sexta-feira, 18 de março de 2016

Fórmula 1 começa com novidades

Por Roberto Maia
Ferrari fez grandes mudanças no carro e confia na experiência 
dos seus pilotos (Foto: Studio Colombo Pirelli)
Normalmente falo sobre futebol nesse espaço. Porém, nessa semana abro uma exceção para falar a Fórmula 1 e a queda no interesse e da audiência no Brasil. A ausência de pilotos brasileiros que façam a diferença desmotivou os torcedores que acostumaram ver gênios do volante como Airton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi. Esperanças como Rubens Barrichello e Felipe Massa, infelizmente não confirmaram. Talvez porque preferiram ser coadjuvantes na Ferrari e ficarem milionários.

    Mas como a Fórmula 1 é um show, tanto que é chamada de circo, as mudanças sempre ocorrem com o objetivo de melhorar o espetáculo. Esse ano, a tentativa é fazer com que haja mais briga pela ponta e acirrar a disputa entre Mercedes e Ferrari. Também será a temporada mais longa da história da modalidade com 21 corridas.

    Novos carros e mudanças nas regras buscam aumentar a competitividade após dois anos seguidos em que a Mercedes dominou a categoria. Entre as novidades está a nova classificação, a maior liberdade na escolha dos pneus e limitações nas conversas entre engenheiros e pilotos via rádio. A maior expectativa é quanto ao novo modelo de classificação para as corridas. O novo sistema, que parece não ter agradado aos pilotos, mantém a divisão em três partes mas passará a eliminar um carro a cada 90 segundos até que a pole seja decidida nos instantes finais. No final haverá apenas dois pilotos disputando a pole.

    A temporada que começa nesse final de semana com o Grande Prêmio da Austrália e a expectativa está toda no desempenho da Ferrari. A equipe italiana fez grandes mudanças no carro e confia na experiência dos seus pilotos: Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen.

    Na forte Mercedes o que os amantes do esporte querem é que a equipe não interfira tanto na disputa entre os pilotos Lewis Hamilton e Nico Rosberg.
E o que esperar da McLaren? Tudo indica que também estará mais forte. Pelo menos nos testes realizados durante a pré-temporada o carro e o motor Honda demonstraram maior resistência e rapidez. Bom para Fernando Alonso que deve estar com saudade dos pódios.

    Apesar das mudanças, os pilotos brasileiros – Felipe Massa e Felipe Nasr – devem continuar disputando posições intermediárias. Tudo indica que a audiência seguirá caindo.

LIBERTADORES – A rodada de quarta-feira foi boa para o Corinthians e ruim para o São Paulo. O empate do Tricolor com o fraco Trujillanos na Venezuela deixa o time na UTI em termos de classificação para a próxima fase. Só não foi pior porque o River Plate também empatou com o The Strongest na altitude de La Paz, na Bolívia. Essa é a pior campanha do São Paulo nessa fase da competição: uma derrota, dois empates, apenas dois pontos conquistados e dois gols marcados. O risco da eliminação precoce coloca ainda mais pressão no time comandado por Patón Bauza, que tem pela frente o Trujillanos e o River Plate, ambos no Morumbi, e o The Strongest, em La Paz. Para não depender de resultado dos adversários será necessário vencer os três jogos para chegar às oitavas de final.


O Corinthians não encontrou dificuldades para superar o Cerro Porteño na arena de Itaquera. Depois de passar por sufoco e ser derrotado em Assunção, o time venceu fácil e recuperou a liderança do Grupo 8 da Copa Libertadores. O Timão, agora com nove pontos, pode até se classificar no próximo jogo, contra o Santa Fe, em Bogotá, no dia 6 de abril. 


