sábado, 29 de abril de 2017

Rodrigo Caio dá exemplo de caráter e honestidade ao Brasil

POR ROBERTO MAIA

A malandragem impera no futebol e a honestidade de Rodrigo 
Caio chamou atenção (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Na história recente do Brasil a palavra ética foi relevada ao último plano. Apenas mais um substantivo feminino que define um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo ou de uma sociedade. A palavra vem do grego ethos e significa aquilo que pertence ao "bom costume", "costume superior" ou "portador de caráter". A ética serve para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social, possibilitando que ninguém saia prejudicado. Mas não é de hoje que a regra dominante no País é a antiga “Lei de Gerson”, onde o importante é levar vantagem. E quanto mais melhor. A Lava Jato está aí mostrando a abrangência dessa triste constatação.

Pelo título deste artigo você já entendeu porque estou falando de ética nesse espaço dedicado ao futebol. Rodrigo Caio, o jovem zagueiro do São Paulo deu a toda a sociedade brasileira um exemplo gigantesco de que nem tudo está perdido e que é sim possível sonharmos com dias melhores.

No campo esportivo o que o atleta fez é chamado de fair play – jogo limpo em livre tradução. O que deveria ser a regra é na verdade uma exceção no futebol. Infelizmente. Caso ele tivesse agido como a maioria dos seus companheiros de profissão, ninguém estaria comentando o lance acontecido durante o primeiro jogo da semifinal do Campeonato Paulista, vencido pelo Corinthians no dia 16, no estádio do Morumbi. 

Maicon não concordou com fair play que deu condições 
para Jô jogar o clássico (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

Na jogada, o atacante corinthiano Jô disputou uma bola com o zagueiro e o goleiro Renan Ribeiro do Tricolor, que acabou recebendo um pisão do próprio companheiro. Entendendo que a falta teria sido cometida pelo centroavante alvinegro, o árbitro do jogo, Luiz Flávio de Oliveira, mostrou o cartão amarelo para Jô. E para surpresa de todos, Rodrigo Caio prontamente admitiu ser o responsável pelo lance. Na sequência, o juiz anulou o cartão dado ao avante corinthiano, que estava pendurado e estaria impedido de atuar no jogo da volta, no domingo seguinte na Arena Corinthians.

A atitude de Rodrigo Caio impressionou. Até porque estamos acostumados com a malandragem no futebol, onde o que importa é prejudicar o adversário e conseguir alguma vantagem. Mesmo que para isso seja necessário fingir, simular, mentir etc. Humilde e mostrando firmeza de caráter, o zagueiro disse que não fez nada demais, apenas o que deveria fazer. Fez muito, deu grande exemplo.

Mas se o gesto de honestidade foi exaltado pela imprensa e por torcedores do Brasil inteiro, o mesmo não aconteceu dentro do seu próprio ambiente de trabalho. Logo após o jogo o seu companheiro de zaga, Maicon, concedeu entrevista onde deixou claro que não aprovava a atitude de Rodrigo Caio, embora não o tenha recriminado. Na contramão do correto, afirmou que “prefere a mãe do adversário chorando do que a sua”.

Fontes ligadas ao Tricolor garantem que Rodrigo Caio foi alvo de cobranças no vestiário por companheiros e também pelo treinador Rogério Ceni. Em entrevista coletiva após o jogo, Ceni, de cara fechada, elogiou a atitude, mas não a exaltou. E ainda foi irônico ao afirmar que seu jogador fez “o que todos fazem”.

A torcida são-paulina também não apoiou a atitude de fair play e criticou muito o atleta nas mídias sociais. O São Paulo não conseguiu reverter o resultado, foi eliminado e Jô marcou novamente. A situação pode ficar ainda pior e comprometer a continuidade de Rodrigo Caio no Tricolor. O que seria lamentável.


