sexta-feira, 15 de março de 2019

Mundial de Clubes da Fifa poderá ser disputado por 24 times




Maior vencedor do Mundial de Clubes da Fifa, o Real Madrid
do brasileiro Marcelo acumula cinco taças (Foto: realmadrid.com)
                                                            POR ROBERTO MAIA

Assuntos não faltaram nessa semana para ser comentado nesse espaço. Jogos importantes e emocionantes da Liga dos Campeões, Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Paulista; a volta de Zidane para o Real Madrid; e as mortes de Coutinho, artilheiro que se consagrou ao lado de Pelé no Santos, e do polêmico Eurico Miranda ex-presidente do Vasco.

Porém um assunto me chamou a atenção. A possibilidade da Fifa aprovar na próxima sexta-feira (15) um projeto que dará uma nova cara para o Mundial de Clubes. Segundo informações vazadas em sites de notícias, a ideia é que a competição passe a ser disputada por 24 times em um torneio que seria disputado entre junho e julho de 2021, período que estava reservado para a Copa das Confederações.

Dentro do novo formato, oito equipes viriam da Europa, seis para a América do Sul, três para a Ásia, três para a África e três para a Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe), além de uma para a Oceania. O novo Mundial seria disputado com as equipes divididas em oito grupos de três, sendo que só a primeira de cada um avançaria de fase.

O que não está claro é se o Mundial de Clubes será anual como acontece atualmente ou de quatro em quatro anos como ocorre com a Copa do Mundo. O atual formato reúne os seis times campeões continentais mais o representante do país-sede.

Trata-se de uma proposta arrojada que pode alterar bastantes os campeonatos disputados ao redor do mundo. As equipes classificadas seriam escolhidas dentro de cada uma das confederações.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Clubes brasileiros derrapam no marketing. Na Europa a coisa é bem diferente!


Luis Paulo Rosenberg deixa o marketing do Corinthians após 
uma série de polêmicas (Foto: Ag.Corinthians/Divulgação) 

POR ROBERTO MAIA

Uma semana após lançar a polêmica campanha Corinthianismo, que seria a "religião" do fiel torcedor do Corinthians, o diretor de Marketing Luis Paulo Rosenberg entregou carta de demissão que foi aceita pelo presidente do clube Andrés Sanchez. A campanha dividiu opiniões mas não foi o motivo principal da sua saída. Durante uma entrevista à ESPN Brasil, Rosenberg ao tentar explicar a falta de um patrocinador para o naming right da arena de Itaquera fez o seguinte comentário: “O apelo da marca Corinthians é tão grande que temos quatro grandes grupos interessados em vir. É mais ou menos... Eles se sentem na situação de estar vendo a esposa perfeita, com dotes culinários, formada com MBA no exterior, uma mãe de filhos maravilhosos, mas parece que tem um teste de Aids (sic) positivo. Como é que eu encaixo a camisinha é o grande desafio.” Foi a gotas d’água.

Grupos de oposição e até apoiadores da gestão de Andrés Sanchez passaram a exigir a saída de Rosenberg. Ficou insustentável. Ele era o braço direito do presidente e deixa a diretoria após um ano no comando do marketing corintiano.
Esse fato mostra o quanto precisamos evoluir na questão do marketing e outras que envolvem o futebol brasileiro. Dirigentes dos principais clubes do país costumam culpar a conjuntura econômica para justificar as dificuldades que encontram para atrair parceiros que tragam recursos para seus cofres. Na verdade falta profissionalismo e credibilidade.

Basta compararmos quais são as empresas que investem nos times brasileiros e as que estão associando suas marcas aos grandes da Europa. A comparação nos dá vergonha. Pois vejamos: as companhias aéreas Emirates (Paris Saint-Germain, Real Madrid, Arsenal, Milan e Benfica), Etihad (Manchester City) e Qatar (Roma); as indústrias automobilísticas Volkswagen (Wolfsburg), Fiat/Jeep (Juventus) e Chevrolet (Manchester United); as fabricantes de pneus Pirelli (Inter de Milão) e Yokohama (Chelsea); de telecomunicações Deutsche Telekom (Bayern de Munique) e Altice (Porto); Rakuten (Barcelona), Standard Chartered Bank (Liverpool), AIA (Tottenham), Evonik Industries (Borussia Dortmund), Trade Plus500 (Atlético de Madrid) e muitas outras gigantes do planeta.