Ganso volta a jogar bem, fez um gol, mas 
perdeu pênalti que daria a vitória ao Tricolor 
(Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)








Lucca teve participação efetiva na vitória 
corinthiana sobre o Cerro Porteño 
(Foto: Divulgação/ Ag.Corinthians)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Complexo de vira-lata na Libertadores

Por Roberto Maia

Palmeira foi facilmente envolvido pelo fraco Nacional em pleno 
Allianz Parque (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)

Os torcedores brasileiros aprenderam a gostar da Copa Libertadores da América. Afinal, se o seu time ganhar o troféu ele é considerado o melhor das Américas - do México à Patagônia. Será? Eu particularmente acho que essa disputa é de um nível técnico baixíssimo. No Campeonato Paulista tem times muito superiores a muitos que disputam o torneio continental. E, o mais incrível, é o desespero que se abate sobre os jogadores dos times brasileiros envolvidos na disputa. É lamentável assistir às entrevistas em que esses costumam dizer que são jogos difíceis e um empate fora de casa está de bom tamanho. Dirigentes de times campeões como o São Paulo, Corinthians, Palmeiras e outros brasileiros que disputam a Libertadores deveriam proibir comentários desse tipo.

    Aqui no Brasil temos jogadores experientes e com passagens por times da Europa. Porém, quando entram na disputa da Libertadores parecem juvenis recém saídos das categorias de base. Triste isso. Nossas equipes já entram derrotadas em campo. Como explicar o São Paulo conseguir perder no Pacaembu para o fraquíssimo The Strongest da Bolívia? Ou o Palmeiras deixar o também fraco Nacional do Uruguai se impor em pleno Allianz Parque e vencer com um jogador a menos durante todo o segundo tempo do jogo? Mesmo jogando no Paraguai, o Corinthians tinha obrigação de se impor sobre o Cerro Porteño, uma equipe inferior a muitas que disputam a Série C do Campeonato Brasileiro. Os corinthianos ainda lembram da doída eliminação para o Tolima, um outro time limitado.

    Até quando essa situação irá perdurar? Tirando equipes argentinas como o Boca Juniors e o River Plate, o restante não deveria apresentar dificuldades maiores. Perderá dinheiro quem apostar que um desses times poderá ser o campeão da América: Trujillanos, The Strongest, Nacional (URU), River Plate (URU), Independiente Del Valle, Melgar, Cerro Porteño, Cobresal e outros do mesmo nível.

    O Corinthians, recentemente, foi ao Deserto do Atacama, no Chile, para jogar contra o Cobresal. E não foi fácil chegar à vitória no último minuto do jogo. Mesmo a viagem com logística complicada, a hospedagens em um hotel feito com contêineres justificam tamanha dificuldade. Para mim, a única explicação é o medo de perder e acreditar que o adversário é forte por estar disputando a Libertadores. Complexo de vira-lata talvez explique. A expressão criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues ao se referir ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pelo Uruguai na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã.

    Quando assisto aos jogos da Liga dos Campeões da Europa chego a ficar com raiva da Libertadores. E já tivemos tempo suficiente para melhorar o nível dos times e dos estádios que disputam a hegemonia das Américas. Sim, das Américas porque times mexicanos entram na disputa mas, caso vençam, não podem ir à disputa do Mundial de Clubes. Absurdo!

    Criada em 1960, a Copa Libertadores da América é o mais tradicional e importante torneio de clubes desse lado do mundo. O primeiro representante do Brasil foi o Bahia e de lá para cá, times brasileiros já levantaram a velha taça em 17 oportunidades.  

Corinthians teve dois jogadores expulsos e foi derrotado 
facilmente pelo Cerro Portenõ (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação)

domingo, 6 de março de 2016

Competência, trabalho e fé no comando do Corinthians

Por Roberto Maia

Mesmo em momentos de glória, Tite não esquece de agradecer

Essa semana eu pretendia escrever sobre um outro assunto. Porém, mudei de ideia e resolvi falar de um profissional do futebol que merece todo o respeito e reverências: Adenor Leonardo Bacchi, o Tite. O treinador do Corinthians evoluiu muito após um ano (2014) sabático em que não dirigiu nenhuma equipe e aproveitou para refletir e estudar o futebol moderno praticado no mundo. Após o fiasco brasileiro na Copa do Mundo Fifa, seu nome era o mais cotado para assumir a missão de reformular a Seleção Brasileira. Ele próprio aguardava o convite que nunca veio.

