quinta-feira, 16 de abril de 2020

Quarentena sem futebol deixa tudo ainda mais difícil

POR ROBERTO MAIA

A Turma do Hidrante se reúne antes de todos os jogos do Timão para confraternizar com churrasco e muita cerveja (Foto: Reprodução/Facebook)

Após um mês de isolamento domiciliar a ansiedade aumenta proporcionalmente ao crescimento do número de infectados pelo novo coronavírus (Covid-19). O Ministério da Saúde revisou os números e anunciou que o pico da pandemia no Brasil ocorrerá entre julho e agosto. A notícia me atingiu fortemente. Até porque imaginei que em maio o futebol brasileiro já estaria de volta. Agora tenho dúvida disso.

Para alguém como eu que adora futebol e com frequência vai aos estádios e não perde um jogo importante na televisão, a ausência da bola rolando causa um enorme vazio. No início da quarentena até que foi fácil. Muitos jogos antigos sendo reprisados ajudaram a suprir dependência. Mas, agora, me pergunto até quando isso vai. Tenho certeza que tal como eu estou me sentido, muitos e muitos outros torcedores estão passado pelo mesmo problema.

Futebol, churrasco, cerveja e muita resenha

Na chamada “Praça do Cabral”, em Artur Alvim, todos conhecem a “disciplina”: cada um leva um quilo de carne ou linguiça e a bebida que irá consumir 
(Foto: Reprodução/Facebook)
Conheço muitas pessoas que para elas um domingo de futebol é uma celebração, que vai muito além dos 90 minutos do jogo com a bola rolando. Uma tradição que cresceu em São Paulo são grupos de amigos que se reúnem em praças e ruas próximas aos estádios para confraternizarem com churrasco e muita cerveja.

O jogo acontece normalmente às 16h, mas antes das 10h da manhã já tem gente chegando e iniciando os preparativos da “festa”. Armar a churrasqueira, colocar as cervejas para gelar e arrumar o ambiente. Por volta do meio-dia, o grupo soma algumas dezenas de pessoas. Cantam o hino do clube, soltam rojões, comem e bebem muito. E a resenha corre solta até pouco antes da hora do início do jogo.

No final da partida, boa parte dos integrantes do churrasco ainda se reúne para comemorar ou lamentar o resultado. E, claro, beber mais algumas latinhas de cerveja enquanto esperam o trânsito fluir para então voltarem para suas casas.

Na segunda-feira, através dos grupos de WhatsApp, a discussão continua e os preparativos para o próximo churrasco têm início. E tudo funciona sem problemas. Todos já conhecem a chamada “disciplina”, ou seja, cada um leva um quilo de carne ou linguiça e a bebida que irá consumir. A liderança do grupo determina também quem serão os responsáveis por levar o gelo, o pão, o limão e a cachaça para a caipirinha.

Um amor inexplicável e difícil de entender

Para muitos torcedores, acompanhar o time do coração faz parte de uma rotina da qual não conseguem viver sem (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians)
O amor pelo time de coração leva os torcedores a aventuras inimagináveis por aqueles que não levam o futebol tão à sério. Os mais fanáticos acompanham o time por todas as partes do Brasil e até do exterior. E nem sempre são integrantes de torcidas organizadas, que já dominam a logística das viagens para apoiar o time. São pessoas comuns que sozinhas ou na companhia de mais alguns amigos dividem as despesas de um carro com destinos a cidades próximas ou bem distantes. Outros preferem comprar passagem de avião, enquanto quem não pode gastar muito encara horas e horas a bordo de ônibus de linha mesmo.

Muita gente acha isso uma loucura e chamam esses torcedores de fanáticos, loucos, irresponsáveis, etc. Porém, para essas pessoas acompanhar o time é parte da vida. Uma rotina da qual não conseguem viver sem.