Daniel Alves, Presnel Kimpembe, Gianluigi Buffon, Angel Di Maria e 
Thiago Silva exibem camisa com o novo patrocínio (Foto: Divulgação)

O Paris Saint-Germain que já tem a poderosa Emirates na parte da frente da camisa, agora também tem a MSC Cruzeiros na parte de trás. A parceria entre as duas marcas se estenderá pelos próximos dois anos e será exibida ao longo das temporadas no Parc des Princes e outras.

O PSG está crescendo rapidamente em todo o mundo. O clube já é seguido por mais de 65 milhões de fãs nas mídias sociais e é focado especialmente em mercados que são chave para a MSC Cruzeiros, como o Brasil e a Ásia. A parceria inclui direitos de imagens coletivas, hospitalidade VIP, meet & greets com jogadores, espaço de publicidade em LED durante as partidas, ativação de marca durante viagens internacionais, produtos licenciados e oportunidades de marketing dedicadas, incluindo ativos digitais para engajar fãs e cruzeiristas.


Manchester United tem como parceira a Marriott International, gigante 
do setor hoteleiro (Foto: Reprodução do site do Manchester United)  

Na Inglaterra, o Manchester United anunciou parceria global com a Marriott International, uma das maiores redes hoteleiras do mundo. A ação visa dar aos mais de 120 milhões de membros do programa de fidelidade de viagens Marriott Bonvoy, oportunidades exclusivas para experiências de futebol do time inglês.

Os membros do programa agora poderão, além do acesso ao extraordinário portfólio de marcas globais e propriedades em 130 países e territórios, usar os pontos acumulados em estadias em hotéis da rede para experiências VIP em jogos do time inglês no Old Trafford.

PUBLICADA EM 25.02.2019

Piscininha, amor! Um oceano separa o futebol brasileiro e o inglês




Piscininha no camarote FielZone Jack Daniel’s na Arena 
Corinthians divide opiniões (Foto: Reprodução/Facebook)

POR ROBERTO MAIA

A Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014 trouxe como modernidade apenas um lote de novas arenas construídas a peso de ouro. Junto a elas, outras construídas pela iniciativa privada como as do Palmeiras e a do Grêmio. Além disso, pouco avançamos de lá para cá. Na prática, o futebol brasileiro está a anos-luz do que é praticado na Europa. Até o ainda fraco futebol dos Estados Unidos é superior quando olhamos a organização como um todo.

Recentemente, durante o clássico Corinthians x São Paulo, o Timão inaugurou um novo camarote em sua arena, o FielZone Jack Daniel’s. O novo espaço de convivência e entretenimento para que os torcedores ganhou destaque na imprensa e nas mídias sociais pelo fato de anunciar que teria uma piscina. Comentários favoráveis e contras com os mais variados argumentos. Adeptos do futebol moderno contra os tradicionalistas se digladiaram com vontade.    


Camarote tem 1,5 mil metros quadrados, muitos atrativos 
capacidade para 300 pessoas (Foto: Soccer Hospitality/Divulgação)
Fruto de parceria do clube com a empresa Soccer Hospitality, que tem camarotes semelhantes no Morumbi e no Allianz Parque, o camarote tem capacidade para 300 torcedores em dias de jogos e disponibilidade para até mil pessoas em eventos fechados.

Os visitantes têm à disposição uma ampla área de 1,5 mil metros quadrados, com temática exclusiva da famosa destilaria americana Jack Daniel’s, uma barbearia, videogame, mesas de sinuca, pebolim, palco para apresentação musical, open bar sem álcool, open food com direito a hamburgueria e churrasqueira.

Premier League - Enquanto por aqui ficamos discutindo a piscininha da Arena Corinthians, na Inglaterra, clubes como o Liverpool, Manchester City e Arsenal fizeram parceria com a gigante Intel para que seus torcedores possam assistir futebol de uma maneira nunca vista antes. Eles estão implementando o True View, que permitirá experiências imersivas para os fãs de cada clube. Usando Realidade Virtual (VR), Realidade Aumentada (AR) ou apenas recursos do celular, eles verão exatamente o que os jogadores veem durante os momentos mais decisivos de um jogo.

Para tanto, o True View utiliza uma enorme quantidade de tecnologia, além de 38 câmeras 5K de ultra-alta definição em torno de cada uma das arenas - Etihad, Anfield e Emirates Stadium. Câmeras que usarão captura volumétrica para gravar imagens, criando mais de 200 terabytes de dados por jogo, todos enviados e processados ​​para uma sala de servidores dedicada. Nessa sala de controle um produtor será capaz de criar três tipos de conteúdo.