O que tem que ficar claro é que o São Paulo foi eliminado não por culpa da atitude nobre de Rodrigo Caio e sim por deficiência técnica da equipe como um todo. Que a atitude do garoto seja sempre lembrada e seja exemplo a ser seguido para que tenhamos um futebol melhor. E um Brasil melhor por que não?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Abril decisivo para o Trio de Ferro paulista

POR ROBERTO MAIA

Kazin, o “gringo da favela”, retorna após contusão e é esperança 
de gols no Corinthians (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

Palmeira, São Paulo e Corinthians têm pela frente um mês de abril que pode levar ao céu ou ao inferno. O “Trio de Ferro” de São Paulo realiza jogos decisivos pelo Paulistão e também pela Libertadores (Palmeiras). Corinthians e São Paulo disputam a Sul-Americana e os mata-mata na Copa do Brasil.

Na semifinal do Paulistão, o Tricolor enfrenta o Timão. O primeiro jogo será no Morumbi no próximo domingo. O jogo de volta acontece no final de semana seguinte em Itaquera. Para passar à final, o São Paulo terá que quebrar um incomodo tabu: não vence um clássico em mata-mata há 13 jogos (nove anos). Durante esse período acumula 12 derrotas e apenas um empate.

O outro confronto coloca frente a frente o poderoso Palmeiras e a surpreendente Ponte Preta, que eliminou o Santos no início da semana. O primeiro jogo será em Campinas e o segundo no Allianz Parque.

Sob o comando de Rogério Ceni o time perde menos 
faz mais gols (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

São Paulo – Comandado por Rogério Ceni, o Tricolor paulista tem mostrado muito apetite para fazer gols mais ainda mostra fragilidade no setor defensivo. Nos jogos disputados até agora perdeu pouco, goleou adversários mais fracos e perdeu clássicos para Corinthians e Palmeiras.

O jovem Pedrinho tem o apoio da torcida e também do 
treinador Fábio  Carille (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

Corinthians - O Timão, considerado pela imprensa esportiva como a quarta força do futebol paulista chega com um futebol instável e de poucos gols. Em compensação também sofre poucos gols. A esperança da torcida e também do treinador Fábio Carille são os garotos que vieram da base do clube. Principalmente o jovem Pedrinho de apenas 17 anos.

O Papa Francisco recebeu e abençoou a camisa do Palmeiras 
personalizada (Foto: Palmeiras/Twitter/Reprodução) 

Palmeiras – Não bastasse ser considerado favorito para conquistar títulos esse ano, o Verdão vai se garantindo como pode. Na manhã desta quarta-feira, o clube postou no Twitter uma foto do Papa Francisco recebendo uma camisa do clube no Vaticano. A camisa personalizada com o nome do pontífice e com o número 33 – que era usado Gabriel Jesus – nas costas, tem também uma imagem de seu rosto no peito. O manto palmeirense foi entregue durante a tradicional audiência de Páscoa, realizada na Basílica de São Pedro.

O veto que impõe torcida única nos clássicos não atinge os 
torcedores da Ponte Preta (Foto: PontePress/FábioLeoni)

Torcida única - No Campeonato Paulista os presidentes dos três clubes manifestaram de forma tímida o desejo de ter torcedores em todos os jogos das fases semifinal e final. Mas, se depender do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Militar os jogos continuarão tendo torcida única nos clássicos na capital. O time campeão do Paulistão poderá não ter torcedores para comemorar o título no estádio. É a falência total do futebol. O Estado e os torcedores de bem foram derrotados. Triste demais! 

Atingido por estilhaços, Marc Bartra foi operado e agradeceu 
apoio através das mídias sociais (Foto: Instagram/Reprodução)

Ataque terrorista – O terrorismo não tem limites. Eventos esportivos viraram alvos pela grande concentração de pessoas. O mais recente foi o ataque com explosivos contra o ônibus do Borussia Dortmund, na última terça-feira quando o veículo se dirigia para a arena onde o time alemão enfrentaria o Monaco, no primeiro jogo das quartas de final da Liga dos Campeões. O zagueiro Marc Bartra, atingido por estilhaços no braço direito, teve ferimentos leves e foi operado com sucesso. Lamentável!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Cenas de civilidade e selvageria no futebol

POR ROBERTO MAIA

Torcedores da Chape homenagearam os colombianos no jogo com
o Atlético Nacional (Foto: Sirli Freitas/Chapecoense/Divulgação)