   Em 2015, voltou ao Corinthians. E o que ele fez e está fazendo novamente em 2016 é para ser muito bem observado e digno de aplausos. Ano passado ele remontou o time após as saídas das principais estrelas do elenco – Paolo Guerrero e Emerson Sheik, entre outros – e levou a equipe à conquista do hexacampeonato brasileiro em uma campanha histórica com três rodadas de antecedência e 12 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Atlético Mineiro.

   Este ano, após o arrastão chinês que passou pelo Parque São Jorge ninguém poderia imaginar que pudesse realizar pela segunda vez o mesmo milagre. Pode até ser que o Alvinegro nem venha a conquistar títulos, mas ele está dando mostras que ele pode sim formar um novo time em condições de disputar e ganhar as principais competições.

   É incrível o que ele está fazendo no comando do Corinthians. E não digo apenas no que diz respeito aos treinamentos e táticas de jogo. Ele está mudando velhos e ultrapassados conceitos. Em um país onde os clubes trocam de treinadores a torto e a direito, Tite já acumula 355 jogos pelo Timão em três passagens. Na primeira (2004/2005) comandou o time em 51 jogos, conquistando 24 vitórias, 15 empates e 12 derrotas. Quando voltou (no final de 2010), mudou a forma do time jogar e comandar. Mostrou aos jogadores que ninguém tinha posição garantida e a conquista da titularidade viria por merecimento e trabalho. Os resultados começaram a aparecer em 2011, com a conquista do campeonato brasileiro. Mas a consagração aconteceu em 2012. Naquele ano fantástico, Tite levou o Corinthians à conquista da Libertadores pela primeira vez na história do clube e ao bicampeonato mundial no Japão, em jogo histórico contra o Chelsea.

   Gaúcho de Caxias do Sul, Tite começou a carreira como volante no Caxias, em 1978. Depois, jogou no Esportivo de Bento Gonçalves (1984), Portuguesa (1985) e Guarani (1986 a 1988). Com apenas 28 anos foi obrigado a encerrar a carreira devido a sérias lesões nos joelhos, inclusive com ruptura de ligamento, perdendo a mobilidade de uma das pernas. Tanto que até hoje não consegue dobrar um dos joelhos. Mas se o futebol perdeu um jogador mediano ganhou um treinador em condições de conquistar os títulos que não conseguiu dentro de campo.

   A partir de 1990, treinou uma série de times do Rio Grande do Sul até que, em 2000, comandando o Caxias realizou uma campanha surpreendente no Campeonato Gaúcho que culminou com a conquista do título sobre o Grêmio, que naquela época tinha Ronaldinho Gaúcho. Tamanha vitrine o levou para o tricolor gaúcho em 2001, ano em que foi campeão do Gauchão e da Copa do Brasil sobre o Corinthians. Tite deixou seu estado natal para dirigir o São Caetano. Aqui em São Paulo chamou a atenção do Corinthians, que beirava o rebaixamento em 2004. Foi contratado e tirou o time da zona da degola e levou à quinta colocação na tabela. Em 2005, deixou o Timão ao se opor a Kia Joorabchian, diretor do Grupo de Investimento MSI que teria tentado interferir na sua maneira de comandar e escalar a equipe.

   Antes de voltar ao Corinthians treinou o Atlético Mineiro, Palmeiras, Al Ain (Emirados Árabes), Internacional e Al-Wahda (Emirados Árabes).


   Não é à toa que a cada jogo do Timão em sua arena, a torcida corinthiana vibra quando o nome de Tite aparece no telão após a escalação do time. Coisa rara, mas que reconhece uma carreira vitoriosa e extremamente profissional.

Tite comemorou muito a conquista do Mundial de Clubes no Japão e reconhece apoio da torcida ao seu trabalho; Não importa o adversário, Tite repete um ritual no vestiário antes dos jogos do Timão.