Para finalizar, lembro de um figurão que há alguns anos deu um grande golpe no mercado, lesando financeiramente muita gente. O sujeito era dono de uma operadora de viagens das grandes, algo como é a CVC atualmente. Do dia para noite, a empresa parou de funcionar deixando os muitos clientes desamparados, sem as viagens adquiridas e sem o dinheiro gasto. Quando a polícia entrou no jogo o sujeito já estava longe. Sua prisão foi decretada e ele considerado foragido.

Alguns meses depois, em uma final de campeonato entre o Corinthians e o São Paulo em um Morumbi abarrotado de torcedores, encontrei o cidadão com óculos escuros, boné e a camisa do seu time. Encostei nele e falei: “você está correndo o risco de ser preso e vem ao estádio assistir ao jogo”. A resposta dele: “Eu sei, mas não consegui não vir. Eu precisava estar aqui hoje”.

Concluindo. Ele não foi preso, continuou foragido até ninguém mais lembrar dele e de quebra saiu feliz do estádio porque o seu time foi campeão.
 
ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Bastidores do Corinthians estão agitados durante a parada do futebol


POR ROBERTO MAIA

Mário Gobbi comandou o Corinthians entre 2012 e 2014, período em conquistou vários títulos, entre eles a Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA
(Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians)

O Campeonato Paulista está paralisado devido à pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19), os clubes deram férias coletivas aos jogadores até 20 de abril e os clubes estão com os portões fechados aos associados. Porém, a agitação tem sido intensa através das mídias sociais e grupos do WhatsApp.

Com eleições marcadas para o próximo mês de novembro, a temperatura anda bem alta nos bastidores do Parque São Jorge, a sede social do Corinthians. Com dívidas altíssimas, a situação financeira do Timão pode ainda se agravar muito mais em virtude da ausência de receitas durante a paralização por conta do Covid-19. Grupos de oposição ao presidente Andrés Sanchez trabalham incessantemente na tentativa de viabilizar condições para tirá-lo do comando do clube.

Pouco antes da decretação do isolamento social em São Paulo, opositores protocolaram um requerimento pela rejeição das contas do clube do exercício de 2019. A reunião do Conselho Deliberativo para analisar o tema estava marcada para acontecer em abril, mas deverá ser adiada para mais adiante. Especulações dão conta que o déficit – apenas em 2019 - seja algo em torno de R$ 170 milhões. Caso as contas sejam rejeitadas, Andrés Sanchez poderá sofrer processo de impeachment. Importante ressaltar que essa dívida em questão não leva em conta as da Arena Corinthians que é administrada de forma isolada das contas do clube e também tem números milionários.

O documento foi encaminhado a Sanches, ao Conselho de Orientação (CORI) e ao Conselho Deliberativo e tem como base empréstimos realizados pela presidência - superiores a R$ 10 milhões em 2019 - sem aprovação do CORI como pede o estatuto do clube. Ressalta também o fato de o déficit superar 20% da receita, o que pode implicar exclusão do programa de refinanciamento Profut. Nesse caso, a União poderá executar a dívida fiscal que é superior a R$ 300 milhões. Segundo o requerimento, o Corinthians possui receita em torno de R$ 450 milhões e, portanto, o déficit poderia alcançar até R$ 90 milhões. 

O grupo Movimento Corinthians Grande, liderado por Felipe Ezabella,
apoia a candidatura de Mário Gobbi à presidência (Foto: MCG/Divulgação) 
Um dos signatários do requerimento é Felipe Ezabella, um dos líderes do grupo oposicionista Movimento Corinthians Grande e que concorreu à presidência na eleição passada. O MCG tem tentado unir forças com outros setores de oposição e trabalha para conseguir apoios necessários para vencer o próximo pleito e tirar o grupo Renovação & Transparência que está no poder desde 2007.

Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Na segunda-feira passada, dia 6 de abril, realizou uma reunião virtual que reuniu mais de 50 pessoas para discutir os próximos passos das articulações. A novidade foi a participação do ex-presidente Mário Gobbi Filho, que surge como um nome forte na corrida eleitoral alvinegra. Gobbi comandou o clube entre 2012 e 2014, período em que o Corinthians conquistou seus maiores títulos, a Libertadores da América e o bicampeonato do Mundial de Clubes da FIFA.