Fato marcante nessa semana foi o jogo entre Chapecoense e Atlético Nacional da Colômbia, na Arena Condá, em Chapecó (SC). Antes do início da partida válida pela Recopa Sul-Americana foram realizadas uma série de homenagens e demonstrações de gratidão ao time colombiano, que abriu mão de disputar o título da Copa Sul-Americana após o trágico acidente aéreo com a equipe catarinense que vitimou 71 pessoas há pouco mais de quatro meses. A Chapecoense ficou com o título e a atitude do Atlético Nacional foi algo fora do comum no futebol mundial.
O jogo foi realizado na Arena Condá após um pedido do clube colombiano. As regras da Conmebol impedem a disputa de um jogo decisivo em um estádio com capacidade menor de 40 mil torcedores.

Antes da bola rolar, torcedores da Chapecoense realizaram caminhada do centro da cidade até a arena, que foi abraçada. Houve discursos dos dirigentes dos dois times e homenagens aos colombianos. Quatro dos seis sobreviventes do acidente – o jornalista Rafael Henzel e os jogadores Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto - entraram de mãos dadas e fizeram discursos de agradecimento. Bandeiras gigantes dos dois times foram abertas no gramado.

Rafael Henzel, Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto, 
sobreviventes da tragédia, fizeram discursos de agradecimento 
(Foto: Sirli Freitas/Chapecoense/Divulgação)

No jogo, a Chapecoense venceu o Atlético Nacional por 2 a 1. Certamente os torcedores de Chapecó serão acolhidos com o mesmo carinho na partida da volta, dia 10 de maio, no estádio Atanásio Girardot, em Medellín. Um exemplo que deveria atingir os corações e as mentes dos torcedores de todo o mundo. Só que não!

Dois dias depois do jogo da gratidão, em Chapecó, o Corinthians recebeu o Universidad do Chile em sua arena em Itaquera em jogo válido pela Copa Sul-Americana. E o que se viu foi um show de selvageria da torcida chilena. Mesmo antes do jogo começar os violentos torcedores depredaram a bilheteria do setor de visitantes, destruíram uma grade, uma tenda no acesso à arquibancada, banheiros e mais de 200 cadeiras.

O Corinthians anunciou que irá cobrar a La U pelos danos causados no estádio. Também deverá enviar um dossiê à Conmebol relatando os fatos lamentáveis ocorridos.  

Torcedores da Universidad do Chile depredaram o setor de 
visitantes da Arena Corinthians e mais de 200 cadeiras 

Mesmo isolados em um dos cantos da arena, os chilenos arremessavam os pedaços das cadeiras quebradas em direção à torcida do Corinthians e também aos policiais militares. Segundo a PM, a confusão teria tido início quando os chilenos tiveram apreendidos alguns sinalizadores e detido alguns torcedores. Em seguida, um grande grupo teria cercado os policiais na tentativa de resgatar os presos. Nesse momento teve início o confronto com a PM, que distribui cacetadas e tirou do local a maioria dos torcedores, deixando apenas os que foram considerados mais tranquilos. O saldo da confusão foi 26 torcedores chilenos presos e levados à delegacia na Ponte Rasa, próxima à arena.

Agora fico imaginando o que se passa na cabeça do promotor de justiça Paulo Castilho, autor da medida que impõe torcida única em São Paulo. Irá ele pedir à Conmebol a imposição de torcida única também nos jogos entre times da América do Sul? Claro que não, afinal essa é uma atitude que não está dentro das suas competências. Torcida única apenas mascara e empurra para longe dos estádios a violência dos torcedores.


E, diferentemente dos torcedores da Chapecoense que serão bem recebidos em Medellín, os corinthianos provavelmente serão recepcionados com violência em Santiago no jogo de volta, em maio. E, pior, podem querer “devolver” a depredação da sua arena com novas cenas lamentáveis para o futebol. E o ciclo vicioso continuará. Até quando?


quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Brasil está na Copa da Rússia. Olê, olê, olê, Tite, Tite!