(Fotos: Ag.Corinthians/Divulgação)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Arrastão chinês está chegando ao fim

Por Roberto Maia

Maior artilheiro do país em 2015, Ricardo Oliveira está de malas prontas 
para embarcar para a China (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/09.11.2015)
Enquanto a janela de transferências para a China não fechar – encerra amanhã, dia 26 - o estrago nos clubes brasileiros continua sendo grande. A novidade da semana são as garras chinesas em cima do centroavante do Santos e da Seleção Brasileira, Ricardo Oliveira. Segundo informações, o salário proposto ao atleta é mais um daqueles irrecusáveis: R$ 1 milhão mensais.

   Mas o camisa 9 santista tem um problema para resolver antes de bater asas rumo ao Beijing Guoan. O Comitê de Gestão que cuida do futebol do Santos pede 12 milhões de euros (cerca de R$ 53 milhões) para a liberação do seu jogador, valor menor que a multa estipulada no contrato que é de 50 milhões de euros.

   O presidente do Santos, Modesto Roma Junior, entende que o atleta de 36 anos queira muito essa transferência para fazer o pé de meia, porém não acredita que ele ficará insatisfeito no elenco em caso de insucesso na transferência. “É uma merda perder um jogador desse nível. Ele é um homem de palavra. Não é canalha. Se sair, teremos que repor e vai dar trabalho. Estipulamos o valor de 12 milhões de euros para podermos achar um substituto à altura no mercado”, disse.

   Mesmo que os chineses paguem o preço pedido, o presidente santista não ficou nada satisfeito com a forma que o Beijing Guon encaminhou o negócio. Como costumam fazer, os chineses negociaram primeiro com o jogador, acertaram o salário milionário e outros benefícios, o tempo de contrato e, depois, pedem que esse negocie a liberação com o clube – de preferência de graça. Irritado com o assédio, Modesto Roma enviou uma notificação ao clube e à FIFA.

   Ricardo Oliveira tem contrato com o Santos até dezembro de 2017 e recebe cerca de R$ 150 mil mais bônus por meta alcançada. No time chinês o contrato será de dois anos e os vencimentos são livres de impostos. Assim, pode estar chegando ao fim a história do artilheiro no time santista. Em suas duas passagens pelo Alvinegro (2003 e 2015) fez 99 jogos e 60 gols. Somente no ano passado marcou 37 vezes.

   Caso a negociação seja concluída, Ricardo Oliveira vai engrossar um pouco mais a já enorme lista de transferências de jogadores brasileiros para o exterior. Ontem, a CBF divulgou os números de negociações realizadas em 2015. Foram 1.589 entre chegadas e saídas do Brasil. Confira quais os países que mais levaram nossos jogadores: Portugal (136), Japão (44), Coreia do Sul (26), Emirados Árabes (23), Uruguai (23), Espanha (21), Estados Unidos (18), Turquia (16), Itália (15), Malta (14), Arábia Saudita (14), Índia (14), Bolívia (14), China (13), México (13), Polônia (13), Tailândia (12), Hong Kong (12), Irã (11), Áustria (11), Guatemala (10), França (10), Albânia (10), Grécia (8), Kuwait (7), Ucrânia (7), Chipre (7), Eslováquia (7), Omã (7), Romênia (6), Bahrein (6), Finlândia (5), Iraque (5), Catar (5), Alemanha (5), Nicarágua (5), Paraguai (4), Sérvia (4), Malásia (4), Inglaterra (4), El Salvador (4), Armênia (4), Colômbia (4), Azerbaijão (3), Geórgia (3), Costa Rica (3), Cazaquistão (3), Bósnia (3), Israel (3), Tunísia (3), Jordânia (3), Honduras (3), Chile (3), Bulgária (3), Rússia (2), Suécia (2), Moldávia (2), Luxemburgo (2), Macedônia (2), Dinamarca (2), Myanmar (2), República Tcheca (2), Trinidad (2), Eslovênia (2), Noruega (2), Marrocos (2), Maldivas (2), Líbano (1), Letônia (1), Estônia (1), Bélgica (1), Venezuela (1), Cingapura (1), Croácia (1), Canadá (1), Argentina (1), Argélia (1), Etiópia (1), Equador (1), Sudão (1), Peru (1) e Panamá (1).

