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Philippe
Coutinho trocou o Liverpool pelo Barça por
160 milhões de euros (Foto: Victor
Salgado/FCB/Divulgação)
POR
ROBERTO MAIA
Incrível como a cada temporada a distância econômica
aumenta entre os times da Europa e os da América do Sul. Atualmente, não é mais
apenas um oceano que separa os dois continentes. Infelizmente para nós, também
há um imenso abismo financeiro. E, pior, cresce cada vez mais a diferença
técnica entre os times europeus e sul-americanos. No Brasil, especificamente,
jogadores de todas as idades deixam o país por valores insignificantes quando
comparados aos praticados pelos gigantes europeus.
Há alguns meses, o mundo ficou boquiaberto quando
Neymar Jr. trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain por impensáveis 222
milhões de euros – cerca de R$ 820 milhões. A transação ganhou as manchetes
internacionais por ser a maior e mais astronômica negociação do futebol
mundial. Ao trocar Barcelona por Paris, Neymar também dobrou o seu salário e
passou a receber cerca de 30 milhões de euros anuais. Importante lembrar que o
craque saiu do Santos por 17 milhões de euros, aproximadamente R$ 49 milhões à
época.
Com o cofre cheio o time catalão saiu às compras e
ultrapassou pela primeira vez na sua história a barreira dos 300 milhões de
euros em contratações na atual temporada. Entre as mais recentes e caras
contrações do Barça estão o jovem talento francês Ousmane Dembélé (145 milhões de euros)
e, agora, o brasileiro Philippe Coutinho.
Coutinho deixou o Liverpool por 160 milhões de euros,
sendo 130 milhões agora e outros 30 milhões em bônus por desempenho do jogador.
Podemos dizer que foi um “precinho de ocasião” pois, há alguns meses, os
dirigentes do time inglês estavam pedindo 200 milhões de euros (cerca de R$ 745
milhões, na cotação da época) para liberarem o brasileiro. O negócio não
prosperou e só foi concretizado agora após redução de 40 milhões no valor.
Outra transação que mostra a imensa defasagem em
relação à Europa foi a liberação do zagueiro Marquinhos – titular da seleção
brasileira. Revelado pelo Corinthians, foi vendido para a Roma, em 2012, por 3
milhões de euros. Um ano depois, o PSG contratou-o por 31 milhões de euros. E,
em 2016, quase foi para o Barça e só não trocou de cidade porque os dirigentes franceses
não aceitaram os 60 milhões de euros oferecidos pelos catalães.
Se algumas ações não forem tomadas com urgência o quadro
só tenderá a piorar. Além de pagarem quantias irrisórias por nossas melhores
revelações, também garimpam em escolinhas e levam meninos por volta dos 13 anos
como se estivessem comprando ações que poderão valorizar no futuro.
E não são mais apenas os grandes clubes europeus que
fazem a festa no futebol brasileiros. Times intermediários também já perceberam
que podem lucrar muito comprando barato e revendendo depois. É o caso, por
exemplo, de Guilherme Arana, que com apenas 20 anos e uma única boa temporada
no Corinthians foi para o Sevilha por 11 milhões de euros. Óbvio que o clube
andaluz pretende ganhar muito mais em uma futura transação com os grandes da
Europa.
Essa e a triste realidade do nosso futebol. Até
quando?

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