hoje
é um herói nacional e idolatrado por onde passa aos gritos de olê, olê, olê,
Tite, Tite! Quem poderia imaginar ver isso algum dia? Entre os treinadores da
Seleção que eu vi, apenas Telê Santana se aproximou desse respeito, mas não
obteve a mesma idolatria. Enquanto Telê foi o técnico em duas Copas (1982 e
1986), Tite ainda nem chegou à sua primeira. Sem dúvida um fenômeno!
Tite ganhou o reconhecimento da Fiel Torcida após conquista
do
Mundial de Clubes (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)
O ex-treinador do
Corinthians evoluiu muito após o ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma
equipe e aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no
mundo. Em 2015, voltou ao Timão para remontar o time após as saídas das
principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e Emerson Sheik, entre outros –
e levou a equipe à conquista do hexacampeonato brasileiro em uma campanha
histórica com três rodadas de antecedência e 12 pontos de vantagem para o
segundo colocado.
Incrível o que ele fez no
comando do Corinthians. Mudou velhos e ultrapassados conceitos. Também mudou a
forma do time jogar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida
e a conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Exatamente o
que está fazendo agora na Seleção. Além dos conhecimentos táticos e técnicos,
Tite é acima de tudo um excelente gestor de pessoas. E não é fácil gerir jovens
ídolos consagrados e milionários.
Mas a vida de Tite
nunca foi fácil. O gaúcho de Caxias do Sul foi jogador profissional e começou a
carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois, jogou no Esportivo de Bento
Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986 a 1988). Com apenas 28 anos
foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões nos joelhos,
inclusive com ruptura de ligamento. Mas se o futebol perdeu um jogador mediano
ganhou um treinador em condições de conquistar os títulos que não conseguiu
dentro de campo.
Tite
conseguiu o recorde de sete vitórias seguidas e classificou
o Brasil para
o Mundial de 2018 (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Treinador desde 1990, passou
por uma série de times do Rio Grande do Sul até chegar a São Paulo para dirigir
o São Caetano, em 2001. A maior visibilidade chamou a atenção do Corinthians,
que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e tirou o time da zona da
degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005, deixou o Timão ao se opor
a Kia Joorabchian, diretor da MSI, que teria tentado interferir na sua maneira
de comandar e escalar a equipe. Treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain
(Emirados Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes) antes de retornar
ao Timão. A partir daí todo mundo já sabe o que aconteceu.
Por tudo isso, hoje
Tite é ídolo nacional e reverenciado pelo que está fazendo e por sua trajetória
vitoriosa e extremamente profissional.



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