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Gaviões da Fiel protestam e Constituição garante liberdade de expressão aos torcedores

Por Roberto Maia

Gaviões da Fiel protesta e exige liberdade de expressão aos torcedores 
(Foto: André Lucas Almeida/Facebook Jornalistas Livres)

A torcida organizada Gaviões da Fiel, que tantas vezes foi criticada por atos de violência, volta a dar exemplo ao se manifestar contra problemas ligados ao futebol e também à sociedade. No clássico do último domingo entre Corinthians e São Paulo, na arena de Itaquera, exibiu faixas protestando contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Federação Paulista de Futebol (FPF) - "CBF, FPF a vergonha do futebol" -, Rede Globo – “Futebol refém da Rede Globo” - e sobre o escândalo da merenda escolar, que atinge o deputado estadual Fernando Capez e o governo paulista de Geraldo Alckmin (PSDB) – “quem vai punir o ladrão de merenda?”

   Mesmo amparada pela Constituição Federal, que permite a liberdade de expressão, o árbitro da partida Luiz Flávio de Oliveira paralisou o jogo e exigiu que o zagueiro Felipe, capitão do Corinthians, se dirigisse até os torcedores para pedir que as faixas fossem retiradas. Temendo punição ou por desconhecimento dos seus direitos e dos torcedores, o atleta foi até a torcida, pediu, mas, felizmente, não foi atendido. Por sua vez, a Polícia Militar, que no jogo anterior entrou em confronto com os torcedores por causa do mesmo motivo, não agiu desta vez. Teria entendido que a manifestação era legítima? Só que não! Segundo o árbitro registrou na súmula, a comandante do policiamento, a tenente Letícia, não retirou as faixas “por motivo de segurança da partida e do público”. Que pena, até parece que voltamos aos anos duros da ditadura militar de triste lembrança.

   Lembro que no ano passado, torcedores do Corinthians já foram obrigados a retirar da sua arena uma faixa contra a arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla que eliminou o Timão na Libertadores de 2013.

   Inteligentemente, a Gaviões tratou de não infringir o Artigo 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, que diz ser proibido “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”. Até agora, nenhuma das mensagens teve cunho ofensivo, muito menos de caráter racista ou xenófobo. Muito pelo contrário. A nossa Constituição, em seu Artigo 5, diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.  Precisa dizer mais alguma coisa?

   Em nota oficial, a Gaviões da Fiel questionou em qual momento teria infringido o tal Artigo 13-A; de quem partiu a ordem para que invadissem as arquibancadas e apreendessem as faixas; e, principalmente, quando se adentra um estádio, perde-se os direitos constituintes?

   Quando eu disse no início desse texto que a Gaviões voltou a dar exemplo de engajamento político, estava me referindo ao ano de 1979, quando em um jogo no Morumbi a torcida ergueu faixa pedindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”. Naquela época, manifestações desse tipo eram evitadas porque havia temor pela repressão.
Talvez os mais jovens não saibam, mas a torcida Gaviões da Fiel foi fundada, em 1969, por um grupo de jovens torcedores com o propósito de derrubar o então presidente do Corinthians, Wadih Helu. De forma ditatorial, o mandatário pagava para que pugilistas agredisse os torcedores organizados que ousavam se manifestar. Importante lembrar que naquela época o Brasil vivia o auge da ditadura militar. Cada vez mais fortes e liderados por pessoas inteligentes e politizadas, os Gaviões começaram a fiscalizar a diretoria do clube ao mesmo tempo em que agiam nas arquibancadas pela redemocratização do país.