Etihad Stadium do Manchester City está sendo equipado com 
tecnologia avançada do True View (Foto: Visit Britain/Divulgação)

O primeiro com replays de 360 ​​graus para dar aos telespectadores o poder de manipular as imagens de forma que eles possam assistir aos gols e outros lances importantes de todos os ângulos imagináveis. O segundo criará uma “parede de laser” que fornecerá uma sobreposição gráfica para análise pós-jogo, dando uma imagem mais clara de onde os jogadores são posicionados no campo em um momento específico.

E, finalmente, o terceiro e talvez o mais espetacular, permitirá ao usuário a possibilidade de ser o próprio jogador. Ao congelar um momento específico do jogo, o torcedor poderá, literalmente, calçar as chuteiras dos seus ídolos e enxergar o jogo dentro de campo através dos olhos de um jogador específico. Consegue imaginar isso?

Os três clubes ingleses esperam que um conteúdo mais imersivo poderá ajudá-los a conquistar mais torcedores, especialmente os mais jovens. Iniciativas como essa mostram que os principais clubes do mundo pensam o futebol como um rentável negócio de entretenimento global.

Enquanto isso, aqui no Brasil, ainda se discute a utilidade e viabilidade do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Piscininha, amor!  


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Corinthians e Roma protagonizam viradas épicas


Corinthians campeão do Paulistão 2018 (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag.Corinthians)

POR ROBERTO MAIA

final do Paulistão entre Palmeiras e Corinthians foi um teste para cardíacos. O gol de Rodriguinho com menos de dois minutos de jogo emudeceu os torcedores do Verdão que se prepararam para um dia de festa. Festa do campeão. Afinal, o time comandado por Roger Machado deixou tudo muito bem encaminhado uma semana antes em plena Arena Corinthians. Bastava um empate em sua casa que tinha mais de 41 mil torcedores para empurrar.

Mas o improvável aconteceu. O time corinthiano foi eficiente e frio, ou melhor, gelado. Deixou o Palmeiras com a posse de bola e assumiu postura unicamente defensiva. Um perigo, mas um risco calculado por Fábio Carille e que deu certo. Por mais que tentassem, os palmeirenses não conseguiam furar as rígidas linhas defensivas. Os ponteiros do relógio se arrastavam para os alvinegros e voavam para os verdes.

Os zagueiros Balbuena e Henrique com a taça (Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag.Corinthians)

Os nervos que estavam à flor da pele explodiram quando o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza marcou pênalti de Ralf em Dudu. Marcou porque estava mal posicionado, pois o defensor corinthiano atinge apenas a bola limpamente. Se tivesse apitado somente o escanteio ninguém reclamaria. Acho que nem o Dudu, apesar que ele reclama sempre de tudo. A confusão estava formada. O apitador demorou 8 minutos para assumir que errou, após conversar com o seu auxiliar Adriano de Assis Miranda. Deu argumento para os palmeirenses reclamarem de interferência externa. Que pode até ter acontecido, mas jamais saberemos.

O goleiro Cassio defendeu dois pênaltis (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag.Corinthians)

O fato é que o árbitro não estava preparado para apitar um jogo de tamanha grandeza. Mas, apesar de totalmente atordoado e as imagens mostram isso, corrigiu um erro que poderia ter sido histórico e fatal para a sua carreira. Mas como o dia era do Corinthians, quem garante que o gigante Cássio também não pegaria o pênalti. 

A rivalidade entre os dois times é tão grande que seus torcedores costumam dizer que vale ganhar até com gol roubado aos 45 do segundo tempo. Se o Verdão tivesse sido campeão dessa maneira o resultado não faria jus à sua grandeza. Em contrapartida, o Timão faturar o 29º Campeonato Paulista da sua história – um bicampeonato - dentro da casa do seu maior adversário ficará eternizado para sempre.

O paraguaio Romero tirou onda e fez selfie com os colegas campeões
(Foto: Daniel Augusto Jr./Ag.Corinthians)

Roma passou por cima do invicto Barcelona

Dois dias depois, foi a vez da Roma atropelar o invicto Barcelona de Messi e companhia e protagonizar uma virada épica. Após perder por 4 a 1 na Espanha, precisava de uma virada histórica e vencer por 3 a 0 em seus domínios para passar às semifinais da Champions League. E, quem diria, conseguiu graças a Dzeko, De Rossi e Manolas, os heróis do jogo.

