terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Com direito a muito sofrimento, Grêmio conquista a Recopa


O grito estava engasgado na garganta dos tricolores ao longo de sofríveis 120 minutos de 
bola rolando mais alguns – intermináveis –  das cobranças dos pênaltis (Foto: grêmio.net)


POR ROBERTO MAIA

Enquanto o Paulistão não engrena e entra na fase que realmente empolgará os torcedores, o Brasil já tem o seu primeiro campeão de 2018. O Grêmio conquistou a Recopa Sul-americana, no dia 21 de fevereiro, em um jogo que deixou seus torcedores à beira de um ataque cardíaco. O adversário não poderia ser pior, um time argentino, catimbeiro, que não desiste nunca, o Independiente.

Apesar de jogar cerca de 50 minutos com um jogador a mais em campo, o Tricolor Gaúcho não conseguiu marcar em sua arena lotada. Veio a prorrogação e depois a disputa de pênaltis. Tudo muito igual. Pênaltis bem batidos de lado a lado até que no quinto e derradeiro brilhou a estrela do ótimo goleiro Marcelo Grohe, que fez a defesa e lavou a alma dos gremistas. Bom para ele que o treinador da Seleção Brasileira, Tite estava lá assistindo.

A obrigação de atacar e vencer o jogo era do Grêmio, que jogava em casa. E atacou muito, mas não chegava às redes. Já o Independiente aproveitava os contra-ataques. Também tiveram chances de abrir o placar, mas, tal como os gremistas, pecavam na hora de concluir. Importante frisar que o goleiro argentino Campaña fez verdadeiros milagres no jogo de ontem.

Os hermanos, como sempre, não economizaram na hora de fazer faltas violentas para parar o ataque gremista. Distribuíram pancadas até que, Amorebieta afastou uma bola na área e deixou as travas da sua chuteira no peito de Luan. Com a ajuda do vídeo, o árbitro deu cartão vermelho para o zagueiro.

O que parecia ser uma enorme vantagem não se refletiu em campo. O segundo tempo foi ainda mais tenso. Gremistas presentes na arena e espalhados pelo país certamente roeram todas as unhas e o gol redentor não aconteceu.

Assistindo ao jogo lembrei de um amigo gaúcho, o jornalista Airton Gontow, um gremista ferrenho que deveria estar à beira do enfarto. Estava sentindo dó dele, que mora em São Paulo, tão distante da sua terra querida. Aí lembrei que ele já passou por momento ainda mais tensos com o seu Grêmio e já está vacinado.


O jovem Anderson entrou para a história gremista 
ao marcar um gol quase impossível no jogo que 
ficou marcado como a “Batalha dos Aflitos” 
(Foto: Grêmio/divulgação)

Batalha dos Aflitos - Foi inevitável lembrar da histórica “Batalha dos Aflitos”, nome dado ao jogo contra o Náutico, em Recife, no dia 26 de novembro de 2005. Última rodada do Brasileirão da Série B daquele ano e o Grêmio precisando apenas empatar sem sofrer gol para voltar à principal divisão do futebol brasileiro. Tal como ontem, o gol também não acontecia. O enredo daquele jogo teve requintes de crueldade com os torcedores gaúchos. No primeiro tempo houve um pênalti a favor do Náutico, que não foi convertido para a alegria dos gremistas e do ainda pouco conhecido treinador Mano Menezes.

Para piorar tudo, no segundo tempo o Tricolor teve um jogador expulso e mais uma penalidade marcada para o Náutico. A reclamação foi grande e outros três gremistas receberam o cartão vermelho. O desastre parecia inevitável. Com sete em campo, nenhum outro poderia ser expulso para que o jogo não terminasse naquele momento. A agonia parecia não ter fim. Os corações dos tricolores dispararam no momento em que o jogador do Náutico correu para a bola. Segundos intermináveis. Até que o jovem goleiro Galatto, de apenas 22 anos, fez a defesa mais importante e histórica da sua vida. Defesa que lhe rendeu o apelido de “Homem de Gelo”.

Airton Gontow, diretor do site Coroa Metade,
comemorou muito a conquista da Recopa 2018
Mas como segurar a bola e garantir aquele empate com apenas sete em campo? Impossível? Não para o Imortal time centenário de Porto Alegre. O milagre da raça gremista se materializou aos 63 minutos de jogo do segundo tempo. Um outro jovem, Anderson, camisa 17, como que não acreditando no impossível decidiu invadir a área adversária e com um sutil toque marcou o gol improvável. Gol que garantiu o título e o acesso. Gol que colocou um jogo na história do time gaúcho e na memória dos torcedores. 

E se o meu amigo Airton não morreu naquele dia não haveria de ser ontem contra o Independiente. Mandei uma mensagem para ele dando os parabéns e fui dormir. Ele teve ter varado a noite comemorando o bicampeonato. Merecidamente!


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