quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Federação Paulista lança #ElasNoEstádio e barra a entrada de homens


POR TABATHA MAIA
A Federação Paulista de Futebol e os clubes participantes do Paulistão se uniram e lançaram o movimento #ElasNoEstádio (Foto: Daniela Ramiro/FPF)
Mulheres envolvidas em torcida organizada, mulheres gritando e pulando na arquibancada, mulheres em rodas de conversa sobre futebol, bandeirinhas, árbitras, técnicas e jogadoras. Sim, as mulheres estão se envolvendo cada dia mais no mundo futebolístico, mas você sabia que esse número ainda é muito baixo?
Segundo informações do Datafolha, apenas 14% do público que frequenta estádios no Paulistão, é feminino. Um número bem baixo e assustador.
Mas por que será que as mulheres não acompanham o seu time do coração mais de perto? Uma pesquisa encomendada pela Comissão de Comunicação e Marketing da Federação Paulista de Futebol (FPF), no mês de dezembro, ouviu três perfis de mulheres: as que não frequentam os estádios, as que costumam ir eventualmente e as assíduas nos jogos.
Na pesquisa, foi possível identificar dois principais problemas: o conceito familiar ou social de que o estádio não é lugar para mulher e a falta de incentivo ou companhia para frequentar os jogos.
Aline Pellegrino, diretora da FPF, e Laura Louzada, coordenadora de Marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes (Foto: Tabatha Maia)
Diante desse resultado, a FPF e os clubes participantes do campeonato se uniram e lançaram o movimento #ElasNoEstádio, como uma forma de incentivo para que as mulheres acompanhem o seu time do coração.
A campanha, que tem como foco a princípio apenas o Paulistão, irá começar com algumas iniciativas, como: um atendimento especial às mulheres nos estádios; a abertura de um canal de comunicação exclusivo para as torcedoras (elasnoestadio@fpf.org.br); incentivos aos coletivos de grupos femininos, e por fim, uma delegada direcionada especialmente para esse atendimento em dias de jogos.
O lançamento do #ElasNoEstádio, ocorreu neste dia 21 de janeiro, na Federação Paulista de Futebol. O assunto, primeiramente foi tratado com as mulheres jornalistas e com as torcedoras, em uma coletiva seletiva.
Os jornalistas do sexo masculino foram “barrados” e acompanharam a coletiva seletiva através de um telão (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
Após o término, Aline Pellegrino, diretora de futebol feminino da FPF e embaixadora do movimento, e Laura Louzada, coordenadora de Marketing do Botafogo-SP e representante dos clubes, desceram até o saguão e conversaram com os jornalistas do sexo masculino, que foram “barrados” e acompanharam tudo através de um telão. E só tiveram acesso às entrevistadas após o término da coletiva com as mulheres.
A ideia foi mostrar aos homens o tipo de restrição social que algumas mulheres sofrem em dias de jogos.
Presença dos coletivos da torcida
Representantes das principais torcidas femininas dos clubes de São Paulo marcaram presença no evento na FPF (Foto: Daniela Ramiro/FPF)
O evento contou com a presença das principais torcidas femininas dos clubes paulistas: Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Guarani.
Durante a explicação da campanha, foi possível notar a animação por parte das mulheres presentes. Eu, aos 28 anos de idade, participei do evento e entendi a importância da mesma.
Lembro-me de alguns casos de restrição, de constrangimento que já passei, desde cara feia ao falar que acompanho meu time e frequento estádios até sentar em uma roda de conversa sobre futebol e não ter voz para opinar sobre o assunto.
Espero que com essa campanha, as mulheres tenham um pouco mais de espaço para conseguir acompanhar, torcer e mostrar que também entendemos sobre o assunto e gostamos de ir aos estádios como qualquer homem apaixonado pelo seu time de coração.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Fazer o Corinthians atacar será o desafio de Tiago Nunes


POR ROBERTO MAIA


Tiago Nunes veio para fazer o time do Corinthians atacar mais manter
 a eficiência defensiva (Fotos: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)

Sei que não é impossível esperar muita coisa no primeiro jogo da temporada, mas assistindo à partida entre o Corinthians e o New York City pelo torneio Florida Cup, em Orlando (EUA), pude perceber algumas diferenças - ainda sutis - em relação ao time que encerrou o Brasileirão em 2019. A enfadonha troca de passes laterais entre zagueiros e volantes no campo defensivo já diminuiu bastante. E os passes verticais também chamaram a atenção, principalmente no primeiro tempo quando estavam em campo Camacho e Cantillo. Porém, a bola continua não chegando em boas condições para o centroavante Boselli.