E o que esses dois resultados improváveis significaram? Eles mostram que no futebol nem sempre um time recheado de craques e com retrospecto melhor consegue levar a melhor sobre oponentes guerreiros, que colocam a raça e a disciplina tática acima de tudo.

O futebol mudou muito, mas vitórias como as do Corinthians e Roma mostram que o esporte sempre será imprevisível e emocionante.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Com direito a muito sofrimento, Grêmio conquista a Recopa


O grito estava engasgado na garganta dos tricolores ao longo de sofríveis 120 minutos de 
bola rolando mais alguns – intermináveis –  das cobranças dos pênaltis (Foto: grêmio.net)


POR ROBERTO MAIA

Enquanto o Paulistão não engrena e entra na fase que realmente empolgará os torcedores, o Brasil já tem o seu primeiro campeão de 2018. O Grêmio conquistou a Recopa Sul-americana, no dia 21 de fevereiro, em um jogo que deixou seus torcedores à beira de um ataque cardíaco. O adversário não poderia ser pior, um time argentino, catimbeiro, que não desiste nunca, o Independiente.

Apesar de jogar cerca de 50 minutos com um jogador a mais em campo, o Tricolor Gaúcho não conseguiu marcar em sua arena lotada. Veio a prorrogação e depois a disputa de pênaltis. Tudo muito igual. Pênaltis bem batidos de lado a lado até que no quinto e derradeiro brilhou a estrela do ótimo goleiro Marcelo Grohe, que fez a defesa e lavou a alma dos gremistas. Bom para ele que o treinador da Seleção Brasileira, Tite estava lá assistindo.

A obrigação de atacar e vencer o jogo era do Grêmio, que jogava em casa. E atacou muito, mas não chegava às redes. Já o Independiente aproveitava os contra-ataques. Também tiveram chances de abrir o placar, mas, tal como os gremistas, pecavam na hora de concluir. Importante frisar que o goleiro argentino Campaña fez verdadeiros milagres no jogo de ontem.

Os hermanos, como sempre, não economizaram na hora de fazer faltas violentas para parar o ataque gremista. Distribuíram pancadas até que, Amorebieta afastou uma bola na área e deixou as travas da sua chuteira no peito de Luan. Com a ajuda do vídeo, o árbitro deu cartão vermelho para o zagueiro.

O que parecia ser uma enorme vantagem não se refletiu em campo. O segundo tempo foi ainda mais tenso. Gremistas presentes na arena e espalhados pelo país certamente roeram todas as unhas e o gol redentor não aconteceu.

Assistindo ao jogo lembrei de um amigo gaúcho, o jornalista Airton Gontow, um gremista ferrenho que deveria estar à beira do enfarto. Estava sentindo dó dele, que mora em São Paulo, tão distante da sua terra querida. Aí lembrei que ele já passou por momento ainda mais tensos com o seu Grêmio e já está vacinado.


O jovem Anderson entrou para a história gremista 
ao marcar um gol quase impossível no jogo que 
ficou marcado como a “Batalha dos Aflitos” 
(Foto: Grêmio/divulgação)

Batalha dos Aflitos - Foi inevitável lembrar da histórica “Batalha dos Aflitos”, nome dado ao jogo contra o Náutico, em Recife, no dia 26 de novembro de 2005. Última rodada do Brasileirão da Série B daquele ano e o Grêmio precisando apenas empatar sem sofrer gol para voltar à principal divisão do futebol brasileiro. Tal como ontem, o gol também não acontecia. O enredo daquele jogo teve requintes de crueldade com os torcedores gaúchos. No primeiro tempo houve um pênalti a favor do Náutico, que não foi convertido para a alegria dos gremistas e do ainda pouco conhecido treinador Mano Menezes.

Para piorar tudo, no segundo tempo o Tricolor teve um jogador expulso e mais uma penalidade marcada para o Náutico. A reclamação foi grande e outros três gremistas receberam o cartão vermelho. O desastre parecia inevitável. Com sete em campo, nenhum outro poderia ser expulso para que o jogo não terminasse naquele momento. A agonia parecia não ter fim. Os corações dos tricolores dispararam no momento em que o jogador do Náutico correu para a bola. Segundos intermináveis. Até que o jovem goleiro Galatto, de apenas 22 anos, fez a defesa mais importante e histórica da sua vida. Defesa que lhe rendeu o apelido de “Homem de Gelo”.