Durante seu pronunciamento na reunião do MCG, Gobbi não confirmou que irá concorrer, mas deixou claro que caso tome a decisão não aceitará qualquer tipo de barganha por cargos em sua possível gestão. Segundo ele, para tirar o clube da atual situação caótica em que se encontra, será necessário realizar uma gestão austera e profissional com pessoas do mais alto nível em suas respectivas áreas de atuação.

Mário Gobbi tomou conhecimento do programa de gestão elaborado pelo MCG e gostou. Os próximos meses prometem ser de muita ebulição nos bastidores do Parque São Jorge. Atualmente, apenas duas candidaturas à presidência foram lançadas oficialmente: Augusto Melo (conhecido como Tio) e Paulo Garcia, empresário do grupo Kalunga.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA .


quinta-feira, 2 de abril de 2020

O que será do futebol brasileiro após o fim da pandemia?


ROBERTO MAIA

A FIFA irá disponibilizar R$ 7,8 bilhões para auxiliar o futebol em todo o mundo 
(Foto: FIFA.com/Divulgação)

Recentemente comentei nesse espaço que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) havia comunicado através do seu presidente Gianni Infantino, uma série de ações em auxílio ao futebol. Na oportunidade ele disse que a entidade máxima do futebol mundial estava planejando a criação de um fundo global de assistência aos que forem afetados pela crise global causada pelo novo coronavírus (covid-19) e, também, para resolver situações contratuais de jogadores ao final da temporada, além da doação de US$ 10 milhões à Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate à pandemia.

No dia 31 de maço, a FIFA confirmou que o plano irá disponibilizar cerca de US$ 1,5 bilhão – algo em torno de R$ 7,8 bilhões - das suas reservas. O objetivo é auxiliar a comunidade do futebol em todo o mundo, que está abalada pelas perdas causadas pela paralisação dos campeonatos. A liberação dos recursos do fundo ainda depende de aprovação do conselho consultivo da Federação. Segundo o mais recente balanço da entidade, há cerca de US$ 2,74 bilhões – mais ou menos R$ 14,24 bilhões - em caixa.

Enquanto isso, no Brasil, não há nenhuma sinalização de como se dará o retorno das atividades esportivas quando o isolamento domiciliar for suspenso. Clubes tentam, individualmente, negociar com seus atletas e comissões técnicas, formas de reduções de salários para que possam continuar honrando os compromissos com a folha de pagamento. Ficou definido que os atletas estarão em férias coletivas entre os dias 1º e 20 de abril.

A Federação Nacional de Atletas de Futebol Profissional (Fenapaf) e o Sindicato dos Atletas de Futebol demonstram interesse e negociam com clubes, Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Rede Globo. Além do tema redução salarial também demonstram preocupação quanto à indefinição sobre a conclusão dos campeonatos estaduais paralisados por causa da pandemia.


Se a pandemia deixar, o Brasileirão 2020 terá início no primeiro final de semana de maio (Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação)


As entidades que representam os jogadores também estão sugerindo à CBF um novo modelo de disputa para o Campeonato Brasileiro 2020, com menos datas que o normal. Eles entendem que dependendo de quando as atividades voltarem ao normal, o Brasileirão somente conhecerá o campeão da temporada em 2021. A proposta apresentada contempla um campeonato com dois grupos de dez times jogando entre si. O campeão seria conhecido em jogos entre os dois primeiros colocados de cada um dos grupos.

Essa ideia, porém, não agrada à Rede Globo que há muitos anos tem o futebol em sua grade de programação e contrato garante a transmissão de jogos das 38 rodadas. O Brasileirão está previsto para começar no primeiro final de semana de maio, no sistema de pontos corridos.