Por Roberto Maia

Mesmo em momentos de glória, Tite olha para o céu 
para agradecer (Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação)

Há exatamente um ano atrás usei esse espaço para falar do competente treinador Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. Na época, ele era o comandante do Corinthians e ainda saboreava o título do Brasileirão conquistado em dezembro de 2015. Naquele momento, Tite era quase uma entidade sagrada para os fanáticos corinthianos. Certo que também era admirado pelos demais torcedores, porém sem muita euforia.

Ao deixar o Corinthians para dirigir a Seleção Brasileira, levando boa parte da vitoriosa comissão técnica alvinegra, pensei que Tite passaria a ser visto como um traidor para a Fiel. Engano meu. Apesar do prejuízo que ele causou ao clube naquele momento, os torcedores sentiram-se orgulhosos de estar “emprestando” o seu treinador para salvar a Seleção. E até hoje reconhecem que ele foi o principal responsável pelas maiores conquistas da história do clube – Libertadores, Mundial de Clubes e Recopa.

E ele fez o que se esperava dele. Salvou a Seleção Brasileira que mergulhou no fundo do poço após a derrota para a Alemanha por 7 a 1 na Copa realizada no Brasil. E corria o risco de nem se classificar para o Mundial da Rússia em 2018. Isso sem falar que nenhuma outra seleção respeitava mais a nossa camisa canarinho que tanto assustava no passado. No comando do selecionado conquistou oito vitórias em oito jogos das eliminatórias da América do Sul. Um recorde. E faltando ainda vários jogos já estamos matematicamente classificados para a Copa do ano que vem.

Por tudo isso, Tite hoje é um herói nacional e idolatrado por onde passa aos gritos de olê, olê, olê, Tite, Tite! Quem poderia imaginar ver isso algum dia? Entre os treinadores da Seleção que eu vi, apenas Telê Santana se aproximou desse respeito, mas não obteve a mesma idolatria. Enquanto Telê foi o técnico em duas Copas (1982 e 1986), Tite ainda nem chegou à sua primeira. Sem dúvida um fenômeno!

Tite ganhou o reconhecimento da Fiel Torcida após conquista 
do Mundial de Clubes (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

O ex-treinador do Corinthians evoluiu muito após o ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma equipe e aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no mundo. Em 2015, voltou ao Timão para remontar o time após as saídas das principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e Emerson Sheik, entre outros – e levou a equipe à conquista do hexacampeonato brasileiro em uma campanha histórica com três rodadas de antecedência e 12 pontos de vantagem para o segundo colocado.

Incrível o que ele fez no comando do Corinthians. Mudou velhos e ultrapassados conceitos. Também mudou a forma do time jogar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida e a conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Exatamente o que está fazendo agora na Seleção. Além dos conhecimentos táticos e técnicos, Tite é acima de tudo um excelente gestor de pessoas. E não é fácil gerir jovens ídolos consagrados e milionários.

Mas a vida de Tite nunca foi fácil. O gaúcho de Caxias do Sul foi jogador profissional e começou a carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois, jogou no Esportivo de Bento Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986 a 1988). Com apenas 28 anos foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões nos joelhos, inclusive com ruptura de ligamento. Mas se o futebol perdeu um jogador mediano ganhou um treinador em condições de conquistar os títulos que não conseguiu dentro de campo.

Tite conseguiu o recorde de sete vitórias seguidas e classificou 
o Brasil para o Mundial de 2018 (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Treinador desde 1990, passou por uma série de times do Rio Grande do Sul até chegar a São Paulo para dirigir o São Caetano, em 2001. A maior visibilidade chamou a atenção do Corinthians, que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e tirou o time da zona da degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005, deixou o Timão ao se opor a Kia Joorabchian, diretor da MSI, que teria tentado interferir na sua maneira de comandar e escalar a equipe. Treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain (Emirados Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes) antes de retornar ao Timão. A partir daí todo mundo já sabe o que aconteceu. 