Airton Gontow, diretor do site Coroa Metade,
comemorou muito a conquista da Recopa 2018
Mas como segurar a bola e garantir aquele empate com apenas sete em campo? Impossível? Não para o Imortal time centenário de Porto Alegre. O milagre da raça gremista se materializou aos 63 minutos de jogo do segundo tempo. Um outro jovem, Anderson, camisa 17, como que não acreditando no impossível decidiu invadir a área adversária e com um sutil toque marcou o gol improvável. Gol que garantiu o título e o acesso. Gol que colocou um jogo na história do time gaúcho e na memória dos torcedores. 

E se o meu amigo Airton não morreu naquele dia não haveria de ser ontem contra o Independiente. Mandei uma mensagem para ele dando os parabéns e fui dormir. Ele teve ter varado a noite comemorando o bicampeonato. Merecidamente!


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Andrés Sanchez volta à presidência do Corinthians com muitos problemas para resolver

Andrés Sanchez assume a presidência pela segunda vez
com a missão de equacionar a dívida da Arena Corinthians

POR ROBERTO MAIA

Passada a ressaca do Carnaval voltamos novamente nossas atenções ao futebol paulista. Na semana anterior à festa de Momo os associados do Corinthians, em uma das eleições mais disputadas da história do clube, escolheram um novo presidente. Novo é maneira de dizer, porque Andrés Sanchez volta ao comando dos destinos do Timão pela segunda vez. Agora para um mandato que vai até novembro de 2020.

Deputado federal pelo PT, Andrés obteve 1.235 votos (33,9%) no pleito realizado no Parque São Jorge, superando Paulo Garcia (832 votos), Antônio Roque Citadini (803 votos), Felipe Ezabella (461 votos) e Romeu Tuma Júnior (278 votos). Houve, ainda, 18 votos nulos e 13 em branco. Compareceram às urnas 3.642 associados de um total superior a 10 mil em condições de voto.

A volta de Andrés à presidência marca mais uma vitória do grupo Renovação & Transparência, que completará 13 anos no comando do Corinthians. Ele comandou de 2007 a 2012, sendo seguido por Mário Gobbi e Roberto de Andrade. Durante o período em que ficou fora Andrés nunca esteve ausente de fato. São muitos os comentários no clube e na imprensa que ele sempre esteve por trás dos principais assuntos do clube, principalmente no futebol.

Das 24 chapas concorrentes, foram eleitas as oito mais votadas, além de duas suplentes
A votação também marcou uma nova forma na eleição dos conselheiros. Com o fim do chamado “chapão”, quando 200 nomes eram escolhidos pelo grupo do candidato à presidência, desta vez 24 chapinhas de 25 integrantes cada, concorreram às 200 vagas para conselheiros trienais. A grande quantidade de candidatos se explica pela liberdade de poder colocar candidaturas sem depender do humor e da boa vontade dos caciques que comandam a política do clube. Pode até não ser o formato ideal, porém é muito mais democrático que o anterior.

Foram eleitas as oito chapinhas mais votadas, além de duas suplentes. As vencedoras foram as seguintes: Preto no Branco (412 votos), Fiéis Escudeiros (274 votos), Renovação e Transparência (232 votos), Inteligência Corinthiana (184 votos), Mosqueteiros (179 votos), Tradição Corinthiana (169 votos), Corinthians Supremo (162 votos) e São Jorge (161 votos). Resgata Corinthians e Aqui é Corinthians ficam na suplência.

Apesar do grande número de candidatos pedindo votos, o dia transcorreu com muita tranquilidade. Infelizmente, pouco após o anúncio da vitória de Andrés, um grupo de torcedores – a maioria não sócios do clube – insatisfeitos com a sua volta ao comando, causou tumulto e cenas de violência. Mas, felizmente, nada mais grave aconteceu.