Mas tudo vai depender de quando as atividades voltarão ao normal. No melhor dos cenários, dia 20 os jogadores retornam das férias/isolamento e iniciam os treinos. Mais de 140 jogadores dos times do interior paulista ficarão sem contrato no final de abril. Caso consigam manter os atletas, a inatividade exigirá no mínimo 15 dias para começarem a readquirir a forma física. O que coincidirá com o início do Brasileirão. Nesse caso, como ficaria a conclusão dos campeonatos estaduais? Talvez possam ser utilizadas datas entre junho e julho, período em que seria realizada a Copa América, que foi adiada para o próximo ano.

O problema será se a pandemia avançar além de abril aqui no Brasil, levando a medidas mais rigorosas para a contenção do covid-19. Nesse caso o futebol não será o mais importante e sim a manutenção da saúde de todos. Afinal, precisamos estar bem para quando tudo isso passar e podermos voltar a lotar os estádios para assistir aos times de coração. Portanto, agora, fique em casa!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

sexta-feira, 27 de março de 2020

Covid-19 muda a rotina e o negócio é rever os melhores momentos dos craques do futebol


POR ROBERTO MAIA

Ronaldo Fenômeno encantou a torcida do Corinthians no final da sua carreira 
(Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians)
As ações implementadas pelo Ministério da Saúde e pelos governos estaduais para tentar conter a propagação do novo coronavírus (Covid-19) entre os brasileiros, desencadeou uma séria de alterações na rotina de todos nós. O isolamento domiciliar levou de um dia para o outro milhões de pessoas para dentro das suas residências. Muita gente, como eu, está trabalhando em home office, enquanto outras tantas apenas está se protegendo.

As redes de televisão tiveram que mudar drasticamente suas programações como forma de também preservar seus artistas e jornalistas. Já as operadoras de TV à cabo lançaram opções para entreter a população dentro de casa.

Quem gosta de esportes certamente está estranhando muito as alterações. Com a paralisação dos campeonatos de todas as modalidades em todo o mundo, ficou um vazio muito grande.

A saída encontrada foi reprisar programas e jogos importantes de várias décadas. Num desses tours pelos canais encontrei um que estava mostrando gols e jogadas do Ronaldo Fenômeno. Um outro mostrou jogadas mágicas do Ronaldinho Gaúcho, que por causa do Covid-19 praticamente foi esquecido na prisão de Assunção, no Paraguai.

Fluminense foi o último time onde Ronaldinho Gaúcho mostrou seu futebol
aos brasileiros (Foto: Flickr/Fluminense/Divulgação)
Confesso que fiquei emocionado ao assistir lances protagonizados por esses dois gênios do futebol mundial. Muitos desses shows que ambos proporcionaram aconteceram em uma época em que as mídias sociais não tinham essa importância que têm hoje em dia. Uma pena. E como os dois tiveram o auge em suas carreiras enquanto atuavam na Europa, muitos brasileiros não tiveram a oportunidade de acompanhar e se orgulhar.

Já na fase final da carreira de ambos, atuando no Brasil, ainda pudemos ver um pouco da genialidade que tinham com a bolo nos pés. Ronaldo Fenômeno encantou a torcida do Corinthians mesmo jogando bem acima do peso. Já Ronaldinho jogou no Flamengo, Atlético-MG e Fluminense. Mas foi no Galo mineiro que ele conquistou a Libertadores da América mostrando todo o seu repertório.

Enquanto nossas vidas não voltem ao normal, o negócio é continuar assistindo aos lances e jogadas de outros grandes do futebol mundial. Na TV ou no YouTube.

E vale lembrar também que os cuidados com a prevenção devem ser mantidos. Portanto, fique em casa; lave as mãos regularmente com água e sabão ou usar álcool em gel 70% para mantê-las sempre limpas; utilize o antebraço para cobrir a boca e o nariz quando espirrar ou tossir; não toque mucosas de olhos, nariz e boca com as mãos; evite proximidade com pessoas tossindo ou espirrando, mantendo a distância de um metro; e não compartilhar objetos de uso pessoal.