   E, passados quase 47 anos, a Gaviões da Fiel – maior torcida organizada do país - volta a combater a censura e a repressão ao defender a liberdade de expressão, que deveria ser regra em um país democrático. Tomara essa atitude seja copiada por torcidas organizadas de outros times. E que as brigas e emboscadas sejam colocadas de lado e a força popular representada por elas seja colocada a serviço dos torcedores e do Brasil.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Trio de Ferro está na Libertadores

Publicada em 11 de fevereiro de 2016


Por Roberto Maia

Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Grêmio e Atlético-MG começam a briga 
pela conquista da Copa Bridgestone Libertadores (Foto: Conmebol/Divulgação)

Quem faltava chegou. O São Paulo se juntou aos rivais Corinthians e Palmeiras na Copa Libertadores deste ano após vencer o César Vallejo, do Peru, por 1 a 0 na noite de quarta-feira, no Pacaembu. O jogo de volta da primeira fase da Libertadores reservou doses cavalares de emoção aos torcedores são-paulinos. O que em teoria seria um jogo fácil e com prognósticos de goleada do Tricolor tomou ares dramáticos com direito a pênalti perdido e bolas na trave. É certo que o zero a zero classificava o São Paulo, mas o medo de tomar um gol no final colocaria tudo a perder. O sofrimento terminou no finalzinho do jogo, quando o atacante Rogério – nome abençoado aos tricolores – saiu do banco para marcar o gol da vitória. O Tricolor avançou à fase de grupos e agora se junta a outros 29 times do continente. No Grupo 1, terá como companhia o atual campeão River Plate (Argentina), o The Strongest (Bolívia) e o Trujillanos (Venezuela).

São Paulo sofreu mas chegou à fase de grupos e se juntou aos rivais da 
capital paulista (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

    Além do Trio de Ferro paulistano, os outros dois representantes brasileiros na Libertadores são o Atlético-MG (Grupo 5) e o Grêmio (Grupo 6). Na próxima semana, os brasileiros estreiam no torneio. Palmeiras e Corinthians jogarão fora de casa. No Grupo 2, o Verdão enfrentará o River Plate do Uruguai, no dia 16, enquanto o Timão, no Grupo 8, terá pela frente, dia 17, o Cobresal, o clima e a altitude do Deserto do Atacama, no Chile. O São Paulo recebe, em casa, o The Strongest. Também no dia 17, o Atlético-MG enfrenta o Melgar, no Peru, e o Grêmio visita o Toluca no México.

Palmeiras de Robinho manteve a base e contratou para fazer bonito na Liberta; em fase de 
remontagem, Corinthians acredita nos gols de André para chegar ao bicampeonato do torneio 
(Fotos: Cesar Greco/Ag.Palmeiras e Ag.Corinthians/Divulgação)

    Confira os outros jogos dos times brasileiros na segunda fase da Copa Bridgestone Libertadores:

Grupo 1

10/03 – 19h30 - River Plate x São Paulo
16/03 – 19h30 – Trujillanos x São Paulo
05/04 – 21h45 – São Paulo x Trujillanos
13/04 – 19h30 – São Paulo x River Plate
21/04 – 21h45 – The Strongest x São Paulo

Grupo 2

02/03 – 21h45 – Palmeiras x Rosario Central (ARG)
09/03 – 21h45 – Palmeiras x Nacional (URU)
17/03 – 21h45 – Nacional (URU) x Palmeiras
06/04 – 21h45 – Rosario Central (ARG) x Palmeiras
14/04 – 21h45 – Palmeiras x River Plate (URU)

Grupo 5

24/02 – 21h45 – Atlético-MG x Independiente Del Valle (EQU)
10/03 – 21h45 – Colo Colo (CHI) x Atlético-MG
16/03 – 21h45 – Atlético-MG x Colo Colo (CHI)
06/04 – 19h45 ou 21h45 – Independiente Del Valle (EQU) x Atlético-MG
14/04 – 19h30 – Atlético-MG x Melgar (PER)

Grupo 6

02/03 – 21h45 – Grêmio x LDU Quito (EQU)
09/03 – 21h45 – Grêmio x San Lorenzo (ARG)
15/03 – 21h45 – San Lorenzo (ARG) x Grêmio
13/04 – 21h45 – LDU Quito (EQU) x Grêmio
19/04 – 21h45 – Grêmio x Toluca (MEX)

Grupo 8

02/03 – 21h45 – Corinthians x Santa Fe (COL)
09/03 – 19h30 – Cerro Porteño (PAR) x Corinthians
16/03 – 21h45 – Corinthians x Cerro Porteño (PAR)
13/04 – 21h45 – Santa Fe (COL) x Corinthians
20/04 – 21h45 – Corinthians x Cobresal (CHI)


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Paulistão ou Paulistinha?