Por tudo isso, hoje Tite é ídolo nacional e reverenciado pelo que está fazendo e por sua trajetória vitoriosa e extremamente profissional.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Sem dinheiro, Corinthians recorre aos jovens do "terrão"

POR ROBERTO MAIA

Após ser emprestado à Ponte Preta em 2016, Maycon 
ganhou a posição no meio de campo do Timão
O torcedor de futebol é apaixonado e normalmente coloca a emoção acima da razão. Por esse motivo, na maioria das vezes, não consegue enxergar com clareza as contratações estranhas feitas pelo seu clube de coração. Mas não é burro. Percebe logo que tem jogadores que não merecem vestir a camisa do seu clube. E, nesses casos, faz marcação cerrada e é implacável. Principalmente se os tais jogadores não demonstrarem muita disposição e raça. É o caso de Romero do Corinthians. Não é nenhum craque, mas caiu nas graças da torcida porque mostra empenho é muito fôlego para cumprir as funções táticas pedidas pelo treinador.

Fagner estreou no time principal em 2006 com apenas 17 anos; 
hoje é titular absoluto e está na seleção brasileira

Se o torcedor parar para pensar, logo perceberá que tem coisas estranhas em certas contratações. É comum ouvir nas arquibancadas a frase: “ou é incompetência ou interesse dos dirigentes”. E eu concordo com essa afirmação. Senão como entender que alguns jogadores limitadíssimos tecnicamente consigam vestir as camisas dos principais clubes brasileiros.

Guilherme Arana é o dono da lateral-esquerda do Timão

E, quando o dinheiro fica curto, recorrem para os garotos das categorias de base. Mas apenas quando não têm outra alternativa. Muito triste isso. O que deveria ser a finalidade principal passa a ser um recurso desesperado. E olha que os grandes clubes investem muitos milhões na formação dos atletas. 

Entre os times de São Paulo, apenas o Santos realiza com sucesso o trabalho de formação e transição de jovens jogadores para o time principal. E tem lucrado muito com isso, basta ver as revelações dos últimos anos.

Jô estreou no time profissional com apenas 16 anos

O Corinthians que passa por séria crise financeira não teve outra opção e está recorrendo aos “pratas da casa”. Não me lembro de quando foi a última vez em que o Timão promoveu tantos jogadores formados nas categorias de base. Alguns deles parecem já ter agarrado a oportunidade e garantem lugar no time principal. São os casos do volante Maycon e do lateral-esquerdo Guilherme Arana, titulares absolutos do treinador Fábio Carille. Maycon, aliás, praticamente colocou na reserva Felipe Bastos, Camacho, Giovanni Augusto e Guilherme que foram contratados para serem titulares. Esses e mais Marlone, que preferiu defender o Atlético Mineiro por emprestimo até o final do ano.

O elenco profissional do Corinthians está repleto de 
jovens promissores como Léo Jabá e Pedro Henrique 

Outros como os goleiros Matheus Vidotto e Caíque; os laterais Léo Príncipe e Moisés; o zagueiro Pedro Henrique e Léo Santos; os volantes Marciel, Mantuan e Warian; os meias Pedrinho e Rodrigo Figueiredo; e os atacantes Léo Jabá e Carlinhos também integram o elenco profissional alvinegro. Quinze jogadores formados no chamado “terrão”, sem contar Fagner e Jô que também foram revelados no Timão.

Entre os garotos corinthianos a torcida aposta no talento do meia Pedrinho, que foi eleito o craque da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2017 na conquista do décimo título alvinegro. Ele estreou no time profissional na derrota para a Ferroviária, em Araraquara.

Pedrinho foi eleito 
o craque da Copa São 
Paulo de Futebol Junior 2017  

Apesar de tantos jovens promissores sendo prestigiados, o diretor das categorias de base do Corinthians, Fausto Bittar Filho, pediu demissão essa semana por não concordar com mudanças que o presidente Roberto de Andrade quer fazer no departamento. Vai entender uma coisa dessas.


O novo diretor é Carlos Nujud, conselheiro vitalício do clube e ex-diretor de futebol entre 1998 e 2000, quando Alberto Dualib era presidente. Aos torcedores resta ficar de olhos bem abertos para que o processo não seja interrompido. Afinal, nos bastidores do futebol existem as chamadas forças estranhas!

