terça-feira, 22 de agosto de 2017

Muitos jogos, elencos limitados e planejamentos ruins

POR ROBERTO MAIA

Também com excesso de jogos, Corinthians mostra desempenho 
incomum na temporada (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag.Corinthians)

Nessa altura do ano é comum alguns técnicos de times grandes reclamarem do excesso de jogos e da falta de tempo para treinamento. No início da temporada o discurso era outro. Elogiavam suas diretorias e os seus elencos, garantindo aos torcedores que teriam todas as condições de enfrentar os vários campeonatos que teriam pela frente. Tal como seus treinadores, alguns dirigentes também já reclamam do calendário inchado. Porém, foram eles que aceitaram a empreitada, de olho apenas no dinheiro que poderia render aos seus clubes e não reforçaram suficientemente seus elencos.

Os mandatários dos principais clubes brasileiros aceitam tudo o que confederações, federações e a Rede Globo impõem a eles. Não é possível que sejam tão burros e capazes de imaginar que com seus elencos limitados poderão fazer frente a tantas taças em disputa. Não bastassem os campeonatos estaduais, o Brasileirão, a Copa do Brasil, a Libertadores e a Sul-Americana, alguns clubes ainda participam da Primeira Liga e da Copa do Nordeste. Sem falar do torneio Florida Cup (Corinthians, São Paulo e Bahia) e a Recopa (Chapecoense).

Disputando simultaneamente cinco campeonatos e tendo que percorrer longas distâncias dentro do Brasil e da América do Sul, claro que sobra muito pouco tempo para treinar. Para fazer frente a essa maratona seriam necessários elencos grandes e fortes, bem como times distintos para cada uma das disputas. O que não ocorre. Seja por falta de dinheiro, planejamento errado ou com receio da pressão dos torcedores.

Ao Palmeiras restou o Brasileirão, apesar do elenco numeroso 
para disputar quatro campeonatos (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras)
Alguns clubes deram sinais que estavam se preparando adequadamente. Casos de Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, por exemplo. O resultado em campo, porém, provou o contrário até o momento.

Para explicar a campanha do Corinthians nessa temporada, alguns treinadores e dirigentes usam a justificativa que o Timão joga menos que os adversários. Não é verdade. A equipe do técnico Fábio Carille foi uma das que mais atuou em 2017. Até agora, foram 51 partidas disputadas, com uma média de um jogo a cada 4 dias.

Sim é difícil explicar o que está ocorrendo com o Corinthians. Diferentemente dos clubes citados acima, não tem um grupo grande de jogadores. E não tem craques que desiquilibram e decidem jogos sozinhos. Nos jogos disputados venceu 31 vezes, empatou em 17 oportunidades e sofreu apenas três derrotas no ano. Sem dúvida um retrospecto fora da curva normal de desempenhos.

O Timão também sofre com o excesso de jogos. Mas não sofreu pressões e nem críticas pesadas pela desclassificação na Copa do Brasil porque conquistou o Paulistão e lidera o Brasileirão com folga. Além de seguir na Copa Sul-Americana.

Renato Portallupi acreditou na queda do Corinthians que tem 
desempenho incomum (Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação) 
O treinado do Grêmio, Renato Portallupi, virou piada quando afirmou que estava esperando o Corinthians despencar. Em teoria ele estava certo. Afinal é incomum o desempenho que o Alvinegro mostra nessa temporada. Se chegará ao título só o tempo dirá, mas terá que cair brutalmente de rendimento e perder muitos jogos para deixar escapar o título. 

Palmeiras, São Paulo e Santos sofrem igualmente com a quantidade de jogos. Os dois primeiros têm agora apenas o Brasileirão e problemas distintos. O Verdão tenta garantir vaga à Libertadores de 2018 e o Tricolor fugir da zona de rebaixamento. Já o Santos segue firme no torneio continental, juntamente com Grêmio e Botafogo. Para tanto, precisam tirar o foco do Campeonato Brasileiro. Melhor para o Corinthians.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Cássio e Luan são as novidades de Tite na Seleção

POR ROBERTO MAIA

Em ótima fase, Cássio foi chamado por Tite para a seleção. Na foto, ao lado do fotógrafo Daniel Algusto Jr. durante o lançamento do livro #Primeira Força

Nesta semana, o treinador Tite da seleção brasileira divulgou a lista com 31 jogadores para os jogos contra Equador e Colômbia, nos dias 31 de agosto (em Porto Alegre) e 5 de setembro (em Barranquilla), pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018. E com novidades: o goleiro Cássio, do Corinthians, e o atacante Luan, do Grêmio, estão entre os convocados.

