POR
ROBERTO MAIA
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| Cássio tem a terceira maior
marca de um goleiro corinthiano no campeonato: está atrás de Carlos (661 min) e Jairo (957 min) |
O
desempenho do Corinthians no Brasileirão 2017 está “fora da curva”, termo muito
utilizado por estatísticos e matemáticos. Tanto que jornalistas e comentaristas
esportivos, que no início de cada ano costumam fazer previsões – e erraram feio
até aqui –, estão se agarrando agora aos dados estatísticos do campeonato na
era dos pontos corridos para explicar a campanha arrasadora do time treinado
por Fábio Carille. A invencibilidade de 27 jogos - quase quatro meses sem
perder com 17 vitórias e dez empates -, os sete jogos (637 minutos) de Cássio
sem levar gols, a defesa menos vasada, aproveitamento de 89,7% no campeonato
entre outros, trouxe à tona velhos rankings e comparações.
Nas
mídias sociais vídeos do jornalista Juca Kfouri e do apresentador e ex-craque
do Corinthians Neto devem estar entre os mais assistidos ultimamente. O
primeiro dizendo que o Palmeiras tem melhor time e será campeão. E o segundo
detonando do Alvinegro e Carille. Neto brada que o time do Corinthians é ruim e
vai brigar para não ser rebaixado. Disse também que Carille é “bonzinho” e não
terá futuro como treinado. Mãe Dináh deve estar se revirando no túmulo.
O fato é
que ninguém – principalmente quem acompanha futebol e acha que entende –
poderia imaginar que o Timão poderia fazer uma campanha como a que está
realizando. Todos diziam que ganhou o Paulistão porque os times do interior são
fracos e os três grandes à sua frente ainda não estavam entrosados. As previsões
e comentários garantiam que no Brasileirão as coisas seriam diferentes.
“Afinal, agora os jogos serão com times também grandes e que em um campeonato
longo o time de Carille não teria chance por causa do seu elenco pequeno e
limitado”, diziam.
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O jogo entre Corinthians e Palmeiras na noite desta quarta-feira
é o novo
recorde de audiência do futebol da Rede Globo no ano
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Não foi
um nem dois que chamaram o Corinthians de “quarta força do futebol paulista”.
Sabiamente o treinador utilizou isso para motivar seus jogadores “limitados”. E
deu certo. Os jogadores acreditaram em Carille, viram sinceridade e competência
no comandante e se uniram. Ouvi de uma torcedora corinthiana a seguinte frase:
“o encorajamento dos jogadores vem desta falta de fé em suas capacidades e do
descompromisso de ser o melhor, já que é a quarta força e que o elenco é
limitado”. Talvez essa singela opinião de torcedor explique o que os entendidos
não conseguem.
Muita
gente deve estar torcendo – e não estou falando apenas dos torcedores
adversários - para que o Corinthians comece a perder e não conquiste o
campeonato. Assim as coisas voltariam à normalidade das estatísticas, além de
dar razão às opiniões dos que previram uma campanha sofrível para o Corinthians
esse ano.
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O
lateral-esquerdo Guilherme Arana foi o nome do jogo:
sofreu pênalti e fez o seu
segundo gol no Allianz Parque
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Muita
coisa ainda pode acontecer, pois faltam dois terços do campeonato até o seu
final. Mas o que se viu até aqui é realmente surpreendente e prova que a
obediência tática e união dos jogadores ainda é a melhor fórmula para
conquistar resultados positivos. Além da mescla de jogadores experientes com
jovens promessas reveladas em casa. Em janeiro, quem poderia imaginar que o
lateral-esquerdo Guilherme Arana seria titular absoluto e já cotado para deixar
o clube rumo a um time de ponta da Europa? E que o veterano atacante Jô
largasse a vida desregrada que levava, entrasse em forma e se transformasse em
um atleta que marca forte na recomposição do time, abre espaços, dá
assistências e, claro, marca gols? Que Cássio voltasse aos velhos tempos que
ajudou o Corinthians a ganhar a Libertadores e o Mundial de Clubes? Que Fagner
fosse jogador de seleção? E o que falar então do incansável paraguaio Angel Romero,
tão criticado e até ridicularizado? Romero é peça fundamental do esquema de
Carille, tanto que já é chamado pelos torcedores mais fanáticos de Cristiano
Romero.
Como eu
disse na coluna da semana passada, o Corinthians atual é um verdadeiro mistério,
tal como o desafio da esfinge de Tebas: "Decifra-me ou te devoro".
Assim é o Timão de Fábio Carille, que vai eliminando adversários e calando
críticos que não conseguem decifrar o seu enigma.
FOTOS:
AG.CORINTHIANS/DIVULGAÇÃO



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