Tudo isso vai passar!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA




quinta-feira, 19 de março de 2020

Coronavírus parou o mundo dos esportes


POR ROBERTO MAIA

No Brasil e no mundo os campeonatos foram suspensos para 
evitar a propagação do Covid-19 (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Para os amantes dos esportes o coronavírus (Covid-19) está sendo um duro golpe. Mas a saúde pública está acima de tudo nesse momento complicado para a humanidade. Porém, o isolamento forçado ao qual temos que cumprir com responsabilidade, fica ainda mais triste sem as notícias esportivas e os muitos jogos televisionados aos quais nos acostumamos. Mas os atletas também têm que ser preservados.

Estádios, quadras e pistas do mundo inteiro estão vazias. Todos os campeonatos estão parados. Competições foram canceladas. Os Jogos Olímpicos de Tóquio correm o risco de não serem realizados. Creio que algo semelhante ocorreu apenas durante a II Guerra Mundial, que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do planeta. Agora também estamos travando uma guerra, mas contra um inimigo invisível que une todos os países em prol da vida. Quem diria isso acontecer um dia!

Em meio à pandemia, vemos atletas, clubes e federações contribuindo de forma voluntária para o combate ao Covid-19. Destaque para o francês Rudy Gobert que doou 500 mil dólares (R$ 2,4 milhões) para os funcionários da arena do Utah Jazz (Oklahoma), o seu time na NBA. O pivô foi o primeiro atleta a contrair o coronavírus, o que motivou a suspensão da temporada da principal liga do basquete dos Estados Unidos. Interessante lembrar que Gobert antes de contrair a doença zombou da precaução excessiva que levou alguns jogos a serem disputados sem público. 
Jogadores do Botafogo entram em campo com máscaras para 
alertar sobre o coronavírus (Reprodução: botafogo.com.br)

No Brasil, jogos foram realizados com portões fechados no último final de semana, apesar do exemplo vindo de fora, onde muitas ligas paralisaram seus campeonatos. Jogadores e treinadores protestaram. Atletas do Grêmio e do Botafogo entraram em campo usando máscaras cirúrgicas. O treinador gremista Renato Portaluppi criticou e até cogitou a realização de uma greve caso a continuidade do Estadual não fosse revista.

No jogo do Corinthians contra o Ituano pelo Paulistão com as arquibancadas vazias, o sistema de som da arena de Itaquera simulava os gritos da torcida. A ação sem precedentes de nada adiantou. O time comandado por Tiago Nunes não engrenou e empatou com o time de Itu deixando a classificação para a próxima fase bem complicada. Isso se houver uma próxima fase. Como ninguém sabe quanto tempo essa situação perdurará, a continuidade do campeonato está sob risco.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) paralisou todas as competições nacionais em andamento. Antes a Conmebol já havia suspendido a Copa Libertadores, a Sul-Americana e o início das Eliminatórias para a Copa do Mundo.

O presidente da FIFA Gianni Infantino 
anunciou uma série de ações em auxílio 
ao futebol (Reprodução: FIFA.TV)
A FIFA também anunciou o adiamento da Eurocopa, da Copa América e o cancelamento do novo Mundial de Clubes que estava marcado para acontecer em junho e julho de 2021. Em um comunicado, o presidente Gianni Infantino anunciou uma série de ações em auxílio ao futebol. Segundo ele, estão em planejamento a criação de um fundo global de assistência aos que forem afetados pela crise e, também, para resolver situações contratuais de jogadores ao final da temporada. Além dessas importantes medias, também doará US$10 milhões à Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate ao Covid-19.