Na verdade, eles já eram esperados, pois realizam um ótimo Brasileirão. Essa é a primeira convocação do goleirão do Timão para a seleção principal. Ele terá a companhia do colega de time Fagner, que mais uma vez foi chamado por Tite.

O Brasil, com 33 pontos, já está classificado para a Copa do Mundo na Rússia, e o técnico quer aproveitar para fazer algumas experiências.

Confira a lista completa:

Goleiros - Alisson (Roma), Cássio (Corinthians) e Ederson (Manchester City);

Zagueiros - Rodrigo Caio (São Paulo), Marquinhos (PSG), Miranda (Inter de Milão) e Thiago Silva (PSG);

Laterais - Daniel Alves (PSG), Fagner (Corinthians), Filipe Luis (Atlético de Madrid) e Marcelo (Real Madrid);

Meias - Casemiro (Real Madrid), Fernandinho (Manchester City), Paulinho (Guangzhou Evergrande), Renato Augusto (Beijing Guoan), Philippe Coutinho (Liverpool), Willian (Chelsea), Luan (Grêmio) e Giuliano (Zenit);

Atacantes - Taison (Shakhtar), Gabriel Jesus (Manchester City), Neymar (PSG) e Roberto Firmino (Liverpool).

Foto: Ag.Corinthians/Divulgação

Palmeiras cai na Libertadores e agora pensa no futuro

POR ROBERTO MAIA

O goleiro Jailson fez o que pôde, mas não conseguiu evitar a eliminação do Palmeiras na Libertadores 

No final de julho comentei aqui que o Palmeiras estava sentindo a pressão após a eliminação da Copa do Brasil e via na conquista da Copa Libertadores a grande chance de salvar o ano. Não conseguiu, apesar de contar com um elenco milionário.

O que resta agora é garantir classificação para a Libertadores de 2018. Como? Jogando para ser campeão, apesar da grande distância do líder Corinthians – 15 pontos de diferença.  Sonho impossível? Pode ser, mas no futebol tudo é possível. O Palmeira é muito grande e tem que sempre jogar pensando em ser campeão.

Entendo que o que está acontecendo é fruto de um planejamento errado, além da mudança de treinador e a chegada de jogadores no meio da temporada. Cuca chegou como o grande salvador e não consegue definir um time titular. E ainda trombou de frente com Felipe Melo, jogador que é ídolo da torcida. No jogo de quarta-feira, dia 9, contra o Barcelona de Guayaquil, no Allianz Parque, deixou Borja no banco, jogador que custou R$ 33 milhões e ainda não disse a que veio. Será que o experiente jogador colombiano, considerado o melhor da Libertadores de 2016, não poderia ser decisivo?

Após o jogo, o presidente do Verdão, Maurício Galiotte, garantiu a permanência do treinador Cuca e do executivo Alexandre Mattos. O que não significa muita coisa em se tratando de futebol brasileiro. Mas, foi muito infeliz ao enxergar evolução do time do ano passado até agora. Segundo o dirigente, a equipe evoluiu já que em 2016 foi eliminada da fase de grupos e, agora, caiu nas oitavas.

Sem achar um time titular, o supersticioso Cuca
voltou a usar a calça vinho da sorte – não adiantou 

Desculpe presidente, mas isso é pensar pequeno demais. O Palmeiras começou o ano como o maior favorito a títulos no Brasil. O clube, com o auxílio financeiro da patrocinadora, que colocou muitos milhões para trazer jogadores como Miguel Borja, Guerra, Luan, Bruno Henrique e Deyverson, entre outros, teria que produzir mais. Muito mais! Fica claro que o que foi planejado não deu certo.

Porém, Galiotte está correto quando diz que para um time conseguir ganhar a Libertadores tem que estar disputando sempre. Foi assim com todos os clubes brasileiros que disputaram e conquistaram o título de melhor das Américas. A repetição dá rodagem e alivia a pressão. Era nítida a diferença entre os jogadores do Palmeiras e do Barcelona do Equador, time imensamente inferior no papel. No campo, os jovens jogadores mostraram tranquilidade, apesar de jogar no Allianz Parque lotado. Isso é Libertadores e temos que aprender a jogá-la. 

Fotos: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Corinthians imbatível! Dá para duvidar de um time desses?

POR ROBERTO MAIA


Quem vai parar esse incrível Corinthians de Fábio Carille? Comentaristas experientes e outros nem tanto já queimaram a lingua tentando adivinhar até onde poderia chegar o time que foi rotulado no início do ano como sendo a "quarta força" do futebol paulista. 