Fotos: Agência Corinthians/Divulgação

quinta-feira, 23 de março de 2017

Cerveja, chocolate e futebol, as paixões dos belgas

Por Roberto Maia

Verdadeira paixão nacional, a Bélgica tem mais de 2 mil tipos 
diferentes de cervejas (Foto: Roberto Maia)

Em recente viagem de trabalho à Bélgica, logo percebi que a maioria das pessoas com as quais conversei gosta muito de futebol. Acho que tanto quanto de cerveja e chocolate, outras saborosas paixões dos belgas. Aliás, a primeira divisão do futebol belga chama-se Jupiler League, assim nomeada pois o patrocinador principal é a fábrica de cerveja Jupiler, uma das mais famosas e consumidas no país.

O futebol na Bélgica é praticado desde o final do século 19 e a Federação Belga de Futebol foi fundada em 1895. No início do século 20, a seleção nacional disputou seu primeiro jogo - em 1º de maio de 1904. O adversário foi a França e o jogo terminou empatado em 3 a 3.

A Jupiler League é disputada por 16 equipes. O time campeão ganha vaga para disputar a Liga dos Campeões, enquanto o vice-campeão vai para a repescagem. As três últimas na tabela são rebaixadas para a segunda divisão.

Nessa atual temporada 2016/2017 são os seguintes os times que disputam o campeonato da primeira divisão: RSC Anderlecht, Club Brugge, St.Truiden, Waasland-Beveren, Standard Liege, Oostende, Gent, KV Mechelen, Kortrijk. Mouscron-Peruwelz, Eupen, Zulte-Waregem, Lokeren, Charleroi, Westerlo e Genk.
As equipes com maior número de torcedores são o Royal Sporting Club Anderlecht (de Bruxelas) e o Club Brugge K.V. (de Bruges). Não por acaso os dois times são os maiores campeões da Jupiler League. Jogo entre as duas equipes é o maior clássico do futebol da Bélgica.

O RSC Anderlecht tem mais de 60 títulos oficiais, incluindo 
cinco títulos em competições europeias (Foto: rsca.be)

O RSC Anderlecht, fundado em 1908, é o maior time do país em número de conquistas – mais de 60 títulos oficiais -, incluindo cinco títulos em competições europeias. No campeonato nacional da Bélgica contabiliza 33 conquistas. Seu estádio, o Constant Vanden Stock, tem capacidade para receber 28 mil pessoas.
Já o Club Brugge K.V., fundado em 1891, é o maior campeão da Supercopa da Bélgica, com 14 títulos; e da Copa da Bélgica, com 11 triunfos. É segundo maior vencedor do campeonato nacional com 14 conquistas. Maior orgulho dos seus torcedores é ser o único time belga que já disputou a final da Liga dos Campeões da UEFA, em 1978, quando foi derrotado pelo Liverpool por 1 a 0.

O Club Brugge K.V. é o único time belga que já disputou a 
final da Liga dos Campeões da UEFA (Foto: clubbrugge.be)

O Brugge manda seus jogos no estádio Jan Breydel, localizado em Sint-Andries, no subúrbio da pequena Bruges, a principal cidade turística da Bélgica. Tem capacidade para 30 mil torcedores.

Os cinco principais jogadores belgas de todos os tempos são os seguintes:

Eric Gerets – Lateral-direito, atuou em 86 jogos da seleção da Bélgica. Jogou entre 1971 e 1992.

Vincent Kompany – Zagueiro, começou sua carreira no Anderlecht. Conquistou por duas vezes a Liga Belga. Jogando pelo Manchester City (Inglaterra) conquistou a Premier League em 2011/2012 e 2013/2014. Disputou mais de 60 jogos com a camisa da seleção belga. Disputou os Jogos Olímpicos de 2008 e a Copa do Mundo de 2014.

Eden Hazard – Conhecido mundialmente, começou a carreira no Lille (França). Transferido ao Chelsea (Inglaterra) conquistando a Liga dos Campeões em 2012/2013, a Copa da Liga e a Premier League de 2014/2015.

Joseph Mermans – Foi um dos maiores artilheiros da história do Anderlecht. Na temporada de 1947, marcou 38 gols no Campeonato Belga. Jogou 56 vezes pela seleção.