Antes de terminar, aproveito para reforçar que o momento exige a colaboração de todos nós. Com responsabilidade vamos vencer essa guerra. Infelizmente haverá baixas, mas o mundo sobreviverá e logo estaremos curtindo o nosso futebol novamente. Mas precisamos fazer a nossa parte. Não espalhe fake news e busque informações somente de fontes confiáveis. Lave as mãos, use e abuse do álcool em gel, mantenha os ambientes arejados, evite aglomeração e pratique o isolamento social.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

segunda-feira, 16 de março de 2020

Ascensão e queda do “Bruxo” do futebol mundial


POR ROBERTO MAIA

Na Seleção Brasileira Ronaldinho Gaúcho marcou o seu nome
ao conquistar o pentacampeonato mundial em 2002 (Foto: Arquivo/CBF)
Confesso que fiquei muito triste quando vi as imagens de Ronaldinho Gaúcho algemado ao ser levado para um presídio em Assunção, no Paraguai. Aqui não entro no mérito se a prisão é justa ou injusta, afinal todos devemos ser tratados de forma igualitária perante a Justiça. O ex-craque e o seu irmão e empresário Roberto de Assis estão sendo investigados por uso de passaportes falsos no país vizinho.

Sinto tristeza porque acompanhei a carreira genial do meia-atacante endiabrado com a bola nos pés. A habilidade de Ronaldinho é difícil de explicar para os mais jovens que cresceram vendo jogos onde a força física e os esquemas táticos engessados sobrepõem a habilidade técnica. Sem pensar muito eu diria que ele foi um dos jogadores mais talentosos e brilhantes da sua geração. Sem dúvida um dos maiores de todos os tempos. Tanto que ganhou o apelido de “Bruxo”. Merecido diga-se!

O garoto franzino, dentuço e de sorriso fácil surgiu para o futebol em 1998 vestindo a camisa do Grêmio. O apelido Gaúcho veio para diferenciá-lo do Ronaldo Fenômeno que à época era chamado apenas de Ronaldinho.

A genialidade do R10 foi eternizada com a marca de seus pés na 
Calçada da Fama  do Maracanã, no Rio de Janeiro (Foto: Daniel Guimarães/CBF)
Rapidamente o Brasil ficou pequeno para o seu futebol e em 2001 ele partiu para a Europa para defender o Paris Saint-Germain. Sua passagem pelo futebol francês não empolgou e após duas temporadas e muitos problemas com o treinador ele se transferiu para o Barcelona.

E foi na Espanha que ele viveu os melhores anos de sua vida no futebol. Vestindo a camisa do Barça ele conquistou dois títulos do Campeonato Espanhol (2004/05 e 2005/06), a Supercopa da Espanha (2005 e 2006) e a Liga dos Campeões da Europa na temporada 2005/06. Também foi eleito duas vezes o Melhor Jogador do Mundo pela FIFA (2004 e 2005).

Foi o primeiro futebolista na história a ter conquistado a Champions League, a Libertadores da América, a Copa do Mundo e ter sido eleito o melhor do mundo.

Ver Ronaldinho em campo era mais que assistir a um jogo de futebol. Era encantamento e alegria por suas jogadas geniais. Impossível esquecer seus gols fantásticos, arrancadas absurdas, dribles e elásticos desconcertantes. Até as torcidas adversárias o reverenciavam. Tanto que em um jogo do Barça contra o rival Real Madrid no Santiago Bernabeu lotado ele foi aplaudido de pé pelos torcedores madrilenhos.

Em sua passagem pela Europa ainda vestiu a camisa do Milan da Itália, antes de votar ao Brasil para defender o Flamengo e cair nos braços da nação rubro-negra. Depois se transferiu para o Atlético-MG onde conquistou a Libertadores de 2013. Nesse mesmo ano foi eleito o Rei da América, em eleição anual do diário El País, do Uruguai. Na fase final da carreira ainda atuou pelo Querétaro (México) e Fluminense.

Seleção Brasileira - Com apenas 19 anos estreou na Seleção Brasileira, em 1999, em um jogo da Copa América daquele ano contra a Venezuela. E logo mostrou quem ele era ao marcar um golaço após aplicar um chapéu no zagueiro e estufar a rede. Ronaldinho vestiu a amarelinha em 101 jogos e marcou 35 gols, além de conquistar o pentacampeonato mundial em 2002.