O Timão fechou o primeiro turno do Brasileirão com uma fácil vitória sobre o Sport de Vanderlei Luxemburgo por 3 a 1, na arena de Itaquera que mais uma vez recebeu mais de 40 mil fieis torcedores. Com a vitória o Alvinegro soma 34 jogos sem saber o que é derrota e está a três jogos para igualar o seu próprio recorde alcançado em 1957. Agora são 21 vitórias e 13 empates empates no ano.


Os números do Corinthians impressionam. O time terminou o turno com 47 pontos - melhor campanha da história desde que o Brasileirão passou a ser disputado por pontos corridos e com 20 equipes. A expressiva pontuação também supera a do Palmeiras do ano passado (44 pontos ao final do segundo turno). O Timão tem a melhor defesa da competição (9 gols sofridos) e o artilheiro, Jô com 11 gols marcados. E o mais incrível: o Alvinegro é o time que menos cometeu faltas e o que recebeu menos cartões amarelos no campeonato. E teve apenas um jogador (Gabriel) expulso em 19 rodadas. 



Os torcedores corinthianos já sonham com a conquista do título do campeonato deste ano. Os mais fanáticos anteveem o troféu de forma invicta. Oficialmente, o único campeão brasileiro sem nenhuma derrota é o Internacional de Porto Alegre. Em 1979, o Colorado chegou ao título ao final de um campeonato com regras estranhas e que começou com 80 times divididos em dez grupos com jogos em turno único dentro de cada um. Naquele ano, Corinthians, Portuguesa, Santos e São Paulo não disputaram o torneio por não concordarem com a fórmula de disputa. No total, o Inter disputou 23 jogos (menos que os atuais 38), vencendo 16 e empatando sete.

No Brasileirão deste ano o Corinthians já disputou 19 jogos, onde venceu 14 e empatou cinco – outro recorde. Dá para duvidar de um time desses?

Fotos: Daniel Augusto Jr./Ag.Corinthians/Divulgação 

Neymar troca Barça pelo PSG para ser protagonista

POR ROBERTO MAIA

Sem a sombra de Messi, Neymar será protagonista no PSG
 e chegar à Bola de Ouro da Fifa (Foto: pt.psg.fr/Divulgação)

A transferência de Neymar Jr. para o Paris Saint-Germain ganhou as manchetes internacionais como sendo a maior e mais astronômica negociação do futebol mundial. E tem muita gente opinando – contra e a favor - sobre a decisão do agora ex-jogador de Barcelona. Mas ninguém sabe realmente o que se passa na cabeça do jovem de 25 anos, que vai embolsar uma fortuna impensável para a imensa maioria de jogadores de futebol do planeta.

Após o PSG depositar na conta do Barcelona a multa rescisória no valor de 222 milhões de euros – cerca de R$ 820 milhões -, Neymar assinou contrato por cinco temporadas no time francês, onde receberá salário anual em torno de 30 milhões de euros, o dobro do que recebia na Espanha. Fora uma série de outros benefícios que ajudarão a engordar ainda mais a conta corrente do brasileiro. Isso sem falar que estamos a menos de um ano da Copa do Mundo da Rússia, o que ajudará a incrementar as receitas com publicidade que o atleta embolsará.

Então não cabe a ninguém julgar se o craque está certo ou não em trocar o time catalão onde em quatro temporadas conquistou a Liga dos Campeões, Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Mundial de Clubes, entre outros que totalizam oito troféus.

No Barça, Neymar se destacou jogando com Messi e Suárez,
 formando com eles o famoso e mortal trio MSN 
(Foto: FC Barcelona/Divulgação)
Sem a sombra de Messi, Neymar no PSG será o principal protagonista e terá a companhia de outros brasileiros: Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos, Lucas, Thiago Motta (naturalizado italiano) e Gustavo Hebling. No ataque terá como companheiros o argentino Di Maria e o uruguaio Cavani.

Mas a transferência promete ainda render muita discussão. Desde 2011, o futebol europeu tem regras duras quanto ao endividamento dos clubes e que se enquadram no chamado fair play financeiro regulamentado pela Fifa. Ele limita gastos totais de 30% sobre o faturamento anual dos clubes. O montante para tirar Neymar do Barça superou o percentual estabelecido. Tanto que a UEFA, organização que controla o futebol europeu, já se manifestou garantindo que irá investigar a transação. Porém, o dono do PSG, Nasser Al-Khelaïfi, presidente do bilionário fundo de investimentos Qatar Sports Investment, ligado ao governo do Catar parece não estar preocupado. 