Michel Preud'homme – É considerado um dos melhores e mais completos goleiros da Europa de todos os tempos. Sua principal conquista foi a Supercopa da UEFA de 1988, quando seu time, o Mechelen, derrotou o poderoso Ajax na final. Também jogou no Benfica (Portugal) e pela seleção belga disputou 58 partidas. Na Copa do Mundo de 1994 recebeu o prêmio de melhor goleiro. 

Charmosa, Bruges é a principal cidade turística da Bélgica
 (Foto: Roberto Maia)

sexta-feira, 10 de março de 2017

O futebol está vivo. Obrigado Barcelona!

Por Roberto Maia


Até quarta-feira estava decidido a escrever a coluna desta semana falando da participação dos times brasileiros na Copa Libertadores da América. Porém, depois do jogo entre Barcelona e Paris Saint-Germain válido pela Liga dos Campeões da Europa eu mudei de ideia. O assunto não poderia ser outro.

Eu e muitos da minha geração ultimamente estamos achando que o futebol está ficando sem graça e até chato. O jogo alegre com dribles e muitos gols deu lugar à força, truculência e esquemas táticos que privilegiam a defesa. Já cansei de ouvir que empate no campo do adversário é um bom resultado. Ou, que, em casa, não importa se a vitória vem com um magro um a zero, mesmo jogando feio.

Jogadores medíocres, mas esforçados, têm a preferência dos treinadores. Zagueiros e volantes fortes e vigorosos são os escolhidos. Jogadores técnicos que cadenciam o jogo perderam espaço. Centroavante que não volta para “recompor” com rapidez não têm vez. Assim tem sido o jogo praticado aqui no Brasil e que em nada lembra o velho e bom futebol de décadas passadas.

Mas, ao assistir ao clássico europeu entre Barcelona e PSG, no Camp Nou, senti um fio de esperança. Como agora a moda é estudar futebol na Europa, copiar o jogo e as táticas utilizadas por lá, quem sabe as coisas possam mudar.

Pensando racionalmente, quem poderia imaginar que o time da Catalunha pudesse reverter o resultado do jogo disputado em Paris, quando foi derrotado por quatro a zero? E, pior, tendo que marcar cinco gols para conseguir a classificação e ainda tomar um gol no segundo tempo.


Somente por milagre pensei. Não, milagres acontecem em outras situações mais importantes, não em jogos de futebol. O que se viu foi apenas futebol jogado como em sua essência. Com alegria, garra, disposição e técnica. Sempre buscando o gol.

E foi um jogador brasileiro que contribuiu muito para o espetáculo futebolístico como há muito tempo não víamos: Neymar! Ajudado por outros dois sul-americanos, Messi e Suarez - que ainda praticam o velho futebol - construíram o placar histórico de 6 a 1 sobre o time francês (um dos melhores do mundo na atualidade) e alcançaram a classificação improvável. O gol marcado em cobrança de falta foi antológico. Tomara no Brasil nossos garotos se inspirem e comecem a treinar batidas de falta. Saudades de Zico, Neto, Marcelinho Carioca e muitos outros exímios nesse fundamento. 


Mas não foi fácil, claro. Aos 40 minutos do segundo tempo o placar era de 3 a 1. Quem seria louco em apostar em mais três gols nos minutos finais? Mas a volúpia do time catalão e a postura defensiva e com erros individuais dos franceses determinaram a classificação do Barça às quartas de final da Liga dos Campeões.

O improvável aconteceu. Nunca na história dos campeonatos europeus um resultado de 4 a 0 havia sido revertido por um clube em uma disputa continental. O Barcelona venceu, mas o maior ganhador foi o futebol.


O mundo assistiu um espetáculo do futebol bem jogado que, no passado não muito distante, era comum em qualquer jogo nos campos brasileiros, argentinos e uruguaios. Hoje, nossos melhores jogadores são importados precocemente para brilharem na Europa. E, se não vingarem, voltam para cá e ficam engando e sonhando com convites para jogar na China ou no mundo árabe. Essa é a nossa realidade. Até quando?

Fotos: fcbarcelona.com