sexta-feira, 14 de julho de 2017

Corinthians cala críticos e segue imbatível

POR ROBERTO MAIA

Cássio tem a terceira maior marca de um goleiro corinthiano no
campeonato: está atrás de Carlos (661 min) e Jairo (957 min)

O desempenho do Corinthians no Brasileirão 2017 está “fora da curva”, termo muito utilizado por estatísticos e matemáticos. Tanto que jornalistas e comentaristas esportivos, que no início de cada ano costumam fazer previsões – e erraram feio até aqui –, estão se agarrando agora aos dados estatísticos do campeonato na era dos pontos corridos para explicar a campanha arrasadora do time treinado por Fábio Carille. A invencibilidade de 27 jogos - quase quatro meses sem perder com 17 vitórias e dez empates -, os sete jogos (637 minutos) de Cássio sem levar gols, a defesa menos vasada, aproveitamento de 89,7% no campeonato entre outros, trouxe à tona velhos rankings e comparações.

Nas mídias sociais vídeos do jornalista Juca Kfouri e do apresentador e ex-craque do Corinthians Neto devem estar entre os mais assistidos ultimamente. O primeiro dizendo que o Palmeiras tem melhor time e será campeão. E o segundo detonando do Alvinegro e Carille. Neto brada que o time do Corinthians é ruim e vai brigar para não ser rebaixado. Disse também que Carille é “bonzinho” e não terá futuro como treinado. Mãe Dináh deve estar se revirando no túmulo.





O fato é que ninguém – principalmente quem acompanha futebol e acha que entende – poderia imaginar que o Timão poderia fazer uma campanha como a que está realizando. Todos diziam que ganhou o Paulistão porque os times do interior são fracos e os três grandes à sua frente ainda não estavam entrosados. As previsões e comentários garantiam que no Brasileirão as coisas seriam diferentes. “Afinal, agora os jogos serão com times também grandes e que em um campeonato longo o time de Carille não teria chance por causa do seu elenco pequeno e limitado”, diziam.   

O jogo entre Corinthians e Palmeiras na noite desta quarta-feira 
é o novo recorde de audiência do futebol da Rede Globo no ano

Não foi um nem dois que chamaram o Corinthians de “quarta força do futebol paulista”. Sabiamente o treinador utilizou isso para motivar seus jogadores “limitados”. E deu certo. Os jogadores acreditaram em Carille, viram sinceridade e competência no comandante e se uniram. Ouvi de uma torcedora corinthiana a seguinte frase: “o encorajamento dos jogadores vem desta falta de fé em suas capacidades e do descompromisso de ser o melhor, já que é a quarta força e que o elenco é limitado”. Talvez essa singela opinião de torcedor explique o que os entendidos não conseguem.

Muita gente deve estar torcendo – e não estou falando apenas dos torcedores adversários - para que o Corinthians comece a perder e não conquiste o campeonato. Assim as coisas voltariam à normalidade das estatísticas, além de dar razão às opiniões dos que previram uma campanha sofrível para o Corinthians esse ano.

O lateral-esquerdo Guilherme Arana foi o nome do jogo:
 sofreu pênalti e fez o seu segundo gol no Allianz Parque
Muita coisa ainda pode acontecer, pois faltam dois terços do campeonato até o seu final. Mas o que se viu até aqui é realmente surpreendente e prova que a obediência tática e união dos jogadores ainda é a melhor fórmula para conquistar resultados positivos. Além da mescla de jogadores experientes com jovens promessas reveladas em casa. Em janeiro, quem poderia imaginar que o lateral-esquerdo Guilherme Arana seria titular absoluto e já cotado para deixar o clube rumo a um time de ponta da Europa? E que o veterano atacante Jô largasse a vida desregrada que levava, entrasse em forma e se transformasse em um atleta que marca forte na recomposição do time, abre espaços, dá assistências e, claro, marca gols? Que Cássio voltasse aos velhos tempos que ajudou o Corinthians a ganhar a Libertadores e o Mundial de Clubes? Que Fagner fosse jogador de seleção? E o que falar então do incansável paraguaio Angel Romero, tão criticado e até ridicularizado? Romero é peça fundamental do esquema de Carille, tanto que já é chamado pelos torcedores mais fanáticos de Cristiano Romero.

Como eu disse na coluna da semana passada, o Corinthians atual é um verdadeiro mistério, tal como o desafio da esfinge de Tebas: "Decifra-me ou te devoro". Assim é o Timão de Fábio Carille, que vai eliminando adversários e calando críticos que não conseguem decifrar o seu enigma.

FOTOS: AG.CORINTHIANS/DIVULGAÇÃO

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