Mais uma vez Neymar se vê envolvido em polêmica para trocar de time. Foi assim em 2013, quando deixou o Santos e foi para o Barça. Na oportunidade, o valor divulgado oficialmente foi de 57 milhões de euros, mas a transação total pode ter sido bem maior, algo entre 86 milhões a 95 milhões de euros.

Nasser Al-Khelaïfi, o bilionário o dono do PSG, e Neymar Jr. 
no Parc des Princes (Foto: pt.psg.fr/Divulgação)
Em sua primeira entrevista coletiva Neymar garantiu que a troca de time não teve motivação financeira. Mentira, claro que teve! Quem em sã consciência diria não para uma proposta dessas? E ele não está indo para algum obscuro time da China como outros brasileiros fizeram. Escolheu o PSG de Paris, o principal time da França e com um projeto que prevê grandes conquistas em breve. 

E como desmentir Neymar quando diz que está indo de encontro a um desafiu profissional? Sem dúvida ele está iniciando o seu maior desafio. como estrela maior do time será cobrado e muito. E, agora, não terá com quem dividir essa responsabilidade. 
  

domingo, 30 de julho de 2017

Palmeiras investe tudo na Libertadores

POR ROBERTO MAIA

O Palmeiras de Keno está fora da Copa do Brasil e agora 
investe tudo na Libertadores (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras) 
Como diziam os antigos cronistas, o futebol é uma caixinha de surpresas. Quem poderia imaginar que 2017 seria tão complicado para o Palmeiras, atual campeão brasileiro e ainda mais reforçado que no ano passado? Com um elenco grande e milionário, o Verdão sofreu essa semana a segunda eliminação no ano ao empatar com o Cruzeiro em Minas. Após ficar fora das finais do Paulistão e agora da Copa do Brasil, a Copa Libertadores passa a ser o sonho dourado, visto que no Brasileirão a distância para o líder Corinthians torna o título praticamente impossível.

     Claro que o torcedor alviverde está chateado, porém se analisar friamente verá que o planejamento deste ano tem sido bastante confuso, além da mudança de treinador e a chegada de jogadores no meio da temporada. Basta ver que o atual comandante Cuca ainda não conseguiu definir um time titular. No jogo contra o Cruzeiro, por exemplo, cinco jogadores considerados titulares não puderam atuar. Deyverson e Bruno Henrique, contratados após o prazo de inscrição, Luan, Mayke e Juninho, que já haviam jogado por outros times do torneio.

     Para avançar às quartas de final da Libertadores terá que superar o Barcelona de Guayaquil, no próximo dia 9 de agosto, no Allianz Parque.

CORINTHIANS
Gols de Balbuena ajudam o Corinthians a seguir forte 
no Brasileirão e Copa Sul-Americana (Foto: Ag.Corinthians)

  A máxima da “caixinha de surpresas” também se aplica muito bem ao surpreendente Corinthians. Rotulado como a quarta força do futebol paulista, conquistou o Paulistão e já acumula a incrível marca de 31 jogos sem derrotas na temporada. Segue firme na liderança do Brasileirão com oito pontos à frente do Grêmio e avançou na Copa Sul-Americana ao vencer o Patriotas da Colômbia na sua arena. O jogo foi fraco e Fábio Carille escalou um time misto com vários reservas. Merecem registros a ótima fase do zagueiro artilheiro Balbuena que voltou a marcar – já são cinco gols na temporada - e o primeiro gol como profissional do novo xodó da fiel, o garoto Pedrinho. E que golaço! O Timão troca o chip e enfrenta o Flamengo na arena de Itaquera. O Mengão ocupa a quarta colocação no Brasileirão com 28 pontos, 12 a menos que o Corinthians.


SÃO PAULO
O “profeta” Hernanes voltou com a missão de tirar 
o time das últimas posições no Brasileirão 
(Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

    Após a heroica virada sobre o Botafogo ontem no rio de Janeiro, o Tricolor dá sinais de melhora e começa a dar alento aos seus torcedores. Aos poucos o experiente Dorival Junior vai dando padrão de jogo ao time, que melhorou muito com a entrada do “profeta” Hernanes, que voltou a vestir a camisa do clube que deixou há sete anos. Ele participou das campanhas vitoriosas em 2007 e 2008, quando foi bicampeão brasileiro. Depois se transferiu para a Lazio. Na Europa também defendeu a Inter de Milão e Juventus antes de ser negociado com o Hebei Fortune, da China.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O futebol moderno matou ou afastou os “Geraldinos”?