Mas a boa notícia para a fiel torcida foi a excelente estreia de Luan. Com um belo gol de falta, algo raro no Timão, e outro em jogada individual, o ex-gremista decidiu o jogo e mostrou bastante movimentação apesar do longo tempo sem jogar. Se estiver totalmente recuperado das contusões que o tirou dos gramados nos últimos dois anos, ele tem tudo para ser ídolo no Corinthians e até voltar à seleção.

Luan estreou no Corinthians com dois belos gols e
também mostrou bastante movimentação em campo 
Gostei também da entrevista coletiva do treinador Tiago Nunes, que inicia sua história no Alvinegro. Diferentemente de muitos outros técnicos, ele foi bastante claro e objetivo em sua análise da estreia. Segundo ele, a equipe entregou o que treinou, apesar de ser apenas o início da temporada.  

“Focamos muito em atividades comportamentais, ações voltadas à pressão ao portador da bola, retomada rápida da bola, tentar abrir e fechar o campo para criar linhas de passe. Foi isso que priorizamos para esse primeiro passo. Cobrei que mantivéssemos a compactação na fase defensiva. Que pudéssemos ter uma primeira fase de construção no pé do goleiro com boa aproximação, e que fôssemos competitivos a hora de subir a pressão ao adversário”, explicou, ressaltando, porém, que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

“Temos muito potencial de melhora na parte física, nossa equipe pode fazer as ações mais rápidas, mais natural, mas requer tempo. Nosso objetivo é passar confiança aos atletas. Queremos usar a posse de bola como meio, não fim. Temos que transformar a posse em situações de finalização”, disse.

Gaúcho de Santa Maria, o treinador de apenas 39 anos começou a carreira em meados dos anos 2000. Treinou equipes do interior do Rio Grande do Sul como Sapucaiense, Riograndense, Bagé e União Frederiquense. Em 2013, assumiu a equipe das categorias de base do Grêmio. Depois passou pelo Juventude, Ferroviária, São Paulo-RS e Veranópolis.

O Atlético Paranaense chegou à vida de Nunes em 2017, quando assumiu o time sub 23 do Furacão. Foi campeão paranaense e no ano seguinte foi promovido para o time principal, substituindo Fernando Diniz. A partir daí todos conhecem a ascensão do treinador. Foi campeão da Copa Sul-Americana (2018), da Levain Cup (2019) e da Copa do Brasil (2019).

O desafio de Tiago Nunes é conseguir fazer o time do Corinthians atacar mais e manter a eficiência defensiva que rendeu bons frutos nos últimos anos. O problema é que os jogadores assimilaram o conceito que priorizava a defesa e perderam o jeito para também atacar. O resultados eram jogos horríveis, onde o time se defendia como podia e jogava por uma bola. Muitas vezes deu certo até o esquema ficar manjado pelos adversários. Fábio Carille tentou mais não conseguiu e foi demitido.

No sábado o Corinthians volta a campo para enfrentar o Atlético Nacional, da Colômbia, às 19h30 (horário de Brasília). Na quarta-feira, o time colombiano perdeu nos pênaltis para o Palmeiras após empate de 0 a 0 no tempo normal.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O “professor” Luxemburgo volta ao Palmeiras para brilhar novamente


POR ROBERTO MAIA
Vanderlei Luxemburgo é o treinador mais vitorioso da era dos pontos 
corridos do Brasileirão com 214 vitórias (Fotos: Rafael Ribeiro/Vasco)

Quando todos esperavam a contratação do treinador argentino Jorge Sampaoli, eis que o Palmeiras surpreende e anuncia a volta de Vanderlei Luxemburgo para comandar o seu elenco milionário em 2020. Essa será a quinta passagem do “professor” pelo clube, onde conquistou dois Brasileiros (1993/94) e quatro Paulistas (1993/94/96 e 2008).