Ralf atuou em 350 jogos e conquistou seis títulos pelo Corinthians:
Brasileirão (2011 e 2015), Libertadores (2012), Mundial de Clubes (2012),
Paulistão (2013) Recopa Sul-Americana (2013) (Foto: Daniel Augusto Jr./Ag.Corinthians)


O principal problema de Andrés será conseguir recursos para poder fazer frente à dívida da arena em Itaquera. Para ajudá-lo nessa difícil missão ele trouxe de volta Luís Paulo Rosenberg para novamente assumir a diretoria de Marketing. Segundo Andrés, a arena não é um problema. “A arena é solução. O Corinthians tem seus problemas históricos economicamente, mas nunca deixou de pagar. Rapidamente vamos acertar tudo”, garantiu.

No futebol, Andrés ainda não trouxe nenhum nome de peso e tampouco o desejado camisa 9 que a Fiel tanto espera. Mas resgatou o volante Ralf – outro velho conhecido – que estava sem clube após o termino do seu contrato com o Beijing Guoan da China; contratou o jovem atacante Matheus de 19 anos junto ao América-RN; e adquiriu 50% dos direitos econômicos do zagueiro Marllon, que pertencia ao Cianorte e atuou pela Ponte Preta no Brasileirão de 2017.

Corinthians comprou 50% dos direitos econômicos do zagueiro Marllon, 
que atuou pela Ponte Preta no ano passado (Foto: Fabio Leoni/PontePress)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Abismo entre Brasil e Europa aumenta cada vez mais


Philippe Coutinho trocou o Liverpool pelo Barça por
160 milhões de euros (Foto: Victor Salgado/FCB/Divulgação)

POR ROBERTO MAIA

Incrível como a cada temporada a distância econômica aumenta entre os times da Europa e os da América do Sul. Atualmente, não é mais apenas um oceano que separa os dois continentes. Infelizmente para nós, também há um imenso abismo financeiro. E, pior, cresce cada vez mais a diferença técnica entre os times europeus e sul-americanos. No Brasil, especificamente, jogadores de todas as idades deixam o país por valores insignificantes quando comparados aos praticados pelos gigantes europeus.

Há alguns meses, o mundo ficou boquiaberto quando Neymar Jr. trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain por impensáveis 222 milhões de euros – cerca de R$ 820 milhões. A transação ganhou as manchetes internacionais por ser a maior e mais astronômica negociação do futebol mundial. Ao trocar Barcelona por Paris, Neymar também dobrou o seu salário e passou a receber cerca de 30 milhões de euros anuais. Importante lembrar que o craque saiu do Santos por 17 milhões de euros, aproximadamente R$ 49 milhões à época.

Com o cofre cheio o time catalão saiu às compras e ultrapassou pela primeira vez na sua história a barreira dos 300 milhões de euros em contratações na atual temporada. Entre as mais recentes e caras contrações do Barça estão o jovem talento francês Ousmane Dembélé (145 milhões de euros) e, agora, o brasileiro Philippe Coutinho.

Coutinho deixou o Liverpool por 160 milhões de euros, sendo 130 milhões agora e outros 30 milhões em bônus por desempenho do jogador. Podemos dizer que foi um “precinho de ocasião” pois, há alguns meses, os dirigentes do time inglês estavam pedindo 200 milhões de euros (cerca de R$ 745 milhões, na cotação da época) para liberarem o brasileiro. O negócio não prosperou e só foi concretizado agora após redução de 40 milhões no valor.

Outra transação que mostra a imensa defasagem em relação à Europa foi a liberação do zagueiro Marquinhos – titular da seleção brasileira. Revelado pelo Corinthians, foi vendido para a Roma, em 2012, por 3 milhões de euros. Um ano depois, o PSG contratou-o por 31 milhões de euros. E, em 2016, quase foi para o Barça e só não trocou de cidade porque os dirigentes franceses não aceitaram os 60 milhões de euros oferecidos pelos catalães.

Se algumas ações não forem tomadas com urgência o quadro só tenderá a piorar. Além de pagarem quantias irrisórias por nossas melhores revelações, também garimpam em escolinhas e levam meninos por volta dos 13 anos como se estivessem comprando ações que poderão valorizar no futuro.

E não são mais apenas os grandes clubes europeus que fazem a festa no futebol brasileiros. Times intermediários também já perceberam que podem lucrar muito comprando barato e revendendo depois. É o caso, por exemplo, de Guilherme Arana, que com apenas 20 anos e uma única boa temporada no Corinthians foi para o Sevilha por 11 milhões de euros. Óbvio que o clube andaluz pretende ganhar muito mais em uma futura transação com os grandes da Europa.

Essa e a triste realidade do nosso futebol. Até quando?