POR ROBERTO MAIA

No velho Maracanã os torcedores assistiam aos jogos em pé,
sem conforto, mas sempre com alegria (Foto: Arquivo Nacional)

Desde a Copa de 2014 e com a chegada das modernas – e caras – arenas ao Brasil, tenho ouvido muita reclamação através das mídias sociais e também via imprensa esportiva sobre a elitização do futebol no País. De maneira geral o que muita gente comenta é o afastamento dos torcedores de baixa renda das praças esportivas, o que estaria aniquilando a verdadeira essência do futebol brasileiro.

No passado também tivemos uma fase – décadas de 1950 a 1970 - em que grandes estádios foram construídos. Grandiosos, alguns até ganharam apelidos superlativos como Mineirão, Castelão, Mangueirão, Albertão, Prudentão, Morenão, etc. Eram comuns clássicos disputados com públicos superiores a 100 mil pessoas.

O Maracanã era a “joia da coroa” e motivo de inveja mundial por causa dos seus 200 mil lugares. Os mais velhos certamente lembram da antiga geral, espaço sem conforto algum onde os torcedores – chamados de “Geraldinos” - assistiam aos jogos em pé, sem visão adequada do campo de jogo e pagando ingressos de baixo custo. Mas os 30 mil lugares estavam sempre cheios de gente alegre – muitos fantasiados – que demonstravam no semblante o amor que sentiam pelos seus clubes de coração. As regras impostas pela Fifa e a reforma para receber jogos do Mundial levaram à extinção da velha geral. O local ganhou cadeiras e o espaço foi reduzido para 18 mil lugares.

O filme-documentário “Geraldinos” de Pedro Asbeg e Renato 
Martins mostra a fase romântica do futebol (Foto: Divulgação)

Em São Paulo, o Morumbi, com capacidade atual para 77 mil lugares, continua sendo o maior do Estado. Foi durante muito tempo o maior estádio particular do mundo. Seu maior público registrado foi no segundo jogo da final do Campeonato Paulista de 1977 entre Corinthians e Ponte Preta, quando recebeu mais de 146 pagantes – fora os que entraram sem pagar. Foi cotado para receber jogos da Copa, mas o plano de modernização não agradou aos padrões da Fifa, que escolheu a moderna arena do Timão.

Apesar da grande capacidade, o São Paulo tem muita dificuldade para manter o estádio rentável. Várias reformas foram feitas. Camarotes, restaurantes, lojas e até academia foram construídos. Antes do Allianz Parque era o maior espaço para grandes shows na cidade. Mas ainda recebe muitos deles, oportunidade em que tem sua capacidade plena ocupada. Mas sofre quando tem que mandar seus jogos lá. No atual Brasileirão, por exemplo, a média de pagantes é de apenas 21,6 mil torcedores. E cobrando o ingresso com valor mais baixo entre os times grandes paulistas. Enquanto seus torcedores pagam R$ 25 em média, os palmeirenses têm que dispor de R$ 61 e os corinthianos R$ 53. Apesar do menor custo, os rivais têm médias maiores de público: 36,6 mil o Corinthians e 33,4 mil o Palmeiras.   

Torcedores do Palmeiras pagam em média R$ 61 para 
assistir jogos no Allianz Parque (Foto: Divulgação)

Como então pensar em atrair de volta os torcedores de menor renda aos estádios? Claro que o preço dos ingressos cobrados atualmente limita e muito o acesso destes torcedores. Corinthians e Palmeiras cobram caro e têm suas casas sempre quase cheias. O São Paulo cobra bem menos e consegue ocupação média de apenas 32% da capacidade do estádio. E como explicar a média de apenas 9,1 mil pagantes do Vitória da Bahia, que vende os ingressos mais baratos entre os times que disputam a Série A – apenas R$ 17 em média?

Entendo que ao contrário do que muita gente imagina, não basta ter muitos lugares cobrando ingressos a preços baixos. Nos clássicos e decisões as arenas estariam lotadas, mas, e nos jogos com menor apelo em noites de quartas-feiras às 21h45? Se estiver frio e chovendo então será prejuízo na certa. O fato é que um conjunto de fatores afastam os torcedores de maneira geral: a falta de dinheiro, o transporte público ruim, a violência que mata torcedores apesar da hipocrisia da torcida única e a situação dos times dentro do campeonato.

Essa é uma discussão que tem que existir e envolver todos as partes no processo. Se é que existe ainda interesse em manter a essência do nosso futebol. Caso contrário iremos apenas enxugar gelo enquanto assistimos confortavelmente os jogos pela televisão.