Luxemburgo assinou contrato para duas temporadas e trouxe junto com ele o preparador Antônio Melo e o auxiliar Maurício Copertino. O salário de R$ 600 mil/mês é o mesmo que o Vasco oferecia para mantê-lo no próximo ano.
Valorizado após o bom trabalho realizado no clube cruzmaltino no Brasileirão deste ano, o treinador aceitou prontamente o convite do Verdão apostando na melhor estrutura e elenco de qualidade, enquanto o Palmeiras joga suas fichas no passado vitorioso dele.

Com 67 anos de idade, essa será talvez a última grande oportunidade de Vanderlei Luxemburgo para mostrar que não está ultrapassado e ainda pode surpreender no futebol. Comparo essa chance como a que recebeu em 2005, quando foi contratado pelo Real Madrid para comandar um time galáctico. Naquela oportunidade, na Espanha, ele não foi feliz e sua passagem pelo clube merengue foi curta e sem brilho.

No Vasco, Luxemburgo livrou o time do rebaixamento e ainda 
conseguiu a classificação para a Copa Sul-Americana 
Mas no Brasil a sua carreira foi brilhante. Ouso dizer que ele foi o melhor treinador que vi no país desde que acompanho futebol. Estrategista e com visão do jogo muito além do olhar normal das pessoas, Luxemburgo surpreendia adversários muitas vezes com pequenas alterações táticas no decorrer dos jogos. Não por acaso conquistou cinco vezes o Campeonato Brasileiro e oito vezes o Paulistão.

Carioca de Nova Iguaçu, Luxemburgo jogou futebol – era lateral esquerdo – e vestiu as camisas do Flamengo, Internacional e Botafogo, onde encerrou sua carreira (1971 a 1980) por causa de uma grave contusão no joelho. Se dentro das quatro linhas não foi um craque, como treinador está entre os maiores do Brasil.

Estreou como técnico de futebol no Campo Grande, do Rio de Janeiro. Pouco tempo depois assumiu o Rio Branco, do Espírito Santo, onde conquistou o seu primeiro título do Estadual em 1983. Depois de rodar por Friburguense (RJ), Al-Ittihad (Arábia Saudita), Democrata (MG), Fluminense, América (RJ) e Al-Shabab (Arábia Saudita), foi no Bragantino (SP) que sua estrela começou a brilhar forte. No time do interior paulista conquistou os títulos da Série B do Campeonato Brasileiro de 1989 e o Campeonato Paulista de 1990.

A partir de então Luxemburgo decolou como treinador de futebol. Colecionou títulos e problemas extra campo. Comandou o Flamengo, Guarani, Ponte Preta, Palmeiras, Paraná, Santos, Corinthians, Cruzeiro, Atlético (MG), Grêmio, Sport e Vasco, além do Real Madrid e Tianjin Quanjian (China). Tamanho sucesso o levou à Seleção Brasileira em 1998, onde conquistou a Copa América (1999). Nessa época teve problemas com a Justiça por uso de documentação falsa e um processo de sonegação fiscal. Foi demitido após fracassar nas Olimpíadas de 2000, quando o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final após derrota para Camarões.

Apesar da muitas conquistas no futebol brasileiro, Luxa nunca levantou a taça da Copa Libertadores da América. Chegou perto com o Santos, mas foi eliminado pelo Grêmio na semifinal.

Agora é esperar para ver qual será o “projeto” que Luxemburgo está preparando para o Palmeiras em 2020.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Sucessão de erros de dirigentes levam o Cruzeiro à Série B do Brasileirão


POR ROBERTO MAIA

O Cruzeiro precisava vencer o Palmeiras e torcer por derrota 
do Ceará. Não conseguiu e jogará a Série B em 2020. 
(Fotos: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação)

A lista de clubes rebaixados para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro ganhou mais dois integrantes inéditos: Chapecoense e Cruzeiro. Agora, dos campeões da Série A, apenas Flamengo, São Paulo e Santos são os únicos que nunca caíram para a Série B.