Atualmente o R10 é embaixador do turismo do Brasil e também do Barcelona, clube em que fez história. No próximo dia 21 de março Ronaldinho completará 40 anos, provavelmente atrás das grades. Uma pena!

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA

sexta-feira, 6 de março de 2020

Fase do Corinthians preocupa e acirra corrida eleitoral


POR ROBERTO MAIA

Trabalho de Tiago Nunes já é questionado por causa do desempenho ruim no início da temporada 

Daqui há pouco mais de sete meses, o Corinthians terá eleição para escolher o seu próximo presidente e desde já vive muita agitação em torno dos nomes que brigam para substituir Andrés Sanchez. Torcedores, associados e conselheiros se mobilizam mas mídias sociais e dentro do Parque São Jorge preocupados com o futuro do clube.

Até o momento duas candidaturas já foram lançadas oficialmente: os empresários Augusto Mello, conhecido como Tio, e Paulo Garcia, do grupo Kalunga. Grupos de oposição têm realizado reuniões na tentativa de conseguir a união através de um candidato forte e de consenso que possa entrar na disputa com chances reais de vitória. Nesse sentido surgiu nos últimos dias o nome do ex-presidente Mario Gobbi Filho, que inicialmente tem negado essa possibilidade. Mas como no Corinthians tudo muda num piscar de olhos, não é impossível que o delegado possa entrar na corrida presidencial do Timão.

Gobbi foi um dos mentores do grupo Renovação & Transparência que está no poder corinthiano desde 2007. Ele foi um dos pilares em defesa da candidatura de Andrés Sanchez que culminou com a queda do então presidente Alberto Dualib. Se aceitar ser candidato terá que convencer os associados que deixou o grupo R&T por não mais concordar com os métodos de gestão da atual diretoria. A seu favor pesa o fato ter sido o presidente que obteve as maiores conquistas da história do Corinthians: a Libertadores de 2012 de forma invicta e o Mundial de Clubes da FIFA.

Aliados defendem que ele poderá em um novo mandato fazer ainda mais, visto que em sua gestão anterior teve muitos atritos com Andrés Sanchez nos bastidores. Porém, o atual presidente ainda tem muitos apoiadores dentro do clube e do Conselho Deliberativo. Mas em seu segundo mandato tem enfrentando muitos problemas. Ele foi eleito com a promessa de resolver todas as pendências envolvendo a Arena Corinthians, além de continuar mantendo times fortes e capazes de manter o ciclo de conquistas dos últimos anos. Mas não tem tido muito sucesso.

Luan também vem recebendo críticas e está muito distante da fase que o consagrou no Grêmio 
como o “Rei da América” (Fotos: Daniel Augusto Jr./Ag.Corinthians)
O ano não começou muito bem para Andrés. Após contratar Tiago Nunes, treinador revelação das últimas temporadas comandando o Athético-PR, e jogadores como Luan do Grêmio, o time não tem conseguido bons resultados em campo. Logo no início da temporada participou do torneio Florida Cup e deixou escapar o título para o rival Palmeiras. Depois foi eliminado da pré-Libertadores novamente para o Guarany do Paraguai na sua arena de Itaquera. Não bastasse isso, está amargando a lanterna do seu grupo no Campeonato Paulista e correndo o risco de ficar fora das fases decisivas. Situação péssima para quem é o atual tricampeão do Paulistão.

Torcedores e alguns nomes importantes da imprensa esportiva já questionam o trabalho de Tiago Nunes e a qualidade do elenco para a temporada. Com todos esses ingredientes os próximos meses prometem ser bem agitados para o Corinthians – dentro e fora dos gramados.

ROBERTO MAIA É JORNALISTA, CRONISTA ESPORTIVO, EDITOR DA REVISTA QUAL VIAGEM E DO PORTAL TRAVELPEDIA.COM.BR