Publicado em 04.02.2016

Por Roberto Maia

 O Palmeiras manteve a base e até se reforçou e é um dos favoritos à
 conquista do Paulistão (Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação)

Teve um tempo em que os campeonatos estaduais eram muito mais importantes que o torneio nacional. Em São Paulo, a média de público por partida era alta e os clássicos tinham sempre casa cheia. E quando digo casa cheia estou me referindo a jogos com 50, 60, 80 e até 100 mil pessoas. E o nível técnico era elevadíssimo. Chamado no passado de celeiro de craques, o interior paulista revelava jogadores em profusão. Grandes nomes do futebol brasileiro saíram das divisões de base do Guarani, Ponte Preta, Comercial, América, etc.

    Atualmente, o Paulistão (ou Paulistinha?) não é nem sombra do que já foi no passado. Ouso dizer que chega até a atrapalhar a preparação dos grandes clubes que se preocupam mais com a Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Os antes fortes times do interior hoje são apenas usados para a preparação de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos para as competições maiores. Enfraquecidos e nas mãos de empresários, esses times estão morrendo aos poucos em uma dolorosa agonia que esse ano ganha contornos ainda maiores. É que o regulamento prevê a queda de seis clubes para a Série A-2 enquanto apenas dois subirão. O Paulistão de 2017 será composto por 16 equipes.

    A redução atende reivindicação dos grandes de São Paulo, mas principalmente para atender os interesses da televisão. O fato é que o torneio não agrega mais nada para os clubes do interior. Nem mesmo a propalada “sobrevivência financeira” pode ser considerada. A cota da TV é baixa para os “pequenos” (R$ 2,5 milhões cada um) e as rendas são irrisórias – a média em 2015 foi de 4,9 mil pagantes por jogo. Já os grandes são beneficiados com cotas de televisão em torno de R$ 12 milhões. Isso explica porque o trio de ferro paulistano mais o Santos não se interessam em criar uma liga ou mesmo participar da Minas-Rio-Sul recém surgida.

    Na competição deste ano, Palmeiras e Santos saem na frente nos prognósticos por terem mantido as bases do ano passado. O Verdão, inclusive, se reforçou ainda mais. São Paulo e Corinthians perderam jogadores importantes e tentam se remontar e confiam na competência dos seus treinadores – Edgardo Bauza e Tite – para brigarem pelo título e não decepcionarem seus torcedores.

Neymar – Muitas vezes criticamos a ação dos empresários sobre as carreiras dos jogadores. Normalmente interessados apenas nos lucros, nem sempre pensam no que é melhor para a carreira dos seus agenciados. E o que dizer então de Neymar? O craque brasileiro do Barcelona tem sua carreira administrada pelo próprio pai, o que, imagina-se, seja o melhor para ele. Pode até ser, mas o jovem tem que dividir a atenção dos jogos com as audiências nos tribunais e acusações de sonegação fiscal. Tudo por causa da transferência milionária do Santos ao time catalão em 2013. O valor anunciado da negociação pulou de 17,1 milhões de euros para algo em torno de 90 milhões de euros, segundo a denúncia de um sócio do Barça. Em campo, Neymar dá sinais que está sentindo a pressão. Na goleada de 7 a 0 sobre o Valência ele passou em branco e até perdeu um pênalti, o quarto nas últimas oito cobranças.

  Neymar dá sinais em campo que está sentindo a pressão das 
acusações de sonegação fiscal (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)