Por estar entre os “grandes” há mais tempo e pelo histórico de conquistas, a queda do Cruzeiro ganhou as manchetes ao final da última rodada do Brasileirão 2019. Não bastasse o descenso, o vandalismo proporcionado por torcedores cruzeirenses após a derrota para o Palmeiras, no Mineirão, também foi destaque negativo.

Quando um time do porte do Cruzeiro é rebaixado vêm à tona uma série de razões que explicam a tragédia. Normalmente o motivo é quase sempre o mesmo, o seja, sucessão de erros de diretorias ao longo de algumas gestões. O resultado quase sempre são clubes endividados e sem condições de formar times fortes para a disputa dos campeonatos.

Mas com o Cruzeiro foi um pouco diferente. Apesar de estar sem dinheiro, montou um times com vários jogadores famosos e com salários altos. A fonte secou, os salários começaram a atrasar, os jogadores cobrando diretores via imprensa e por WhatsApp e os resultados em campo não vinham.

Como sempre fazem os dirigentes incompetentes, trocaram treinadores na esperança de aplacar a raiva da torcida e, quem sabe, conseguir vitórias e subir na tabela. Foi assim que Mano Menezes, trocado por Rogério Ceni, que saiu para a entrada de Abel Braga, que foi mandado embora para a chegada de Adilson Batista a poucas rodadas do fim do Brasileirão. Esperavam que Adilson – ídolo da torcida - fosse capaz de realizar o milagre de segurar o time na Série A.

Tudo em vão, afinal o problema não era o técnico. O enredo que explica a queda do clube celeste das Minas Gerais tem erros dentro de campo, diversos casos de falhas administrativas e até de corrupção de diretores e conselheiros.

Sem ameaçar em nenhum momento o Palmeiras, time 
cruzeirense sofrerá muitas mudanças para o próximo ano 
E o que está ruim pode piorar ainda mais. Se a situação financeira do Cruzeiro já é crítica, na Série B do Brasileirão em 2020, as receitas serão muito menores. Cotas de TV e premiações são bem inferiores que na elite do futebol brasileiro. Jogadores com salários altos – e atrasados – certamente deixarão o clube como forma de enxugar a folha de pagamentos do elenco.

Entre os absurdos erros cometidos, o presidente cruzeirense Wagner Pires de Sá, por desespero ou irresponsabilidade, antecipou junto à Rede Globo, cotas até outubro de 2022 no valor de R$ 70 milhões. Porém, para que o dinheiro entrasse à vista, o clube precisou abrir mão de R$ 12 milhões, o que na prática resultou em apenas R$ 58 milhões. E ao antecipar receitas que vão além do seu mandato, Sá descumpriu exigência prevista no Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidades Fiscal do Futebol Brasileiro - Profut. Sanções podem vir no futuro.

E antecipações não se limitaram à Globo. O clube também já recebeu suas cotas referentes aos campeonatos estaduais dos próximos dois anos. O mesmo também aconteceu com o dinheiro da Copa do Brasil de 2020. Outros adiantamentos vieram da Adidas, que fornecerá material esportivo em 2020 (R$ 2,5 milhões), e do Supermercados BH, futuro patrocinador máster da camisa (R$ 8 milhões).

Segundo o balanço de 2018, a dívida do Cruzeiro era de R$ 520 milhões. E a situação poderia ficar totalmente crítica se um empréstimo de R$ 300 milhões – autorizado pelo Conselho Deliberativo – fosse efetivado junto a um fundo internacional com juros de 9% ao ano. A operação acabou não sendo efetivada após as denúncias de casos de corrupção na diretoria.

O ano de 2020 será sofrido para a Raposa. E que sirva de lição para os demais clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Outros grandes também estão tão ou mais endividados que o Cruzeiros. Há gestões temerárias em curso aqui mesmo, em São Paulo. Como dizem por aí, um dia a conta chega! 


ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Red Bull promete “dar asas” ao Bragantino em 2020


POR ROBERTO MAIA

O Red Bull Bragantino foi campeão da Série B do Brasileirão 2019
com cinco rodadas de antecedência (
Fotos: RB Bragantino/Divulgação)

O noticiário sobre os grandes clubes de São Paulo nesta semana ficou bem concentrado no Palmeiros. E não sem motivo. Após a derrota para o Flamengo no último domingo, o clube demitiu de uma só tacada o treinador Mano Menezes e o diretor de futebol Alexandre Matos. O presidente do Verdão, Maurício Galiote, atendeu os pedidos das torcidas organizadas que vinham pedindo a cabeça dos dois.

Entre os nomes especulados para ocupar o cargo de Matos me chamou a atenção o de Thiago Scuro, CEO do Red Bull Bragantino, responsável pelo projeto de parceria que promete dar muito o que falar em 2020.

No futebol tudo pode mudar de uma hora para outra, mas os comentários é que ele prontamente rejeitou a proposta e continua à frente do futebol do campeão da Série B do Brasileirão 2019 – com cinco rodadas de antecedência.

E não é difícil entender o motivo dele dizer não para uma dos maiores clubes do País. O projeto que ele comanda em Bragança é totalmente profissional. Ele tem contrato até o final de 2023 e conta com o respaldo da empresa multinacional austríaca Red Bull. Enquanto que no Palmeiras – e na quase absoluta maioria dos clubes brasileiros – o que vale são os resultados imediatos e não há projetos de médio e longo prazos.

A confiança de Thiago Scuro em seguir à frente do Red Bull Bragantino certamente está amparada no histórico da empresa no esporte. Desde 2005, a empresa banca duas equipes na Fórmula 1, onde conquistou quatro títulos de construtores e quatro de pilotos. No mesmo ano também começou a investir no futebol com o RB Salzburg, na Áustria. O sucesso foi imediato e o time hoje é uma potência no pais com 14 títulos conquistados, incluindo um hexacampeonato (2014 a 2019). Também disputa a Liga dos Campeões da Europa.

O treinador Antônio Carlos Zago aposta na mescla 
de jogadores experientes com jovens valores

Em 2009, adquiriu o time alemão SSV Markranstädt. Batizado de RB Leipzig, ascendeu da quinta para a primeira divisão do país. Na Bundesliga foi vice-campeão em 2017 e garantiu classificação para a Liga dos Campeões. A terceira colocação neste ano mais uma vez levou o time à elite europeia.

Portanto, se o sucesso nas empreitadas anteriores se repetir no Brasil, certamente Scuro, que tem apenas 38 anos, poderá ficar muito mais valorizado no futuro. 

Na próxima temporada o Red Bull Bragantino disputará o Paulistão, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro – após 22 anos de ausência. Para não fazer feio são esperados grandes investimentos na contratação de jogadores e na infraestrutura. Se em 2019 o futebol contou com cerca de R$ 45 milhões, o próximo ano poderá ter a injeção de até R$ 200 milhões.

O Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista (SP), que tem capacidade para 17 mil torcedores, será reformado para a disputa do Brasileirão 2020. A ideia é ampliar para 20 mil lugares – capacidade mínima estabelecida pela Conmebol para receber partidas internacionais. Afinal, a Libertadores pode não ser um sonho distante. O projeto também inclui a construção de um novo centro de treinamento para a equipe profissional e sub-23.

O ex-goleiro do Corinthians, Julio César é um dos
mais experientes do Red Bull Bragantino

Confirmado para a próxima temporada, o treinador Antônio Carlos Zago teve o contrato renovado até o final de 2021. Ele aposta na mescla de jogadores experientes como o goleiro Júlio César (ex-Corinthians) e o jovem Claudinho, o meia de 22 anos, que foi o destaque do time e já é pretendido pelos grandes clubes do futebol brasileiro.

A Red Bull não está para brincadeira e se os objetivos forem alcançados, um novo ciclo no futebol nacional poderá ter início: o dos clubes-empresas.


ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

SANTOS DE JORGE SAMPAOLI SUPEROU EXPECTATIVAS NO BRASILEIRÃO 2019


POR ROBERTO MAIA

Jorge Sampaoli devolveu ao time as características ofensivas
que consagraram o Santos (Fotos: Ivan Storti/Santos FC)

Tirando o Flamengo que está muito acima dos demais clubes que disputam a Série A do Brasileirão, o Santos é a melhor surpresa da competição. O Alvinegro da Vila entregou muito mais do que se esperava dele. Ainda mais quando comparamos com os adversários do Estado – Palmeiras, São Paulo e Corinthians – que decepcionaram os seus torcedores. E, apesar de não conquistar títulos em 2019, o bom desempenho do time no Campeonato Brasileiro superou expectativas. 
Ninguém poderia supor que o time que terminou a temporada de 2018 na décima colocação e chegou a frequentar a zona de rebaixamento pudesse ir tão bem esse ano. Ainda mais perdendo jogadores importantes como Gabigol, Dodô e Bruno Henrique entre outros.

Contra todos os prognósticos, o presidente José Carlos Peres investiu pesado em jogadores e surpreendeu ao contratar o treinador argentino Jorge Sampaoli. Gastou mais de R$ 75 milhões em 14 contratações, sendo o maior investimento em Cueva, que custou R$ 29 milhões. Apesar disso, o peruano não se firmou com a camisa santista, ficando até fora do banco de reservas em alguns jogos.

Entre as contratações acertadas estão o goleiro Everson, os laterais Felipe Jonatan e Jorge, o zagueiro Felipe Aguilar e os atacantes Marinho e Soteldo, que se encaixaram muito bem no esquema de Sampaoli.

Tudo começou a ir bem dentro de campo. Antes do Flamengo decolar no segundo semestre nas mãos do português Jorge Jesus, o Santos era a surpresa boa do Campeonato Brasileiro. Diferentemente do jogo extremamente defensivo com que os demais times praticavam, o conjunto santista comandado por Sampaoli buscava o ataque o tempo todo e muita rapidez na recomposição.

Tamanho arrojo culminou em algumas derrotas por goleadas ao longo do ano como os 5 a 1 para o Ituano e os 4 a 0 contra o Botafogo de Ribeirão Preto e também pelo Palmeiras. Mas elas serviram para ajustes no esquema tático.


Porém, fora das quatro linhas a relação entre o presidente santista e o treinador se deteriorava. Ambos passaram a travar uma guerra fria com declarações fortes através da imprensa. A demora na contratação de reforços e as condições financeiras do clube deixavam Sampaoli bastante irritado. Apesar disso, o time chegou inclusive a liderar o Brasileirão em algumas rodadas.

A comunicação entre ambos ficou impossível. Em uma tentativa de melhorar a relação profissional, em junho, o Santos contratou Paulo Autuori, ex-treinador que passaria a dirigente com a missão de ser o interlocutor entre o técnico e a diretoria. Com muita experiência no futebol, Autuori desempenhou a função de maneira satisfatória até a semana passada. Ele pediu demissão e reclamou publicamente da interferência do presidente, que pediu a escalação de Cueva, que está afastado por problemas técnicos e disciplinares.

Sem o elo de ligação a permanência de Sampaoli em 2020 é incerta, apesar de ainda ter mais uma ano de contrato pela frente. Dentro do clube poucos acreditam que ele continue. Ainda mais agora que o Racing, da Argentina, demonstrou interesse no treinador para substituir Eduardo Coudet, que comandará o Internacional no próximo ano.

Caso a saída de Sampaoli se confirme será ruim para o clube e também para o futebol brasileiro. Sua permanência poderia gerar frutos na temporada que vem. Com algumas contratações pontuais e com os atuais jogadores acostumados aos métodos ofensivos colocados em prática esse ano, quem sabe o Santos não seria capaz de surpreender ainda mais e conquistar títulos. 


ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O FLAMENGO VOLTOU A SER FLAMENGO. SORTE DO FUTEBOL BRASILEIRO!

POR ROBERTO MAIA

A nação rubro-negra está em festa: os jovens que nunca viveram essa
experiência e os mais velhos que relembram as conquistas de 1981 
O Flamengo vive um momento mágico. Exaltado por sua legião de torcedores e também pela imprensa especializada, o Mengão pode escrever no próximo final de semana mais um capítulo épico na sua gloriosa história de 124 anos.

No sábado, dia 23, entra em campo para encarar o poderoso River Plate, da Argentina, na final da Conmebol Libertadores 2019 em jogo único que será disputado no Estádio Monumental de Lima, no Peru. Desde 1981, quando contava com um time de craques e tinha em Zico a estrela maior, o time carioca não chegava à final do torneio continental.

Naquele ano, o Flamengo conquistou o seu único título da Libertadores após vencer o Cobreloa, do Chile, por 2 a 0 em um jogo de desempate realizado no Estádio Centenário, no Uruguai.

No mesmo ano, o Mengão de Zico e companhia foi campeão do mundo ao vencer o Liverpool na então chamada Copa Intercontinental por 3 a 0, gols de Nunes (2) e Adílio em jogo único realizado no Japão. Agora, caso vença o River Plate, o destino caprichosamente colocará o time inglês mais uma vez o caminho do Rubro-Negro. Será uma histórica revanche após 38 anos.

A nação rubro-negra está em êxtase sonhando com o final de semana perfeito: ser campeão da Libertadores no sábado e campeão brasileiro no domingo, mesmo sem entrar em campo. Essa possibilidade é real e possível. O título do Brasileirão irá para a Gávea se o Palmeiras não vencer Grêmio. Nesse caso, o Verdão, que ocupa a segunda colocação com 68 pontos, não mais alcançaria o time carioca restando apenas mais quatro rodadas no Brasileirão.

Gabriel Barbosa, o Gabigol, é a cara do Flamengo que pode conquistar 
a Libertadores e o Brasileirão no próximo final de semana

O Flamengo não será campeão brasileiro no domingo se o Palmeiras vencer o Grêmio. E para não depender de tropeços do time paulista, o Mengão terá que conquistar os dois pontos que lhe faltam nos jogos seguintes: Ceará (27/11), Palmeiras (01/12), Avaí (04/12) e Santos (08/12).

Se os objetivos forem alcançados não será apenas o Flamengo do artilheiro Gabigol que sairá ganhando. O futebol brasileiro poderá entrar em uma nova era. Ou melhor, pode retomar uma característica que consagrou um estilo de jogo que privilegiava o ataque e nos deu cinco títulos mundiais. Um jeito de jogar que fez escola mundo afora. Éramos reconhecidos e imitados na medida do possível. 

Aos europeus, por exemplo, faltava a ginga e a habilidade dos nossos jogadores. Com poder financeiro muito superior ao nosso, levaram e levam até hoje os melhores jogadores que surgem no Brasil e em qualquer outro lugar do planeta.

Antigamente, garotos que jogavam em campinhos de terra sonhavam defender um dos grandes clubes brasileiros e se tudo desse certo chegar a vestir a camisa amarela da nossa Seleção. Hoje já não é mais assim. Crianças e seus país sonham em serem “sequestrados” por times da Europa e ficarem milionários. E se não derem a sorte de ir para um dos gigantes times europeus, serve também clubes do leste europeu, China e outros destinos menos votados.


O treinador português Jorge Jesus resgatou o jeito de jogar
no ataque que consagrou o futebol brasileiro no mundo
O atual Flamengo pode mudar um pouco essa deprimente situação. O Brasil continuará perdendo os jovens talentos para a Europa, mas poderá lucrar mais com essas transações. Por outro lado, coube a um treinador português mudar o rumo do futebol brasileiro. Jorge Jesus chegou ao Rio de Janeiro e colocou o time para jogar no ataque. Não muito diferente do que fez Paulo César Carpegiani, o treinador do time multicampeão em 1981.

Tomara que daqui para a frente as coisas sejam diferentes. Chega de retrancas e jogar por uma bola!

Fotos: Alexandre Vidal, Marcelo Cortes & Paula Reis/Flamengo

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA